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  • Humildade

    Humildade

    O vício contrário à humildade é a soberba. A humildade é a verdade, dizia Teresa de Ávila. Todos somos portadores de qualidades e defeitos. Ensinar às criança a não se vangloriarem pelas qualidades humanas que possuem, fazendo-as perceber que foram dadas gratuitamente por Deus, a fim de que elas possam servir aos demais com seus talentos. A pessoa humilde também percebe que possui defeitos, e procura lutar contra eles, sem desanimar, pois o desânimo é fruto da soberba de quem se achava perfeito e por fim descobre que possui misérias, limitações e fraquezas. Desânimos, enfados, sentir-se insultado por qualquer coisa que contrarie, é fruto da soberba que, dependendo do tipo de temperamento, pode levar a agir com violência ou isolar-se.

    A tendência à vaidade no vestir-se com excessiva preocupação pela moda (as marcar famosas e caras!), a ânsia de querer agradar aos demais para ficar bem com todos, são manifestações de falta de humildade que precisam ser corrigidas desde criança, a fim de que aprendam a agir com simplicidade e naturalidade.

    Também demonstra vaidade a tendência a comparar-se com os demais, e sentir inveja ao não ter as qualidades que percebe em outras pessoas. A inveja é a tristeza diante do bem alheio. Ensinar aos filhos que todos recebemos de Deus qualidades e que somos diferentes porque Deus não se repete, e não nos cria como garrafas de refrigerantes fabricadas em série. As qualidades que recebemos são únicas e devemos fomentá-las para ajudar aos demais. Os filhos não podem se sentir inferiores a outras crianças ao se compararem e perceberem que não possuem as qualidades que veem nelas, e que não as possuem: fazê-los perceber que suas capacidades são outras, e que com elas serão felizes aos ajudar aos demais.

  • Respeito aos pais

    Respeito aos pais

    Os filhos devem ter detalhes de carinho e respeito pelos pais, e serem obedientes. Para conquistarem esse respeito, os pais não necessitam deixar de exercer a autoridade, nem temer dizer “não” aos filhos, com receio de contrariá-los. Quando os pais exercem a autoridade sem autoritarismos, mas com carinho e sem ceder naquilo que entendem ser o correto, os filhos passam a amá-los ainda mais. Carinho e firmeza com os filhos são como guard rail da estrada, que dão segurança para manter-se no caminho certo. Sem essa firmeza dos pais, as crianças ficam desorientadas, e com o passar do tempo deixam de amar o que é correto.

  • Castidade

    Castidade

    A virtude da pureza ou castidade tem aspectos apropriados a cada idade, e deve ser abordado com todos os filhos com frequência, e segundo o nível de cada filho. Sugerimos ler o boletim Filhos: informação sexual, entre outros, que estão em nossa página Boletins por temas, verbete “Educação da sexualidade”. É um erro pensar que a informação sexual deve ser tratada apenas na adolescência. Alguns aspectos dessa virtude são:

    • Sinceridade: os pais não podem dar nada por suposto. É preciso facilitar a sinceridade, pois pode custar ao filho falar sobre esses temas. Conversas pessoais, descontraídas, sem causar estranheza e sem que os pais se escandalizem com algo que os filhos perguntem ou afirmem, pois isso faria os faria retraírem-se de abordarem tais temas com os pais, indo tratá-los com os amigos, muitas vezes desinformados para ajudar.
    • Cuidado com as telas digitais: muita televisão, vídeos, filmes, certas publicidades, têm favorecido a visita a sites pornográficos, causando males (vícios) em crianças e adolescentes, que perdem o interesse pelos demais assuntos.
    • Guardar os sentidos: especialmente a vista na televisão, celulares, tabletes, pois a visão é a porta por onde entra a impureza na alma das pessoas. O ouvido também pode ser cúmplice da impureza, e os pais devem alertar aos filhos sobre canções da moda que são inconvenientes, sensuais, pornográficas, e devem ser evitadas.
    • Conversações: cuidar das conversas com os amigos, principalmente na escola e na vizinhança. Fugir de temas pegajosos, como são os relativos à sexualidade, que conduzem a comportamentos infra-humanos ao instigar a imaginação e provocar desordens no comportamento sexual.
    • Pudor: é virtude que resguarda da curiosidade alheia o que é íntimo. Pudor não apenas no modo de apresentar-se vestido em casa e na rua, mas também nas ideias e nas palavras, pois há temas que devem ficar na intimidade pessoal e familiar, e não ser lançado ao público. Quem não tem uma intimidade rica, busca chamar a atenção sobre seu corpo e suas ações inapropriadas. É na família onde se começa a viver o pudor: no modo de vestir-se em casa e de trocar as roupas, em evitar conversas frívolas, ou críticas sobre pessoas. Nas praias e piscinas se descuidam muito o pudor, sendo que esses locais devem ser evitados, principalmente no período de verão. Leia o boletim Educar para o pudor.

