Categoria: VIRTUDES

  • Educar a vontade: tarefa principal

    Educar a vontade: tarefa principal

             A vontade é quem governa a vida e decide sobre as escolhas. Os pais devem perceber que o segredo da educação não está na inteligência, mas no fortalecimento da vontade dos filhos, a fim de que queiram fazer o que deve ser feito.

             O querer é uma inclinação da vontade ligado à racionalidade: a inteligência compreende algo e a vontade adere com o seu querer ou não querer ao que a inteligência mostrou. Já o gostar ou não gostar não está ligado à razão, mas à sensibilidade ou afetos (sentimentos, emoções, paixões): quem gosta de mousse de limão inclina-se a ele não racionalmente, mas porque agrada ao paladar, o que não significa que o gostar de algo deva ser aceito sem passar pelo crivo da razão: se a pessoa é diabética, a inteligência lhe dirá para não comer o doce. É importante não confundir o querer da vontade, que tem um componente racional (quero aquilo que a inteligência me mostrou ser bom), com o gostar de tal tipo de alimento, desse ou daquele esporte, de certas músicas e não de outras, ligados à sensibilidade e não à racionalidade.

             Se as faculdades reitoras das ações dos filhos não forem a inteligência e a vontade, mas a sensibilidade, então eles só farão aquilo que agrada ou dá prazer e não o que devem fazer. Se a inteligência indicar ao adolescente que deve estudar, só conseguirá essa proeza se a vontade dele superar o mau sentimento da preguiça, pois caso contrário não estudará nem amarrado na cadeira, tendo um livro aberto a palmo e meio do nariz.

             Inteligência e vontade são duas irmãs muito unidas: a Inteligência gosta de pensar, é curiosa, irrequieta e está sempre procurando conhecer as coisas para apresentá-la à maninha vontade, a fim de que esta decida o que fazer, porque nela reside o livre arbítrio ou a capacidade de agir sem que ninguém a obrigue. Por isso, não é suficiente que os filhos compreendam (inteligência) a necessidade de estudar, mas devem querer (vontade) estudar, pois só assim o farão. Por mais que a inteligência indique o que fazer, a ação só surgirá se a vontade não estiver dominada pelos sentimentos, que aliás deveriam apoiar a vontade, se estivessem bem educados por meio das virtudes. A imagem da pessoa governada pela sensibilidade é a do cavaleiro que não tem as rédeas do cavalo firmes nas mãos, e por isso se deixa levar aonde o animal se inclinar.

             As crianças podem controlar seus impulsos e desejos desde muito cedo, quando orientadas a agir assim. Aprendem a realizar não apenas o que gostam, que é sempre o mais fácil e agradável, mas também a cumprir as pequenas tarefas atribuídas a elas, mesmo no primeiro momento as desagradem. Mas para vencer a barreira inicial dos sentimentos contrários, necessitam ganhar bons hábitos que as fazem perder o medo de se esforçarem. Como fortalecer a vontade dos filhos para que possam agir contrariamente ao império do gosto? Essa é uma boa questão. Para fortalecer o querer dos filhos são necessárias duas atitudes dos pais: 1) Oferecer a eles motivos, razões ou valores que fortaleçam a vontade para agir de acordo com a inteligência; 2) Ajudá-los a desenvolver as virtudes humanas.

             Os motivos ou valores de conduta são mais eficazes que o autoritarismo de obrigar à força, porque isso não estimula o querer da vontade para agir livremente, e nada será realizado na ausência dos pais. Ao explicar aos filhos sobre a bondade ou malicia de certas ações, a distinguir entre o verdadeiro e o falso, o certo e o errado, os pais iluminam a inteligência dos filhos com valores que serão assumidos e fortalecerão a vontade deles para agir até contra sentimentos contrários. Por exemplo, ao explicar aos filhos sobre a importância de desenvolverem os dotes e qualidades que Deus lhes deu, a fim de serem colocadas ao serviço dos demais, ao ajudá-los a compreender que o verdadeiro amor é doação de si mesmo e que qualquer ideal valioso exige esforço para ser alcançado, estimulará e fortalecerá a vontade deles para realizar o bem, e cada vez que isso ocorrer, a vontade se fortalecerá ainda mais.

