{"id":14829,"date":"2025-09-14T16:37:32","date_gmt":"2025-09-14T19:37:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ariesteves.com.br\/?p=14829"},"modified":"2025-09-14T16:37:32","modified_gmt":"2025-09-14T19:37:32","slug":"fortalecer-a-vontade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/?p=14829","title":{"rendered":"Fortalecer a vontade"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Autocontrole \u00e9 o dom\u00ednio que a vontade exerce sobre a mem\u00f3ria, imagina\u00e7\u00e3o, sentimentos, paix\u00f5es, for\u00e7as instintivas&#8230; Para conseguir isso \u00e9 necess\u00e1rio o desenvolvimento da for\u00e7a de vontade, a que podemos chamar de <em>virtude da fortaleza<\/em>, que \u00e9 consequ\u00eancia de um habitual treinamento de fazer o que a raz\u00e3o ou intelig\u00eancia mostra que deve ser feito em cada momento. No caso das crian\u00e7as, como a intelig\u00eancia e a vontade delas n\u00e3o est\u00e3o desenvolvidas, devem ser guiadas pelos pais e educadores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Cumprir o dever de cada momento deve ser um ato da vontade, do querer livre, e n\u00e3o a\u00e7\u00e3o condicionada apenas pela for\u00e7a dos sentimentos, que por vezes podem estar ausentes ou serem contr\u00e1rios ao que deve ser feito. O verbo pr\u00f3prio para a determina\u00e7\u00e3o da vontade \u00e9 &#8220;querer&#8221;; j\u00e1 o verbo empregado \u00e0s inclina\u00e7\u00f5es dos afetos \u00e9 &#8220;gostar&#8221;. O <em>querer<\/em> deve ser a inclina\u00e7\u00e3o da vontade em dire\u00e7\u00e3o ao bem e \u00e0 verdade reveladas pela intelig\u00eancia, e o que lhe d\u00e1 for\u00e7as; o gostar ou n\u00e3o gostar \u00e9 o que agrada ou n\u00e3o a afetividade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Outro motor do funcionamento humano \u00e9 a afetividade (sentimentos, emo\u00e7\u00f5es, paix\u00f5es). Os sentimentos podem ser positivos ou negativos: positivos quando apoiam as decis\u00f5es da vontade (o <em>querer<\/em> livre); os negativos ocorrem quando dificultam a vontade de comandar as a\u00e7\u00f5es: n\u00e3o fa\u00e7o o que devo porque me custa esfor\u00e7o e n\u00e3o gosto de contrariar os meus sentimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Durante a inf\u00e2ncia, a afetividade domina as a\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a, que sempre buscar sentir-se bem ou n\u00e3o se sentir mal, e a educa\u00e7\u00e3o nessa fase consiste em educar a afetividade. Quando os pais v\u00e3o esclarecendo a intelig\u00eancia da crian\u00e7a, ainda em desenvolvimento, para compreender as raz\u00f5es de uma determinada a\u00e7\u00e3o, a ela passar\u00e1 aos poucos a agir pela determina\u00e7\u00e3o da vontade. O exerc\u00edcio di\u00e1rio da d\u00e9bil vontade da crian\u00e7a deve ser estimulado para o que \u00e9 bom, tanto para ela quanto para os demais, a fim de que crie bons h\u00e1bitos ou virtudes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0O que \u00e9 bom em cada momento \u00e9 determinado pelo ju\u00edzo da intelig\u00eancia ou consci\u00eancia pr\u00e1tica, que julga a realidade a partir dos conhecimentos adquiridos (no caso das crian\u00e7as, pelas pessoas encarregadas de form\u00e1-las). O dom\u00ednio da vontade sobre a afetividade necessita primeiramente do esclarecimento da intelig\u00eancia, que oferece sua luz para que a vontade se incline ao que deve ser feito, e tenha for\u00e7as para controlar as demais fun\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e corporais: percep\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria, imagina\u00e7\u00e3o sentimentos, emo\u00e7\u00f5es, paix\u00f5es e instintos. O exerc\u00edcio desse