{"id":6787,"date":"2022-02-12T09:13:15","date_gmt":"2022-02-12T12:13:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ariesteves.com.br\/?p=6787"},"modified":"2022-02-12T09:13:15","modified_gmt":"2022-02-12T12:13:15","slug":"ensinar-a-querer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/?p=6787","title":{"rendered":"Ensinar a querer"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>1 &#8211; <a href=\"\/#1\">A educa\u00e7\u00e3o integral da pessoa humana<\/a><\/strong>.  <strong>2 &#8211; <a href=\"\/#2\">Fortalecer o car\u00e1ter<\/a><\/strong>.  <strong>3 &#8211; <a href=\"\/#3\">Desenvolver a sensibilidades dos 6 aos 11 anos<\/a><\/strong>.  <strong>4 &#8211; <a href=\"\/#4\">A dor e sofrimento educam<\/a><\/strong>.  <strong>5 &#8211; <a href=\"\/#5\">Desprender-se do sup\u00e9rfluo<\/a><\/strong>.  <strong>6 &#8211; <a href=\"\/#6\">A import\u00e2ncia da fam\u00edlia<\/a><\/strong>.  <strong>7 &#8211; <a href=\"\/#7\">Ensinar a viver o amor<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"1\" style=\"color:#ab3131\"><strong>1 &#8211; A educa\u00e7\u00e3o integral da pessoa humana<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;A pessoa humana deve ser educada em sua totalidade, e n\u00e3o apenas no&nbsp;aspecto profissional, art\u00edstico, cient\u00edfico ou esportivo. Falar da <em>educa\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o<\/em> \u00e9 falar da totalidade do homem (intelig\u00eancia, vontade e afetos). No per\u00edodo de 6 a 11 anos h\u00e1 uma predisposi\u00e7\u00e3o natural para deixar-se educar o cora\u00e7\u00e3o, mais que em outras idades, sendo que esse ensinamento \u00e9 base para o desenvolvimento posterior&nbsp;de capacidades diferentes&nbsp;para a&nbsp;realiza\u00e7\u00e3o de&nbsp;outras tarefas e compreens\u00e3o de outras realidades: saber viver o sentido do amor, da fam\u00edlia, do trabalho e&nbsp;da sexualidade (temas n\u00e3o abordados \u2013 ou mal abordados \u2013 nas escolas, mas vitais para a verdadeira felicidade da pessoa, e que competem aos pais como&nbsp;primeiros e principais&nbsp;educadores dos filhos).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Durante o processo educativo os pais devem ensinar aos filhos a <em>querer<\/em>, a <em>servir<\/em> e a <em>pensar <\/em>(estes dois \u00faltimos aspectos ser\u00e3o abordados nos pr\u00f3ximos boletins). Ensinar a<em> querer&nbsp;<\/em>\u00e9 ensinar a viver com fortaleza e com alegria as inevit\u00e1veis contrariedades da vida; \u00e9 cultivar a finura e a sensibilidade ante a grandeza e a beleza; \u00e9 deixar o cora\u00e7\u00e3o se comover&nbsp;ante a dor alheia&nbsp;para que a vontade responda com generosidade, a fim de remediar as necessidades dos demais (ensinar o cora\u00e7\u00e3o a condoer-se); \u00e9 fazer notar que o trabalho ou tarefa \u00e9 um servi\u00e7o aos demais&#8230; A indiferen\u00e7a \u00e9 hoje uma doen\u00e7a progressiva em nossa sociedade, que se constata na&nbsp;passividade e na apatia frente \u00e0s dores dos demais: viver fechado no mundo pessoal leva ao ego\u00edsmo e este conduz \u00e0 tristeza e&nbsp;ao embotamento da alma.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Entre 6 e 11 anos a crian\u00e7a pode viver verdades e valores n\u00e3o como h\u00e1bitos irrefletidos, mas por meio de&nbsp;sua vontade, quando educada, pois nela reside o <em>querer<\/em> livre e consciente. \u00c9 o momento de iniciar a conscientiza\u00e7\u00e3o&nbsp;dos filhos de que n\u00e3o basta pensar no modo como ganhar\u00e3o dinheiro com a profiss\u00e3o que um dia escolher\u00e3o, mas em ter uma vontade forte para que queiram o bem e n\u00e3o cedam ao mais f\u00e1cil ou&nbsp;c\u00f4modo, nem temam assumir ideais grandes que exijam esfor\u00e7o para serem conquistados.