Categoria: EDUCAÇÃO

  • Ser rico é ser livre?

    Ser rico é ser livre?

          

             Todos somos sensíveis ao tema da liberdade, pois sentir-se livre é fundamental para buscar a autorrealização. Qual é a concepção que se tem da liberdade? O consumismo atual associa a liberdade ao status económico: quem tem dinheiro pode satisfazer todos os seus desejos! Será que viver para juntar muito dinheiro é a melhor maneira de empregar a liberdade? As redes sociais revelam com frequência que entre os ricos e famosos encontram-se muitos ansiosos, solitários porque trocaram o amor às pessoas pelo amor ao dinheiro, os que desconfiam de todos por achar que só querem seus bens, os que gastam muito com divertimentos e esportes caros para se sentirem felizes, os que se afundam em vícios, os que invejam aquilo que não conseguem possuir… Essas contínuas insatisfações conduzem à tristeza e a outras formas de evasão.

             Ser rico não é sinônimo de ser livre. Aliás, quem vive na abundância material acostuma-se a ter tudo o que quer e tem dificuldades para lidar com as doenças, ausência de talentos pessoais; suporta com mau-humor os contratempos da vida cotidiana e afunda-se no poço das lamentações inúteis, ou se prende ao passado com a inútil nostalgia de que antes tudo era melhor, vive em meio a críticas negativas e murmurações que o fazem perder a liberdade de espírito.

             A pessoa realmente livre aceita as frustrações e as limitações pessoais como parte de seu caminho, pois entende que é preciso viver uma certa pobreza para ser verdadeiramente rico e não atar-se ou prender-se às coisas (tem mais e é mais livre quem precisa de menos); compreende que é preciso sofrer algum tipo de doença para descobrir o valor da saúde; descobre que a felicidade grande está em servir e doar seu tempo e dinheiro para aliviar as dores dos demais…E aqui surge um paradoxo: as dificuldades e os fracassos são oportunidades de crescimento pessoal para as pessoas livres, que aceitam a realidade tal como é, e vê o tempo presente como o melhor da história para aportar soluções criativas.

             A liberdade não é um fim em si mesma, mas para ser empregada em ideais onde o Bem, a Verdade e a Beleza estão presentes. E não há ideal que mais faça ser livre e feliz o ser humano do que amar e sentir-se amado: não só amar, mas sentir-se amado. Pode-se corromper o amor ao colocá-lo em coisas, e quem age assim acaba ficando sozinho, pois as coisas são insensíveis e não amam. Na família ou em uma vocação de entrega aos demais pode-se amar e sentir-se amado.

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  • Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém

    Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém

          

              Prudência é virtude necessária para quem quer acertar na vida, pois ajuda a decidir sobre a melhor maneira de atuar em cada momento. Ela protege o corpo, por exemplo, ao indicar que para consertar um aparelho elétrico é preciso antes desconectá-lo da tomada; e protege a alma ao dizer para não navegar à toa na internet, a fim de evitar choques psicológicos. Choque psicológico? Sim, pois o navegar sem rumo e movidos pela curiosidade frívola fragiliza emocionalmente porque entope os olhos, a memória, a imaginação e, por consequência, a inteligência e a vontade, com imagens desconexas que conduzem a uma vida superficial, perdas de tempo, vícios ou adições, enfraquece a mente para um pensar profundo… Com tais ingredientes, o espírito se vê sem forças para contradizer os apelos do sentimentalismo, comodismo e da sensualidade.

              Um bisturi faz maravilhas nas mãos de um bom cirurgião, mas nas mãos de um menino pequeno é perigoso e causará estragos irreparáveis. Utilizar a internet para o que é útil e necessário é prudente, mas ser utilizada por uma criança é um perigo que os pais não devem perder de vista. A prudência é o melhor filtro para fazer bom uso da internet: disciplina e autorregula quem a possui, faz aproveitar o tempo para assuntos mais úteis, modera a curiosidade, protege a intimidade ao resguardá-la do péssimo protagonismo de falar de si, evita consumir ou enviar imagens e vídeos inconvenientes, e por aí vai…

              Pais e educadores precisam dialogar com as crianças, adolescentes e jovens para ajudá-los a pensar sobre os perigos que pululam na web, a fim de que formem bem a própria consciência e se autoadministrarem, pois este é o melhor filtro que existe! Fazê-los perceber que a quantidade de tempo que dispõem é para colocar em prática seus talentos e qualidades pessoais para fazer algo útil e servir melhor aos demais. Com isso, terão uma vida fecunda e assumirão grandes ideais. Quanto às crianças pequenas, ter presente que não há motivo que justifique o uso da internet por elas, já que movidas pela curiosidade e por não ter ainda a consciência formada, facilmente irão clicar em imagens e visitar sites inconvenientes (a consciência de uma criança são seus pais!). Mais do que navegar pela internet, a criança deve viver das realidades que a cercam.

