Categoria: FAMÍLIA

  • O amor de doação torna feliz a pessoa

    O amor de doação torna feliz a pessoa

             Não nascemos para viver isolados e preocupados apenas com o nosso umbigo. O que mais custa ao homem moderno é desprender-se do próprio tempo para oferecê-lo aos outros, porque não compreende que felicidade não combina com o egoísmo, e que a liberdade humana se degrada ao se fechar em si mesma, tapando os olhos às carências materiais e espirituais das pessoas ao redor. O valor do dinheiro não pode tornar-se um bem absoluto ou principal da vida. Tal apego ofusca o olhar e o impede de reconhecer as necessidades dos outros. Nada é mais nocivo para uma pessoa ou comunidade do que ser ofuscada pelo ídolo da riqueza. Se há caridade, que é carinho humano e sobrenatural, torna-se mais fácil perceber as necessidades dos demais.

             Ser generoso quando se espera retribuição é fácil. Mas, o egoísta não é verdadeiramente feliz porque nunca está satisfeito com o que possui, e deseja sempre mais: diz o ditado “tem mais quem precisa de menos”. A solidariedade, porém, é a capacidade de compreender o sofrimento dos demais, e agir para minimizar essas dores ou dificuldades, ao dar seu tempo aos demais.

    A verdadeira atenção não é assistencialismo

             Quais necessidades vejo no meu entorno: família, trabalho, vizinhos, escola, associação, etc.? Como poderia contribuir para ajudar aos demais? Há muita carência material e espiritual em todos os lugares, e para resolver isso não servem retóricas, mas arregaçar as mangas e pôr em prática a fé através de um envolvimento direto e não delegado a outros. “Nenhuma expressão de carinho, nem mesmo a menor delas, será esquecida, especialmente se dirigida a quem se encontra na dor, sozinho, necessitado como estava o Senhor naquela hora” (Papa Leão XIV, Exortação Apostólica Dilexi te). Todos podemos ter gestos concretos de afeto para com os mais necessitados, sabendo ver em cada um o próprio Jesus na Gruta de Belém.

             A verdadeira atenção não é assistencialismo, mas doação sincera de tempo, reconhecendo como irmãos aquele que necessita de ajuda. O problema não está no dinheiro em si, mas na preocupação com os que sofrem, em ensinar, em aproximar os bens da saúde, do trabalho e da cultura àqueles que estão distantes deles… Ninguém pode eximir-se da responsabilidade pela justiça social, pois a miséria resulta da injustiça, da exploração e de uma lógica centrada apenas no lucro, que desumaniza e gera novas formas de escravidão.

    A solidão é uma forma de pobreza

             A “pobreza libertadora” é escolha consciente pelo essencial e fuga do supérfluo, capaz de libertar das ansiedades e da falsa riqueza. Há necessidade não apenas de ajuda material, mas de amor verdadeiro e gratuito. Há pessoas materialmente resolvidas, mas que estão só, necessitadas de amor, companhia e compreensão.

             São João Crisóstomo e São Paulo ensinam que a pobreza de Cristo nos torna ricos, pois a verdadeira riqueza está no amor, na justiça, na santificação e na vida partilhada. Seguir a Cristo implica assumir esta pobreza por amor, partilhar a própria vida e o pão com os mais necessitados, para libertar os pobres da miséria e os ricos da vaidade, restaurando a dignidade humana.

    Educar para a generosidade

             A educação para a generosidade deve ser ensinada às crianças desde as primeiras idades, ao serem estimuladas a realizarem tarefas ou encargos não apenas para si, mas de interesse de todos no lar, e adaptadas à idade e à capacidade de cada uma. As crianças se tornam sensíveis e conscientes de suas obrigações, movidas pelo desejo de servir. Chegará um momento em que não será necessário pedir a elas para ajudar, pois fará tudo por vontade própria.

