{"id":7846,"date":"2022-06-25T18:58:14","date_gmt":"2022-06-25T21:58:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ariesteves.com.br\/?p=7846"},"modified":"2022-06-25T18:58:14","modified_gmt":"2022-06-25T21:58:14","slug":"educar-filhos-quando-se-e-so","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/?p=7846","title":{"rendered":"Educar filhos quando se \u00e9 s\u00f3"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>1 &#8211; <a href=\"\/#1\">A aus\u00eancia definitiva de um dos c\u00f4njuges<\/a><\/strong>.  <strong>2 &#8211; <a href=\"\/#2\">N\u00e3o ancorar-se no passado<\/a><\/strong>.  <strong>3 &#8211; <a href=\"\/#3\">\u00c9 poss\u00edvel educar quando se \u00e9 s\u00f3?<\/a><\/strong>  <strong>4 &#8211; <a href=\"\/#4\">O que afeta a aus\u00eancia de um dos pais<\/a><\/strong>.  <strong><strong>5 &#8211; <a href=\"\/#5\">Educar com realismo e ajudar a que os filhos pensem nos demais<\/a><\/strong><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1\"><strong>1 &#8211; A aus\u00eancia definitiva de um dos c\u00f4njuges <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Educar os filhos \u00e9 acompanh\u00e1-los ao longo da vida. Essa tarefa deve ser realizada a dois \u2212 pai e m\u00e3e \u2212, sendo que o olhar de ambos sobre cada filho deve ser o mesmo. A falta do pai ou da m\u00e3e sup\u00f5e um grande baque nesse caminho. Nem todas as fam\u00edlias est\u00e3o completas. Por vezes, a morte pode lan\u00e7ar por terra muitos projetos. S\u00e3o momentos que exigem uma mescla de fortaleza e decis\u00e3o para olhar o futuro e n\u00e3o ancorar no passado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Diversos estudos demonstram que a influ\u00eancia materna sobre os filhos \u00e9 maior dos 0 aos 7 anos, e a influ\u00eancia paterna passa a ser maior na adolesc\u00eancia e juventude, diminuindo a da m\u00e3e: se a influ\u00eancia paterna nos in\u00edcios \u00e9 complementar passa a ser fundamental nesses anos dif\u00edceis da adolesc\u00eancia. A falta de um dos c\u00f4njuges, que pode ocorrer de improviso ou como algo anunciado, sempre deixa um grande vazio no labor educativo, e ningu\u00e9m fica ileso. A aus\u00eancia de um dos pais determinar\u00e1 o modo de educar os filhos. \u00c9 diferente que fale\u00e7a um dos pais ou que se d\u00ea uma separa\u00e7\u00e3o pelo div\u00f3rcio: neste \u00faltimo caso, a decis\u00e3o \u00e9 pessoal e se toma com todas as suas consequ\u00eancias; no caso da viuvez \u00e9 um modo de vida n\u00e3o escolhido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para os filhos \u00e9 muito mais dif\u00edcil sofrer uma separa\u00e7\u00e3o pelo div\u00f3rcio do que a aus\u00eancia definitiva do pai ou da m\u00e3e pela morte: para a crian\u00e7a, essa aus\u00eancia definitiva n\u00e3o foi desejada previamente, e a crian\u00e7a n\u00e3o alberga nenhuma d\u00favida sobre a sinceridade ou autenticidade desse nexo: h\u00e1 dor, mas n\u00e3o d\u00favida de quanto era amado pelo que faleceu. Na idade de 7 a 12 anos, os filhos entendem bem o significado da morte, e \u00e9 um fato que n\u00e3o deve ocultar ou maquiar ou dar falsas expectativas que n\u00e3o se cumpriram, tal como \u201cfoi de viagem\u201d. N\u00e3o se pode privar um filho dessa experi\u00eancia, que o far\u00e1 alcan\u00e7ar maior grau de maturidade. A dor sempre vai estar presente, pois nunca se espera ficar vi\u00favo ou \u00f3rf\u00e3o. Por\u00e9m, quanto antes aceitar esse fato, melhor.