Os filhos devem ter detalhes de carinho e respeito pelos pais, e serem obedientes. Para conquistarem esse respeito, os pais não necessitam deixar de exercer a autoridade, nem temer dizer “não” aos filhos, com receio de contrariá-los. Quando os pais exercem a autoridade sem autoritarismos, mas com carinho e sem ceder naquilo que entendem ser o correto, os filhos passam a amá-los ainda mais. Carinho e firmeza com os filhos são como guard rail da estrada, que dão segurança para manter-se no caminho certo. Sem essa firmeza dos pais, as crianças ficam desorientadas, e com o passar do tempo deixam de amar o que é correto.
Categoria: VIRTUDES
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Castidade
A virtude da pureza ou castidade tem aspectos apropriados a cada idade, e deve ser abordado com todos os filhos com frequência, e segundo o nível de cada filho. Sugerimos ler o boletim Filhos: informação sexual, entre outros, que estão em nossa página Boletins por temas, verbete “Educação da sexualidade”. É um erro pensar que a informação sexual deve ser tratada apenas na adolescência. Alguns aspectos dessa virtude são:
- Sinceridade: os pais não podem dar nada por suposto. É preciso facilitar a sinceridade, pois pode custar ao filho falar sobre esses temas. Conversas pessoais, descontraídas, sem causar estranheza e sem que os pais se escandalizem com algo que os filhos perguntem ou afirmem, pois isso faria os faria retraírem-se de abordarem tais temas com os pais, indo tratá-los com os amigos, muitas vezes desinformados para ajudar.
- Cuidado com as telas digitais: muita televisão, vídeos, filmes, certas publicidades, têm favorecido a visita a sites pornográficos, causando males (vícios) em crianças e adolescentes, que perdem o interesse pelos demais assuntos.
- Guardar os sentidos: especialmente a vista na televisão, celulares, tabletes, pois a visão é a porta por onde entra a impureza na alma das pessoas. O ouvido também pode ser cúmplice da impureza, e os pais devem alertar aos filhos sobre canções da moda que são inconvenientes, sensuais, pornográficas, e devem ser evitadas.
- Conversações: cuidar das conversas com os amigos, principalmente na escola e na vizinhança. Fugir de temas pegajosos, como são os relativos à sexualidade, que conduzem a comportamentos infra-humanos ao instigar a imaginação e provocar desordens no comportamento sexual.
- Pudor: é virtude que resguarda da curiosidade alheia o que é íntimo. Pudor não apenas no modo de apresentar-se vestido em casa e na rua, mas também nas ideias e nas palavras, pois há temas que devem ficar na intimidade pessoal e familiar, e não ser lançado ao público. Quem não tem uma intimidade rica, busca chamar a atenção sobre seu corpo e suas ações inapropriadas. É na família onde se começa a viver o pudor: no modo de vestir-se em casa e de trocar as roupas, em evitar conversas frívolas, ou críticas sobre pessoas. Nas praias e piscinas se descuidam muito o pudor, sendo que esses locais devem ser evitados, principalmente no período de verão. Leia o boletim Educar para o pudor.
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Generosidade
Esta virtude compreende muitos aspectos:
1 – Generosidade com Deus: Todas as criaturas dependem de Deus e a Ele devemos oferecer toda a nossa vida e tudo quanto fazemos. Para isso, é necessário ser muito generoso com o tempo, e ensinar o adolescente a dedicar alguns momentos diários (10 minutos, por exemplo) exclusivamente para Deus, conversando com Ele, pois isso se chama oração ou meditação. Com isso, aprenderão a oferecer a Deus tudo o que fazem: estudo, esporte, encargos familiares, momentos de diversão… Assim, saberão viver sempre diante de Deus e tê-Lo como Pai, e oferecer a Ele pequenos sacrifícios, por exemplo, cumprindo os horários de estudo, lutar para ganhar outras virtudes.