             Ajudar os filhos a perceberem seus hábitos egoístas: meus jogos, minhas coisas, meus planos, meu esporte, meus vídeos, meu, meu, meu. Mostrar satisfação ao observar que o filho teve atitude compreensiva em relação a outra pessoa, ou desaprová-lo se foi insensível. Estimular os adolescentes a organizar atividades de formação humana, social ou cultural àqueles que necessitam, contando com a ajuda de seus amigos. Incentivar os filhos, desde pequenos, a doarem a crianças carentes, brinquedos em bom estado que já não utilizam mais; ir junto com eles a asilos ou orfanatos.

    Ter ânsias de servir com os dons pessoais

             Todo adolescente sonha alto e tem pensamentos de aventura, de triunfo! Canalizar essa força para fazer o bem a tantas pessoas necessitadas, fomentando neles ambições nobres ao serviço dos demais. Um livro de leitura agradável, e que aborda a preocupação que um garoto de 7 anos tinha pelos demais é “O pequeno lorde”, da escritora inglesa Frances Hodgson Burnett, traduzido para o português.

             Aspirar a algo valioso dá sentido à própria existência. Ter um ideal nobre já na adolescência faz aproveitar melhor o tempo. Por isso, ajudar os filhos a descobrirem suas aptidões e habilidades artísticas, técnicas ou científicas, não para motivações egoístas, mas para servir aos demais. Quando um ideal nobre se apodera de um jovem, seus desejos, afetos e ações são canalizados para motivações transcendentes, não egoístas, e com isso ele descobrirá a felicidade, porque o amor verdadeiro não está em receber, mas em doar-se. Pesquisar na internet vídeos e podcasts sobre como descobrir as aptidões dos filhos adolescentes, e incentivá-los a aproveitar melhor o tempo, não com divertimentos frívolos, mas aprofundando-se naquele tema com o qual melhor poderá servir aos demais, e que certamente será o de sua futura profissão.

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  • Converse com seu filho sobre festas, álcool e drogas

    Converse com seu filho sobre festas, álcool e drogas

             Diversões noturnas, álcool e drogas preocupam cada vez mais os pais. Sobre esses temas é preferível prevenir com anos de antecedência do que tentar resolver o problema um dia depois de acontecer. Não pensar que ainda é cedo para abordar tais assuntos. Educar é manter diálogos serenos, afetuosos, abertos e adaptados à idade de cada filho, a fim de oferecer razões profundas que esclareçam a inteligência e estabeleçam limites firmes.

             Há pais que procuram controlar os filhos, mas logo comprovam que isso não é educar, sendo que o mais eficaz é transmitir verdades e valores para que os filhos tomem decisões por si mesmos. Não controle, mas diga algo como: -“Estou aqui para te apoiar, não para te vigiar”. Quem cultivou a confiança com os filhos desde a infância, o diálogo na adolescência é natural.

    Saídas para festas

             Discussões sobre saídas nos fins de semana podem se tornar batalhas. Não se surpreender ao surgirem conflitos de obediência na adolescência, pois são anos em que se forma de modo especial o caráter e se firma a própria personalidade e maior independência: quem na adolescência não deu trabalho aos pais?

             Não é fácil encontrar argumentos convincentes para dialogar sobre a hora de regressar para casa, local e quem estará na festa, enviar mensagem ao chegar ali, pedir para ligar a qualquer momento se precisarem e manter o celular com bateria… Como garantir que essa conversa não seja um interrogatório, mas diálogo?

             Falar com o filho sobre modos de se divertir requer tempo e paciência. É importante manter diálogo aberto, calmo, afetuoso e inteligente para ajudar cada filho a crescer em valores para administrar positivamente sua liberdade. Antes de permitir que os filhos saiam para festas, há algumas conversas essenciais que podem garantir a segurança e a confiança mútuas. Fazer perceber que os direitos vão acompanhados dos deveres correspondentes, e que a permissão para saídas futuras dependerá da responsabilidade demonstrada no presente. Reforce a ideia de que a confiança se constrói com honestidade e respeito às regras combinadas.

    Consequências do uso de álcool e drogas

             A descarga de desinformação sobre seu filho é enorme e vem por todos os lados. Em seis meses muitas coisas mudam acerca desses temas. Os pais devem atualizar-se ao ler e acompanhar palestras sobre esses assuntos na internet, pois há bons educadores abordando com seriedade e profundidade tais temas.

