{"id":7986,"date":"2022-07-01T17:12:28","date_gmt":"2022-07-01T20:12:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ariesteves.com.br\/?p=7986"},"modified":"2022-07-01T17:12:28","modified_gmt":"2022-07-01T20:12:28","slug":"amar-e-querer-o-bem-do-outro-enquanto-outro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/?p=7986","title":{"rendered":"Amar \u00e9 querer o bem do outro, enquanto outro"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>1 &#8211; <a href=\"\/#1\">Amar n\u00e3o \u00e9 realiza\u00e7\u00e3o egoc\u00eantrica<\/a><\/strong>.  <strong>2 &#8211; <a href=\"\/#2\">Os tr\u00eas elementos do amor<\/a><\/strong>.  <strong>3 &#8211; <a href=\"\/#3\">Amar \u00e9 querer<\/a><\/strong>.  <strong>4 &#8211; <a href=\"\/#4\">Amar \u00e9 querer o bem<\/a><\/strong>.  <strong>5 &#8211; <a href=\"\/#5\">Querer o bem do outro, enquanto outro<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"1\" style=\"color:#aa2b2b\"><strong>1 &#8211; Amar n\u00e3o \u00e9 realiza\u00e7\u00e3o egoc\u00eantrica<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/strong>\u201cEnganar-se a respeito do amor \u00e9 a perda mais terr\u00edvel; \u00e9 um dano eterno, para o qual n\u00e3o h\u00e1 compensa\u00e7\u00e3o nem no tempo nem na eternidade!\u201d, s\u00e3o palavras de Kierkegaard, escritas h\u00e1 mais de um s\u00e9culo e meio, que continuam atuais. J\u00e1 n\u00e3o sabemos o que significa amar e reduzimos essa palavra a um simples est\u00edmulo para o prazer, consumo de bens ou a autorrealiza\u00e7\u00e3o egoc\u00eantrica, esp\u00e9cie de \u201cego\u00edsmo a dois\u201d. O amor consiste, embora n\u00e3o exclusivamente, num ato da vontade, firme e est\u00e1vel, que imprime uma fecunda tens\u00e3o \u00e0 pessoa inteira e permite descobrir e realizar o bem do ser amado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>Arist\u00f3teles disse que amar \u00e9 \u201cquerer o bem do outro enquanto outro\u201d. Por vezes, os pais d\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as um tablete ou celular, ainda quando s\u00e3o pequenas, n\u00e3o pensando no bem dos filhos, mas no sossego que ter\u00e3o, apesar de viciarem as crian\u00e7as com o excesso de est\u00edmulos visuais, que as tornam passivas, sem iniciativas, pregui\u00e7osas e com perda da percep\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"2\" style=\"color:#ab3131\"><strong>2 &#8211; Os tr\u00eas elementos do amor<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>Segundo Arist\u00f3teles, s\u00e3o tr\u00eas os elementos que comp\u00f5em a realidade do amor: a) querer; b) o bem; c) do outro enquanto outro. Fica claro para o fil\u00f3sofo que a coluna vertebral da a\u00e7\u00e3o amorosa est\u00e1 na <em>vontade<\/em>, no querer pr\u00f3prio do livre-arb\u00edtrio. Mas o amor n\u00e3o se esgota nisso, pois em sentido profundo \u00e9 a pessoa toda que ama, desde os atos mais transcendentes, como a ora\u00e7\u00e3o e o sacrif\u00edcio pelo ser amado, como pelo conjunto progressivo do que vir\u00e1 a ser a vida conjugal e familiar, que passa pelos sentimentos e afetos que exteriorizam o carinho, at\u00e9 as quest\u00f5es aparentemente mais \u00ednfimas, como o empenho de cada c\u00f4njuge por se mostrar elegante e atrativo ao outro; o esfor\u00e7o por sorrir e ser am\u00e1vel; a car\u00edcia ou o olhar de carinhoso, mesmo nos momentos de cansa\u00e7o, nervosismo ou de desalento; ou ainda nos pequenos detalhes que tornam mais saborosos e entranh\u00e1veis o retorno ao lar ap\u00f3s um dia trabalho. Nesses pequenos detalhes se manifesta o amor que ilumina a vida cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>Amamos com tudo o que somos, sentimos e fazemos. Neste sentido, amar consiste em derramar o pr\u00f3prio ser por inteiro na promo\u00e7\u00e3o do ente querido. Mas a