2 – Ajudar aos demais: desprender-se do tempo pessoal para ajudar os pais, irmãos, amigos e colegas, prestando-lhes as ajudas que necessitam, e fazendo isso sem chamar a atenção, mas de modo alegre e delicado, evita egoísmos e preocupação demasiada consigo próprio. A generosidade é causa de alegria, e o egoísmo ‘e causa de tristeza.
3 – Espírito de serviço: em casa, na escola, com os amigos. Em casa, a generosidade se manifestará em primeiro lugar ajudando os pais e cumprindo com alegria e sem queixas o que eles solicitem. Trata-se de assumir encargos para o bom andamento do lar, e cumpri-los sem necessidade de que fiquem cobrando para serem feitos. Os pais devem dar encargos aos filhos, para que se sintam responsáveis para a ordem e o bom andamento do lar, que com a ajuda de todos será um ambiente limpo e alegre. Pontualidade, escolher o menos cômodo ou agradável em favor dos outros, aceitar os planos dos demais…
4 – Compartilhar as coisas pessoais: lanche, emprestar os objetos pessoais, entre outras iniciativas, demonstra um coração desprendido, que não reserva nada para si próprio, e que foge do egoísmo de ter as coisas apenas para si mesmo.
5 – Generosidade com o dinheiro: Acostumar os filhos desde pequenos a dar parte do que recebem para os pobres, obras de misericórdia, orfanatos, comunidades pobres. Muitos brinquedos em bom estado que já não são utilizados, podem ser doados para crianças que não os possuem.
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Lealdade
Esta virtude está centrada na fidelidade à palavra dada, e se concretiza em cumprir o prometido, e isso permite uma convivência mais justa com Deus, com os demais e consigo próprio. O ambiente atual e de muita ligeireza nesse aspecto, devido a um falso sentido de liberdade, que é não se comprometer com nada. A lealdade leva a refletir para empenhar a palavra só quando seja prudente fazê-lo, evitando precipitações e ligeirezas. Evitar o uso do termo jurar, quando não for necessário, pois basta a honradez própria em comprometer-se.
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Amizade e companheirismo
Saber querer a todos os companheiros, e não formar panelinhas. Os pais devem ensinar o adolescente a superar as simpatias e as antipatias, pois todas as pessoas são amadas por Deus, mesmo com seus defeitos. Isso não significa que ele não seja mais amigo de alguns, seja por razões de gostos, aptidões, caráter, etc. Quando houver algum desentendimento com um amigo, ensinar a passar por alto e saber perdoar para não criar rancores, nem buscar revanches.
Mostrar que a murmuração, a maledicência, a crítica destrói a própria consciência, além de prejudicar o amigo. Ensinar a não humilhar ou ressaltar algo pejorativo de algum colega, pois todos temos defeitos e necessitamos da compreensão dos demais.
Querer aos demais como são, e não como quereria que fossem, pois assim ele aprende na prática a aceitar e a compreender a todos, e a não julgar mal ou excluir a ninguém (só Deus sabe o que passa verdadeiramente na consciência de uma pessoa). Os pais não devem tolerar comentários negativos sobre os companheiros dos filhos, professores, etc.
Texto de Ari Esteves. Imagem de Matheus Ferrero.
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Laboriosidade
Deve-se procurar que os filhos aproveitem bem o tempo, empregando-o em atividades úteis, formativas, ajudando nas tarefas do lar, descansando de modo criativo… O sentido de responsabilidade deve ser fomentado desde a primeira infância. Ajudar a que sejam laboriosos, independentemente de prêmios ou benesses, pois a virtude está em amar o bem pelo bem. É preciso corrigir a inatividade, as perdas de tempo, as atitudes preguiçosas. Oferecer ideias de acordo com as possibilidades e aptidões de cada filho: descobrir seus pontos fortes e incentivá-los a investir tempo para desenvolver seus talentos, que devem ser empregados como modo de servir aos demais, pois isso é prova de verdadeiro amor.