             Regras claras sobre álcool e drogas devem ser explicadas de forma direta e de acordo com a idade de cada filho. Deixe claro que não deve consumir álcool se for menor de idade; e se já atingiu a maior idade, fale da necessidade de viver a virtude da temperança ao ficar em um só chope ou cerveja, e que ao não repetir a dose fortalecerá a vontade para não se deixar levar por forças instintivas. A temperança é virtude que atrai ao demonstrar maturidade e autocontrole, e esse exemplo ajudará também os amigos a serem sóbrios. Explique como agir se alguém alcoolizado discutir de forma agressiva e não aceitar pressão para comportamentos inadequados, pois ninguém deve ser pressionado a beber, fumar ou a fazer algo que não quer. Ensine frases simples para dizer “não”:- “Agradeço, mas isso não me agrada”.

             Fale de modo simples como álcool e drogas afetam a saúde, o comportamento e os objetivos pessoais, e ouça o que o seu filho pensa sobre isso. Demonstre com exemplos as consequências para a saúde e para a família sobre o uso de álcool ou drogas. Para a saúde corporal diga que prejudica a concentração, memória e raciocínio; afeta o sistema nervoso; compromete o coração e o fígado e rapidamente criam dependências porque o cérebro passa a necessitar mais e mais dessas substâncias, tornando difícil abandoná-las. Efeitos no comportamento também ocorrem: enfraquecem a vontade, pois a descarga de dopamina (neurotransmissor cerebral que provoca prazer para certas ações), provocada pelos vícios, faz perder o gosto por ideais ou atividades que requerem esforço (estudar, trabalhar, praticar esporte, levar adiante ideais de serviço aos demais); reduzem a capacidade de pensar com clareza, provocam comportamentos impulsivos e arriscados; promovem mudanças bruscas de humor, irritabilidade e tristeza sem motivos aparentes; aumentam os conflitos com familiares e amigos, além de promover o isolamento e a queda no desempenho escolar, profissional e social.

    Diferença entre regras negociadas e simplesmente dizer “não”

             Nenhuma palavra, gesto de carinho e esforço orientado à educação dos filhos deixará da dar frutos: tempo quantitativo no lar é feito de presença; tempo qualitativo são os momentos de intimidade que ajudam a criar harmonia e abordar temas profundos de forma descontraída.         

             Os adolescentes reclamam mais liberdade, mas é preciso ensinar-lhes a geri-la com equilíbrio e responsabilidade. Não os privar da autonomia, mas dar motivos para agir com inteligência. Partilhe a sua perspectiva: quando os pais revelam as próprias preocupações de forma transparente, a conversa torna-se mais equilibrada e humana. Explique o porquê de suas perguntas, pois os filhos colaboram quando entendem o motivo: – “Quero saber quem vai estar com você, porque sua segurança é importante para mim”, e dê espaço para falarem sem interrompê-los.

             Algumas atitudes fazem toda a diferença: adote um tom calmo e curioso, não acusatório. Mostre interesse: – “Como você se sente em relação à festa?”, ao invés de “Com quem você vai, onde e a que horas?”. Faça perguntas abertas: – “O que pode ser mais desafiador nessa festa?”. Valide sentimentos e opiniões, mesmo que não concorde, reconheça: – “Percebo que você quer mais independência. Vamos tentar encontrar um equilíbrio”. Fugir da retórica do “sermão”, que é pouco eficaz. Evite listas de regras e prefira acordos em conjunto, pois aumentam o sentido de responsabilidade e confiança. Reforce as boas condutas com elogio e reconhecimento.

    Conhecer melhor as amizades e os ambientes frequentados pelos filhos

             A conhecida frase “somos a média das cinco pessoas com quem mais convivemos”, é uma metáfora muito usada para lembrar que o ambiente e as relações influenciam profundamente nossos comportamentos, escolhas e valores. Embora não seja regra matemática, a ideia faz sentido porque as pessoas com quem mais convivemos moldam a nossa forma de pensar, agir e motivar-se. A frase ajuda a refletir sobre o impacto que as pessoas com quem convivemos têm sobre nós, e nos incentiva a fazer escolhas mais conscientes em relação às amizades.