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Educar o cora\u00e7\u00e3o e os afetos se consegue com uma vontade forte, que saiba&nbsp;<em>querer<\/em>. Para ensinar a colocar o cora\u00e7\u00e3o naquilo que vale a pena, a crian\u00e7a precisa ser orientada, pois sua tend\u00eancia \u00e9 ir ao mais f\u00e1cil e prazenteiro, \u00e9&nbsp;sentir-se bem&nbsp;mesmo fazendo o que n\u00e3o \u00e9 bom (deixar seus brinquedos e roupas desordenadas, n\u00e3o ajudar nas tarefas do lar, comer a qualquer hora, n\u00e3o ter disciplina&#8230;).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Se pode considerar o&nbsp;cora\u00e7\u00e3o como o princ\u00edpio n\u00e3o apenas localizado no \u00f3rg\u00e3o corporal do lado esquerdo do peito, mas em toda a sensibilidade da pessoa, que se v\u00ea afetada integralmente pelas realidades que a circundam. Na educa\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 primordial compreender o sentido da dor, da contrariedade, do cansa\u00e7o e da morte, que e o fim de todos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"2\" style=\"color:#b72929\"><strong>2 &#8211; Fortalecer o car\u00e1ter<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Podemos afirmar que o car\u00e1ter \u00e9 para o cora\u00e7\u00e3o o que os m\u00fasculos s\u00e3o para o corpo. \u00c9 \u00f3bvio que m\u00fasculos fl\u00e1cidos n\u00e3o resistem a pesos, e se rompem. Assim se passa com o cora\u00e7\u00e3o quando a vontade e fraca e o car\u00e1ter \u00e9 d\u00e9bil: se rompe ante as penas ou dificuldades. Muitas neuroses ou doen\u00e7as de origem emocional procedem da falta de fortaleza ou debilidade de car\u00e1ter. Dar ao filho tudo o que pede e evitar dizer um \u201cn\u00e3o\u201d a ele, e poup\u00e1-lo das exig\u00eancias normais da vida \u00e9 torn\u00e1-lo d\u00e9bil de car\u00e1ter, \u00e9 despersonaliz\u00e1-lo, \u00e9 impedir que cres\u00e7am em esp\u00edrito de servi\u00e7o. Uma parte importante da educa\u00e7\u00e3o para a dor e para o esp\u00edrito de servi\u00e7o apoia-se na virtude da fortaleza.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Na estrutura da personalidade humana somente \u00e9 poss\u00edvel educar para o servi\u00e7o se, depois do autodom\u00ednio, sabemos forjar um cora\u00e7\u00e3o forte,&nbsp;ordenado e que saiba amar. Compreender, perdoar, desculpar e corrigir os filhos a s\u00f3s e com carinho, n\u00e3o impede a&nbsp;clareza da mensagem e o emprego de energia almofadada quando necess\u00e1rio, pois tais normas marcam definitivamente a etapa dos 6 aos 11 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;O carinho que educa \u00e9 oferecido sempre num marco de exig\u00eancia e de servi\u00e7o ao&nbsp;outro, e tem algo de divino&nbsp;que se manifesta&nbsp;no olhar, no gesto, na atitude festiva (o amor converte a vida em festa);&nbsp;na compreens\u00e3o das fraquezas e defeitos,&nbsp;mas animando a&nbsp;corrigir-se;&nbsp;em saber prestigiar sem adular; \u00e9 carinho ofertado a todos, mas&nbsp;que se manifesta como exclusivo para cada um.