amplitude do amor \u00e9 vasta e infinita suas a\u00e7\u00f5es, que vai desde a palavra ou o sil\u00eancio compreensivo, o trabalho intenso, a generosa disponibilidade para os filhos e amigos quando se anda escassos de tempo, o cuidado com a apar\u00eancia pr\u00f3pria e da casa onde se vive. S\u00e3o min\u00facias impercept\u00edveis e indispens\u00e1veis que se transformam em amor pleno, sincero e provado, e realizadas pela vontade ou um <em>querer<\/em> que busca de maneira nobre, franca e resoluta o bem da pessoa a quem se estima. O grau de amor que se coloca em cada afazer \u00e9 que dar\u00e1 o maior ou menor valor \u00e0s a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"3\" style=\"color:#a92c2c\"><strong>3 &#8211; Amar \u00e9 querer<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>Amar \u00e9 <em>querer<\/em>, sendo esse querer um ato da vontade e n\u00e3o dos sentimentos. Por isso, o amor n\u00e3o se esgota nas disjuntivas do \u201cgosto\u201d ou \u201cn\u00e3o gosto\u201d, \u201cagrada-me\u201d ou \u201cdesagrada-me\u201d; nem se identifica com o puro e simples \u201catrai-me\u201d, \u201cinteressa-me\u201d, \u201capaixona-me\u201d com que tantos \u2212 jovens e n\u00e3o t\u00e3o jovens \u2212 justificam o seu comportamento. Essa simples atra\u00e7\u00e3o dos sentimentos tamb\u00e9m a possuem os animais, sendo que o pr\u00f3prio do homem \u00e9 o <em>querer<\/em> do livre-arb\u00edtrio. Os animais se movem por atra\u00e7\u00e3o-repuls\u00e3o instintiva, e buscam o seu bem estreito e exclusivo de uma maneira autom\u00e1tica. Gostam daquilo que os beneficia a eles ou \u00e0 sua esp\u00e9cie, e rejeitam aquilo que lhes \u00e9 danoso. Tom\u00e1s de Aquino descrevia assim essa realidade: \u201cmais do que mover-se [os animais], s\u00e3o movidos\u201d pelo objeto externo que os atrai ou repele; mais do que agir por iniciativa pr\u00f3pria, s\u00e3o \u201clevados a agir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>O homem transcende as simples necessidades biol\u00f3gicas, sendo capaz de realizar a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se explicam de maneira nenhuma pelo mero impulso da sua conserva\u00e7\u00e3o f\u00edsica: pode p\u00f4r entre par\u00eanteses os seus instintos ou tend\u00eancias f\u00edsicas ou apetitivas, e <em>querer<\/em> realizar uma a\u00e7\u00e3o boa em si mesma por mais que ela n\u00e3o o atraia pessoalmente, por mais que n\u00e3o lhe agrade nem desperte o seu interesse e at\u00e9 desagrade e repugne; ou, em sentido contr\u00e1rio, pode n\u00e3o querer uma a\u00e7\u00e3o, nem lev\u00e1-la a cabo mesmo que esteja \u201cmorrendo\u201d de desejo de realiz\u00e1-la, ao perceber que esse ato n\u00e3o contribui para o bem dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>Uma das realidades que manifesta de maneira mais clara a superioridade do homem sobre o animal \u2013 e que o distancia deste, segundo Pascal \u2013 \u00e9 que, deixando de lado os seus gostos e apetites, quando as circunst\u00e2ncias o exigem, o ser humano \u00e9 capaz de conjugar em primeira pessoa o <em>eu quero<\/em> ou, se for o caso, o<em> eu n\u00e3o quero<\/em>, dotado \u00e0s vezes de muito maior import\u00e2ncia antropol\u00f3gica e \u00e9tica. \u00c9 o que diz tamb\u00e9m Juli\u00e1n Mar\u00edas: \u201cQuando nego que o amor seja um sentimento \u2013 identific\u00e1-los parece-me um grave erro, e talvez o mais difundido \u2013, n\u00e3o nego a enorme import\u00e2ncia que t\u00eam os sentimentos, inclu\u00eddos os amorosos, que acompanham o amor e formam como que o s\u00e9quito da sua realidade central; esta, por\u00e9m, pertence a n\u00edveis mais profundos da pessoa: os da vontade (<em>La educaci\u00f3n sentimental<\/em>, Alianza Editorial, Madrid, 1992, p\u00e1g. 26).