Imagem de Matheus Ferrero
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Sinceridade
O mundo atual, onde qualquer opinião é válida, necessita de pessoas apaixonadas pela verdade. A sinceridade deve ser ensinada desde o primeiro momento na vida da criança: conformar as palavras com o pensamento. A sinceridade de vida é compatível com os erros e os defeitos, porque nos leva a não os esconder e a nos esforçarmos por corrigi-los. «Os homens não poderiam viver juntos se não tivessem confiança recíproca, ou seja, se não manifestarem a verdade», diz Tomás de Aquino.
Assim, para manter a ordem na vida familiar é indispensável que aqueles que a compõem digam a verdade: de outro modo seria difícil empreender projetos juntos ou confiar em alguém. Esta sinceridade abarca não só os fatos externos (quem quebrou o vaso, o modo de aproveitar o tempo, etc.), mas também a coerência com a própria consciência.
Os pais devem facilitar que a criança seja sincera e não tema dizer a verdade, pois sabe que será ajudada, pois só assim será possível educá-la.
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Sobriedade
A sobriedade está relacionada à virtude da rijeza, e sua importância é cada vez maior, pois tanto pais como filhos estão acostumados a ter de tudo.
Aspectos importantes para se viver a sobriedade:
Lutar contra os caprichos: Controlar o desejo imoderado de guloseimas, refrigerantes, e comer fora de hora. Ensinar o adolescentes a controlar o dinheiro que possui, não gastando-o porque sentiu-se inclinado a tomar um sorvete fora de hora. É preciso incutir no adolescente o sentido de sacrifício, que o fará mais forte e rijo.
Comer de tudo: Comer de tudo o que é servido, e não apenas o que gosta, seja em casa ou na escola. Aprender a controlar-se e não comer desproporcionalmente. Sugerir, desde pequenos, que aprendam a controlar-se.
Menos Televisão e telas digitais: Infelizmente é cada vez mais comum que os adolescentes fiquem passivamente durante horas diante de telas digitais. Isso acontece muitas vezes porque os próprios pais mantém, por exemplo, o televisor ligado a todo momento. Além de desordem pessoal, e de se arriscarem a ver programas ou publicidades imorais, é uma grande perda de tempo, pois este deve ser empregado em atividades mais nobres e enriquecedoras, tal como a literatura, aprendizado de algum instrumento musical…
–Cuidado das coisas materiais: Ensinar os adolescentes a cuidar dos objetos pessoais e familiares. Os pais não devem repor no lugar aquilo que o adolescente desordenou. E se quebrou algo, deverá pagar com sua mesada ou com o dinheiro do presente que pretendia ganhar. Devem encapar os livros e a não escrever ou sublinhar neles, a fim de que outros possam utilizá-los. Consertar os objetos que se quebraram é um bom serviço aos demais.
Moderação no uso de objetos: O autocontrole no uso de games, redes sociais e músicas fortalece a vontade do adolescente, que não se transformará em marionete de seus sentimentos e paixões.
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A harmonia da personalidade
1 – Extensão do sentido de si mesmo. 2 – Relação emocional com outras pessoas. 3 – Segurança emocional. 4 – Percepção realista dos fatos. 5 – Autoconhecimento e senso de humor. 6 – Filosofia unificadora da vida.
A maturidade é um tema importante, ligado à personalidade, ao modo estável de se relacionar consigo próprio, com os demais, e com o mundo. A maturidade é um processo que vai se desenvolvendo ao longo dos anos, e por isso ninguém pode se considerar totalmente amadurecido, pois a vida traz sempre novas situações e desafios que não se sabe como serão enfrentados.
Se é difícil definir o que é uma pessoa madura, não o é perceber a maturidade ou imaturidade no comportamento de alguém. Não se trata de uma definição, mas da constatação de que a pessoa madura age de forma harmoniosa e sabe dar a nota adequada a cada situação, sem estridências, tal como um instrumento afinado, que não destoa. Francisco Insa, em seu livro “Formação da afetividade”, oferece os seis critérios para avaliar a maturidade pessoal e a daqueles a quem se deve formar, desenvolvidos pelo psicólogo americano Gordon Allport, professor de Harvard, considerado o pai da psicologia da personalidade.