                      A construção da identidade faz o adolescente buscar a autoafirmação e ser mais independente da influência familiar. Os grupos definem padrões e o que consideram “normal” é rapidamente aceito, seja para estudar ou vadiar. A necessidade de pertença e o medo de ficar de fora pressionam para que imitem comportamentos. Que tipo de influências você quer para a vida do seu filho? Influências que ensinem a ser resiliente, que desenvolvam o gosto pelo estudo e esporte, que ajudem a aproveitar bem o tempo e fortaleça a vontade para abraçar ideais grandes, que estimulem hábitos de reflexão pessoal e o domínio sobre os sentimentos e paixões por meio de virtudes.

             As companhias criam hábitos, atitudes e valores, moldam a linguagem e unificam opiniões ao funcionar como um espelho que podem ajudar ou confundir de forma profunda, mais do que os pais imaginam, porque crianças e adolescentes desejam ser aceitos pelos grupos, e estes podem favorecer ou dificultar comportamentos saudáveis, dependendo do tipo de influenciadores que há neles: de grupos saudáveis absorverão a fé; o gosto pelo estudo e por temas culturais, científicos e de atualidade; serão incentivados a praticar esportes e atividades sociais. De grupos tóxicos absorverão inseguranças, comportamentos viciosos, falta de gosto pelo estudo, perdas de tempo, busca pelo prazer constante e fuga do esforço por alcançar ideais maiores, faltas de respeito pelos pais e figuras de autoridade.

             Mantenha convivência regular com as famílias dos amigos de seu filho, e troque ideias com elas sobre os locais que os filhos frequentam para ir pouco a pouco conhecendo esses ambientes. Convidar cada amigo do filho para almoçar em casa, a fim de conhecê-lo melhor; planeje atividades juntos nos fins de semana e férias.

             Pessoas que mais influenciam seus filhos: pais, parentes próximos e treinadores continuam a ser referências emocionais, morais e comportamentais; irmãos partilham rotinas, brincadeiras e podem ser modelos positivos ou negativos; amigos da escola geralmente são os que mais influenciam comportamentos, linguagem e gostos, especialmente na adolescência; colegas de atividades extracurriculares como esporte, música, academia, viagens podem ter influências positivas ou negativas; influenciadores digitais e criadores de conteúdo têm influência real no humor, opiniões, hábitos e aspirações, mesmo sem a presença real.

    Dica importante: dar aos filhos pouco dinheiro

             Mantenha os filhos com pouco dinheiro e mostre quão difícil é ganhá-lo, assim não inventarão modas e não serão dominados pela lógica do consumo que fomenta hábitos individualistas. Aos filhos curtos de dinheiro não lhes passa pela cabeça desejar material esportivo caro, roupas da moda, eletrônicos de última geração. Há garotos que na escola compram doce, sanduiche e o refrigerante que desejam, e todas as vezes que o quiserem. Já as crianças curtas de dinheiro valorizam o pouco que possuem e passam a ser comedidas em seus desejos, o que as faz crescer em sobriedade, autodomínio e na ciência de saber esperar. Hoje em dia é fácil que os jovens trabalhem nas férias e ganhem dinheiro: animá-los a isso, não para financiar suas diversões, mas para contribuir com as necessidades familiares e ajudar em atividades sociais.

             A indústria da diversão utiliza meios degradantes de cooptação: apelo sensual, consumo de álcool, vício do jogo, velocidade, lazeres e equipamentos caros, locais badalados… O lazer criativo é mais enriquecedor e faz contemplar a beleza por meio de atividades simples como excursões na natureza, visita a parques e exposições culturais e artísticas, bons vídeos e leituras. Educar os filhos para o lazer e melhor aproveitamento do tempo é um desafio para os pais, mas que será muito frutuoso. Não desistir desse esforço e empenho, que agradam a Deus e redundam em bem para os filhos. A educação faz parte da tarefa que Deus confiou aos pais e ninguém os pode substituir nisso. Vale a pena enfrentar essa tarefa com valentia, bom humor e com um otimismo cheio de esperança.