             Criar no lar uma cultura que favoreça as boas escolhas mediante a virtude da prudência, desenvolve nos filhos hábitos positivos e uma mentalidade esportiva e alegre frente às dificuldades, vendo-as como treinamento para crescer humana e espiritualmente, além de os fazer desenvolver outras virtudes: fortaleza, ordem, austeridade, espírito de serviço e solidariedade, temperança, sinceridade, sempre necessárias para assumir responsabilidades presentes e futuras no âmbito familiar, acadêmico, profissional e social.

             Uma boa sopa de galinha para ganhar a todos pelo estomago, e disciplinar o lar para que a família viva um horário de dormir e de acordar, refeições, encargos domésticos, tempo de estudo e de lazer criativo (leituras, jogos de sala, tertúlias), favorecem o aproveitamento do tempo e o desenvolvimento da virtude da prudência.

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  • A criança deve agir por motivação interna

    A criança deve agir por motivação interna

             Leia também o boletim A Sabedoria de dizer não às crianças

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  • A sabedoria de dizer não às crianças

    A sabedoria de dizer não às crianças

             Saber dizer não à criança é uma atitude que os pais devem enfrentar para ajudá-la a fortalecer o caráter ao ter autocontrole, capacidade de dominar os sentimentos quando algo não ocorre como desejado, ter paciência para esperar… Não se trata de contrariar a criança sem que a razão maior seja o bem dela. O não é um limite de proteção como o guard rail, que evita o acidente de sair da pista. A falta de limites gera na criança instabilidade, insegurança e desorientação porque, quando pequena, não age motivada por raciocínios lógicos, mas por instinto que a faz buscar o que é agradável e fugir do que não o é: por exemplo, passará a manhã diante da televisão por falta de controle, sem medir as consequências desse comportamento sobre si mesma. A falta de ordem ou disciplina cria hábitos viciosos difíceis de arrancar. Quando não contrariada para deixar de abrir a geladeira fora de hora, guardar seus brinquedos e roupas, obedecer aos horários da casa (refeição, banho, divertimentos, encargos para a boa ordem do lar), a indômita criança será forçada pelos impulsos instintivos a fazer apenas o que é agradável.

             Os psicólogos chamam a atitude de aguardar ou ter paciência para esperar de “saber adiar a gratificação”. Isso permite que a criança desenvolva o autocontrole para não se irritar porque as coisas não saem no momento que desejam. Adiar a gratificação também ocorre quando a criança primeiro cumpre suas pequenas obrigações no lar, como ajudar a colocar a mesa, tirar o pó dos móveis, levar o lixo para porta, dar de comer ao pet, e só depois sairá para brincar. A criança incapaz de adiar uma gratificação será escrava de seus instintos e paixões, que a impelirão a não esperar, e sem liberdade de dizer não a si mesma para renunciar algo que, mesmo bom e agradável, deve ser preterido para alcançar algo ainda melhor: ler um livro ao invés de jogar games, estudar com tempo e profundidade as matérias escolares…

             Se a criança adiar algo prazeroso, porque compreendeu que há um motivo maior para isso, passará a ter as rédeas de si mesma, e não precisará que a todo momento os pais lhe digam o que fazer. Se o gosto pelos games ou desenhos fora de hora comandam as ações, o controle da criança não será dela, mas das circunstâncias externas que a comandam (os psicólogos chamam essa atitude de locus externo). Locus significa “lugar”, e locus de controle indica se a origem do comportamento da pessoa é externo ou interno. Se a criança desenvolver o locus de controle interno, não irá a reboque das circunstâncias externas, mas agirá por decisão de sua vontade e não porque seus sentimentos, instigados pelos objetos externos, a obrigam (locus de controle externo). Quanto mais cedo a criança desenvolver o locus de controle interno, mais saberá adiar a gratificação de abrir a geladeira fora de hora (terá temperança), não fugirá da obrigação de estudar (crescerá em fortaleza), ajudará nos encargos do lar (terá espírito de serviço), não dará show no supermercado porque lhe disseram que não comprariam a barra de chocolate que pediu (não manipulará os pais com birras)… Ou seja, crescerá responsável e forte, sem necessitar que os demais cumpram as obrigações que cabem a ela, fato que a despersonalizaria e a tornaria uma maria-mole (“com maria-mole não se faz alavanca”, diz um sábio refrão).