  • Generosidade

    Generosidade

    Esta virtude compreende muitos aspectos:

    1 – Generosidade com Deus: Todas as criaturas dependem de Deus e a Ele devemos oferecer toda a nossa vida e tudo quanto fazemos. Para isso, é necessário ser muito generoso com o tempo, e ensinar o adolescente a dedicar alguns momentos diários (10 minutos, por exemplo) exclusivamente para Deus, conversando com Ele, pois isso se chama oração ou meditação. Com isso, aprenderão a oferecer a Deus tudo o que fazem: estudo, esporte, encargos familiares, momentos de diversão… Assim, saberão viver sempre diante de Deus e tê-Lo como Pai, e oferecer a Ele pequenos sacrifícios, por exemplo, cumprindo os horários de estudo, lutar para ganhar outras virtudes.

    2 – Ajudar aos demais: desprender-se do tempo pessoal para ajudar os pais, irmãos, amigos e colegas, prestando-lhes as ajudas que necessitam, e fazendo isso sem chamar a atenção, mas de modo alegre e delicado, evita egoísmos e preocupação demasiada consigo próprio. A generosidade é causa de alegria, e o egoísmo ‘e causa de tristeza.

    3 – Espírito de serviço: em casa, na escola, com os amigos. Em casa, a generosidade se manifestará em primeiro lugar ajudando os pais e cumprindo com alegria e sem queixas o que eles solicitem. Trata-se de assumir encargos para o bom andamento do lar, e cumpri-los sem necessidade de que fiquem cobrando para serem feitos. Os pais devem dar encargos aos filhos, para que se sintam responsáveis para a ordem e o bom andamento do lar, que com a ajuda de todos será um ambiente limpo e alegre. Pontualidade, escolher o menos cômodo ou agradável em favor dos outros, aceitar os planos dos demais…

    4 – Compartilhar as coisas pessoais: lanche, emprestar os objetos pessoais, entre outras iniciativas, demonstra um coração desprendido, que não reserva nada para si próprio, e que foge do egoísmo de ter as coisas apenas para si mesmo.

    5 – Generosidade com o dinheiro: Acostumar os filhos desde pequenos a dar parte do que recebem para os pobres, obras de misericórdia, orfanatos, comunidades pobres. Muitos brinquedos em bom estado que já não são utilizados, podem ser doados para crianças que não os possuem.

  • Lealdade

    Lealdade

    Esta virtude está centrada na fidelidade à palavra dada, e se concretiza em cumprir o prometido, e isso permite uma convivência mais justa com Deus, com os demais e consigo próprio. O ambiente atual e de muita ligeireza nesse aspecto, devido a um falso sentido de liberdade, que é não se comprometer com nada. A lealdade leva a refletir para empenhar a palavra só quando seja prudente fazê-lo, evitando precipitações e ligeirezas. Evitar o uso do termo jurar, quando não for necessário, pois basta a honradez própria em comprometer-se.

  • Educar para a fé e amizade com Deus

    Educar para a fé e amizade com Deus

  • O que ler?

    O que ler?

    1 – Ler e escutar. 2 – O hábito de ler. 3 – Diante da enxurrada de livros.

