O adolescente e o estudo

         Um médico cura, um mecânico conserta máquinas, um cozinheiro prepara comidas, um estudante deve estudar por ser esta a sua profissão… Trata-se de conseguir que os adolescentes progressivamente adquiram hábitos de estudo e de trabalho, vendo nessas exigências exercícios ou oportunidades positivas de treinamento como fazem os músicos, os atletas de alto desempenho e demais profissionais para atuarem com perfeição. Os adolescentes quando aprendem a estudar ganham gosto por esta atividade e crescem em virtudes como fortaleza, ordem, espírito de serviço, sentido de responsabilidade, capacidade de compreensão, domínio do temperamento. Assim, preparam-se para atuar com excelência na profissão ou ofício que escolherem, prestando um grande serviço à sociedade em que vivem.  A leitura do boletim Ensinar o adolescente a trabalhar bem ajudará a compreender a importância do hábito de estudo para a vida.

         Qualquer ação humana requer esforço! O que diríamos de um jogador de futebol que não se esforçasse para jogar bem, de um médico que não se atualizasse mediante o estudo? O estudante também deve se exigir, pois estudo e esforço sempre andam juntos. Atualmente é frequente que nos ensinos fundamental e médio as escolas se fixem em habilidades plásticas, capacidades motoras, atividades físicas e outras habilidades, em detrimento ao esforço para estudar com intensidade. Tais atividades não exigem propriamente a concentração do estudo e por isso não devem ser confundidas ou chamadas de estudo; e caso ocupem demasiado tempo podem levar à dispersão, á preguiça mental e impedir o pensamento profundo: não confundir “mexer-se muito” com estudar muito. Há alunos que acreditam “estudar” ao ocupar-se dessas atividades não propriamente dedicadas ao estudo, em prejuízo para a inteligência, memória e fortalecimento da vontade. O estudo, fator mais importante para a capacidade de concentração e de compreensão, sofre também a tirania das telas digitais, que tornam a mente arredia ao esforço intelectual.

         Providências para a criação de hábitos de estudo:         

• Conversas individuais com cada filho é o principal meio para incentivar hábitos de estudo. Quando pequenos, os filhos não percebem sua capacidade de compreensão, sendo necessário ajudá-los a avaliar o rendimento do estudo e colocar metas altas e insistir para que melhorem suas qualificações acadêmicas.

• Promover um ambiente familiar com rotinas e horários para refeições, encargos, dormir, acordar, estudar, brincar, ver televisão… Famílias sem rotinas revela pouca exigência dos pais.

• Insistir com os filhos a que cumpram diária e pontualmente o horário de estudo, e só depois podem sair para brincar, praticar esporte ou passear: estudar sempre na mesma hora desenvolve o hábito de estudo.

• Dispor na casa de um ambiente propício ao estudo: mesa com boa iluminação, cadeira confortável, silêncio entre todos para facilitar a concentração. Pode ocorrer que o ambiente da casa não colabore para um clima de estudo: música, TV ou rádio ligados, etc. Não se estuda ouvindo música: se um executivo necessita estudar com profundidade um assunto para tomar uma decisão, certamente não ouvirá música para se distrair!

• Evitar a falta de rijeza ao estudar: fugir das posturas cômodas e inadequadas como estudar tombado sobre a mesa, sofá ou poltrona; fazer diversas interrupções para ir à geladeira, consultar mídias sociais, levantar-se constantemente porque não colocou sobre a mesa todo o material necessário.

• Adequar o tempo de estudo de acordo com a dificuldade de cada disciplina. É comum que dediquem mais tempo às matérias que gostam ou requerem pouco esforço, e empreguem menos tempo às disciplinas difíceis. Percebe-se isso quando as notas são altas em algumas disciplinas e muito baixas em outras. A desculpa para essa falta de retidão ou preguiça é afirmar “me dou bem com algumas matérias e não com outras”. Assim, não aprenderão a se esforçar e não crescerão em fortaleza e maturidade para superar muitos problemas que a vida trará. Ao anotar na sala de aula as lições mais difíceis, a fim de repassá-las em casa, ajudará a ser mais ordenado e a aproveitar melhor o tempo.

• Dar importância ao esforço mental: é fácil acostumar-se a receber tudo pronto, mastigado: colar trabalhos, evitar somas mentais elementares ao utilizar calculadoras, copiar textos da internet… Quem age assim para evitar esforços atuará do mesmo em outras tarefas, e se enfraquecerá para trabalhos sérios e não conseguirá atuar em equipes de alto desempenho na universidade e nas empresas.

• Empregar ordenadamente o tempo exige fortaleza: a falta de horário, as improvisações, os afobamentos para entregar tarefas no último momento, esforços desmedidos para estudar nas vésperas dos exames ocorrem porque se deixou levar pelo mais cômodo (vídeos, jogos, brincadeiras, festas…) e não foi cumprido o pequeno dever de cada momento. Apresentar aos filhos motivos fortes para não se deixar levar pelo mais cômodo ou prazenteiro, pois enfraquece o caráter e torna a pessoa mole (“com churros não se faz alavanca”, diz o ditado).

• Desenvolver a capacidade crítica: ajudar os filhos a terem um sadio espírito crítico para identificar que alguns temas humanísticos são de livre opinião, e que seus mestres ou os meios de comunicação não podem propô-los como indiscutíveis, como hipóteses científicas indiscutíveis, mas erradas sobre a origem da vida, natureza humana, sexualidade, família, casamento, religião…

• Formação cultural familiar: junto com o estudo pode-se incluir a formação de outros hábitos intelectuais e culturais a serem vividos por todos os membros da família, e não apenas pelos filhos. Em primeiro lugar, fomentar entre todos a leitura de bons livros adaptados à idade e ao gosto de cada um. Para isso, aproveitar algum momento do dia, fins de semana, feriados e férias. Para oferecer aos filhos bons argumentos que os ajudem a amar os livros sugerimos a leitura dos seguintes boletins: Filhos que não gostam de ler e Menos telas digitais e mais livros. Para afastá-los do excesso de telas digitais é bom incentivá-los a aprender habilidades práticas: pintar, tocar um instrumento musical, fotografar, falar em público, colecionismo, dominar outro idioma, aprofundar em algum tema de interesse, visitar museus e exposições…        

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