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"2\"><strong>2 &#8211; N\u00e3o ancorar-se no passado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u00c9 normal que figura da pessoa que partiu tenha sua presen\u00e7a na fam\u00edlia, mas n\u00e3o se deve ficar ancorado no passado. Seria err\u00f4neo idolatrar a figura que passou a faltar, enchendo a casa de fotos e mencionando-a em tudo e para tudo, porque se estaria educando com base em algo que j\u00e1 n\u00e3o pode incidir objetivamente nas vidas: \u201cse teu pai estivesse aqui&#8230;\u201d, e n\u00e3o se sabe bem o que se quer conseguir com isso, ou para onde conduzir\u00e1 tal atitude. Algo diferente \u00e9 recordar o dia da morte, ir ao cemit\u00e9rio, lembrar-se do dia do anivers\u00e1rio, pois o falecimento \u00e9 um fato objetivo e introduzido na vida da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"3\"><strong>3 &#8211; \u00c9 poss\u00edvel educar quando se \u00e9 s\u00f3?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Com a partida definitiva de um dos c\u00f4njuges fica uma incerteza: se antes a responsabilidade das decis\u00f5es era compartilhada, agora \u00e9 preciso decidir solitariamente, sem poder partilhar acerca do \u00eaxito ou fracasso de uma decis\u00e3o tomada. Por isso, \u00e9 preciso conversar com pessoas de crit\u00e9rio, amigos experientes e sensatos, orientadores familiares, ler livros e artigos sobre a educa\u00e7\u00e3o dos filhos, tendo sempre presente que educa\u00e7\u00e3o dos filhos \u00e9 um motivo muito importante para se agarrar e lutar, e n\u00e3o cair na nostalgia de uma aus\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"4\"><strong>4 &#8211; O que afeta a aus\u00eancia de um dos pais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando um adolescente perde um dos pais, o primeiro que afetar\u00e1 \u00e9 a consci\u00eancia de seguran\u00e7a. Tamb\u00e9m ser\u00e1 prejudicada a facilidade de aprender, pois esta tem muito a ver com a estabilidade de \u00e2nimo. O desenvolvimento dos filhos necessita de um entorno b\u00e1sico que d\u00ea pontos de apoio e seguran\u00e7a, que o fa\u00e7a abrir-se para o mundo: se a morte do pai ou da m\u00e3e \u00e9 visto como trag\u00e9dia, acabar\u00e1 repercutindo nos estudos, nas amizades, no car\u00e1ter.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em algumas ocasi\u00f5es, sobretudo no princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 existir a tenta\u00e7\u00e3o de recluir-se, esconder-se e n\u00e3o se relacionar. As primeiras festas de Natal sem o outro s\u00e3o muito dolorosas. No entanto, para o bem dos filhos, \u00e9 preciso sobrepor-se e favorecer que cres\u00e7am em um ambiente rico em rala\u00e7\u00f5es: os av\u00f3s, os primos, tios, amigos. A rela\u00e7\u00e3o com os familiares \u00e9 fundamental, pois esse entorno continuar\u00e1 proporcionando seguran\u00e7a. Em especial, \u00e9 preciso continuar estreitando os la\u00e7os com a fam\u00edlia daquele que partiu.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O mesmo ocorre nos assuntos escolares: ao se convocar os pais para uma reuni\u00e3o, \u00e9 bom que os filhos notem que continuam importando para o seu pai ou m\u00e3e, que oculta a sua dor e vai \u00e0 reuni\u00e3o. N\u00e3o cair na obsess\u00e3o de buscar um substituto. O que, sim, se deve buscar \u00e9 a naturalidade de seguir com o que fazia antes: praticar esporte e participar das mesmas atividades de antes com seus companheiros, ir passear, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O pai ou a m\u00e3e que permaneceu ter\u00e1 que compaginar duas realidades: carinho e firmeza ou autoridade de pai com a ternura de m\u00e3e. Isso \u00e9 um desafio, mas se consegue com o decorrer do tempo. Alguns especialistas dizem que pode ocorrer a tend\u00eancia, especialmente da m\u00e3e, de se superprotetora dos filhos, protegendo-os demais e inibindo sua vontade ou capacidade de rea\u00e7\u00e3o. Por isso, \u00e9 preciso fazer os filhos crescerem em autonomia, deixando-os participar de atividades no col\u00e9gio, esportes&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A n\u00e3o ser que o filho seja bastante maduro e respons\u00e1vel, e tenha idade adequada (ao redor dos 20 anos), \u00e9 preciso evitar que caia abusivamente sobre os filhos menores as responsabilidades daquele familiar que passou a faltar. Uma coisa \u00e9 apoiar-se nos filhos e fomentar a responsabilidade deles, outra \u00e9 fazer que saltem ou percam a etapa da inf\u00e2ncia, principalmente se for menina.