controle sup\u00f5e esfor\u00e7o no in\u00edcio, mas logo se transforma no h\u00e1bito ou virtude da fortaleza, de modo que a vontade vai desenvolvendo uma permanente capacidade de amar e procurar o bem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0As batalhas entre a afetividade e a vontade s\u00e3o variadas e se travam no interior da pessoa, pois os sentidos (vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o, paladar, olfato e tato) induzidos pela afetividade (sentimentos, emo\u00e7\u00f5es, paix\u00f5es) tendem a buscar o que \u00e9 divertido, agrad\u00e1vel e gostoso no momento e evitar o que custa esfor\u00e7o: \u00e9 mais f\u00e1cil assistir a um v\u00eddeo fora de hora, refastelar-se na poltrona ou sof\u00e1, jogar <em>games<\/em> ou ouvir m\u00fasica quando se deveria cumprir uma obriga\u00e7\u00e3o, comer fora de hora, etc., mas isso fomenta o v\u00edcio da pregui\u00e7a, intemperan\u00e7a e cria outras depend\u00eancias que conduzem ao enfraquecimento da vontade. Algumas pessoas pensam que a liberdade \u00e9 realizar os atos que lhe apetecem afetivamente ou porque sentem gosto em faz\u00ea-los. A\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis como ver televis\u00e3o, comer, beber podem ser condutas livres, mas trata-se de uma liberdade superficial, externa. A verdadeira liberdade tem a ver com a vontade ou o querer livre que impulsiona a afetividade, imagina\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e percep\u00e7\u00e3o para agir em busca do bem: posso n\u00e3o sentir gosto em realizar uma tarefa, mas devo faz\u00ea-la porque \u00e9 importante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Os sentimentos e as emo\u00e7\u00f5es positivas (autoestima, alegria de cumprir o dever, seguran\u00e7a, confian\u00e7a) agem como \u00f3leo lubrificante que ajudam no autocontrole pessoal. No dia a dia se encontram muitas pequenas oportunidades de viver o chamado \u201cminuto heroico\u201d, desenvolvido pela espiritualidade crist\u00e3: <em>minuto heroico<\/em> porque \u00e9 uma decis\u00e3o r\u00e1pida de n\u00e3o protelar ou empurrar com a barriga o que deve ser feito em cada momento, e se vive isso com \u00e2nimo esportivo de <em>come\u00e7ar<\/em> e <em>recome\u00e7ar<\/em> ap\u00f3s o incumprimento de uma obriga\u00e7\u00e3o. Os esportistas continuamente buscam com alegria a melhora de sua performance, e quando falham recome\u00e7am. Quem desfruta dessa luta positiva se cansa menos porque a afetividade, que procura o <em>mais f\u00e1cil<\/em> a curto prazo, passa a sentir prazer e alegria<del> <\/del>ao cumprir as obriga\u00e7\u00f5es, e a pessoa cresce em for\u00e7a de vontade,<del> <\/del>autocontrole e maturidade. Quando a vontade est\u00e1 no comando das a\u00e7\u00f5es, a sensa\u00e7\u00e3o de ser livre e protagonista da pr\u00f3pria vida produz verdadeira felicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Outra frente de batalha consiste em evitar que est\u00edmulos intensos \u2013 internos ou externos \u2013 ofusquem a intelig\u00eancia e enfraque\u00e7am a vontade, dificultando a pessoa para decidir pelo que \u00e9 bom e verdadeiro. Por exemplo, sentimentos como ang\u00fastia, tristeza, ansiedade, inseguran\u00e7a, medo, sentimento de inferioridade, ira, inveja, raiva, desejo de poder e ganhar dinheiro a qualquer custo, podem criar barreiras e induzir a condutas irracionais. Esse \u00e9 o processo de todos os v\u00edcios, que reduzem a liberdade e o desejo de <em>querer<\/em> o bem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Algu\u00e9m que desde a inf\u00e2ncia se deixou conduzir mais pela afetividade, tem alterado seu funcionamento psicol\u00f3gico, e se convence facilmente