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>Josemaria Escriv\u00e1 comentou amplamente essa realidade. Num dos seus textos mais significativos, depois de deixar claro que o amor \u201cn\u00e3o se confunde com uma atitude sentimental\u201d, pergunta-se diretamente em que consiste o amor humano. E responde: \u201cA Sagrada Escritura fala-nos de <em>dilectio<\/em> \u2013 dile\u00e7\u00e3o \u2013, para que se compreenda bem que n\u00e3o se refere apenas ao afeto sens\u00edvel. Exprime antes uma determina\u00e7\u00e3o firme da vontade. <em>Dilectio<\/em> deriva de <em>electio<\/em>, escolha. Eu acrescentaria que amar, em linguagem crist\u00e3, significa <em>querer<\/em> <em>querer<\/em>\u2026\u201d (em <em>Amigos de Deus<\/em>, Quadrante, S\u00e3o Paulo).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>Portanto, distinguem-se tr\u00eas degraus para alcan\u00e7ar a subst\u00e2ncia mais pura do amor: negar que se trata de um simples sentimento, de um afeto sens\u00edvel, embora n\u00e3o se deva excluir essa presen\u00e7a, se houver; depois, ressaltar o car\u00e1ter ativo que qualifica o amor como determina\u00e7\u00e3o firme da vontade; por fim, potenciar a \u00edndole ativa por meio da \u201cmaior prerrogativa do ser humano do ponto de vista operativo\u201d: a reflexividade da vontade, capaz de libertar energias volitivas quase que infinitas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>\u00c9 pela <em>vontade<\/em>, pelo querer, que se superam os meros desejos, paix\u00f5es ou afetos, e por onde o homem ultrapassa infinitamente o animal. <em>Amar<\/em> \u00e9 um ato refinadamente humano, talvez o mais humano de todos. \u00c9 um ato livre, portanto inteligente, sapient\u00edssimo, decidido, audaz e vibrante, fonte de iniciativas criadoras, e por isso libertador e surpreendente, e por vezes esmagador e custoso, mas sempre desprendido, generoso, altru\u00edsta, liberal\u2026 Agostinho, Bispo de Hipona, disse \u201cNaquele que se ama, ou n\u00e3o se sente a dificuldade ou se ama a mesma dificuldade (<em>De bono viduitatis<\/em>,21,26)<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"4\" style=\"color:#aa2828\"><strong>4 &#8211; Amar \u00e9 querer o bem<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>O segundo elemento que define o amor \u00e9 \u201cquerer o bem\u201d, e ningu\u00e9m duvida de que uma m\u00e3e ou um pai de fam\u00edlia normais queiram o melhor para os seus filhos. No entanto, quando esses pais tentam determinar concretamente o que conv\u00e9m a um filho, em circunst\u00e2ncias particulares, a quest\u00e3o j\u00e1 se torna mais complexa: que \u00e9 realmente o bem para esse filho, aqui e agora? Em primeiro lugar, esse bem deve ser um bem para o beneficiado, e n\u00e3o um autoengano mais ou menos consciente e bastante difundido como um bem para o benfeitor. Pai e m\u00e3e que d\u00e3o um pr\u00eamio a um filho, devem examinar se mais do que favorec\u00ea-lo, querem ficar \u201cem paz\u201d ao evitar o desconforto de um confronto com ele. Em segundo lugar, quando se ama algu\u00e9m, \u00e9 necess\u00e1rio que o bem oferecido seja um bem real, objetivo; algo que torne o benefici\u00e1rio melhor, que fa\u00e7a do ser amado uma pessoa mais cabal, mais plena e perfeita; algo que o aproxime de uma maneira ou de outra do seu destino \u00faltimo, que \u00e9 amar os outros e a Deus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>Deve-se procurar que a pessoa amada aprenda a amar de maneira mais sincera, profunda, intensa e eficaz, por meio das interven\u00e7\u00f5es e d\u00e1divas recebidas. Entre essas d\u00e1divas, ocupa um lugar principal o esfor\u00e7o mental de quem doa por conhecer a fundo a pessoa que recebe a doa\u00e7\u00e3o, a fim de descobrir o que mais conv\u00e9m a ela. Quando se ama de verdade a outra pessoa, procura-se por todos os meios que esta