1 – Extensão do sentido de si mesmo
Refere-se à conexão do eu com outra pessoa. Trata-se de sair do limite de si mesmo e alcançar o outro ao perceber que ele tem preferências, sentimentos e necessidades, e que o bem da outra pessoa é tão importante quanto o meu próprio bem, em qualquer âmbito: familiar, profissional, social, na relação com Deus.
No fundo se trata de sair de si e olhar ao redor para agir com os demais tal como queremos que ajam para conosco. É uma preocupação com o outo, que passa a fazer parte do nosso eu. Um exemplo desse sair de si para se dirigir ao outro oferece Tolstói em Ana Karenina, ao dizer que Levine amava tanto a sua esposa Kitty, que já não sabia o limite que separava a ambos, porque ela já fazia parte da personalidade dele.
É importante de integrar a pessoa, desde a infância, em diversos grupos – familiar, escolar, esportivo, cultural –, pois sentir-se membro de uma coletividade ajuda a desenvolver a sensibilidade para perceber os interesses e as necessidades dos demais.
A extensão de si mesmo evita animosidades, apontar as carências nas estruturas sociais e em seus dirigentes. A pessoa madura ao se ver inserida por laços estreitos a uma instituição, procura colaborar na solução dos problemas como parte integrante dela (faz parte do seu eu), e age não como um telespectador que se dedica a criticar, mas em nada ajuda.
Aos que têm a missão de formar pessoas – pais, professores –, devem perceber se os educandos saem de si para se voltarem aos seus pares. Se o educando vir que o educador sai de si para ajudá-lo com metas exigentes, mas factíveis, passará a confiar mais em seu formador.
2 – Relação emocional com outras pessoas
A pessoa madura não cria animosidades com os demais ao seu redor; ao contrário, se interessa por eles, é empática, compreensiva, tira a importância dos defeitos deles, sabe escutar e conviver com os que pensam e são diferentes de si. Essa relação emocional boa constrói autênticas amizades porque faz agir desinteressadamente e fugir das críticas e murmurações. Quem é desprendido de sua imagem não cria panelinhas nem dependências afetivas, porque não pretende dominar o outro para ter um séquito de admiradores.
O imaturo não tem boa relação emocional com ninguém porque ama apenas a si, e por isso se impõe, deseja que todos pensem a ajam como ele, se intromete em assuntos para chamar a atenção e destila o veneno de queixas, críticas, ciúmes e sarcasmos, quando as coisas não saem como quer. Em Irmãos Karamazov, Zózima afirma que ama a humanidade em geral, mas que não consegue amar e conviver com pessoas em particular, e que subiria ao calvário pela humanidade, mas que não podia conviver dois dias com uma pessoa na mesma casa.
Na formação das pessoas, diz o Papa Francisco, é preciso estar atento para que os educandos não dominem seus pares, nem se fechem à amizade ou tenham dificuldades de estabelecer relações interpessoais
3 – Segurança emocional
Os estados de ânimo devem guardar proporção qualitativa e quantitativa com as circunstâncias que os desencadeiam. Este critério de maturidade mostra a necessidade de saber expressar os sentimentos com proporcionalidade: não exagerar na manifestação deles em situações que merecem poucos sentimentos, nem colocar menos sentimentos em situações que mereceriam mais: depositar demasiado sentimento em pets e pouco em pessoas revela desajuste emocional.
A pessoa madura possui saudável autocrítica que a leva a buscar soluções e a ter conduta flexível para saber perdoar ou não deixar de cumprir as obrigações quando o estado de ânimo é contrário a elas. A maturidade por não ser imediatista faz perseverar no esforço por alcançar bens mais distante, tolera as frustrações, releva as contrariedades sem chutar o balde. Ver os erros próprios e alheios sem cair na frustração, autocompaixão ou cólera, nem buscar culpados para descarregar a própria culpa, são sinais de segurança emocional.