    Sugerimos a leitura do boletim “A sobriedade se vive desde a infância”.

    Texto elaborado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/. Imagem de Kampus Production.

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  • Hábitos de estudo e trabalho

    Hábitos de estudo e trabalho

    Falta de rijeza no estudo: adotar posturas cômodas, mas inadequadas para o estudo, é um prejuízo. Há adolescentes que estudam tombado sobre a mesa, sofá ou almofada; fazem diversas interrupções para ir até a geladeira ou levantam-se constantemente porque não colocam sobre a mesa todo o material que devem utilizar; o ambiente da casa também pode não colaborar para o estudo (música, tv ligada, etc…). Não se estuda ouvindo música: se um executivo precisa estudar um assunto com profundidade para tomar uma decisão, certamente não ficará ouvindo música para se distrair ou descansar.

  • Tom humano

    Tom humano

  • Humildade

    Humildade

    O vício contrário à humildade é a soberba. A humildade é a verdade, dizia Teresa de Ávila. Todos somos portadores de qualidades e defeitos. Ensinar às criança a não se vangloriarem pelas qualidades humanas que possuem, fazendo-as perceber que foram dadas gratuitamente por Deus, a fim de que elas possam servir aos demais com seus talentos. A pessoa humilde também percebe que possui defeitos, e procura lutar contra eles, sem desanimar, pois o desânimo é fruto da soberba de quem se achava perfeito e por fim descobre que possui misérias, limitações e fraquezas. Desânimos, enfados, sentir-se insultado por qualquer coisa que contrarie, é fruto da soberba que, dependendo do tipo de temperamento, pode levar a agir com violência ou isolar-se.

    A tendência à vaidade no vestir-se com excessiva preocupação pela moda (as marcar famosas e caras!), a ânsia de querer agradar aos demais para ficar bem com todos, são manifestações de falta de humildade que precisam ser corrigidas desde criança, a fim de que aprendam a agir com simplicidade e naturalidade.

    Também demonstra vaidade a tendência a comparar-se com os demais, e sentir inveja ao não ter as qualidades que percebe em outras pessoas. A inveja é a tristeza diante do bem alheio. Ensinar aos filhos que todos recebemos de Deus qualidades e que somos diferentes porque Deus não se repete, e não nos cria como garrafas de refrigerantes fabricadas em série. As qualidades que recebemos são únicas e devemos fomentá-las para ajudar aos demais. Os filhos não podem se sentir inferiores a outras crianças ao se compararem e perceberem que não possuem as qualidades que veem nelas, e que não as possuem: fazê-los perceber que suas capacidades são outras, e que com elas serão felizes aos ajudar aos demais.

  • Respeito aos pais

    Respeito aos pais

    Os filhos devem ter detalhes de carinho e respeito pelos pais, e serem obedientes. Para conquistarem esse respeito, os pais não necessitam deixar de exercer a autoridade, nem temer dizer “não” aos filhos, com receio de contrariá-los. Quando os pais exercem a autoridade sem autoritarismos, mas com carinho e sem ceder naquilo que entendem ser o correto, os filhos passam a amá-los ainda mais. Carinho e firmeza com os filhos são como guard rail da estrada, que dão segurança para manter-se no caminho certo. Sem essa firmeza dos pais, as crianças ficam desorientadas, e com o passar do tempo deixam de amar o que é correto.

  • Educar para a fé e amizade com Deus

    Educar para a fé e amizade com Deus

  • O que ler?

    O que ler?

    1 – Ler e escutar. 2 – O hábito de ler. 3 – Diante da enxurrada de livros.

             Ler é essencial para ampliar horizontes, pois amadurece o caráter, faz compreender a complexidade da vida, desperta para a beleza do simples, aprofunda o pensamento… Escutar e ler são hábitos essenciais para ampliar o horizonte pessoal, pois os livros suprem a limitação humana ao trazer as experiências necessárias que não se possuem.