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"3\" style=\"color:#b32d2d\"><strong>3 &#8211; Desenvolver a sensibilidades dos 6 aos 11 anos<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;N\u00e3o basta querer aos filhos: o ambiente de carinho&nbsp;que deve rode\u00e1-los n\u00e3o elimina a exig\u00eancia e a corre\u00e7\u00e3o, quando necess\u00e1rias. N\u00e3o basta tamb\u00e9m que sejam instru\u00eddos em muitos saberes t\u00e9cnicos ou culturais:&nbsp;\u00e9 preciso formar seu car\u00e1ter. Aprender a querer est\u00e1 em pequenos detalhes como ter sempre as m\u00e3os limpas para n\u00e3o deixar marcas nos estofados, paredes e&nbsp;portas; \u00e9 esfor\u00e7ar-se para deixar cada coisa&nbsp;em seu lugar e cuidar de n\u00e3o estrag\u00e1-las com modos bruscos ou maus tratos; \u00e9 ter detalhes de cortesia e bons modos com pessoas que n\u00e3o s\u00e3o da fam\u00edlia; \u00e9 jogar ou brincar sabendo sacrificar o resultado para conservar a unidade entre as pessoas; \u00e9 evitar discuss\u00f5es e tentar compreender a raz\u00e3o dos outros; \u00e9 ser agradecido, principalmente com&nbsp;Deus pelos dons recebidos&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;A sabedoria popular chama de&nbsp;\u201cdureza de cora\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201cfrialdade de sentimentos\u201d a quem&nbsp;n\u00e3o manifesta um cora\u00e7\u00e3o grande, magn\u00e2nimo. A atmosfera que o lar deposita no cora\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a tem import\u00e2ncia decisiva na forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia dela. Frente a postura&nbsp;de dureza de cora\u00e7\u00e3o&nbsp;cabe&nbsp;verificar o sentido que os pais d\u00e3o \u00e0 dor, pois a insensibilidade vai endurecendo o cora\u00e7\u00e3o e perde-se o&nbsp;sentido purificador da&nbsp;solidariedade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"4\" style=\"color:#b33333\"><strong>4 &#8211; A dor e sofrimento educam<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;A dor pode ser transformada em atitude de amor e de servi\u00e7o. Aprende-se&nbsp;a sofrer, a amar, a&nbsp;servir&nbsp;e, concomitantemente, a ser feliz no lar, e desde o&nbsp;per\u00edodo de 6 a 11 anos, pois nele a crian\u00e7a desenvolve maior resson\u00e2ncia sens\u00edvel. <\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Todos est\u00e3o de acordo com a defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o cient\u00edfica, mas de grande sentido comum, que com o cora\u00e7\u00e3o sofremos e nos alegramos. Parece que a afetividade humana se reflete no cora\u00e7\u00e3o, mais que em outras partes, e de modo diferente em cada pessoa. \u00c9 f\u00e1cil observar como duas pessoas s\u00e3o afetadas de maneira distinta diante do mesmo fato; nem sequer se pode dizer que a intensidade de um sofrimento pode ser causada pela priva\u00e7\u00e3o ou import\u00e2ncia de um bem. Em certa escola, um grupo de quatro meninas, entre seis e sete anos, perdeu o pai no per\u00edodo de poucos meses de diferen\u00e7a, sendo que as rea\u00e7\u00f5es foram desiguais: uma delas se afetou de tal maneira que durante quase seis meses n\u00e3o p\u00f4de voltar ao col\u00e9gio, pois tinha febre e v\u00f4mitos causados pelo estado emocional; outra voltou a chupar o dedo como costume que h\u00e1 mais de dois anos tinha abandonado; outra aproveitou sua situa\u00e7\u00e3o para chamar a aten\u00e7\u00e3o ao falar continuamente dos detalhes que rodearam o acontecimento; outra se tornou retra\u00edda, desajeitada e nervosa, surgindo dermatite em sua pele<strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Os acontecimentos, ainda que semelhantes, s\u00e3o rodeados de circunst\u00e2ncias diversas que provocam dor cuja intensidade e resultado depende de cada pessoa. A dor \u00e9 a resposta diante da perda de um bem devido \u00e0 nossa natureza, mas cada ser humano sofre de maneira diferente. Se ante um pequeno acidente os pais reagem com serenidade, solucionando com naturalidade os problemas, as crian\u00e7as compreendem que aquilo n\u00e3o tem grande import\u00e2ncia. A&nbsp;fortaleza e a serenidade s\u00e3o ingredientes indispens\u00e1veis&nbsp;a&nbsp;pais e filhos para aprender a enfrentar e suportar a dor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;A dor, a contrariedade e o cansa\u00e7o assumidos na realiza\u00e7\u00e3o dos deveres se identificam com o amor e o esp\u00edrito de servi\u00e7o, e estes tornam poss\u00edvel aceitar aqueles, sem se deixar enganar ao substitu\u00ed-los por compensa\u00e7\u00f5es absurdas. Quando a dor \u00e9 recha\u00e7ada, adotando-se ante ela uma postura insens\u00edvel, procurando o analg\u00e9sico ou deixando-se levar pelo desespero ou pela fuga, se rompe a unidade e a harmonia interior da pessoa, provocando um novo sofrimento. Nos pequenos casos apresentados a seguir nota-se o desejo desordenado de compensa\u00e7\u00e3o ou fuga.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Um menino de dez anos, depois de permanecer alguns meses na cama, engessado por todas as partes, o que provocou nele grandes feridas na pele, depois de curado se empenhava para que seus pais satisfizessem seus caprichos mais absurdos: ouvir m\u00fasica a todo volume at\u00e9 \u00e0 meia noite, e se algu\u00e9m se queixasse do inc\u00f4modo o garoto exagerava com o que ele havia passado; exigia de seus pais gastos desproporcionados \u00e0s suas possibilidades, argumentando que nada se comparava&nbsp;aos sacrif\u00edcios que ele havia sofrido; resistia a qualquer exig\u00eancia, aludindo \u00e0 injusta situa\u00e7\u00e3o que viveu, considerando cru\u00e9is e culpando a todos os que n\u00e3o sofreram o que ele teve que aguentar, e a todos os que n\u00e3o estivessem dispostos a compensar o que ele havia sugerido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Uma menina de sete anos, cujo pai abandonou a fam\u00edlia, viu sua m\u00e3e que, dedicada a resolver a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do lar, descuidou de preencher de sentido o sofrimento que causou na filha a fuga paterna. Enquanto isso, a menina encontrou na casa da av\u00f3 um ref\u00fagio gratificante, pois esta, com pena da menina, a satisfazia&nbsp;com mimos e presentes. Com isso, a menina se tornou grosseira e desrespeitosa para com a m\u00e3e, e queria estar sempre na casa da av\u00f3. A m\u00e3e achava que essa rea\u00e7\u00e3o da filha era consequ\u00eancia \u201cnormal\u201d do que havia sofrido, e com falsa compaix\u00e3o, sem perceber acabou mantendo o ressentimento da filha contra ela. A m\u00e3e&nbsp;deveria ensinar a menina a sofrer e a dar sentido \u00e0 dor provocada pela injusti\u00e7a que sofreu, e que j\u00e1 n\u00e3o seria poss\u00edvel&nbsp;remediar, pois assim a&nbsp;teria feito crescer&nbsp;em maturidade e miseric\u00f3rdia, que \u00e9 uma meta alta&nbsp;que deve aspirar o cora\u00e7\u00e3o humano. Fugir \u00e9 ocupar-se de qualquer coisa que impe\u00e7a estar consigo mesmo para n\u00e3o aceitar a dor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Existem fugas t\u00e3o bobas que v\u00e3o desde comer chocolates a toda hora, comer por comer, buscar uma divers\u00e3o atr\u00e1s da outra, ouvir r\u00e1dio ou ver televis\u00e3o indiscriminadamente, etc. Aceitar a dor, a contrariedade, o cansa\u00e7o, a doen\u00e7a, a morte \u00e9 aceitar a vida. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que possa mudar tais realidades: \u201cda morte ningu\u00e9m escapa, nem o pobre, nem o rei, nem o Papa\u201d, disse Santa Terezinha. Falsificar a dor \u00e9 colocar a pessoa a caminho de perder a sa\u00fade mental. Em troca, aceit\u00e1-la \u00e9 dar sentido \u00e0quilo que \u00e9 dif\u00edcil, \u00e9 transform\u00e1-la em amor purificador e redentor, e esse amor engrandece a alma e a salva.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"5\" style=\"color:#b72d2d\"><strong>5 &#8211; Desprender-se do sup\u00e9rfluo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;H\u00e1 sofrimentos n\u00e3o necess\u00e1rios, mas provocados pela frustra\u00e7\u00e3o de muitos desejos in\u00fateis que se despertam num cora\u00e7\u00e3o desavisado e que se v\u00ea bombardeado de m\u00faltiplos est\u00edmulos sens\u00edveis: muitos sofrimentos s\u00e3o evit\u00e1veis ao educar o cora\u00e7\u00e3o para se desprender do sup\u00e9rfluo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Hoje \u00e9 necess\u00e1rio ensinar as crian\u00e7as a manter o cora\u00e7\u00e3o desprendido de tantos bens sup\u00e9rfluos que s\u00e3o apresentados a todo momento e de forma atraente.&nbsp;A cada cinco minutos a publicidade digital&nbsp;descarrega in\u00fameras ofertas&nbsp;com o recado de que s\u00e3o \u201cindispens\u00e1veis&#8221;&nbsp;para a nossa vida. As crian\u00e7as s\u00e3o v\u00edtimas de modismos e grifes, e devem ser alertadas por seus pais sobre esse ass\u00e9dio consumista. Que aprendam a ser criativas ao&nbsp;inventar suas brincadeiras com embalagens e outros objetos simples, por exemplo. A imagina\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a \u00e9 mais rica que os produtos comerciais! O bot\u00e3o deve estar dentro das crian\u00e7as, e n\u00e3o em aparelhos el\u00e9tricos ou digitais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"6\" style=\"color:#b52e2e\"><strong>6 &#8211; A import\u00e2ncia da fam\u00edlia<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;O homem tem por natureza uma estrutura familiar, e em seu \u00e2mbito ps\u00edquico-afetivo existe uma necess\u00e1ria resson\u00e2ncia que procede desse&nbsp;recinto vital que \u00e9 o seu lar. A seguran\u00e7a emocional da pessoa procede principalmente da estabilidade da fam\u00edlia. A unidade dos pais se projeta na identidade de cada filho. Pode-se dizer que uma crian\u00e7a tem tudo \u2212 mesmo que care\u00e7a de muitas coisas materiais \u2212, quando em seu lar exista uma unidade familiar fundamentada no carinho entre marido e mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Sem um lar verdadeiro, o homem se despersonaliza e se perde ao buscar sua identidade entre a massa. Chama a aten\u00e7\u00e3o ver como a moda \u00e9 adotada de maneira mais intensa em jovens com fam\u00edlias desestruturadas. Adolescentes que prov\u00e9m de fam\u00edlias unidas, onde reina o carinho, manifestam uma personalidade mais definida e se apegam muito menos \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es dos modismos e das grifes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Filhos que desde pequenos desempenharam tarefas no lar para o bem de toda a fam\u00edlia, s\u00e3o impulsionados por motivos de amor porque percebem que servir \u00e9 mais que um dever: \u00e9 atitude de amor aos demais. Tal comportamento se manifesta tamb\u00e9m entre seus amigos da equipe esportiva, nas excurs\u00f5es, no ambiente escolar e de vizinhan\u00e7a, pois seu \u00e2nimo e alegria s\u00e3o evidentes e