de que \u00e9 livre e suas decis\u00f5es s\u00e3o frutos da raz\u00e3o e da vontade. Por\u00e9m, na realidade, n\u00e3o percebe estar dominado por sentimentos e emo\u00e7\u00f5es que determinam suas a\u00e7\u00f5es: um hipocondr\u00edaco pode tomar seu pulso de hora em hora e pensar que isso \u00e9 correto, e que o faz livremente; outro, entra em sites inconvenientes e acha que faz isso livremente, sem perceber que est\u00e1 escravizado por um v\u00edcio ou paix\u00e3o que obscurece sua intelig\u00eancia e enfraquece sua vontade. Um fan\u00e1tico por futebol facilmente se convence de que na \u00e1rea do seu time, os jogadores advers\u00e1rios se atiram ao ch\u00e3o de prop\u00f3sito para simular p\u00eanaltis; enquanto que na \u00e1rea contr\u00e1ria, os jogadores do seu time sempre sofrem p\u00eanaltis quando caem. H\u00e1 quem se comporta de modo violento e se justifica ter agido livre e racionalmente para n\u00e3o concluir que se deixou levar pela paix\u00e3o da ira. Viciados que passam horas e horas em m\u00eddias e telas digitais acreditam agir livremente, sem perceber que est\u00e3o escravizados por paix\u00f5es que os levam a perder tempo com frivolidades que enfraquecem o car\u00e1ter, empobrecem a intelig\u00eancia para pensar profundamente e debilitam a vontade para assumir compromissos. Enfim, s\u00e3o muitos os exemplos de pessoas que se acham dominadas por emo\u00e7\u00f5es negativas intensas e acreditam agir livre e racionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Quando se vive com verdadeira liberdade, n\u00e3o se quer viver de outra maneira. Agir habitualmente n\u00e3o movido pelos impulsos dos afetos (quando estes s\u00e3o negativos), faz experimentar uma verdadeira liberdade interior. Para ganhar essa luta, o segredo est\u00e1 em fortalecer a vontade por meio de pequenos e constantes vencimentos di\u00e1rios: n\u00e3o comer fora de hora, posicionar-se com modos na poltrona ou sof\u00e1, ser pontual e n\u00e3o atrasar o estudo e as tarefas, manter ordem nos objetos pessoais, ter o rosto alegre quando n\u00e3o se tem gosto para isso, crescer em esp\u00edrito de servi\u00e7o no lar, n\u00e3o interromper os afazeres para conferir as redes sociais e estabelecer um hor\u00e1rio para isso&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-652bafa366f44f39561f4e47e990603a\">Texto elaborado por Ari Esteves com base no livro &#8220;Maturidade psicol\u00f3gica e felicidade&#8221;, de Fernando Sarr\u00e1is, publicado pela Cultor de Livros, S\u00e3o Paulo, 2020. Imagem ChatGPT.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Autocontrole \u00e9 o dom\u00ednio que a vontade exerce sobre a mem\u00f3ria, imagina\u00e7\u00e3o, sentimentos, paix\u00f5es, for\u00e7as instintivas&#8230; Para conseguir isso \u00e9 necess\u00e1rio o desenvolvimento da for\u00e7a de vontade, a que podemos chamar de virtude da fortaleza, que \u00e9 consequ\u00eancia de um habitual treinamento de fazer o que a raz\u00e3o ou intelig\u00eancia mostra que deve ser feito [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14836,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,17],"tags":[],"class_list":["post-14829","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-virtudes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14829","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14829"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14829\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/14836"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14829"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14829"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14829"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}