{"id":4617,"date":"2021-04-28T11:49:27","date_gmt":"2021-04-28T14:49:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ariesteves.com.br\/?p=4617"},"modified":"2021-04-28T11:49:27","modified_gmt":"2021-04-28T14:49:27","slug":"para-decidir-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/?p=4617","title":{"rendered":"Para decidir bem: a forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>1 &#8211; <a href=\"\/#1\">Os bens e os deveres<\/a><\/strong>.  <strong>2 &#8211; <a href=\"\/#2\">Tipos de deveres<\/a><\/strong>.  <strong>3 &#8211; <a href=\"\/#3\">Estabelecer prioridades ou ordem nos bens e deveres<\/a><\/strong>.  <strong>4 &#8211; <a href=\"\/#4\">A atua\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia<\/a><\/strong>.  <strong>5 &#8211; <a href=\"\/#5\">Formar a consci\u00eancia para decidir bem<\/a><\/strong>.  <strong>6 &#8211; <a href=\"\/#6\">N\u00e3o obrigar a agir contra a consci\u00eancia<\/a><\/strong>.  <strong>7 &#8211; <a href=\"\/#7\">A crian\u00e7a tende a viver dominada pelo instinto<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"1\" style=\"color:#a92828\"><strong>1 &#8211; Os bens e os deveres<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A conduta humana est\u00e1 condicionada por duas for\u00e7as que se completam: a dos bens que nos atraem e a dos deveres que nos obrigam. Como estabelecer uma ordem ou hierarquia quando essas for\u00e7as entram em conflito \u00e9 o que veremos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<em>Bens ligados aos instintos<\/em>: os instintos s\u00e3o predisposi\u00e7\u00f5es que a natureza imp\u00f5e aos animais e aos homens para garantir a sobreviv\u00eancia: comer, beber, abrigar-se, defender-se, procriar. S\u00e3o bens prim\u00e1rios e importantes, mas n\u00e3o \u00e9 digno do homem manter sua vida centrada neles, pois tendo intelig\u00eancia e vontade, o ser humano \u00e9 livre e pode aspirar a bens mais altos. No homem, os bens ligados aos instintos n\u00e3o s\u00e3o totalmente seguros e a pessoa precisa orient\u00e1-los, servindo-se de sua intelig\u00eancia, a fim de que n\u00e3o se desviem: comer demais, beber demais, usar o instinto sexual para ver pornografia na internet&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<em>Bens ligados ao esp\u00edrito<\/em>: a pessoa humana tem intelig\u00eancia para buscar outros bens, al\u00e9m dos associados aos instintos: ter uma profiss\u00e3o ou of\u00edcio; apreciar m\u00fasica, pintura, literatura; estudar l\u00ednguas, organizar uma cole\u00e7\u00e3o interessante, fabricar instrumentos&#8230; Mas corre-se o risco de centrar a vida em algum desses bens de forma exagerada, o que torna necess\u00e1rio que a pessoa, por meio de sua consci\u00eancia, fa\u00e7a um ju\u00edzo pr\u00e1tico para ter seguran\u00e7a sobre o que deve fazer em cada momento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"2\" style=\"color:#a82c2c\"><strong>2 &#8211; Tipos de deveres<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os <em>deveres<\/em> nos chegam desde fora como chamadas que nos dirigem Deus, as pessoas e os seres que est\u00e3o ao nosso redor: animais, plantas, meio ambiente, os instrumentos que utilizamos e que devem ser bem cuidados. O animal n\u00e3o tem intelig\u00eancia e s\u00f3 sente a voz do instinto, que busca a conserva\u00e7\u00e3o de sua vida. Por\u00e9m, os seres humanos ouvem a voz dos outros seres: um homem n\u00e3o pode comer sossegado se tiver ao lado outro homem faminto, pois percebe que este tem necessidade de sua ajuda e se sente obrigado a isso. O le\u00e3o n\u00e3o se importa se outro le\u00e3o ao seu lado morre de fome e come toda a presa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Existem tr\u00eas tipos de deveres: 1) Para com Deus, que sendo quem \u00e9 deve ocupar o primeiro lugar na nossa vida: \u201c<em>Amar a Deus com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua mente, com toda a tua for\u00e7a<\/em>\u201d. 2) Para com os homens: \u201c<em>Amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d<\/em>. No amor aos homens \u00e9 colocada uma medida: &#8220;amar o pr\u00f3ximo como a ti mesmo&#8221;. Essa pedagogia divina \u00e9 muito inteligente, pois n\u00e3o conseguir\u00edamos amar desse modo os bilh\u00f5es de homens do mundo, mas devemos amar aqueles que est\u00e3o ao nosso lado pelos la\u00e7os de sangue, de amizade, de trabalho. 