             Ler é essencial para ampliar horizontes, pois amadurece o caráter, faz compreender a complexidade da vida, desperta para a beleza do simples, aprofunda o pensamento… Escutar e ler são hábitos essenciais para ampliar o horizonte pessoal, pois os livros suprem a limitação humana ao trazer as experiências necessárias que não se possuem.

    1 – Ler e escutar

             Os meios da comunicação e entretenimento visual, as redes sociais e a publicidade disputam a atenção das pessoas, porque compreenderam que esse capital é o mais valioso para alavancarem os seus negócios. Quem não for esperto será constantemente interrompido para ter a sua atenção fragmentada pelo inútil, e isso empobrece e lança a pessoa para fora de si mesma, esvaziando-a de conteúdos significativos. Para fugir dessa maligna dispersão é preciso fazer escolhas firmes e decididas, como por exemplo, habituar-se às boas leituras.

             Focar no que interessa é permitir que as realidades – livros, pessoas e acontecimentos – se tornem mais vivas dentro de si. A escuta e a leitura selecionadas tornam possível uma maior riqueza interior ao abandonar o que é frívolo e faz perder o tempo, tão limitado hoje em dia.

             Ler e escutar o que vale a pena permite viver novas experiências, graças ao processo de interiorização que as realidades interessantes fornecem. Legere significa recolher, reunir o que interessa. Ler, mais do que reconhecer as palavras, é ser capaz de habitar dentro de si para buscar compreender as situações e as pessoas. A cultura humana cresce por meio dos que adotam este estilo de aptidão. A aceleração da vida e a multiplicação de tarefas dificultam as boas leituras e, assim, as semanas e os meses passam sem que se encontre tempo para curtir um bom livro. Daí a importância de saber defender um momento diário para ler, mesmo que sejam dez minutos. Por vezes o tempo falta porque não se sabe priorizar o que é mais importante. A decisão de ver menos noticiários e fugir de curiosear nas redes sociais fará encontrar preciosos minutos para enriquecer-se com boas leituras. O tempo para ler pode ser encontrado nos transportes públicos ao deixar de lado o excesso de músicas; tempos de espera e fins de semana propiciam bons momentos de leitura… Ter sempre um livro em mãos facilita encontrar tempo para ler, mesmo que sejam poucos minutos: a soma de momentos pequenos é como a irrigação gota a gota que faz a vegetação crescer com o passar dos dias e semanas, sem que se perceba no início.

    2 – O hábito de ler

             Quem não lê tem um mapa do mundo precário e limitado às parcas experiências pessoais, estacionando-se no elementar, e pouco contribuindo para o debate das ideias a fim de tornar melhor o mundo em que vive. A leitura bem escolhida – non legere, sed eligere, diz um adágio clássico – é uma das chaves para melhor compreender a vida e desenvolver uma mentalidade universal, não bairrista ou de panelinhas. A boa leitura amplia os horizontes pessoais e faz aprofundar no que é permanente, vivo e verdadeiro, fugindo da frivolidade.

             Pedagogos e especialistas em educação de jovens ressaltam que é difícil alcançar hábitos de leitura se não foram adquiridos na infância. Constatam também que há diferenças significativas entre as crianças que leem e as que não leem: as que leem têm maior facilidade para se expressar, maior penetração de pensamento e de compreensão, melhor conhecimento próprio, gosto por estudar e riqueza imaginativa. As que focam a atenção em outras formas de entretenimento, como games e telas digitais, têm mais dificuldades para amadurecer, reduzida capacidade de compreensão e mente preguiçosa pela passividade de ficar diante de telas. A imaginação das crianças viciadas em celulares e tabletes é reduzida porque dependem dos estímulos das telas, que ao se apagar, apaga a memórias e a criatividade dessas crianças. Não se trata de fomentar a literatura à base de demonizar a televisão ou os videogames, mas de despertar para a fascinação e a riqueza das leituras, que podem oferecer muito mais.