             Os jovens são idealistas e capazes de se entusiasmar. João Paulo II, na XV Jornada Mundial da Juventude, dizia que Cristo ama a cada um de nós de um modo pessoal e único na vida concreta de cada dia: na família, entre os amigos, no estudo, no trabalho, no descanso e na diversão. E acrescentava que a nossa sociedade consumista e hedonista tem necessidade urgente de um testemunho de disponibilidade e sacrifício pelos outros: os jovens necessitam de Cristo mais do que nunca, afirmava o Papa, porque são tentados frequentemente pela ilusão de uma vida fácil e cômoda, pela droga e o hedonismo, que conduzem depois à espiral do desespero, do sem sentido, da violência.

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  • Dizer não e estabelecer limites aos filhos

    Dizer não e estabelecer limites aos filhos

             Os filhos necessitam de limites, porque por trás de cada criança desafiadora, que testa os pais, existe um pedido silencioso de orientação, já que limites não são castigos, mas expressões de amor que oferecem à criança um território seguro para crescer emocionalmente e não se perder num mundo que ainda não sabe manejar. Ignorar os sinais de desrespeito e rebeldia ao pensar que “é normal para a idade”, cria adolescentes e jovens inseguros e incapazes de lidar com os demais respeitosamente.

             A seguir, estão os ensinamentos de Marian Rojas Estapé, psiquiatra espanhola (1).

             Um filho que responde com brusquidão ou desdém, e os pais, cansados, deixam passar, reforçam o padrão perigoso no qual a criança acredita que pode falar assim com todos, sem consequências. Isso corrói pouco a pouco a autoridade e o emocional familiar e se transforma em hábitos de desobediência e falta de respeito que se estenderá a qualquer figura de autoridade.

             Permitir o desrespeito cria rachaduras nos alicerces da família e enfraquece a estrutura emocional e ética da criança, já que os limites ensinam que amar é cuidar as palavras, gestos e atitudes. Toda fala inadequada deve ser enfrentada e não ignorada, porque é sempre um pedido de limite que aproxima o filho dos pais ao mostrar o caminho certo.

    A manipulação infantil

             Os filhos aprendem rapidamente que se os comportamentos negativos trazem resultados, não por maldade, mas porque o cérebro busca recompensas, manterão a conduta. Chorar, gritar e comparar os pais com outros são modos de manipular emocionalmente para conseguir algo e, caso consiga, o cérebro registrará esse padrão e o repetirá.

             A manipulação infantil assume formas como a doce chantagem emocional, o drama exagerado, os discursos ilógicos, os desafios diretos, geralmente em momentos em que a mãe ou o pai está exausto, pronto para dizer “sim” pelo cansaço. Isso ensina ao filho que se o insistir ou dramatizar funcionam, deve ser repetido no futuro. O lar é um palco de aprendizagem: se diante do escândalo alguém cede, a criança conclui que exagerar funciona; se o adulto se assusta diante de ameaças, a criança aprende que o medo do adulto lhe dá poder.

             Não se educa apenas com palavras, mas com a forma de responder às emoções do filho: a manipulação premiada tende a se repetir, mas se encontra limites firmes, calmos e serenos, perde força. Quando o filho tenta manipular e o adulto mantém a calma, oferece contenção e ensina a lidar com a frustração e a saber esperar. Trata-se de um processo difícil, lento e por vezes doloroso, mas que prepara os filhos para a vida real, onde chefes e amigos não cederão aos dramas e chantagens.

    Estabelecer limites

             Muitos pais evitam impor limites por receio de afastar o filho, mas acontece o contrário: a ausência de limite gera insegurança por desorientação, enquanto dizer “só até aqui”, de modo calmo, mas firme, provoca inicialmente raiva na criança, mas depois ela se sentirá segura porque foi indicado o espaço para agir. Se a criança desafia constantemente e ninguém a detém, aprende que amar é suportar os caprichos dela sem consequências, o que certamente a levará repetir esse padrão às amizades, à futura namorada, aos colegas de trabalho e professores, acreditando que pode desrespeitar aos demais porque nunca lhe foi ensinado o contrário.