3) Para com a natureza ou meio ambiente, que devemos domin\u00e1-la, mas respeit\u00e1-la e preserv\u00e1-la para todas as gera\u00e7\u00f5es de homens que ainda vir\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tais deveres devem ser cumpridos mesmo a contragosto, n\u00e3o vendo neles apenas obriga\u00e7\u00f5es, mas bens&nbsp;a realizar. Ao colocar amor ou sentimento na realiza\u00e7\u00e3o de um dever, ganha-se gosto em cumpri-lo: um homem apaixonado pela sua fam\u00edlia sente-se feliz em sacrificar-se por ela; uma m\u00e3e n\u00e3o atende seus filhos a contragosto, mas sorrindo; o professor e o artes\u00e3o apaixonados pelo que fazem realizam suas fun\u00e7\u00f5es com extraordin\u00e1ria energia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"3\" style=\"color:#a92e2e\"><strong>3 &#8211; Estabelecer prioridades ou ordem nos bens e deveres<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sendo limitados tanto em nossas for\u00e7as quanto no tempo que dispomos, n\u00e3o conseguimos estudar e ver futebol ao mesmo tempo. Por isso, temos que estabelecer prioridades, tendo presente que os bens nos atraem e os deveres, por vezes, fugimos&nbsp;deles por covardia ou pregui\u00e7a. \u00c9 necess\u00e1rio avaliar,&nbsp;pois os bens s\u00f3 s\u00e3o bens se desfrutados com medida, sejam eles prim\u00e1rios ou da intelig\u00eancia. Apenas os bens mais altos n\u00e3o exigem medida: n\u00e3o podemos ter medida no Amor a Deus, nem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas (um marido n\u00e3o pode ter medida no amor \u00e0 sua esposa).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No in\u00edcio de cada dia \u00e9 preciso fazer um exame de tr\u00eas minutos para identificar as prioridades. Essa avalia\u00e7\u00e3o se faz com a <em>consci\u00eancia<\/em>, que \u00e9 a capacidade da intelig\u00eancia pr\u00e1tica de avaliar qual o dever ou o bem a ser atendido em primeiro lugar. A consci\u00eancia n\u00e3o decide, mas apenas avalia a situa\u00e7\u00e3o e faz perceber o que deve ser feito. A decis\u00e3o de fazer ou n\u00e3o o que a voz da consci\u00eancia indica cabe \u00e0 pessoa por meio de sua vontade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"4\" style=\"color:#a92e2e\"><strong>4 &#8211; A atua\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para avaliar os pr\u00f3s e os contras, a pessoa se serve da sua consci\u00eancia, que trabalha com os dados da intelig\u00eancia, e n\u00e3o deve permitir que seus sentimentos ou gostos interfiram na avalia\u00e7\u00e3o objetiva da realidade. Com a intelig\u00eancia percebe-se determinada situa\u00e7\u00e3o, a ser avaliada pela pessoa por meio de sua consci\u00eancia, a fim de saber como agir. Por exemplo, \u00e9 s\u00e1bado e uma m\u00e3e se prepara para arrumar a casa. Seu filho, adolescente de onze anos, se apronta para jogar videogame, mas percebe que a m\u00e3e est\u00e1 cansada, pois trabalhou fora a semana inteira. Ent\u00e3o, o filho avaliar\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o por meio de sua consci\u00eancia, e chegar\u00e1 ao seguinte ju\u00edzo: \u2212 <em>Devo deixar o videogame de lado e ajudar a minha<\/em> <em>m\u00e3e<\/em>. Por isso se costuma dizer \u201ca voz da consci\u00eancia\u201d para indicar algo que ouvimos interiormente. <\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A consci\u00eancia disse ao jovem o bem concreto que deveria fazer, mas a decis\u00e3o de ajudar ou n\u00e3o a m\u00e3e caber\u00e1 a ele, por meio de sua vontade. Esse ju\u00edzo da consci\u00eancia \u00e9 o ato mais pr\u00f3prio do homem, que deve ser realizado e amado. O valor da vida de uma pessoa depende desse seguir a sua consci\u00eancia. O ju\u00edzo pr\u00e1tico da consci\u00eancia \u00e9 realizado antes da a\u00e7\u00e3o e voltar\u00e1 depois para conferir se foi realizado ou n\u00e3o: se o jovem agiu em conformidade com sua consci\u00eancia,&nbsp;a felicidade do dever cumprido o invadir\u00e1; se por ego\u00edsmo agiu em desacordo, ter\u00e1 ido contra a parte mais \u00edntima e delicada do seu ser. Quando a ordem interior se&nbsp;destr\u00f3i por uma a\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 consci\u00eancia, fica&nbsp;um rastro de mal-estar chamado remorso. Quem habitualmente atua contra a pr\u00f3pria consci\u00eancia corrompe&nbsp;e apaga&nbsp;a luz que orienta as a\u00e7\u00f5es, e&nbsp;deixa de ser uma pessoa livre para se tornar escrava de seus v\u00edcios, que no caso do jovem seria o da pregui\u00e7a. A maturidade de uma pessoa est\u00e1 em ouvir a voz dos deveres e cumpri-los.