    1 – Ler e escutar

             Os meios da comunicação e entretenimento visual, as redes sociais e a publicidade disputam a atenção das pessoas, porque compreenderam que esse capital é o mais valioso para alavancarem os seus negócios. Quem não for esperto será constantemente interrompido para ter a sua atenção fragmentada pelo inútil, e isso empobrece e lança a pessoa para fora de si mesma, esvaziando-a de conteúdos significativos. Para fugir dessa maligna dispersão é preciso fazer escolhas firmes e decididas, como por exemplo, habituar-se às boas leituras.

             Focar no que interessa é permitir que as realidades – livros, pessoas e acontecimentos – se tornem mais vivas dentro de si. A escuta e a leitura selecionadas tornam possível uma maior riqueza interior ao abandonar o que é frívolo e faz perder o tempo, tão limitado hoje em dia.

             Ler e escutar o que vale a pena permite viver novas experiências, graças ao processo de interiorização que as realidades interessantes fornecem. Legere significa recolher, reunir o que interessa. Ler, mais do que reconhecer as palavras, é ser capaz de habitar dentro de si para buscar compreender as situações e as pessoas. A cultura humana cresce por meio dos que adotam este estilo de aptidão. A aceleração da vida e a multiplicação de tarefas dificultam as boas leituras e, assim, as semanas e os meses passam sem que se encontre tempo para curtir um bom livro. Daí a importância de saber defender um momento diário para ler, mesmo que sejam dez minutos. Por vezes o tempo falta porque não se sabe priorizar o que é mais importante. A decisão de ver menos noticiários e fugir de curiosear nas redes sociais fará encontrar preciosos minutos para enriquecer-se com boas leituras. O tempo para ler pode ser encontrado nos transportes públicos ao deixar de lado o excesso de músicas; tempos de espera e fins de semana propiciam bons momentos de leitura… Ter sempre um livro em mãos facilita encontrar tempo para ler, mesmo que sejam poucos minutos: a soma de momentos pequenos é como a irrigação gota a gota que faz a vegetação crescer com o passar dos dias e semanas, sem que se perceba no início.

    2 – O hábito de ler

             Quem não lê tem um mapa do mundo precário e limitado às parcas experiências pessoais, estacionando-se no elementar, e pouco contribuindo para o debate das ideias a fim de tornar melhor o mundo em que vive. A leitura bem escolhida – non legere, sed eligere, diz um adágio clássico – é uma das chaves para melhor compreender a vida e desenvolver uma mentalidade universal, não bairrista ou de panelinhas. A boa leitura amplia os horizontes pessoais e faz aprofundar no que é permanente, vivo e verdadeiro, fugindo da frivolidade.

             Pedagogos e especialistas em educação de jovens ressaltam que é difícil alcançar hábitos de leitura se não foram adquiridos na infância. Constatam também que há diferenças significativas entre as crianças que leem e as que não leem: as que leem têm maior facilidade para se expressar, maior penetração de pensamento e de compreensão, melhor conhecimento próprio, gosto por estudar e riqueza imaginativa. As que focam a atenção em outras formas de entretenimento, como games e telas digitais, têm mais dificuldades para amadurecer, reduzida capacidade de compreensão e mente preguiçosa pela passividade de ficar diante de telas. A imaginação das crianças viciadas em celulares e tabletes é reduzida porque dependem dos estímulos das telas, que ao se apagar, apaga a memórias e a criatividade dessas crianças. Não se trata de fomentar a literatura à base de demonizar a televisão ou os videogames, mas de despertar para a fascinação e a riqueza das leituras, que podem oferecer muito mais.

             Em cada família é importante que alguém exerça o papel de fomentador da leitura: o pai, a mãe, um irmão mais velho, um avô; pode-se também valer-se do trabalho de professores ou amigos que apreciam a leitura. Perceber a sensibilidade de um jovem leitor é importante para ajudá-lo a descobrir seu itinerário de leitura, seja por meio da literatura universal ou outros gêneros que correspondem à sua personalidade. Além do exemplo dos pais, será preciso sugerir ao adolescente que experimente o prazer da leitura, ao descobrir o gênero literário que mais gosta, mas sem cair no egoísmo de preferi-la para fugir do diálogo e da convivência com os demais.

             São inesquecíveis as histórias contadas na infância, as leituras dos primeiros livros ou textos da história sagrada adaptados às crianças; como também não se apaga a lembrança daquele professor que revelou a beleza da poesia e dos contos, contagiando com seu entusiasmo.