             Os limites são como corrimãos: não tiram liberdade e evitam quedas. Quem não aprende a lidar com a frustração interpreta os limites como rejeição e contrariedades como humilhação, atitudes que nenhum pai deseja para seus filhos. Limite é amor que salva e educa, mesmo que os filhos relutem temporariamente em aceitá-los, mas logo compreenderão o motivo.

             Não premiar o drama dos filhos com atenção excessiva. Às vezes o pai ou a mãe não cede ao pedido, mas oferece uma hora de atenção exclusiva, e a criança aprende que o escândalo garante seu protagonismo. Por isso, é necessário manter o limite e reduzir o espetáculo. Os esforços da criança em aceitar um “não” devem ser recompensados com palavras estimulantes, pois o cérebro aprende também pelo reforço positivo. Dói aos pais ouvirem frases como “você não me ama”, mas amar não é satisfazer pedidos, mas sustentar o que é justo mesmo quando a criança não goste. Colocar limite não endurece o coração, refina-o e ensina que valor está em construir, que liberdade exige responsabilidade, que carinho verdadeiro não se negocia com chantagem.

    Não se sentir culpado por estabelecer limites

             Pais que se sentem culpados ao estabelecer limites e com isso cedem, explicam demais e compensam com permissões, confundem a criança. Por isso, como sinal de maturidade devem libertar-se desse tipo de sentimentos. Amor sem limite vira permissivíssimo; limite sem amor vira autoritarismo. O equilíbrio é a chave. Os filhos aprendem mais pelos gestos do que pelas palavras: se os pais pedem respeito, mas são agressivos, ensinam agressividade; se pedem paciência, mas se irritam, ensinam impaciência; se pedem autocontrole, mas se desequilibram, ensinam descontrole. Porém, quando demonstram serenidade, firmeza carinhosa e autoridade sem autoritarismo, ensinam que não se pode ter tudo. Com isso, o respeito e admiração por pais coerentes crescem na criança.

    As crianças testam os limites

             O limite só funciona quando é estável e permanente: ser firme hoje e permissivo amanhã transforma a reclamação em ferramenta. Crianças testam os limites porque procuram saber até onde o mundo é seguro, não por rebeldia, mas para saber se o adulto vacilará e, se vacilar, a criança não se sentirá vitoriosa, mas perdida. Filhos que parecem “mandar” são inseguros e desejam adultos fortes, que sustentam o que dizem e aguentam tempestades emocionais. Por isso, quando os limites são consistentes, o comportamento melhora por segurança, não por coincidência, já que um “não” firme dito com amor traz cooperação e tranquilidade.

             Um filho não precisa de pais perfeitos, mas previsíveis, que fazem o que dizem, acolhem sem se dobrar, ouvem sem serem dominados por emoções. Um dia, esses pais ouvirão o filho pedir desculpa espontaneamente, autocontrolar-se e crescer em maturidade. E tudo foi construído com pequenas ações diárias que moldaram o mapa emocional do filho. Sustentar os limites com amor oferece herança vital: a capacidade de lidar com o mundo sem quebrar-se nem manipular os demais.

             A confiança nasce quando os pais são previsíveis, coerentes e estáveis emocionalmente, permitindo ao filho sentir que, mesmo nos piores dias, o pai ou a mãe são referência. Com isso, os gritos diminuem, as manipulações perdem força, os conflitos encurtam e as conversas se aprofundam. Assim, o filho aprende a expressar emoções sem agressão, a respeitar limites como proteção, assumir responsabilidades e amar com maturidade. No futuro, os pais verão que aquele filho que bateu portas e manipulou tornou-se um adulto sereno e seguro porque eles tiveram coragem de não ceder ao primeiro grito, e sustentaram os limites, mesmo quando doeu; e porque souberam distinguir amor e permissividade. A educação é um ato de coragem e entrega, e os filhos não recordarão os “nãos” que receberam, mas a presença firme, justa e amorosa que construiu o seu caráter.

