{"id":12518,"date":"2024-04-29T18:45:56","date_gmt":"2024-04-29T21:45:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ariesteves.com.br\/?p=12518"},"modified":"2024-04-29T18:45:56","modified_gmt":"2024-04-29T21:45:56","slug":"cuidar-nos-o-egocentrismo-leva-a-solidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/?p=12518","title":{"rendered":"Cuidar-nos: o egocentrismo leva \u00e0 solid\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Isabel S\u00e1nchez, em seu livro \u201cCuidarnos\u201d (<em>Cuidar-nos<\/em>, em portugu\u00eas), nos convida a quebrar a polariza\u00e7\u00e3o conosco pr\u00f3prios e ter a sincera preocupa\u00e7\u00e3o de pensar nos demais, come\u00e7ando pelos mais pr\u00f3ximos. Diz ela que estamos nos desumanizando, desconectando-nos uns dos outros, e acabaremos na solid\u00e3o, fechados atr\u00e1s de uma porta. Neste boletim, traduziremos e adaptaremos a entrevista que ela concedeu a \u00c1lvaro S\u00e1nchez Le\u00f3n, em www.acepresa.org.<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Contra o crescimento do individualismo, cuidar uns dos outros pode ser a nossa \u201cmarca pessoal como humanos\u201d. O homem \u00e9 o \u00fanico ser no mundo que recebe cuidados longos e cont\u00ednuos, precisa dos cuidados dos outros para se estabelecer e encontra o significado mais profundo de sua exist\u00eancia amando e cuidando dos outros. Por\u00e9m, o homem \u00e9 o \u00fanico ser capaz de criar instrumentos que o aniquilam completamente, pelo mau uso que faz de sua liberdade ao ver com indiferen\u00e7a os demais.<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u00c1lvaro afirma que enfrentamos um autonomismo desenfreado e uma m\u00e1 guarda ou mau paternalismo. Isabel responde que tal guarda n\u00e3o consiste numa atitude \u201cpaternalista\u201d, mas em desenvolver a vida da outra pessoa ao fazer florescer nela seus talentos e capacidades, ao curar suas feridas e aliviar suas tristezas para permitir que siga adiante. A autonomia n\u00e3o tem fim em si mesma: cuidamos de n\u00f3s mesmos e permitimos que outros nos cuidem para nos tornarmos aut\u00f4nomos e, ent\u00e3o, passarmos a cuidar dos outros. Este \u00e9 o ciclo da interdepend\u00eancia: somente reconhecendo-nos como interdependentes poderemos nos tornar independentes saud\u00e1veis.<br><br>\u2014 <em>Que significa ser vulner\u00e1veis?<\/em> Significa ser realista e honesto ao reconhecer os nossos limites, aceit\u00e1-los e saber demonstr\u00e1-los com cautela. Esta honestidade leva-nos a n\u00e3o fazer autoexig\u00eancias de perfei\u00e7\u00e3o inating\u00edvel, mas tamb\u00e9m a n\u00e3o acomodar-se em aspectos que podem ser melhorados para facilitar a conviv\u00eancia com outras pessoas. Ser vulner\u00e1vel e transcender o politicamente correto significa aprender tamb\u00e9m a lidar com as imperfei\u00e7\u00f5es dos outros, adaptando-se muitas vezes aos demais com suas formas de ser e de conceber a vida. Aprender a arte de pedir ajuda quando necess\u00e1rio e deixar-se cuidar com simplicidade.<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u2014 <em>Como fazer coexistir a nossa vulnerabilidade com a agressividade do mundo, que parece n\u00e3o ser feito para pessoas fr\u00e1geis?<\/em> Querer construir um mundo exclusivo \u201cpara os fortes\u201d s\u00f3 acentua as nossas fragilidades. Ao ver os n\u00fameros de suic\u00eddios e de doen\u00e7as mentais que afligem os pa\u00edses considerados desenvolvidos, compreende-se a magnitude do problema. Os homens e mulheres atuais devem construir um mundo onde a autonomia e a vulnerabilidade constituem a marca da nossa humanidade, o que exige prestarmos melhor aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade que projetamos e \u00e0s leis que aprovamos.