             As tecnologias digitais facilitam a proliferação de audiolivros para quem necessita passar horas ao volante, caminhando ou realizando trabalhos domésticos. As boas gravações de audiolivros relembram épocas passadas em que ao redor de um leitor se reunia um grupo de ouvintes, que se deliciava com a leitura.

    3 – Diante da enxurrada de livros

             A cada ano se editam milhares de livros no mundo. Além disso, a internet dá acesso gratuito a uma infinidade de textos. Diante de tantas possibilidades, e com a evidente limitação de tempo que a todos afeta, sempre será atual a consideração de São João Paulo II: “Sempre tive este dilema: o que devo ler? Buscava escolher aquilo que fosse mais essencial. A produção editorial é tão vasta! Nem todos os livros têm o mesmo valor e utilidade. É preciso saber escolher e pedir conselho a respeito do que merece ser lido”.

             A leitura é um bom entretenimento para momentos de descanso. Há livros que educam e ao mesmo tempo divertem. Ninguém pode dizer que não gosta de ler, mas sim que não encontrou ainda o tipo de leitura que lhe poderia trazer mais prazer em ler. Não se trata de “ler muito”, mas de ler de acordo com a capacidade e as circunstâncias de cada um. É preciso identificar o gênero literário que mais agrade: filosófico, teológico, histórico, científico, contos, biografia, romance, ficção científica, crônica, etc. São tantos os enfoques literários e campos do saber que podem fazer a pessoa crescer por dentro, desde que tenha um pouco de paciência para encontra o tipo de leitura que mais lhe agrade.

             Na hora de escolher um livro é importante ter em conta que muitas empresas de comunicação controlam os negócios editoriais e informam sobre as publicações suas publicações, em detrimento de livros talvez mais valiosos, porém editados por empresas menores ou com menos presença nos meios de comunicação. Por isso, não cair no engodo da valorização exagerada da última publicação da moda, ou do mais vendido, como se isso fosse garantia de qualidade. “Há livros dos quais a capa e a contracapa são de longe são as melhores”, escrevia ironicamente Charles Dickens. Querer estar sempre na última moda em termos de leitura fará escapar títulos mais importantes, inteligentes e criativos, que estão à espera nas boas estantes. Quem dispõe de pouco tempo para ler precisa escolher o que vale a pena, sem se deixar levar por anúncios publicitários.

             Quem assistiu a um filme medíocre lamenta-se por ter perdido duas horas da sua vida. Já quem lê um livro que não agrada, encerra a leitura porque há muitos outros livros que talvez sejam mais interessantes. Mas quem chegou ao final da leitura de um bom livro enriqueceu-se interiormente. Zapear é o ato de mudar rápida e repetidamente de canal de televisão ou a frequência do rádio, de forma a encontrar algo interessante para ver ou ouvir. Com os livros pode acontecer o mesmo e esconder a impaciência, falta de firmeza ou capacidade de esforço para ir até o final da leitura que, por valer a pena, exige um pouco mais de esforço. Porém, zapear livros, principalmente por pessoas que afirmam não gostar de ler, permitirá que encontrem títulos que as farão desfrutar de uma leitura, para logo serem fisgadas pelos livros.

             Ninguém está obrigado a ir até o final de um livro. Mas é bom dar ao autor a oportunidade de ganhar a atenção. Pode acontecer que a leitura de grandes clássicos custe mais porque há carência na formação literária. Então, deixa-se o livro descansando por mais um tempo na estante, e escolhe-se outro mais ameno. Certamente, uma vida inteira não seria suficiente para ler todos os bons livros que se gostaria, principalmente os clássicos. Por isso, é necessário a escolher as leituras, como quem escolhe as amizades: de Aristóteles a Shakespeare, de Cícero a Molière, de Dostoievski a Chesterton? O fato é que durante a leitura de um bom livro, tanto o autor como os personagens se tornam companheiros do leitor; e ao terminar o livro, bate a saudades de todos eles, que se tornaram-se amigos que ficaram em algum lugar.

             Consulte a nossa página livros – https://staging.ariesteves.com.br/livros/ -, com dezenas de sugestões de boas obras separadas por gênero literário.

    Texto adaptado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/, com base no artigo “O que ler? Nosso mapa do mundo”, de Luis Ramoneda e Carlos Ayxelà, publicado em https://opusdei.org/pt-br/article/o-que-ler-i-nosso-mapa-do-mundo/. Imagem Canva..

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