             Em cada família é importante que alguém exerça o papel de fomentador da leitura: o pai, a mãe, um irmão mais velho, um avô; pode-se também valer-se do trabalho de professores ou amigos que apreciam a leitura. Perceber a sensibilidade de um jovem leitor é importante para ajudá-lo a descobrir seu itinerário de leitura, seja por meio da literatura universal ou outros gêneros que correspondem à sua personalidade. Além do exemplo dos pais, será preciso sugerir ao adolescente que experimente o prazer da leitura, ao descobrir o gênero literário que mais gosta, mas sem cair no egoísmo de preferi-la para fugir do diálogo e da convivência com os demais.

             São inesquecíveis as histórias contadas na infância, as leituras dos primeiros livros ou textos da história sagrada adaptados às crianças; como também não se apaga a lembrança daquele professor que revelou a beleza da poesia e dos contos, contagiando com seu entusiasmo.

             As tecnologias digitais facilitam a proliferação de audiolivros para quem necessita passar horas ao volante, caminhando ou realizando trabalhos domésticos. As boas gravações de audiolivros relembram épocas passadas em que ao redor de um leitor se reunia um grupo de ouvintes, que se deliciava com a leitura.

    3 – Diante da enxurrada de livros

             A cada ano se editam milhares de livros no mundo. Além disso, a internet dá acesso gratuito a uma infinidade de textos. Diante de tantas possibilidades, e com a evidente limitação de tempo que a todos afeta, sempre será atual a consideração de São João Paulo II: “Sempre tive este dilema: o que devo ler? Buscava escolher aquilo que fosse mais essencial. A produção editorial é tão vasta! Nem todos os livros têm o mesmo valor e utilidade. É preciso saber escolher e pedir conselho a respeito do que merece ser lido”.

             A leitura é um bom entretenimento para momentos de descanso. Há livros que educam e ao mesmo tempo divertem. Ninguém pode dizer que não gosta de ler, mas sim que não encontrou ainda o tipo de leitura que lhe poderia trazer mais prazer em ler. Não se trata de “ler muito”, mas de ler de acordo com a capacidade e as circunstâncias de cada um. É preciso identificar o gênero literário que mais agrade: filosófico, teológico, histórico, científico, contos, biografia, romance, ficção científica, crônica, etc. São tantos os enfoques literários e campos do saber que podem fazer a pessoa crescer por dentro, desde que tenha um pouco de paciência para encontra o tipo de leitura que mais lhe agrade.

             Na hora de escolher um livro é importante ter em conta que muitas empresas de comunicação controlam os negócios editoriais e informam sobre as publicações suas publicações, em detrimento de livros talvez mais valiosos, porém editados por empresas menores ou com menos presença nos meios de comunicação. Por isso, não cair no engodo da valorização exagerada da última publicação da moda, ou do mais vendido, como se isso fosse garantia de qualidade. “Há livros dos quais a capa e a contracapa são de longe são as melhores”, escrevia ironicamente Charles Dickens. Querer estar sempre na última moda em termos de leitura fará escapar títulos mais importantes, inteligentes e criativos, que estão à espera nas boas estantes. Quem dispõe de pouco tempo para ler precisa escolher o que vale a pena, sem se deixar levar por anúncios publicitários.

             Quem assistiu a um filme medíocre lamenta-se por ter perdido duas horas da sua vida. Já quem lê um livro que não agrada, encerra a leitura porque há muitos outros livros que talvez sejam mais interessantes. Mas quem chegou ao final da leitura de um bom livro enriqueceu-se interiormente. Zapear é o ato de mudar rápida e repetidamente de canal de televisão ou a frequência do rádio, de forma a encontrar algo interessante para ver ou ouvir. Com os livros pode acontecer o mesmo e esconder a impaciência, falta de firmeza ou capacidade de esforço para ir até o final da leitura que, por valer a pena, exige um pouco mais de esforço. Porém, zapear livros, principalmente por pessoas que afirmam não gostar de ler, permitirá que encontrem títulos que as farão desfrutar de uma leitura, para logo serem fisgadas pelos livros.