              O outro caminho para fortalecer a vontade dos filhos, a fim de que queiram fazer o que deve ser feito, é o das virtudes humanas, que deve começar pela educação dos afetos desde os primeiros anos de idade da criança. Já a partir dos 2 anos a criança pode ganhar hábitos bons (e não maus hábitos), como o de cumprir suas pequenas obrigações: jogar no lixo a fralda suja, guardar nas respectivas caixas os diferentes brinquedos; limpar o que sujou; vestir-se sozinha; ter horários para dormir, acordar, banhar-se e fazer as refeições; não sair para brincar enquanto não fizer a lição escolar e tirar o pó dos móveis e enxugar o chão do box do chuveiro, etc. Esses pequenos hábitos de autodisciplina se transformarão nas virtudes da fortaleza, laboriosidade, ordem e aproveitamento do tempo, que alavancarão a vontade deles para superar os afetos contrários ao que deve ser feito.

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  • Os pais e as virtudes dos fihos

    Os pais e as virtudes dos fihos

             As escolas não estão preparadas para suprir os pais no desenvolvimento de hábitos operativos bons – também chamados de virtudes humanas –, pois carecem da confiança que os filhos depositam nos pais, não conseguem dar uma educação personalizada a cada criança, estão distantes dos acontecimentos cotidianos da vida familiar que ofertam aos pais inúmeras oportunidades para conhecer profundamente o temperamento e o caráter de cada filho, entre outros motivos. As escolas não são organizações naturais, mas culturais que apoiam os pais na formação acadêmica dos alunos, que devem chegar às instituições de ensino providos de virtudes ou bons hábitos comportamentais adquiridos no lar.

             Ensina David Isaacs, em seu livro “A educação das virtudes humanas”, que em várias instituições, as pessoas são aceitas pela sua funcionalidade: na empresa é pelo que faz ou produz; na escola é pelo aproveitamento do estudo; no time de futebol é pelos gols que marca ou defende. Porém, na família a pessoa é aceita pelo que é.

             Sendo a família a organização natural que mais profundamente se relaciona com cada pessoa, torna-se razão suficiente para que os pais se prepararem com entusiasmo e sentido profissional, a fim de oferecer uma educação integral que envolva não apenas a educação da inteligência, mas também a da vontade e da afetividade.

             Ganha-se um hábito bom ou virtude por meio da repetição de atos próprios de cada virtude: aprende-se a ser ordenado mantendo as coisas pessoais nos devidos lugares, um dia e outro; aprende-se a ter autocontrole e a ser temperado ao não abrir a geladeira fora de hora e ao ter horários para iniciar e terminar cada atividade. Com paciência, carinho e bom-humor, os pais devem exigir que os filhos repitam os atos positivos até que estes façam parte de seus hábitos. Ao ajudá-los a compreender o motivo para agir de determinado modo, os filhos vão interiorizando pouco a pouco os ensinamentos e assumirão como próprias as ações indicadas, sem necessidade de que sejam lembrados disso. O exemplo dos pais também é importante, e como ninguém é perfeito, o que se espera dos pais é que lutem também para superar seus defeitos ou maus hábitos.

             Algumas virtudes a serem desenvolvidas nas diferentes idades, sugeridas por David Isaacs:

             Virtudes até os 7 anos: obediência, sinceridade, ordem. Até essa idade a criança não tem pleno uso da razão, sendo melhor obedecer a seus pais, não por medo, mas por amor e confiança neles. A sinceridade exige coerência entre o que se pensa e o que se diz. A ordem nos objetos materiais e a ordem temporal (ter horário para brincar, cumprir encargos, banho, refeições, dormir), devem ser desenvolvidas o quanto antes… Sábio é o ditado que diz: “pau que nasce torto morre torto”, pois sinaliza a dificuldade de ganhar bons hábitos quem não os desenvolveu desde criança.

             Virtudes dos 8 aos 12 anos: fortaleza, perseverança, laboriosidade, paciência, responsabilidade, justiça, generosidade. Com o advento da puberdade, as crianças passam por mudanças biológicas e psicológicas, sendo necessário fortalecer nelas o caráter, que é fortalecer a vontade para aguentar as dificuldades, cumprir suas responsabilidades e perseverar no esforço das tarefas iniciadas. Nessas idades, os adolescentes começam a tomar decisões pessoais, mas precisam de critérios para conferir se agem adequadamente.