saiba ou aprenda tamb\u00e9m a amar mais e melhor aos demais (\u00e9 um c\u00edrculo virtuoso). No fundo, amar equivale a ensinar amar e facilitar o amor: amamos e fazemo-nos amar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>O melhor modo do marido amar a esposa (e vice-versa) \u00e9 ser muito am\u00e1vel com ela, no sentido mais certeiro e penetrante da palavra; \u00e9 facilitar ao c\u00f4njuge a tarefa de amar; \u00e9 tornar-lhe simples e agrad\u00e1vel o amor pelo outro e receber dele, sem entraves, o seu carinho; \u00e9 n\u00e3o levantar barreiras que impe\u00e7am a entrega ao outro. Na hora da reconcilia\u00e7\u00e3o, depois de um pequeno desentendimento, n\u00e3o se enquistar na pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o, mas sair abertamente ao encontro do outro, e se tornar acess\u00edvel e bem-disposto para que volte a depositar o afeto que havia retirado por se sentir ofendido, e corresponder com a mesma delicadeza \u00e0quele que se adiantou em pedir perd\u00e3o. O mesmo acontece na conviv\u00eancia di\u00e1ria com os outros membros da fam\u00edlia, amigos e conhecidos: facilitar o amor ao mostrar-se franco, pr\u00f3ximo e dispon\u00edvel; estar pendente do outro e n\u00e3o se fazer \u00e1spero, esquivo, distante por encerra-se nos pr\u00f3prios problemas e ocupa\u00e7\u00f5es ou entrincheirar-se no orgulho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>O fil\u00f3sofo Jean Guitton afirma que \u201cO que o amor tem de admir\u00e1vel \u00e9 que o servi\u00e7o que prestamos a n\u00f3s mesmos ao amar, tamb\u00e9m o prestamos ao outro amando-o; mais ainda, prestamo-lo pela segunda vez deixando-nos amar\u201d (Ensayo sobre el amor humano, Ed. Sudamericana, Buenos Aires, 1968).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>Ser am\u00e1vel, facilitar o amor, como modo sublime e supremo de amar, \u00e9 sem d\u00favida uma conclus\u00e3o reveladora. Pode-se afirmar sem receio de ser considerado ing\u00eanuo que o fim de toda a educa\u00e7\u00e3o consiste em ensinar a pessoa do educando a amar, em fazer dele algu\u00e9m interessado mais no bem dos outros do que no seu pr\u00f3prio. Em todas as tarefas educativas, de orienta\u00e7\u00e3o familiar ou profissional, ao se tomar&nbsp; uma decis\u00e3o mais ou menos complexa, o educador deve formular-se a pergunta: \u201cIsto que vou sugerir ou proibir ao meu filho ou ao meu aluno, o modo como pretendo faz\u00ea-lo, o grau de liberdade que lhe concederei para divergir da minha opini\u00e3o ou, pelo menos, para manifestar a sua, tudo isso o ajudar\u00e1 a amar mais e melhor os outros, ou, pelo contr\u00e1rio, o levar\u00e1 a encerrar-se em si mesmo, no seu \u00abbem\u00bb m\u00edope e ego\u00edsta?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>A resposta \u00e0 pergunta acima nunca ser\u00e1 encontrada sem um esfor\u00e7o perspicaz e comprometido de todas as capacidades pessoais do educador, do conhecimento te\u00f3rico que possui, e sem recorrer apenas \u00e0 experi\u00eancia de vida, a fim de acertar na decis\u00e3o. Pode acontecer que certos pais tenham s\u00e9rias d\u00favidas sobre a conveni\u00eancia ou n\u00e3o de enviar a filha adolescente \u00e0 Inglaterra ou aos Estados Unidos para aperfei\u00e7oar-se na l\u00edngua inglesa. Se por um lado h\u00e1 hoje em dia a necessidade de conhecer esse idioma, por outro ficam os perigos da solid\u00e3o, da desadapta\u00e7\u00e3o e da desorienta\u00e7\u00e3o que uma estadia fora de casa pode provocar, sobretudo quando se \u00e9 muito jovem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>Diante dos aspectos negativos da viagem poderia surgir o argumento positivo de que contribuiria para o amadurecimento da jovem. Por\u00e9m, a quest\u00e3o decisiva \u00e9 outra, e a pergunta chave \u00e9: \u201cse na situa\u00e7\u00e3o an\u00edmica e de maturidade em que se encontra minha filha, a estadia no estrangeiro por um certo tempo poder\u00e1 ajud\u00e1-la a amadurecer, a crescer em capacidade de amar, ou, pelo contr\u00e1rio, poder\u00e1 introduzir no seu desenvolvimento uma deforma\u00e7\u00e3o que atrase por muitos anos o seu crescimento como pessoa?