contagiosos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;No lar se aprende a viver esses valores que d\u00e3o calor \u00e0 vida cotidiana e deixam marca na alma infantil. A f\u00e9, ilustrada com as narrativas b\u00edblicas, transmite uma imagem luminosa que se imprime na alma da crian\u00e7a. Logo vir\u00e1 a etapa seguinte, onde o estudo dos temas relacionados \u00e0 f\u00e9 refor\u00e7a na raz\u00e3o as convic\u00e7\u00f5es que agora se semeiam no cora\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a e o dramatismo da leitura de bons contos transmitem valores que despertam nas crian\u00e7as desejos de hero\u00edsmo, de grandeza, de generosidade, de desprendimento, de magnanimidade, de ternura, de sacrif\u00edcio&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"7\" style=\"color:#b52222\"><strong>7 &#8211; Ensinar a viver o amor<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;O amor e a dor se unem somente nas fronteiras da miseric\u00f3rdia. Seria absurdo pensar que a educa\u00e7\u00e3o somente pode ocorrer no marco perfeito da fam\u00edlia ideal. \u00c9 preciso educar de modo a contar com a deteriora\u00e7\u00e3o mais ou menos grande da sa\u00fade das pessoas com o passar do tempo: amar ao fraco \u00e9 padecer com paci\u00eancia a sua dor.&nbsp;Diante da deteriora\u00e7\u00e3o do corpo de quem se ama, se buscam os mil meios para que seja curado, e n\u00e3o se despreza a pessoa pelas feridas que sofre, sejam f\u00edsicas ou espirituais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Todo ser humano, por pior que seja sua conduta moral, ter\u00e1 capacidade de erguer sua vida, se sabe prender-se na m\u00e3o que vem do alto e das m\u00e3os que o amor humano alarga como um ponto entre a mis\u00e9ria e grandeza. Este caminho somente decorre entre o oceano da miseric\u00f3rdia divina e o C\u00e9u da esperan\u00e7a. O homem tem que ser completo n\u00e3o apenas momento presente, mas em todas suas possibilidades de transcend\u00eancia eterna. N\u00e3o se deve centrar a aten\u00e7\u00e3o no pior momento da vida de algu\u00e9m, como se n\u00e3o houvesse uma hist\u00f3ria na qual se pudessem destacar coisas boas entesouradas, ou como se n\u00e3o existisse um futuro com mil possibilidades para refazer-se.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;A miseric\u00f3rdia \u00e9 tecida com fortaleza e paci\u00eancia, com exig\u00eancia e suavidade. Amar com um amor misericordioso \u00e9 compadecer-se das mis\u00e9rias alheias, compreendendo e desculpando, sem se tornar&nbsp;c\u00famplice ou v\u00edtima em atitude doentia. O amor sabe suportar a dor presente e olhar o futuro com esperan\u00e7a e&nbsp;serenidade; o&nbsp;amor nos torna bons, nos impulsiona e eleva, nos purifica e renova.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Quem na adolesc\u00eancia n\u00e3o aprende a lutar contra o ego\u00edsmo, dificilmente aprender\u00e1 a servir e a amar, pois a l\u00f3gica consequ\u00eancia de um cora\u00e7\u00e3o sens\u00edvel ante a dor e a necessidade dos demais&nbsp;\u00e9 o servi\u00e7o.  &nbsp;  Ensinar a viver o amor que se transforma em miseric\u00f3rdia \u00e9 ensinar a esperar com otimismo; \u00e9 buscar os rem\u00e9dios poss\u00edveis, humanos e sobrenaturais, para resgatar e elevar aquele que caiu.