             Ninguém está obrigado a ir até o final de um livro. Mas é bom dar ao autor a oportunidade de ganhar a atenção. Pode acontecer que a leitura de grandes clássicos custe mais porque há carência na formação literária. Então, deixa-se o livro descansando por mais um tempo na estante, e escolhe-se outro mais ameno. Certamente, uma vida inteira não seria suficiente para ler todos os bons livros que se gostaria, principalmente os clássicos. Por isso, é necessário a escolher as leituras, como quem escolhe as amizades: de Aristóteles a Shakespeare, de Cícero a Molière, de Dostoievski a Chesterton? O fato é que durante a leitura de um bom livro, tanto o autor como os personagens se tornam companheiros do leitor; e ao terminar o livro, bate a saudades de todos eles, que se tornaram-se amigos que ficaram em algum lugar.

             Consulte a nossa página livros – https://staging.ariesteves.com.br/livros/ -, com dezenas de sugestões de boas obras separadas por gênero literário.

    Texto adaptado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/, com base no artigo “O que ler? Nosso mapa do mundo”, de Luis Ramoneda e Carlos Ayxelà, publicado em https://opusdei.org/pt-br/article/o-que-ler-i-nosso-mapa-do-mundo/. Imagem Canva..

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  • A autoridade em épocas sentimentais

    A autoridade em épocas sentimentais

             A autoridade não está de moda. Isso não significa que não a necessitemos, mas dizem que não é de bom tom exigi-la para não se parecer autoritário. O que todos gostariam mesmo é de ser obedecido sem precisar mandar.

             ―“Professora, temos que fazer hoje de novo o que quisermos?”, perguntou certa vez uma aluna a uma professora determinada a impor a não-diretividade ou condução da aula, porque era a favor do respeito ao suposto direito da criança de alcançar a felicidade através de sua liberdade e por meios próprios.

             Aqueles que criticam a disciplina de contenção [que procura evitar os erros] e as rotinas impostas, costumam acreditar que existe um princípio que brota espontaneamente da alma em direção à verdade, independente de uma educação a ser oferecida. Estes deveriam olhar um pouco mais de perto para a realidade, porque a contenção pode expressar um autodomínio louvável em uma pessoa adulta, e as rotinas (higiene, alimentação, sono, etc.) contribuem para a estabilidade psicológica e emocional da criança, ao facilitar-lhe a vida e proporcionar a fundamental experiência da virtude da ordem contra o caos ou a desordem.

             O amor é uma moeda de duas faces: uma é a aceitação do ser amado por ser quem ele é; a outra é a exigência de que o ser amado esteja à altura de ser quem ele é. Cada face da moeda corrige os excessos da outra. Não negarei que nem sempre é fácil manter a moeda equilibrada na borda, pois às vezes cai de um lado e às vezes do outro. Mas a aceitação do outro sem exigência degenera facilmente em indulgência, tal como a exigência sem aceitação geralmente degenera em frustração. O amor não se contenta com mensagens de autoajuda. É por isso que admiramos os pais que ajudam os seus filhos a crescerem com competência diante do risco.

             Decidi escrever sobre estas questões depois de receber um presente de uma amiga francesa. Trata-se de seu caderno escolar de quando tinha onze anos, anos letivos de 1959-1960. Na primeira página encontrei o seguinte texto escrito em magnífica caligrafia: “A escola desenvolve a nossa inteligência, forma a nossa consciência e o nosso carácter e nos torna boas pessoas”. Depois, ao virar as páginas, encontrei outras preciosidades: “É preciso fazer cada dia um esforço para ser um pouco melhor que no dia anterior. Coragem“; “Vai-te para onde queiras, que ali encontrarás a tua consciência”; “O bem não tem sempre recompensa. É preciso fazer o bem pelo bem, não pela recompensa” “Tudo na vida está sujeito a deveres: em ser fiel a eles está a honra; em não os respeitar está a vergonha”.