Na formação das pessoas é preciso perceber como os educandos vivenciam seus estados de ânimo: friezas, antipatias, rompantes afetivos desproporcionados (torcer pelo time exagerando a conduta, irritar-se porque perdeu um jogo) são condutas que precisam ser corrigidas o quanto antes.
4 – Percepção realista dos fatos
Esta característica da maturidade refere-se à relação com o mundo, com a verdade dos fatos e a capacidade de interagir com o entorno sem alterar a realidade. O imaturo distorce os fatos, negando-os, para refugiar-se em fantasias que alteram o modo de ver a realidade: – Não, isso não pode estar acontecendo comigo!
Já o maduro raciocina sobre fatos reais, sem se deixar levar pelo pensamento mágico ou infantil condicionado por emoções que buscam alterar a realidade para satisfazer critérios egoístas ou covardes. A capacidade de perceber realisticamente os fatos relaciona-se com a responsabilidade, com o trabalhar bem para solucionar os problemas que se apresentam, organizando e cumprindo as tarefas com constância, independente de estados de ânimo.
O educador deve perceber se o educando está dentro ou fora da realidade: se um colegial pretende fazer engenharia e desconhece as matérias que pesam mais no ENEM ou Fuvest; se não sabe o número de questões dessas provas, nem o tempo a dedicar a cada uma; se possui ou não as qualidades necessárias para esta, deverá posicioná-lo diante dos fatos para não se deixar levar por fantasias ou confiança ingênua de que as coisas irão se ajeitar por si sós, pondo-se à espera de situações idílicas que dificilmente acontecerão. Trata-se de ajudar as pessoas a enxergarem os problemas de forma realista, ensinando-as a buscar soluções compatíveis com suas possibilidades, propondo metas ambiciosas, mas realizáveis, e sem desanimar diante dos obstáculos.
5 – Autoconhecimento e senso de humor
Trata-se de conhecer-se tal como realmente se é, com qualidades e defeitos. O ditado que “o melhor negócio do mundo e comprar um homem pelo que vale e vendê-lo pelo que acha que vale”, sustenta-se no desconhecimento pessoal. Revela imaturidade possuir uma ideia pobre de si mesmo (baixa autoestima), ou, ao contrário, ser afetado ao se mostrar como na realidade não se é, tal como o adolescente que anda com um tênis de boa grife, mas falsificado, pois pretende enganar a todos de que sua família é endinheirada.
É experiência comum entre os psicólogos que as pessoas conscientes de suas carências e defeitos são menos propensas a atribuir defeitos nos demais e não estranham que os demais também tenham defeitos. E por serem mais compreensivas em seus julgamentos, se tornam pessoas mais aceitas. Há quem possui defeitos e não os percebem, e projetam nos demais suas próprias carências: Santo Agostinho dizia “Procurai adquirir as virtudes que credes que faltam em vossos irmãos e já não vereis os defeitos deles, porque não os tereis vós mesmos”.
O autoconhecimento da pessoa madura conduz ao bom humor, ao sabe rir diante das carências e falhas próprias, que as reconhece, mas não se abala por ser humilde e ter esperança de mudar ao colocar os meios. Esse humor é diferente do riso debochado do cínico, que ri de si e dos demais sem esperança de mudanças positivas.
Um bom caminho para o real conhecimento de si é perguntar-se: – Como as pessoas me veem? Julgo correta ou falsa essa opinião que os demais têm de mim? O conhecimento de si somado ao juízo correto da realidade (quarto critério) leva a servir aos demais com as aptidões e qualidades pessoais sem falsas humildades, e por não invejar os demais.
Perceber na formação dos mais jovens a tirania das expectativas, que os leva a pensar que seus pais, professores ou chefes esperam muito deles, o que nem sempre coincide com a realidade, levando-os a tensões e ansiedades ao querer agradar e satisfazer os desejos dos outros, mesmo que não goste do que faz.
É preciso evitar a distância entre o que eu sou, o que poderia ser, o que gostaria de ser, o que creio que deveria ser e o que os outros me dizem que deveria ser. Estar próximo dessas apreciações é estar na verdade sobre si.