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"5\" style=\"color:#aa2a2a\"><strong>5 &#8211; Formar a consci\u00eancia para decidir bem<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia \u00e9 necess\u00e1ria para a pessoa decidir sem erro. Para isso, ela necessita que a intelig\u00eancia forne\u00e7a os dados corretos sobre a realidade. Um exemplo: certo pai cruzou a sala de estar e viu seu filho com uma bola nas m\u00e3os. Ao retornar, notou quebrado o vaso e pensou que fora o garoto o autor da fa\u00e7anha. Sentindo-se cobrado pela sua consci\u00eancia, penalizou o filho ao determinar que ficaria sem a bola a semana toda. Depois soube pela esposa que foi o gato quem quebrou o vaso. Por isso, devemos ler, estudar os assuntos, ouvir as pessoas para decidir bem (o pai agiu imprudentemente ao n\u00e3o perguntar nada \u00e0 esposa).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E necess\u00e1rio formar a consci\u00eancia em valores perenes para dar a ela seguran\u00e7a em seus ju\u00edzos: saber que o suborno \u00e9 a\u00e7\u00e3o ruim, e que a justi\u00e7a, ao dar a cada um o que lhe pertence, \u00e9 ato bom, facilita os ju\u00edzos da consci\u00eancia. Quem foge de  saber o que \u00e9 certo ou errado para n\u00e3o se sentir obrigado pela sua consci\u00eancia a mudar de atitude, age com imprud\u00eancia e com graves consequ\u00eancias para si e para os demais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"6\" style=\"color:#ae2e2e\"><strong>6 &#8211; N\u00e3o obrigar a agir contra a consci\u00eancia<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Cada um deve descobrir o modo correto de agir em cada caso. Desde fora se pode ajudar a perceber, mas n\u00e3o obrigar a fazer de modo diferente do que julgou: um pai n\u00e3o pode obrigar o filho a estudar, se este n\u00e3o o desejar. Mesmo que amarre o garoto na cadeira e coloque um livro diante dele, o filho n\u00e3o estudar\u00e1 se n\u00e3o quiser. Ou seja, ningu\u00e9m pode decidir pelo outro, pois o querer \u00e9 algo muito \u00edntimo, pessoal; \u00e9 uma for\u00e7a que deve vir de dentro. Mas o pai pode ensinar o filho a conhecer o certo e o errado, e como o correto deve ser querido e o errado rejeitado, a fim de ajud\u00e1-lo  com raz\u00f5es profundas a decidir bem.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando a decis\u00e3o de algu\u00e9m o faz quebrar a ordem da realidade (ordem externa), ent\u00e3o se pode intervir: se a pessoa decide suicidar-se ou roubar de quem possui, porque acha que isso \u00e9 justo, podemos impedi-la de fazer tais besteiras, porque estar\u00e1 agindo contra a ordem objetiva da realidade e os valores que a permeiam. <\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u00c9 tarefa de cada pessoa avaliar o seu comportamento para se construir. Estamos a cada momento tomando decis\u00f5es, e estas nos constroem ou destroem. Uma pessoa que n\u00e3o enfrenta seus deveres se torna imatura e caminha pela vida em bases falsas. Com o passar do tempo concluir\u00e1 ter sido med\u00edocre e enterrado muitos ideais porque se deixou levar pela pregui\u00e7a ou outros v\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"7\" style=\"color:#a92828\"><strong>7 &#8211; A crian\u00e7a tende a viver dominada pelo instinto<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O ser humano, por ser inteligente e livre, rompe o cerco limitado dos instintos (que busca apenas a sua satisfa\u00e7\u00e3o) e respeita os seres n\u00e3o por interesse pr\u00f3prio,&nbsp;mas porque eles existem e t\u00eam as suas necessidades. A crian\u00e7a at\u00e9 aos cinco anos s\u00f3 pensa nela e n\u00e3o partilha, nem percebe a necessidade dos outros. Enquanto a intelig\u00eancia dela n\u00e3o se desenvolve, vive dominada pelos instintos prim\u00e1rios e&nbsp;cabe aos pais ajud\u00e1-la a vencer esse individualismo, animando-a a partilhar. Se \u00e9 inevit\u00e1vel e desculp\u00e1vel o ego\u00edsmo da crian\u00e7a, j\u00e1 o de um adolescente ou jovem \u00e9 sinal de imaturidade ao&nbsp;revelar desajuste de&nbsp;personalidade: um corpo crescido, mas uma intelig\u00eancia com s\u00edndrome de infantilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-red-color has-text-color\"><strong>Texto produzido por <em>Ari Esteves<\/em>, com base no livro &#8220;Moral: a arte de viver&#8221;, de Juan Lu\u00eds Lorda, Editora Quadrante, S\u00e3o Paulo, 2001<\/strong>. <strong>Fotografia de Osama B. Aamir.jpg<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-black-color has-text-color\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 &#8211; Os bens e os deveres. 2 &#8211; Tipos de deveres. 3 &#8211; Estabelecer prioridades ou ordem nos bens e deveres. 4 &#8211; A atua\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia. 5 &#8211; Formar a consci\u00eancia para decidir bem. 6 &#8211; N\u00e3o obrigar a agir contra a consci\u00eancia. 7 &#8211; A crian\u00e7a tende a viver dominada pelo instinto. 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