             Virtudes dos 13 aos 15 anos: pudor, sobriedade, simplicidade, sociabilidade, amizade, respeito, patriotismo. As virtudes ligadas à temperança fortalecem a vontade para conduzir as paixões e sentimentos, quando estes se desordenam. A proteção da intimidade do corpo, sentimentos, alma e pensamentos estão unidas à temperança. As virtudes da sociabilidade, amizade, respeito e patriotismo estão ligadas ao bem dos demais.

             Virtudes dos 16 aos 18 anos: prudência, flexibilidade, compreensão, lealdade, audácia, humildade, otimismo. Nessas idades, o jovem possui maior capacidade intelectual e pode desenvolver as virtudes ligadas ao pensamento profundido, em colher informações para decidir melhor, ao ponderar sobre as consequências de suas ações antes de tomar uma decisão, em proteger os valores que julgam importantes para a sua vida. O otimismo é necessário para lutar por adquirir as virtudes com espírito esportivo, que leva a começar e recomeçar cada vez que ocorra uma falha, tal como os atletas que nunca desistem de melhorar suas capacidades.

             Dado que há um princípio de unidade na pessoa humana, quando se melhora em determinada virtude, melhoram-se em todas as demais. Por isso, os pais devem encher-se de esperança e paciência, e nunca desistir de ajudar os filhos a serem melhores. A insistência carinhosa, oportuna e bem-humorada, um dia e outro, fará que um dia os filhos passem a atuar em conformidade com as indicações dos pais, de modo tão natural que nem mesmo eles perceberão a mudança ocorrida.

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  • Apaixonados pela irrelevância

    Apaixonados pela irrelevância

             Conhecer, diferente de pensar, pode se configurar na acumulação de ideias, imagens e informações. Já o pensar exige ir ao fundo das questões, distinguir entre o bom e o ruim, o verdadeiro e o falso, e a manter um diálogo interior que conduz à reflexão crítica. Atualmente, o hábito de pensar vem escasseando devido ao alto consumo de imagens e informações inúteis trazidas pelas novas tecnologias, o que impede a inteligência de fixar-se no que é mais importante, e a faz entrar em colapso e se tornar preguiçosa para o pensamento profundo. O bem mais escasso do nosso dia já não é o tempo, que continua com 24 horas, mas a atenção, comprometida hoje pela baixa capacidade de filtrar as informações e fixar-se no que é mais relevante, e isso não depende da capacidade técnica para operar novas tecnologias, mas da atividade profundamente humana que é o ato de pensar.

             A internet mal utilizada e o excesso de tempo gasto em redes sociais roubam o tempo das experiências vitais e frutuosas, e vem tornando a cabeça de crianças, jovens e adultos numa espécie HD que armazena conteúdos de pouco interesse. Catherine L’Ecuyer, em seu livro “Educar na realidade” (Fons Sapientiae), revela que o fácil e rápido acesso às informações oferecidas pelas novas tecnologias, tem levado à falsa sensação de se conhecer muitas coisas, porém irrelevantes, tal como saber que uma fatia do bolo de casamento de Diana de Gales com Charles, na Inglaterra, foi vendida em leilão por 1.500 euros. Não haverá informações mais úteis para aplicar a mente?  Hipoteca-se, assim, o cérebro com informações desnecessárias. A mera acumulação de informações, diz L’Ecuyer, é como preencher de pontos uma folha em branco, até que fique toda pontilhada de preto, mas sem sentido. O pensamento humano deve relacionar os pontos e formar uma figura que tenha sentido, pois é daí que nasce a criatividade. Steve Jobs afirmava que “A criatividade é ligar pontos”. Ou seja, é necessário refletir para ligar os pontos das nossas experiências e a que captamos com os demais.

            O ato de pensar leva a avaliar, a refletir criticamente e a ser protagonista e não mero observador passivo da realidade. Quem aplica seu tempo com informações selecionadas, torna-se mais virtuoso e passa a contribuir de forma positiva com todas as pessoas. Sem o pensar, o critério de relevância se tornará impossível, e todos – crianças, adolescentes, jovens e adultos – se apaixonarão por banalidades. Charles de Foucaut dizia que “a maior miséria do homem é a sua dispersão. Dispersos, estaremos em muitas partes e em nenhuma. Assim, começamos por não nos encontrarmos e terminamos sem saber quem somos”. Isaac Newton atribuiu suas descobertas “à atenção paciente, mais do que a qualquer talento”.