6 – Filosofia unificadora da vida
A personalidade madura tem uma filosofia que unifica e dá sentido à vida, formulada em um sistema de valores que orienta as ações em busca do fim que escolheu viver: um cristão busca a unidade de sua vida com Deus; um pacifista, ecologista ou comunista orienta sua vida em busca desses valores que acredita; o teórico procura a verdade, o utilitarista busca o útil; o estético, a forma; o político, o poder… Cada deve examinar sua coerência.
Cabe a cada indivíduo descobrir seu caminho e aderir livremente a ele. Os formadores ao apresentar um ideal de vida atrativo e atingível, ajudará o formando a descobrir o tipo de pessoa deseja ser, o ideal de serviço aos demais que o atrai, e como se esforçar para tal, sempre contando com a ajuda de Deus, que não abandona ninguém.
Texto produzido por Ari Esteves com base nos ensinamentos de Francisco Insa, no livro “A formação da afetividade”, Editora Cultor de Livros, São Paulo – SP. Imagem de Ayşenaz Bilgin.
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Virtudes da convivência
1 – As virtudes possuem uma dimensão social. 2 – O porte exterior e as virtudes sociais. 3 – A convivência familiar é escola de sociabilidade. 4 – As refeições familiares são momentos de socialização.
1 – As virtudes possuem uma dimensão social
As virtudes têm caráter pessoal, e muitas delas possuem também marcante dimensão social, pois os seres humanos não são “peças isoladas”, mas coexistem com outros, como elos de uma mesma corrente. Entre essas virtudes estão a sociabilidade, a cordialidade, a amabilidade, a preocupação e pelos demais, o espírito do serviço, a atitude de escuta e de compreensão…. Parte da formação humana está no desenvolvimento das virtudes sociais que, além de enriquecer os que as possuem, enriquecem aos demais, sendo fácil constatar a presença ou ausência delas no relacionamento com os demais.
Ao facilitar que as relações entre as pessoas sejam mais cordiais e justas, as virtudes da convivência garantem o bom ambiente familiar, profissional e social, porque torna a vida mais de acordo com a dignidade humana. Talvez não se possa dizer que a amabilidade – qualidade da pessoa agradável no relacionamento com os outros, e que sabe conversar – seja a virtude mais importante, mas gera sentimentos de empatia, cordialidade e compreensão, tão necessários para a boa convivência com todos. Estar diante de uma pessoa que possui as virtudes da convivência é ter diante de si alguém que sabe ouvir, compreender e expressar-se com respeito; que sabe o momento de intervir em uma conversa, sem demonstrar pressa.
A urbanidade é essencial para a convivência em sociedade. A cortesia, a amabilidade e a urbanidade são irmãs menores de outras grandes virtudes, como a caridade, a solidariedade, a justiça… Sem essas pequenas virtudes a convivência se tornaria desagradável, pois a pessoa grosseira, descortês, demonstra não ter amor aos demais. Jesus Cristo ao ser convidado para uma refeição na casa de Simão, o fariseu, notou que este lhe faltou com muitos detalhes de cortesia (Lc7, 36-ss).
2 – O porte exterior e as virtudes sociais
O cuidado no porte exterior entra no rol das virtudes da convivência, pois é sinal de delicadeza para com os demais. O modo de se vestir, de mover-se, sorrir e olhar, enfim, todo o atuar pessoal, revelam não apenas aspectos externos e isolados, mas comunicam a própria identidade e interioridade pessoal.
Quem que não se apresenta bem-vestido na vida social não comunica apenas desmazelo, mas demonstra pouca estima por si e pelos outros: ir de agasalho esportivo a um casamento é dar pouca importância aos noivos! Vestir-se com decoro e de modo discreto exerce um atrativo externo grato. A discrição e o pudor no modo de se vestir revelam uma vida interior que não se deixa levar pela frivolidade, vaidade ou pelo desejo de chamar a atenção.
