{"id":14914,"date":"2025-11-11T10:06:44","date_gmt":"2025-11-11T13:06:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ariesteves.com.br\/?p=14914"},"modified":"2025-11-11T10:06:44","modified_gmt":"2025-11-11T13:06:44","slug":"dialogar-e-nao-monologar-com-o-adolescente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/?p=14914","title":{"rendered":"Dialogar e n\u00e3o monologar com o adolescente"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Como tem sido sua experi\u00eancia ao tentar conversar com seu filho? Pais reclamam que seu filho, antes comunicativo, passou a ser silencioso, monossil\u00e1bico e com frases entrecortadas. J\u00e1 os filhos se justificam ao afirmar que seus pais n\u00e3o deixam falar e logo come\u00e7am com serm\u00f5es, fazem afirma\u00e7\u00f5es que revelam n\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o aos que eles dizem, disparam afirma\u00e7\u00f5es dogm\u00e1ticas, traem a confian\u00e7a deles ao expor uma confid\u00eancia que fez, utilizam tom de voz e trejeitos julgadores e incriminat\u00f3rios, s\u00f3 falam do que lhes interessa, ordenam e criticam e n\u00e3o deixam espa\u00e7o para os filhos expressarem seus pensamentos e sentimentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>O que fazer quando o di\u00e1logo parece imposs\u00edvel?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O verdadeiro di\u00e1logo tem equil\u00edbrio<strong>: <\/strong>um fala e o outro ouve com verdadeiro interesse em compreender. H\u00e1 pais sem sintonia com o filho e desconhecem suas prefer\u00eancias art\u00edsticas e culturais (m\u00fasicas, v\u00eddeos, filmes&#8230;), assuntos t\u00e9cnicos ou cient\u00edficos que aprecia&#8230;Os pais devem dar o primeiro passo para iniciar uma conversa\u00e7\u00e3o grata, com temas que interessam ao filho: jogo de futebol que participou, o videogame preferido, m\u00fasicas que aprecia, o \u00eddolo que admira, o instrumento musical que almeja aprender a tocar\u2026 Mostrem interesse quando ele fala com palavras que demonstrem aten\u00e7\u00e3o ao que diz: \u201centendo\u201d, \u201cque bom\u201d, \u201cpuxa, interessante!\u201d, \u201cverdade!\u201d, \u201cfico feliz em saber disso\u201d, \u201ccompreendo o que voc\u00ea est\u00e1 me dizendo\u201d. N\u00e3o h\u00e1 pressa em querer falar, a ponto de cortar a fala dele. Ou\u00e7am de forma passiva, sem emitir ju\u00edzos ou interromper a fala dele. Nunca se escandalizem com o que ele diz, e n\u00e3o lancem um torpedo do tipo \u201ceu n\u00e3o falei; bem que avisei!\u201d, mas dizer \u201cacho que isso tem solu\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cnada acontece sem que Deus permita\u201d, \u201ca gente ganha experi\u00eancia com nossos erros\u201d&#8230; Evitar discuss\u00f5es ou atitudes de ataque e defesa que fazem ambos os lados se fecharem no orgulho.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O verdadeiro di\u00e1logo constr\u00f3i pontes entre mentalidades diferentes, ao dar a conhecer a pr\u00f3pria opini\u00e3o com transpar\u00eancia, sem esconder o que se pensa para evitar conflitos, pois essa falsa atitude tornaria superficial conviv\u00eancia. O di\u00e1logo com o adolescente n\u00e3o deve ser professoral, mas testemunhal.As pessoas hoje d\u00e3o mais import\u00e2ncia ao testemunho pessoal do que ao tom professoral, do tipo \u201cvoc\u00ea precisa fazer isso\u201d; \u201cvoc\u00ea tem que&#8230;\u201d. O Papa Paulo VI disse que \u00abo homem contempor\u00e2neo escuta com mais vontade aqueles que d\u00e3o testemunho do que aqueles que ensinam\u00bb, e continuava: \u00abSe escutam os que ensinam, \u00e9 porque eles d\u00e3o testemunho\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>Adolescentes n\u00e3o querem ser tratados como crian\u00e7as<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os adolescentes querem ser tratados n\u00e3o como crian\u00e7as, mas como adultos, e s\u00e3o muito sens\u00edveis ao modo como s\u00e3o abordados pelos pais: um tom de voz paternalista ou autorit\u00e1rio lan\u00e7a por terra a tentativa de manter uma conversa. Falem descontraidamente com ele, e deem poucos conselhos, e s\u00f3 os mais importantes e necess\u00e1rios para n\u00e3o aborrecer com muitas indica\u00e7\u00f5es, que acabam perdendo for\u00e7a. Seu filho se abrir\u00e1 ao n\u00e3o se sentir coagido a compartilhar sua intimidade. N\u00e3o fa\u00e7am perguntas fechadas que podem ser respondidas com um \u201csim\u201d ou \u201cn\u00e3o\u201d, mas abertas, a fim de saber o que pensa sobre um assunto e fomentar o di\u00e1logo: \u2013\u201cQue acha dessa not\u00edcia que saiu na imprensa?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerem seu filho digno de confian\u00e7a; mostrem que voc\u00eas confiam nele ao pedir favores e dando-lhe privil\u00e9gios: ajudar na educa\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o menor, cuidar de certas gest\u00f5es familiares (ir ao banco, pagar contas&#8230;), pois isso aumentar\u00e1 sua autoestima. Pe\u00e7am a opini\u00e3o dele sobre os projetos familiares e como solucionar determinada situa\u00e7\u00e3o&#8230; Elogiem n\u00e3o s\u00f3 os mais novos, pois os adolescentes precisam de alento para se sentirem considerados.