<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u2014 <em>Como fazer do mundo um lar, sem esconder que vivemos \u201cnum mundo ferido?<\/em>\u201d. Todos os humanos s\u00e3o chamados a fazer do mundo um lar. Todos podemos e devemos ser lar, abrigo e repara\u00e7\u00e3o para os nossos iguais. Nesta tarefa particular, a fam\u00edlia desempenha um papel fundamental como comunidade regida pela lei da gratuidade e do amor, onde a vida humana \u00e9 concebida como inegoci\u00e1vel, formando redes com outras fam\u00edlias e sendo interlocutores v\u00e1lidos perante o Estado.<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u2014 <em>&#8230;300 milh\u00f5es de pessoas sofrem depress\u00e3o em nosso s\u00e9culo, imersas num contexto de \u201cutopia de felicidade\u201d. Por que cuidar \u00e9 mais real e mais curativo do que se desintessar pelos demais; e por que cuidar pode nos tornar mais felizes do que buscar uma felicidade isoladamente?<\/em> O egocentrismo pode ter alguma recompensa imediata \u2013 evita &#8220;complicar&#8221; a vida para servir aos demais \u2013 mas isso leva \u00e0 solid\u00e3o. A solid\u00e3o, alerta a comunidade cient\u00edfica, faz crescer o risco de mortalidade em at\u00e9 30%; aumenta a possibilidade de sofrer de doen\u00e7as cardiovasculares e vasculares cerebrais, traz problemas de sa\u00fade mental. Por outro lado, estudos sobre a felicidade, como o de Robert Waldinger, professor de Psiquiatria na Harvard Medical School, sustentam que bons relacionamentos nos mant\u00eam mais felizes e saud\u00e1veis. Pelo menos atrav\u00e9s de provas cient\u00edficas, dever\u00edamos convencer-nos da necessidade de aprender a abrir-nos aos outros, a viver juntos, a construir juntos e a ajudar-nos uns aos outros a carregar os fardos que a vida imp\u00f5e.<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u2014 <em>Queremos ser amados e bem cuidados a n\u00edvel pessoal, mas amar e cuidar parece n\u00e3o ser aceito a n\u00edvel social. N\u00e3o deveria ser esta a atitude de verdadeira responsabilidade social?<\/em> Concordo plenamente com essa tese. Cuidar das pessoas \u00e9 o investimento mais valioso e lucrativo que podemos fazer. H\u00e1 empresas familiares cujo objetivo \u00e9 gerar empregos no setor de cuidados. Os seus fundadores est\u00e3o convencidos de que cuidar \u00e9 uma das principais tarefas realizadas na sociedade e essa tarefa diz respeito a todos n\u00f3s. As pessoas que fazem desta ocupa\u00e7\u00e3o a sua profiss\u00e3o s\u00e3o membros fundamentais da nossa sociedade e devem ser cuidadas, reconhecidas e remuneradas como tal. \u00c9 poss\u00edvel, necess\u00e1rio e acess\u00edvel ter um modelo de cuidados mais inclusivo, menos intrusivo, mais flex\u00edvel, com maior confian\u00e7a e mais humanidade. Cuidados de qualidade devem estar dispon\u00edveis para todos.<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u2014 <em>Pode o olhar feminino ser uma revolu\u00e7\u00e3o construtiva para humanizar o nosso s\u00e9culo?<\/em> O olhar que pode levar a uma revolu\u00e7\u00e3o que humanize o nosso s\u00e9culo e os futuros \u00e9 um olhar atento, emp\u00e1tico, calmo, pr\u00f3ximo, compassivo, terno e determinado ao mesmo tempo. \u00c9 um olhar que procura assumir as oportunidades e necessidades dos outros para contribuir para o desenvolvimento das primeiras e para a corre\u00e7\u00e3o das \u00faltimas. Universalizar essa perspectiva pode ser um poderoso meio de humaniza\u00e7\u00e3o.