            As crianças de hoje parecem mais preparadas tecnicamente para operar tecnologias, mas são as menos capazes de dialogar consigo próprias para pensar e se motivar por metas mais relevantes. Com a memória e a imaginação cheia de descartáveis, não lhes sobra espaço para o diálogo interior que as levaria a se comprometer com ideais mais interessantes. Por isso, elas vêm se tornando presas fáceis e manipuláveis da publicidade consumista e dos games que as despersonalizam porque as levam a imitar falsos heróis. O uso passivo das novas tecnologias cria pessoas conformistas que esperam que os outros mudem as coisas para melhor, mas não mexem um dedo a fim de que isso aconteça. É preciso ensinar as crianças e os adolescentes a desenvolverem critérios de relevância para empregar o tempo e as qualidades que possuem na busca informações e atividades com as quais possam melhor servir aos demais. É conhecida a metáfora entre a inteligência e a jarra de vidro a ser preenchida: se se começa pela água (excesso de imagens ou de informações desencontradas) não haverá espaço para o mais nada. Porém, se forem colocadas primeiramente dentro da jarra as pedras grandes (o mais importante), sobrará espaço entre as pedras para colocar areia e, por último, a água que ocupará a jarra até a borda. Já que a inteligência e a memória humana não são infinitas, ao menos albergarão o que é mais útil ou importante.

             Os pais devem encarar a formação própria e a educação dos filhos não como um acúmulo de informações vindas de arsenais tecnológicos, que podem converter as pessoas em apaixonadas pela irrelevância. Cervantes, Dante, Mozart, Picasso, Jerome Legeune, Sabin, Pasteur, Dostoievski, entre muitos outros, se tivessem dissipado o tempo e a inteligência com conhecimentos inúteis, não teriam feito tanto bem à humanidade. Não se trata de que os filhos sejam Prêmios Nobel, mas que empreguem melhor as capacidades que possuem e desenvolvam as habilidades que a natureza lhes dotou, sejam artísticas, técnicas, científicas, culturais ou esportivas. Os pais, se não estiverem com a atenção absorvida pelo que pouco interessa, poderão incentivar os filhos a se concentrarem no que melhor possam oferecer.

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  • Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém

    Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém

          

              Prudência é virtude necessária para quem quer acertar na vida, pois ajuda a decidir sobre a melhor maneira de atuar em cada momento. Ela protege o corpo, por exemplo, ao indicar que para consertar um aparelho elétrico é preciso antes desconectá-lo da tomada; e protege a alma ao dizer para não navegar à toa na internet, a fim de evitar choques psicológicos. Choque psicológico? Sim, pois o navegar sem rumo e movidos pela curiosidade frívola fragiliza emocionalmente porque entope os olhos, a memória, a imaginação e, por consequência, a inteligência e a vontade, com imagens desconexas que conduzem a uma vida superficial, perdas de tempo, vícios ou adições, enfraquece a mente para um pensar profundo… Com tais ingredientes, o espírito se vê sem forças para contradizer os apelos do sentimentalismo, comodismo e da sensualidade.

              Um bisturi faz maravilhas nas mãos de um bom cirurgião, mas nas mãos de um menino pequeno é perigoso e causará estragos irreparáveis. Utilizar a internet para o que é útil e necessário é prudente, mas ser utilizada por uma criança é um perigo que os pais não devem perder de vista. A prudência é o melhor filtro para fazer bom uso da internet: disciplina e autorregula quem a possui, faz aproveitar o tempo para assuntos mais úteis, modera a curiosidade, protege a intimidade ao resguardá-la do péssimo protagonismo de falar de si, evita consumir ou enviar imagens e vídeos inconvenientes, e por aí vai…

              Pais e educadores precisam dialogar com as crianças, adolescentes e jovens para ajudá-los a pensar sobre os perigos que pululam na web, a fim de que formem bem a própria consciência e se autoadministrarem, pois este é o melhor filtro que existe! Fazê-los perceber que a quantidade de tempo que dispõem é para colocar em prática seus talentos e qualidades pessoais para fazer algo útil e servir melhor aos demais. Com isso, terão uma vida fecunda e assumirão grandes ideais. Quanto às crianças pequenas, ter presente que não há motivo que justifique o uso da internet por elas, já que movidas pela curiosidade e por não ter ainda a consciência formada, facilmente irão clicar em imagens e visitar sites inconvenientes (a consciência de uma criança são seus pais!). Mais do que navegar pela internet, a criança deve viver das realidades que a cercam.