O que impede a vulgaridade no vestir-se, mais do que a moda ou roupas caras, é o estilo pessoal, a sobriedade, o equilíbrio de uma personalidade que tem a capacidade de se apresentar conforme a ocasião. A elegância conjuga roupa adequada, limpeza e harmonia das cores. O estilo se cultiva desde o lar, quando os filhos observam que seus pais em casa andam com elegância e discrição: nunca com poucas roupas ou escrachados, mas de modo casual e combinando as cores.
3 – A convivência familiar é escola de sociabilidade
A família é o lugar onde melhor se desenvolvem as virtudes da convivência, em qualquer idade: não se apresentar malvestido, ceder o melhor lugar aos mais velhos, desenvolver o espírito de serviço ao colaborar nas tarefas para manter o lar limpo e aconchegante. As tertúlias ou bate-papos descontraídos, sempre com a tv desligada e os celulares à distância, são momentos que preparam os filhos para a convivência social pelo simples fato de que estes se sentem ouvidos: narram suas pequenas aventuras no colégio e as brincadeiras com os amigos, aprendem a falar sem levantar a voz ou gritar e exercitam-se na arte de escutar e não interromper a conversa dos outros, nem brigam para impor um ponto de vista. Os pais falam acerca do seu dia de trabalho, comentam sobre temas de atualidade, dão critério sobre determinado comportamento, contam aspectos das tradições familiares, religiosas, patrióticas; abordam temas culturais. A família que faz passeios em conjunto, seja ao campo, uma vez por mês, para desfrutar da natureza, ou em parques e visitas artísticas nos finais de semana, abre a mente das crianças para novas realidades e as introduz na fascinante arte de relatar suas experiências.
4 – As refeições familiares são momentos de socialização
As refeições familiares são incubadoras de sociabilidade e bons modos, sendo que algumas pesquisas revelaram que as crianças julgam que “fazer as refeições em família” é a atividade mais importante para elas. E isso tem sua lógica, pois estar com as pessoas amadas, falar e ser compreendidas são modos de socializar, de aprender a dar-se aos outros, de melhorar as relações entre os membros da família, de ter em conta os demais comensais e ajudá-los a se servir, de esforçar-se para não comer fora de hora.
É frequente nas grandes cidades que tanto o pai como a mãe trabalhem fora do lar para manter a economia doméstica, e que os horários e as distâncias enfrentadas diariamente dificultam as reuniões familiares. Porém, deve haver esforço de todos – também dos filhos – para estarem juntos ao menos em uma das refeições diárias, a fim de compartilharem momentos em comum.
Sem serem chatos ou inconvenientes, os pais aproveitam as refeições familiares para observar e corrigir muitos detalhes de falta de educação. A sós com cada filho, para não humilhá-lo diante de todos, podem alertar para diversos aspectos: estar pendente dos demais na mesa ao oferecer os alimentos antes de se servir, dizer por favor ao pedir algum prato, ceder o melhor lugar aos mais velhos, não cruzar as pernas ao comer, ajudar a pôr e tirar a mesa, segurar com elegância os talheres, cortar a carne em pedaços pequenos, não falar com a boca cheia, comer tudo o que foi colocado no prato, não debruçar-se sobre o prato de sopa, limpar os lábios antes de beber e não fazer ruído… São indicações que oportuna e pacientemente devem ser ensinadas, e que depois de assumidas revelam correção, cortesia, higiene e procedência de uma lar bem-educado. Abençoar os alimentos é o costume de invocar a benção de Deus sobre a família para agradecer o dom do trabalho que proporcionou os alimentos…
Quem desenvolveu as virtudes da convivência revela amadurecimento e respeito por si e pelos demais; mostra-se senhor dos próprios atos ao se conduzir com naturalidade, prudência e medida em qualquer situação, e segue o caminho de cada dia com alegria, bom humor e passos seguros.
Texto adaptado por Ari Esteves com base no artigo “As boas maneiras”, de J. M. Martins, em https://opusdei.org/pt-br/article/as-boas-maneiras/. Imagem de Fauxels.
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