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Mesmo antes da puberdade o cora\u00e7\u00e3o deve ser exercitado na compreens\u00e3o, no perd\u00e3o e na alegria. Com a puberdade chega um novo per\u00edodo em que a solidariedade humana deve arraigar sobre o terreno bem preparado de&nbsp;um cora\u00e7\u00e3o magn\u00e2nimo, forte, e que seja capaz de vencer seu pr\u00f3prio ego\u00edsmo. Ningu\u00e9m \u00e9 capaz de servir se n\u00e3o foi treinado na fortaleza para resistir com paci\u00eancia a&nbsp;dor e a&nbsp;contrariedade, encontrando nelas um sentido. Este per\u00edodo deve ser aproveitado para fazer a crian\u00e7a ver as necessidades e car\u00eancias dos que a rodeiam; car\u00eancias e necessidades que ela deve procurar remediar, umas vezes por estrita justi\u00e7a e outras por caridade. A crian\u00e7a dever\u00e1 encontrar neste per\u00edodo motivos sens\u00edveis que a levem a servir.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Ao final da etapa de 6 a 12 anos convir\u00e1 insistir na ideia do dever como um requisito da justi\u00e7a. No per\u00edodo sensitivo de&nbsp;0 a 6 anos,&nbsp;os pais transmitiram suas atitudes e&nbsp;o sentido que d\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria vida. Agora, antes da puberdade, a crian\u00e7a ir\u00e1 descobrir com mais for\u00e7a as viv\u00eancias paternas, e saber\u00e1 qual \u00e9 a atitude que deve adotar ante as exig\u00eancias de sua pr\u00f3pria dignidade, ante a vida humana, ante a dor e a contrariedade, ante trabalho e o cansa\u00e7o, ante o amor e a sexualidade humana, ante o mal e a injusti\u00e7a, ante a doen\u00e7a e a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;Se os pais vivem se queixando do trabalho, se realizam mal e \u00e0s pressas suas tarefas, se buscam fugas ou compensa\u00e7\u00f5es, se seus ju\u00edzos s\u00e3o implac\u00e1veis para com as demais pessoas, se n\u00e3o sabem compreender e perdoar, se n\u00e3o sabem ver um aspecto positivo em situa\u00e7\u00f5es mais duras, ent\u00e3o n\u00e3o haver\u00e1 teoria suficiente para educar o cora\u00e7\u00e3o. Pais sensatos criam oportunidades para que seus filhos aprendam a servir, a fim de que gradualmente estes aumentem a capacidade de&nbsp;esfor\u00e7o e passem a agir aceitando livremente a responsabilidade, reconhecida como um dever de justi\u00e7a ou de miseric\u00f3rdia.&nbsp;Ao chegar o per\u00edodo da juventude, quando foram bem aproveitadas a inclina\u00e7\u00e3o natural \u00e0 justi\u00e7a na adolesc\u00eancia, os jovens saber\u00e3o lutar contra seu pr\u00f3prio ego\u00edsmo e realizar\u00e3o grandes ideias de servi\u00e7o aos demais.  <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color\" style=\"color:#ad2a2a\">Texto adaptado por <em>Ari Esteves<\/em> com base no livro \u201cPara Educar Mejor\u201d, de <em>Maria Teresa Aldetre de Ramos<\/em>, Colecci\u00f3n Hacer Familia, Editorial Palabra, Espanha.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 &#8211; A educa\u00e7\u00e3o integral da pessoa humana. 2 &#8211; Fortalecer o car\u00e1ter. 3 &#8211; Desenvolver a sensibilidades dos 6 aos 11 anos. 4 &#8211; A dor e sofrimento educam. 5 &#8211; Desprender-se do sup\u00e9rfluo. 6 &#8211; A import\u00e2ncia da fam\u00edlia. 7 &#8211; Ensinar a viver o amor 1 &#8211; A educa\u00e7\u00e3o integral da pessoa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13897,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,9,17],"tags":[],"class_list":["post-6787","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-familia","category-virtudes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6787","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6787"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6787\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13897"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}