             Criar no lar uma cultura que favoreça as boas escolhas mediante a virtude da prudência, desenvolve nos filhos hábitos positivos e uma mentalidade esportiva e alegre frente às dificuldades, vendo-as como treinamento para crescer humana e espiritualmente, além de os fazer desenvolver outras virtudes: fortaleza, ordem, austeridade, espírito de serviço e solidariedade, temperança, sinceridade, sempre necessárias para assumir responsabilidades presentes e futuras no âmbito familiar, acadêmico, profissional e social.

             Uma boa sopa de galinha para ganhar a todos pelo estomago, e disciplinar o lar para que a família viva um horário de dormir e de acordar, refeições, encargos domésticos, tempo de estudo e de lazer criativo (leituras, jogos de sala, tertúlias), favorecem o aproveitamento do tempo e o desenvolvimento da virtude da prudência.

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  • O adolescente e o estudo

    O adolescente e o estudo

             Um médico cura, um mecânico conserta máquinas, um cozinheiro prepara comidas, um estudante deve estudar por ser esta a sua profissão… Trata-se de conseguir que os adolescentes progressivamente adquiram hábitos de estudo e de trabalho, vendo nessas exigências exercícios ou oportunidades positivas de treinamento como fazem os músicos, os atletas de alto desempenho e demais profissionais para atuarem com perfeição. Os adolescentes quando aprendem a estudar ganham gosto por esta atividade e crescem em virtudes como fortaleza, ordem, espírito de serviço, sentido de responsabilidade, capacidade de compreensão, domínio do temperamento. Assim, preparam-se para atuar com excelência na profissão ou ofício que escolherem, prestando um grande serviço à sociedade em que vivem.  A leitura do boletim Ensinar o adolescente a trabalhar bem ajudará a compreender a importância do hábito de estudo para a vida.

             Qualquer ação humana requer esforço! O que diríamos de um jogador de futebol que não se esforçasse para jogar bem, de um médico que não se atualizasse mediante o estudo? O estudante também deve se exigir, pois estudo e esforço sempre andam juntos. Atualmente é frequente que nos ensinos fundamental e médio as escolas se fixem em habilidades plásticas, capacidades motoras, atividades físicas e outras habilidades, em detrimento ao esforço para estudar com intensidade. Tais atividades não exigem propriamente a concentração do estudo e por isso não devem ser confundidas ou chamadas de estudo; e caso ocupem demasiado tempo podem levar à dispersão, á preguiça mental e impedir o pensamento profundo: não confundir “mexer-se muito” com estudar muito. Há alunos que acreditam “estudar” ao ocupar-se dessas atividades não propriamente dedicadas ao estudo, em prejuízo para a inteligência, memória e fortalecimento da vontade. O estudo, fator mais importante para a capacidade de concentração e de compreensão, sofre também a tirania das telas digitais, que tornam a mente arredia ao esforço intelectual.

             Providências para a criação de hábitos de estudo:         

    • Conversas individuais com cada filho é o principal meio para incentivar hábitos de estudo. Quando pequenos, os filhos não percebem sua capacidade de compreensão, sendo necessário ajudá-los a avaliar o rendimento do estudo e colocar metas altas e insistir para que melhorem suas qualificações acadêmicas.

    • Promover um ambiente familiar com rotinas e horários para refeições, encargos, dormir, acordar, estudar, brincar, ver televisão… Famílias sem rotinas revela pouca exigência dos pais.

    • Insistir com os filhos a que cumpram diária e pontualmente o horário de estudo, e só depois podem sair para brincar, praticar esporte ou passear: estudar sempre na mesma hora desenvolve o hábito de estudo.

    • Dispor na casa de um ambiente propício ao estudo: mesa com boa iluminação, cadeira confortável, silêncio entre todos para facilitar a concentração. Pode ocorrer que o ambiente da casa não colabore para um clima de estudo: música, TV ou rádio ligados, etc. Não se estuda ouvindo música: se um executivo necessita estudar com profundidade um assunto para tomar uma decisão, certamente não ouvirá música para se distrair!