<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u2014 <em>Se diz que o cuidado \u00e0s vezes \u00e9 vivenciado como \u201co motor mais gratificante de nossas vidas\u201d. Vemos isso na hist\u00f3ria de muitos que auxiliam os pais idosos ou dependentes. Ou no entusiasmo profissional, por exemplo, de muitos enfermeiros. Cuidar e servir deveriam ser emblemas brilhantes nos perfis do LinkedIn?<\/em> Em um mundo complexo e em mudan\u00e7a constante, investir nas pessoa que contribuem com talento e criatividade para servir, torna-se um objetivo priorit\u00e1rio para as organiza\u00e7\u00f5es e empresas. Quem tem capacidade para liderar, gerir e unir equipes, descobrir e desenvolver talentos e promover o crescimento integral das pessoas dentro de uma organiza\u00e7\u00e3o, deve estar na mira de muitos \u201cca\u00e7adores de talentos\u201d. Na minha opini\u00e3o, sim: saber cuidar e servir s\u00e3o qualidades em ascens\u00e3o, exigidas de todo l\u00edder.<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u2014 <em>Voc\u00ea comenta que a alegria espiritual de fazer o bem \u00e9 a melhor e a mais agrad\u00e1vel das experi\u00eancias. Se cuidar \u00e9 um valor positivo, negligenciar \u00e9 um v\u00edcio t\u00f3xico?<\/em> Cuidar compromete a cultivar a vida e aceitar o cansa\u00e7o que isso acarreta. O descarte faz se livrar do que \u00e9 in\u00fatil e permite que algumas vidas humanas sejam categorizadas como tal. Sem d\u00favida, negligenciar \u00e9 um v\u00edcio t\u00f3xico, porque facilmente leva ao rebaixamento, ao descarte, \u00e0 solid\u00e3o e \u00e0 morte.<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u2014 <em>Cuidar, saber cuidar de si e se deixar cuidar: o que a fez amadurecer neste aspecto enquanto preparava seu livro?<\/em> A preocupa\u00e7\u00e3o constante em cuidar das pessoas subiu no <em>ranking<\/em> da minha hierarquia de valores. A necessidade de investir tempo para saber cuidar \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o aprendida. Deixar-me cuidar tem sido motivo de enorme gratid\u00e3o, e li\u00e7\u00e3o para continuar a p\u00f4r em pr\u00e1tica. Aprendi a navegar pela vida com um novo conjunto de pedais, que \u00e0s vezes tem que ser totalmente pressionado no da autonomia e outras vezes no da vulnerabilidade.<br><br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Isabel afirmou que escreveu o livro \u201cCuidarnos\u201d (Editora Espasa, Espanha) como express\u00e3o da responsabilidade que sente como cidad\u00e3 para moldar a sociedade da forma que entende ser a melhor, e como a resposta de uma mulher crist\u00e3 ao apelo do Papa Francisco para difundir a cultura do cuidado: Deus aparece como o melhor cuidador. Viver sem nos reconhecermos filhos do mesmo Pai \u2013 Deus \u2013 conduz a um desapego que leva \u00e0 indiferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color wp-elements-de314e0cad54c2df1ca01534ea199f53\" style=\"color:#a65c22\">Texto traduzido e adaptado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br\/, com base no artigo &quot;El egocentrismo nos aboca a la soledad&quot;, de \u00c1lvaro S\u00e1nchez Le\u00f3n, em www.aceprensa.org. Imagem de Santiago Sauceda Gonz\u00e1lez.<\/p>\n\n\n\n<p>Siga-nos no Telegram, pois nele tamb\u00e9m h\u00e1 links para todos os boletins publicados: https:\/\/t.me\/ariesteves_pedagogo<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Isabel S\u00e1nchez, em seu livro \u201cCuidarnos\u201d (Cuidar-nos, em portugu\u00eas), nos convida a quebrar a polariza\u00e7\u00e3o conosco pr\u00f3prios e ter a sincera preocupa\u00e7\u00e3o de pensar nos demais, come\u00e7ando pelos mais pr\u00f3ximos. 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