\u201d. Est\u00e1 \u00e9 pergunta que os pais devem responder antes de tomar qualquer decis\u00e3o. Podem, para isso, lan\u00e7ar m\u00e3o de todos os recursos de sua intelig\u00eancia e pedir conselho a pessoas sensatas e bem-informadas sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color\" id=\"5\" style=\"color:#a72a2a\"><strong>5 &#8211; Querer o bem do outro, enquanto outro<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>O <em>outro enquanto outro<\/em> \u00e9 a chave do amor genu\u00edno. Amar, na concep\u00e7\u00e3o mais nobre e certeira do termo, \u00e9 procurar o bem do outro, e n\u00e3o o bem de quem oferece a d\u00e1diva: \u00e9 para o outro, e n\u00e3o pelos benef\u00edcios mais ou menos materiais que a amizade pode proporcionar a quem doa, que poderia ser a de melhorar nas avalia\u00e7\u00f5es de desempenho na empresa, de facilitar a introdu\u00e7\u00e3o em certo \u00e2mbito social, nem a de conseguir um bom trabalho para si ou outra pessoa\u2026 Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 de ser pela satisfa\u00e7\u00e3o que o relacionamento com os aut\u00eanticos amigos traz. Nem sequer por tornar melhor a pessoa do que doa, ao dar maior consist\u00eancia \u00e0s suas virtudes. Apesar de que o bem e a felicidade n\u00e3o devem ser rejeitados \u00e0quele que doa, pois isso seria inumano, o fim primordial do amor \u00e9 procurar o bem do outro, enquanto outro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>Trata-se de amar o \u201coutro\u201d unicamente por ser \u201coutro\u201d, porque \u00e9 pessoa e s\u00f3 por esse motivo torna-se merecedor de amor; e acima de tudo porque Deus o ama e quer manter com ele um col\u00f3quio de afeto apaixonado por toda a eternidade, entregando-lhe, justamente atrav\u00e9s de um amor rec\u00edproco e inteligente, o mais imenso dos bens: Ele mesmo. E quem somos para p\u00f4r em d\u00favida os planos do pr\u00f3prio Deus?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color\" style=\"color:#ad2f2f\">Texto extra\u00eddo e adaptado por <em>Ari Esteves<\/em> com base na obra \u201cO que significa amar?\u201d, de Tom\u00e1s Melendo, Quadrante, S\u00e3o Paulo, 2006, tradu\u00e7\u00e3o: Henrique Elfes. Imagem de Lurill Lalmin.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 &#8211; Amar n\u00e3o \u00e9 realiza\u00e7\u00e3o egoc\u00eantrica. 2 &#8211; Os tr\u00eas elementos do amor. 3 &#8211; Amar \u00e9 querer. 4 &#8211; Amar \u00e9 querer o bem. 5 &#8211; Querer o bem do outro, enquanto outro. 1 &#8211; Amar n\u00e3o \u00e9 realiza\u00e7\u00e3o egoc\u00eantrica &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u201cEnganar-se a respeito do amor \u00e9 a perda mais terr\u00edvel; \u00e9 um dano [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13841,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,9,17],"tags":[],"class_list":["post-7986","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-familia","category-virtudes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7986","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7986"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7986\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13841"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7986"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7986"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.ariesteves.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7986"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}