    • Evitar a falta de rijeza ao estudar: fugir das posturas cômodas e inadequadas como estudar tombado sobre a mesa, sofá ou poltrona; fazer diversas interrupções para ir à geladeira, consultar mídias sociais, levantar-se constantemente porque não colocou sobre a mesa todo o material necessário.

    • Adequar o tempo de estudo de acordo com a dificuldade de cada disciplina. É comum que dediquem mais tempo às matérias que gostam ou requerem pouco esforço, e empreguem menos tempo às disciplinas difíceis. Percebe-se isso quando as notas são altas em algumas disciplinas e muito baixas em outras. A desculpa para essa falta de retidão ou preguiça é afirmar “me dou bem com algumas matérias e não com outras”. Assim, não aprenderão a se esforçar e não crescerão em fortaleza e maturidade para superar muitos problemas que a vida trará. Ao anotar na sala de aula as lições mais difíceis, a fim de repassá-las em casa, ajudará a ser mais ordenado e a aproveitar melhor o tempo.

    • Dar importância ao esforço mental: é fácil acostumar-se a receber tudo pronto, mastigado: colar trabalhos, evitar somas mentais elementares ao utilizar calculadoras, copiar textos da internet… Quem age assim para evitar esforços atuará do mesmo em outras tarefas, e se enfraquecerá para trabalhos sérios e não conseguirá atuar em equipes de alto desempenho na universidade e nas empresas.

    • Empregar ordenadamente o tempo exige fortaleza: a falta de horário, as improvisações, os afobamentos para entregar tarefas no último momento, esforços desmedidos para estudar nas vésperas dos exames ocorrem porque se deixou levar pelo mais cômodo (vídeos, jogos, brincadeiras, festas…) e não foi cumprido o pequeno dever de cada momento. Apresentar aos filhos motivos fortes para não se deixar levar pelo mais cômodo ou prazenteiro, pois enfraquece o caráter e torna a pessoa mole (“com churros não se faz alavanca”, diz o ditado).

    • Desenvolver a capacidade crítica: ajudar os filhos a terem um sadio espírito crítico para identificar que alguns temas humanísticos são de livre opinião, e que seus mestres ou os meios de comunicação não podem propô-los como indiscutíveis, como hipóteses científicas indiscutíveis, mas erradas sobre a origem da vida, natureza humana, sexualidade, família, casamento, religião…

    • Formação cultural familiar: junto com o estudo pode-se incluir a formação de outros hábitos intelectuais e culturais a serem vividos por todos os membros da família, e não apenas pelos filhos. Em primeiro lugar, fomentar entre todos a leitura de bons livros adaptados à idade e ao gosto de cada um. Para isso, aproveitar algum momento do dia, fins de semana, feriados e férias. Para oferecer aos filhos bons argumentos que os ajudem a amar os livros sugerimos a leitura dos seguintes boletins: Filhos que não gostam de ler e Menos telas digitais e mais livros. Para afastá-los do excesso de telas digitais é bom incentivá-los a aprender habilidades práticas: pintar, tocar um instrumento musical, fotografar, falar em público, colecionismo, dominar outro idioma, aprofundar em algum tema de interesse, visitar museus e exposições…        

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  • Filhos rijos e não molengões

    Filhos rijos e não molengões

             Não nascemos prontos como as tartarugas, que saem dos ovos e agem instintivamente sem necessitar que lhes ensine algo, pois a fêmea, após botar e enterrar os ovos na areia, parte para o oceano. As pequenas criaturas ao romper a casca que as prendia correm mar adentro, onde passarão a viver por conta própria. Já os filhos dos homens necessitam de um paciente aprendizado que dura mais de uma década, indo até o momento em que possam utilizar a liberdade bem formada para agir por conta própria.

             A educação comportamental humana é um processo que se inicia na mais tenra infância, quando os pais começam a ensinar aos filhos os bons hábitos que gradativamente irão se transformar em virtudes, aperfeiçoando-os como pessoas. A palavra virtude significa força, pois fortalece a vontade para atingir metas mais difíceis. Os pais, ao insistirem com paciência e carinho para que as crianças desde pequenas vivam a disciplina de cumprir os horários de brincar, banho, refeições, dormir e acordar; quando reiteram para que guardem no lugar seus brinquedos e roupas e colaborem para com a boa ordem da casa, vão incutindo nos filhos hábitos que fortalecem a vontade deles para vencer a preguiça ou moleza, e isso será eficaz na hora de estudar e de cumprir outros deveres mais exigentes. Crianças rijas não se encerram comodamente apenas em suas coisas, têm autodomínio para não serem arrastadas pela gula que as leva a abrir a geladeira a qualquer hora, nem se postam comodamente durante longas horas diante de telas digitais.