             Podemos pensar que se trata de uma retórica ultrapassada, típica de tempos austeros, mas os testes internacionais confirmam que os melhores resultados escolares são obtidos por crianças que frequentam ao que uma destas provas (PIRLS 2016) chama de “Safe Schools”, escolas seguras, isto é, escolas sem problemas de disciplina. Além disso, os melhores leitores, seja qual for o país que considerarmos, frequentam escolas onde os professores enfatizam o sucesso acadêmico.

             Costumo defender a importância da autoridade familiar com três razões básicas:

             1. A criança precisa de aliados fortes para lutar contra os monstros que estão sempre debaixo da cama.

             2. O que educa a criança é a elevação do seu olhar até os olhos dos pais, e não ao contrário.

             3. A criança possui naturalmente muito mais energia do que bom senso para controlá-la, e quem deve suprir com sentido comum as deficiências de bom senso da criança é o adulto.

             Essas três razões também me servem para defender a autoridade na escola:

             1. O aluno precisa de aliados fortes para combater seus erros e inseguranças.

             2. O aluno necessita para formar-se de alguém que mereça o seu respeito e o ajude a visualizar, de forma crível, o melhor que pode chegar a ser.

             3. O professor necessita de doses enormes de bom senso para suprir as deficiências não de uma criança, mas das muitas crianças que tem na sala de aula.

             A pessoa educada é aquela que dispõe de recursos para – como disse uma de nossas místicas, Irmã María Jesús de Ágreda – elevar-se acima de si mesma. Mas este exercício é impossível se não tiver a luz do olhar de um adulto que ajude a crescer, encorajando a confrontar as expectativas razoáveis com a realidade.

             As épocas em que aquilo que é velho se resiste a morrer e o que é novo se recusa a nascer são propícias para as crises de autoridade. As figuras de autoridade tradicionais parecem ter esgotado a capacidade de ganhar respeito e já não podem atuar como guias, porém ainda não surgiram novas figuras orientadoras. Nestes momentos corre-se o risco de cair em generalizado ceticismo. Possivelmente nos encontramos em um deles, pois até o próprio conceito de adulto parece ter entrado em crise.

             Até há pouco tempo um adulto era um ser humano que, pela sua experiência e bom senso acumulado (que incluía o fato de ter vivido a sua própria infância), tinha respostas para tranquilizar as inquietações da criança. E a criança reconhecia espontaneamente no adulto uma capacidade maior que a sua para diferenciar o grande do pequeno, o bom do mau, o seguro do arriscado, o belo do feio, o conveniente do vergonhoso, etc. Esses adultos possuíam o segredo da autoridade que, em última análise, consiste em não defraudar.

             Para a criança, o adulto era a pessoa a quem ela queria impressionar. É por isso que ela exigia frequentemente a atenção dele: ―“Veja o que consigo fazer!”. O adulto era o homem sábio cuja aprovação sincera confirmava o valor dela.

             Tenho a sensação de que hoje nós, adultos, perdemos a autoridade diante das crianças porque nos cansamos de ser adultos, ou seja, de ser chatos, e preferimos elogiar indiscriminadamente tudo o que as crianças fazem, com esforço ou sem esforço, coisa que, desde logo é certamente menos desagradável. O preço a pagar pela eleição do mais fácil é que as crianças encontram em nós um olhar rotineiramente complacente. Procuramos oferecer-lhes um mundo acolchoado, uma sala de jogos sem arestas, sem dificuldades nas quais possam tropeçar e, portanto, com as quais poderiam medir-se a si mesmas. Em vez de direcionar grandes expectativas para as nossas crianças, direcionamos baixas expectativas para o mundo. Onde as crianças devem buscar respostas importantes para sua autoestima, quando educadas no relativismo?

             A formação do caráter foi substituída pela cultura da emotividade, para não pôr em risco a autoestima da criança e que, pelo contrário, a ajude a sentir-se bem consigo mesma. Para mim, a crescente incontinência emocional me faz desejar a contenção, e considero que mais nobre do que a empatia é o dever de ajudar naquilo que é considerado incompreensível, mas que necessita que se lhe estenda a mão.