<\/p>\n\n\n\n<p>A conversa com adolescentes deve chegar a ideias e n\u00e3o a fatos concretos, pois as ideias conduzem a a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas. N\u00e3o critiquem o amigo dele, pois ele o defender\u00e1 com ardor, mas conversem com ele sobre o que pensa ser uma verdadeira amizade, e aproveite uma boa hist\u00f3ria liter\u00e1ria (por exemplo, Pin\u00f3quio, de Carlo Collodi), e deixe-o concluir sozinho que o verdadeiro amigo est\u00e1 junto tamb\u00e9m nas horas amargas, os colegas s\u00f3 para se divertirem juntos e os cumplices para sugerir coisas erradas. N\u00e3o dar serm\u00f5es ou aconselhar desde uma c\u00e1tedra e em tom professoral, mas conversar, ouvir, perguntar e deixar que concluam as coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A verdadeira comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma estrada de duas m\u00e3os: falar com o filho \u00e9 dialogar com ele; falar para o filho \u00e9 monologar e n\u00e3o deix\u00e1-lo falar. Di\u00e1logos n\u00e3o restritos \u00e0s notas escolares, quest\u00f5es pol\u00eamicas como festas, excesso de telas digitais e celulares, que podem ser deixadas para o momento em que estiverem bem-dispostos para conversar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u00c9 muito humano iniciar uma conversa com temas simples, permeada de risos, pois fomenta a amizade: m\u00fasicas que apreciam, a classifica\u00e7\u00e3o do time de futebol preferido, como gostam de descansar&#8230; A conversa corriqueira age como gravetos que alimentam a fogueira para abordar temas mais profundos. Essa conversa \u00e9 provocada n\u00e3o com perguntas fechadas que podem ser respondidas com \u201csim\u201d ou \u201cn\u00e3o\u201d, mas aberta para provocar o di\u00e1logo e compreender como ele pensa: &#8211; Que acha dessa not\u00edcia que saiu na imprensa? Aproveitem os instantes juntos no carro e coloquem muita aten\u00e7\u00e3o ao que dizem, pois coment\u00e1rios descontra\u00eddos revelam o que h\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o e abrem horizontes educativos. Deixar de abordar temas mais profundos indicaria um clima familiar carente de objetivos e que n\u00e3o alcan\u00e7a valores mais altos: Deus, ideais de servir, escolha da profiss\u00e3o, aproveitamento do tempo, desenvolver as habilidades pessoais para melhor servir aos demais&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nas conversas sinceras h\u00e1 espa\u00e7o para discordar sem que isso abale o trato m\u00fatuo. A amizade n\u00e3o depende de esconder o que se pensa, porque necessita da autenticidade, desde que demonstrada com respeito e carinho. Num di\u00e1logo, quanto mais fiel for cada pessoa \u00e0 sua consci\u00eancia, mais aut\u00eantica ser\u00e1 a unidade entre elas. Ser fiel \u00e0s pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es n\u00e3o impede a conviv\u00eancia, pelo contr\u00e1rio, faz crescer o respeito m\u00fatuo. Uma boa conversa leva \u00e0 troca de sentimentos, ideias e experi\u00eancias, e n\u00e3o apenas temas superficiais s\u00f3 para matar o tempo. Uma boa conversa leva pais e filhos abrirem a alma, porque se compreendem, sabem ouvir e n\u00e3o temem falar de temas profundos, como projetos pessoais, dificuldades, valores, f\u00e9, drogas, sexualidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>Mudan\u00e7as de interesse e identidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Como voc\u00ea lida com as mudan\u00e7as no modo de vestir, falar ou se divertir de seu filho? Consegue enxergar isso como parte natural da forma\u00e7\u00e3o da identidade? Um adolescente n\u00e3o quer ser tratado como crian\u00e7a, mas como adulto. A maturidade \u00e9 um tema importante, ligado \u00e0 personalidade, ao modo est\u00e1vel de se relacionar consigo pr\u00f3prio, com os demais, e com o mundo. \u00c9 natural no homem a autonomia, a independ\u00eancia, e deve ser educado para isso. N\u00e3o prender os filhos em casa. \u00c9 importante desenvolver a autonomia desde a inf\u00e2ncia, ao n\u00e3o fazer pelo filho aquilo que ele pode fazer sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pais e m\u00e3es inseguros em tornar seus filhos independentes, pois os querem como eternas crian\u00e7as fofinhas e engra\u00e7adas. Com isso, acabam substituindo os filhos em tudo o que eles deveriam fazer sozinhos, e os tornam moles, pregui\u00e7osos e sempre dependentes de que os demais fa\u00e7am tudo por eles. Pais que n\u00e3o querem ver o filho deixar de ser crian\u00e7a educam mal. J\u00e1 se disse que \u00e0 superm\u00e3e ou ao superpai corresponde um infrafilho, sem capacidade de voar por si s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As dicas aqui expostas servem n\u00e3o apenas para o di\u00e1logo com os adolescentes, mas tamb\u00e9m com os amigos e colegas do trabalho e das rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Indique nossos boletins a parentes e amigos para que possam se inscrever pelo site staging.ariesteves.com.br\/, e receber os textos gratuitamente e por e-mail.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-ab8097314b7a87d32a0be6bf214002fc\">Texto de Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br\/. Imagem ChatGpt<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Como tem sido sua experi\u00eancia ao tentar conversar com seu filho? 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