             Para ter filhos rijos e não molengões é preciso não perder tempo no processo da educação comportamental, que deve começar na pré-infância (0 a 6 anos), e ter continuidade na infância, adolescência e juventude. Com isso, eles entrarão em cada etapa com a vontade fortalecida para enfrentar os desafios que vão modelando o caráter. Há mães que com sabedoria incutem bons hábitos nos filhos a partir de 1 ano e 8 meses ao fomentar neles a autonomia ou a capacidade de agir por conta própria, por exemplo, encarregando-os de jogar na lixeira a fralda suja (tarefa que as crianças fazem com alegria e retornam sorrindo após realizá-la); também indicam que guardem seus brinquedos e roupas no lugar certo. Pais prudentes não oferecem celulares ou telas digitais às crianças, mas ajudam-nas a empregar melhor o tempo em atividades manuais, quebra-cabeça, jogos de sala, brincadeiras ao ar livre, lego, leitura de contos (começam por ler às crianças), passeios em parques e na natureza. Para ampliar e apurar o gosto estético dos filhos, há pais que visitam com eles exposições e museus e os introduzem no mudo da pintura, boa música popular ou clássica, filmes selecionados, teatro infantil… O processo educativo-comportamental iniciado desde a infância evita que os filhos se tornem frouxos e escravos de seus sentimentos e estados de ânimo, que os leva a agir apenas quando as coisas são fáceis ou prazerosas de se fazer.

             Outros aspectos práticos que os pais devem também ter em conta com os filhos:

    • Insistir para que vivam diariamente o minuto heroico ao se levantar pontualmente pela manhã, sem conceder um minuto a mais à preguiça (inclusive nos fins de semana e nas férias escolares), e que durmam também no horário combinado;
    • Para torná-los rijos, ensinar a não se queixar diante de qualquer incomodidade: pequena dor de cabeça, calor, comida que não apreciou, passeio que não lhes agradou tanto, encargos que não gostam de realizar…;
    • Estimulam a que sejam constantes e chegam até o final das tarefas iniciadas, sem desistir delas no meio do caminho por falta de gosto;
    • Exigem que vivam as virtudes da ordem e limpeza – cavalo de batalha de muitos adolescentes -, e não se deixem guiar pela lei do menor esforço, mas mantenham ordenados o quarto, armários e objetos pessoais e enxuguem o banheiro após o banho, lavem os próprios tênis, estudem no horário combinado, etc. (os pais não devem fazer esses serviços para eles, a fim de que não se sintam reizinhos ou senhorzinhos das cortes;
    • Insistem a que combatam posturas de excessiva comodidade, como o hábito de estar sempre na horizontal em casa, ou tombados de lado em poltronas ou sofás.

             Todas essas medidas explicadas aos filhos com bom humor e em conversas pacientes, serenas, descontraídas e oportunas e conscientizando-os de que a autoexigência os tornará fortes, os levará a não temer conquistar grandes ideais para construir uma vida feliz e uma sociedade mais justa e solidária ao seu redor.

             Leia também o boletim Ensinar o adolescente a trabalhar bem

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  • A criança deve agir por motivação interna

    A criança deve agir por motivação interna

             Leia também o boletim A Sabedoria de dizer não às crianças

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  • Rijeza

    Rijeza

    Virtude importante que os pais devem ajudar os filhos a conquistarem é a rijeza, que evita a frouxidão ou a fuga do esforço devido à debilidade da vontade ou falta de gosto para cumprir as obrigações. Para o adolescente frouxo, qualquer exigência, por menor que seja, é considerada árdua tarefa. A carência de rijeza leva à fraqueza diante da obrigação de estudar, fuga para cumprir encargos no lar ou para enfrentar qualquer dificuldade: ou seja, o adolescente se torna escravo de seus sentimentos, que o fazem agir só diante do que é fácil ou gostoso de se fazer. É preciso ensinar aos adolescentes a serem rijos e não se deixar levar pelos seus instintos ou paixões momentâneas, tal como os animais, dando a eles razões ou argumentos sólidos para ir esclarecendo a inteligência.