             O giro emocional que a educação vive é um giro orbital dos adultos em torno do frágil eu da criança. Por isso custa-me cada vez mais esforço convencer aqueles que me querem ouvir de que o conhecimento rigoroso tem o valor de uma experiência moral. A compreensão de um problema geométrico, por exemplo, me permite descobrir uma verdade eterna, admirável, diante da qual não sou o medidor, mas o medido. Na escola, a razão comum emudece diante das opiniões, das competências, das emoções e, em suma, diante do eu da criança. Mas continuo acreditando que a melhor maneira de cuidar da nossa alma é proporcionando a ela experiências de ordem, começando pelos conhecimentos rigorosos. Continuo acreditando também que no mesmo conceito de razão está implícita a ideia de hierarquia, e que por isso um pensamento rigoroso é mais valioso que uma opinião, por mais que seja minha.

             Donoso Cortés [filósofo espanhol falecido em 1853] dizia que “o segredo dos crescimentos e das decadências das sociedades está no uso que fazem dos pronomes”. Em nossa sociedade o mais usado é o “eu” que, segundo Donoso, é a única palavra que se ouve no inferno.

             Concluo com uma anedota contada por David Brooks, colunista do The New York Times, em seu livro The Path of Character: quando George Bush pai concorria pela presidência dos Estados Unidos, se recusava a falar sobre si mesmo devido aos valores que lhe inculcaram na infância. Se um editor incluía a palavra “eu” em seus discursos, ele automaticamente a riscava. Os seus colaboradores lhe disseram: “Se está competindo pela presidência, tem que falar de você mesmo!”, e o forçaram a fazê-lo. No dia seguinte, Bush recebeu um telefonema de sua mãe, que lhe disse: ―“George, outra vez está falando de ti…”. E Bush voltou ao redil, não mais com “eu” nos discursos.

    Artigo de Gregorio Luri: “La autoridad en tiempos emotivos”, publicado em Aceprensa  https://www.aceprensa.com/firma-invitada/la-autoridad-en-tiempos-emotivos/, traduzido e adaptado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/boletins. Imagem de Monstera Production.

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  • Amizade e companheirismo

    Amizade e companheirismo

    Saber querer a todos os companheiros, e não formar panelinhas. Os pais devem ensinar o adolescente a superar as simpatias e as antipatias, pois todas as pessoas são amadas por Deus, mesmo com seus defeitos. Isso não significa que ele não seja mais amigo de alguns, seja por razões de gostos, aptidões, caráter, etc. Quando houver algum desentendimento com um amigo, ensinar a passar por alto e saber perdoar para não criar rancores, nem buscar revanches.

    Mostrar que a murmuração, a maledicência, a crítica destrói a própria consciência, além de prejudicar o amigo. Ensinar a não humilhar ou ressaltar algo pejorativo de algum colega, pois todos temos defeitos e necessitamos da compreensão dos demais.

    Querer aos demais como são, e não como quereria que fossem, pois assim ele aprende na prática a aceitar e a compreender a todos, e a não julgar mal ou excluir a ninguém (só Deus sabe o que passa verdadeiramente na consciência de uma pessoa). Os pais não devem tolerar comentários negativos sobre os companheiros dos filhos, professores, etc.

  • Laboriosidade

    Laboriosidade

    Deve-se procurar que os filhos aproveitem bem o tempo, empregando-o em atividades úteis, formativas, ajudando nas tarefas do lar, descansando de modo criativo… O sentido de responsabilidade deve ser fomentado desde a primeira infância. Ajudar a que sejam laboriosos, independentemente de prêmios ou benesses, pois a virtude está em amar o bem pelo bem. É preciso corrigir a inatividade, as perdas de tempo, as atitudes preguiçosas. Oferecer ideias de acordo com as possibilidades e aptidões de cada filho: descobrir seus pontos fortes e incentivá-los a investir tempo para desenvolver seus talentos, que devem ser empregados como modo de servir aos demais, pois isso é prova de verdadeiro amor.

    Imagem de Matheus Ferrero