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"5\"><strong>5 &#8211; Educar com realismo e ajudar a que os filhos pensem nos demais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em resumo, \u00e9 necess\u00e1rio abrir-se \u00e0 esperan\u00e7a. Apesar da situa\u00e7\u00e3o dolorosa de uma morte, \u00e9 poss\u00edvel seguir adiante. Realismo e rela\u00e7\u00f5es que ajudem amadurecer, como a de desenvolver o esp\u00edrito de servi\u00e7o e de ajuda solid\u00e1ria para com as pessoas que sofrem a car\u00eancia de bens materiais ou espirituais, s\u00e3o os dois pilares para a educa\u00e7\u00e3o dos filhos diante da aus\u00eancia definitiva de um dos pais. A morte de um dos pais n\u00e3o deve se converter em um tabu: as crian\u00e7as de 7 a 12 anos devem poder falar disso com seus amigos de maneira natural. Em algumas ocasi\u00f5es, os filhos se sentem envergonhados da situa\u00e7\u00e3o, como se tivessem culpa. A nova situa\u00e7\u00e3o deve ser enfrentada com realismo. A partir dos 8 ou 9 anos, filhos e filhas entendem o que \u00e9 a morte. \u00c9 preciso contar a verdade: c\u00e2ncer, acidente&#8230; E sobretudo alertar sobre as dificuldades que ir\u00e3o passar a partir desse momento, mas que os ajudar\u00e1 crescer em maturidade, fortaleza, esp\u00edrito de servi\u00e7o e maior uni\u00e3o com os que permanecem.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Uma m\u00e3e ou um pai n\u00e3o pode ser substitu\u00eddo por nada. Simplesmente \u00e9 preciso atuar a partir desse fato. Por isso, evitar cair na tenta\u00e7\u00e3o de prodigalizar presentes ou objetos na tentativa de preencher esse vazio. Se antes, a educa\u00e7\u00e3o era compartilhada, agora \u00e9 preciso buscar novos pontos de refer\u00eancia para avaliar o acerto ou n\u00e3o das decis\u00f5es educativas. Como j\u00e1 foi dito, ler livros sobre educa\u00e7\u00e3o, perguntar a bons amigos, participar de associa\u00e7\u00f5es de pais ou m\u00e3es que educam sozinhos porque estes podem compreender melhor a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color\" style=\"color:#ad2c2c\">Texto traduzido e adaptado por<em> Ari Esteves<\/em>, com base no artigo \u201dPadres viuvos. Educar cuando se esta solo\u201d, de Ricardo Regidor e Mercedes Tajada, <em>Revista Hacer Familia<\/em>, n. 71, Madri, Espa\u00f1a. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 &#8211; A aus\u00eancia definitiva de um dos c\u00f4njuges. 2 &#8211; N\u00e3o ancorar-se no passado. 3 &#8211; \u00c9 poss\u00edvel educar quando se \u00e9 s\u00f3? 4 &#8211; O que afeta a aus\u00eancia de um dos pais. 5 &#8211; Educar com realismo e ajudar a que os filhos pensem nos demais. 1 &#8211; A aus\u00eancia definitiva de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13844,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,9],"tags":[],"class_list":["post-7846","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7846","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7846"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7846\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13844"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7846"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7846"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7846"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}