    A rijeza se conquista ao começar a viver os seguintes pontos:

    Minuto heroico de levantar pontualmente pela manhã, sem conceder um minuto a mais à preguiça. Viver esse minuto heroico nos fins de semana também, inclusive nas férias escolares. À noite, respeitar também o horário de ir para a cama.

    Rijeza de espírito que leva a evitar queixas diante de qualquer incomodidade (pequena dor de cabeça, calor, uma comida que não aprecia), ou queixar-se quando solicitado a realizar alguma tarefa que não gosta.

    Constância de Ir até o final da tarefa iniciada, sem desistir no meio do caminho por falta de gosto. Ter presente de que a “novidade” é sempre atrativa, mas a virtude não está em iniciar algo, mas em concluí-lo.

    Ordem e limpeza é o cavalo de batalha para muitos adolescentes, pois tendem a guiar-se pelo mais cômodo, pela lei do gosto ou do menor esforço. É preciso ajudá-los a raciocinar sobre a importância de se auto exigirem para cumprir os encargos que lhes foram estabelecidos: ordem no quarto, armários e objetos pessoais; enxugar o banheiro após o banho, lavar os próprios tênis; estudar no horário combinado, etc., pois tais tarefas fortalecerão a vontade deles par metas mais alta. Os pais não devem fazer esses serviços para eles, para que não se sintam reizinhos ou senhoritos da época do império.

    Posturas: permanecer sentado e não tombado em poltronas ou sofás, a fim de combater a excessiva comodidade que se manifesta no hábito de estar sempre na horizontal em casa.

    Como diz o ditado, “com churros não se faz alavanca”. Motive o adolescente para se superar cada dia um pouco mais, tal como os atletas. A vontade se fortalece por meio de pequenas ações diárias de vencimento pessoal. Uma vontade forte não tem medo de abraçar grandes projetos, mesmo que custem esforços.

  • Hábitos de estudo e trabalho

    Hábitos de estudo e trabalho

    Falta de rijeza no estudo: adotar posturas cômodas, mas inadequadas para o estudo, é um prejuízo. Há adolescentes que estudam tombado sobre a mesa, sofá ou almofada; fazem diversas interrupções para ir até a geladeira ou levantam-se constantemente porque não colocam sobre a mesa todo o material que devem utilizar; o ambiente da casa também pode não colaborar para o estudo (música, tv ligada, etc…). Não se estuda ouvindo música: se um executivo precisa estudar um assunto com profundidade para tomar uma decisão, certamente não ficará ouvindo música para se distrair ou descansar.

  • Humildade

    Humildade

    O vício contrário à humildade é a soberba. A humildade é a verdade, dizia Teresa de Ávila. Todos somos portadores de qualidades e defeitos. Ensinar às criança a não se vangloriarem pelas qualidades humanas que possuem, fazendo-as perceber que foram dadas gratuitamente por Deus, a fim de que elas possam servir aos demais com seus talentos. A pessoa humilde também percebe que possui defeitos, e procura lutar contra eles, sem desanimar, pois o desânimo é fruto da soberba de quem se achava perfeito e por fim descobre que possui misérias, limitações e fraquezas. Desânimos, enfados, sentir-se insultado por qualquer coisa que contrarie, é fruto da soberba que, dependendo do tipo de temperamento, pode levar a agir com violência ou isolar-se.

    A tendência à vaidade no vestir-se com excessiva preocupação pela moda (as marcar famosas e caras!), a ânsia de querer agradar aos demais para ficar bem com todos, são manifestações de falta de humildade que precisam ser corrigidas desde criança, a fim de que aprendam a agir com simplicidade e naturalidade.

    Também demonstra vaidade a tendência a comparar-se com os demais, e sentir inveja ao não ter as qualidades que percebe em outras pessoas. A inveja é a tristeza diante do bem alheio. Ensinar aos filhos que todos recebemos de Deus qualidades e que somos diferentes porque Deus não se repete, e não nos cria como garrafas de refrigerantes fabricadas em série. As qualidades que recebemos são únicas e devemos fomentá-las para ajudar aos demais. Os filhos não podem se sentir inferiores a outras crianças ao se compararem e perceberem que não possuem as qualidades que veem nelas, e que não as possuem: fazê-los perceber que suas capacidades são outras, e que com elas serão felizes aos ajudar aos demais.