    Saber dizer não

             Alguns pontos são essenciais: dizer sempre um “não” inteiro, sem ironia ou gritos, e que não vire um “está bem, só desta vez”, nem se dilui em explicações intermináveis por parte dos pais, como quem quer se desculpar por exigir o que é correto. O controle emocional do adulto está em respirar, baixar o tom de voz e adiar a conversa para um horário combinado, caso a turbulência tenda a crescer, e depois, cumprir com o adiamento. Assim, os adultos da casa mostrarão segurança e coerência, especialmente se os pais são separados, porque incoerência alimenta a manipulação.

             Pais firmes criam filhos estáveis, seguros e empáticos. A educação faz crescer pais e filhos juntos, e quando o limite é claro e explicado antecipadamente, a criança aprende a relação entre ação e consequência, enquanto punições impulsivas apenas ferem, envergonham e confundem. Educar exige coragem dos pais para dizer “não”, enfrentar conflitos e aceitar a dor da frustração como parte do crescimento de ambos, e desenvolve nos filhos maior segurança e consciência.

    A frustração da criança faz parte do processo educativo

             A tempestade emocional provocada pela criança não é fracasso dos pais, mas ocorre porque o filho está reorganização seu cérebro ao perceber que tentar repetir padrões anteriores já não funciona: se o adulto não cede e espera a emoção do filho baixar, vence a manipulação; depois, com calma, explicará brevemente o que não foi correto e encerrará o assunto, evitando discursos longos durante o caos.

             Com o tempo, o padrão do filho mudará ao aceitar as negativas sem colapsar, e proporá alternativas ou dirá simplesmente “tá bom, entendi”, e os pais perceberão que valeu a pena sustentar o limite, que transformou o lar num lugar firme e grato. O limite fecha brechas utilizadas para pressionar. No início provocará desconforto, mas ensinará a sustentar a frustração de forma madura, crescer em resiliência, em capacidade de esperar e maturidade emocional, essenciais porque a vida fora do lar irá frustrar repetidamente.

    Reagir com serenidade diante dos gritos dos filhos é educativo

             A forma como os pais reagem às emoções do filho ensina a este o modo de reagir às próprias emoções: se cada explosão gera explosão, o filho aprende que conflitos são guerras; se cada grito recebe um grito maior, aprende que vence quem faz maior barulho; se cada perda de controle da criança provoca perda de controle do adulto, aprende que controlar sentimentos é impossível. Porém, se o adulto permanece equilibrado, transmite a poderosa lição de que a emoção pode ser forte, mas podemos ser maiores que ela.

             Educar exige ação diária, mesmo diante de cansaços e dúvidas, porque o futuro de cada filho depende da presença firme, dos limites constantes e do amor que acolhe e protege. Nesse caminhar não há manual perfeito, mas consciência, coragem e disposição para aprender sempre, pois quando os pais crescem, o filho cresce junto; quando os pais melhoram, o lar melhora, e quando educam com amor firme, muitos bens se irradiarão dessa família.

  • Dialogar e não monologar com o adolescente

    Dialogar e não monologar com o adolescente

             Como tem sido sua experiência ao tentar conversar com seu filho? Pais reclamam que seu filho, antes comunicativo, passou a ser silencioso, monossilábico e com frases entrecortadas. Já os filhos se justificam ao afirmar que seus pais não deixam falar e logo começam com sermões, fazem afirmações que revelam não prestar atenção aos que eles dizem, disparam afirmações dogmáticas, traem a confiança deles ao expor uma confidência que fez, utilizam tom de voz e trejeitos julgadores e incriminatórios, só falam do que lhes interessa, ordenam e criticam e não deixam espaço para os filhos expressarem seus pensamentos e sentimentos.

    O que fazer quando o diálogo parece impossível?

             O verdadeiro diálogo tem equilíbrio: um fala e o outro ouve com verdadeiro interesse em compreender. Há pais sem sintonia com o filho e desconhecem suas preferências artísticas e culturais (músicas, vídeos, filmes…), assuntos técnicos ou científicos que aprecia…Os pais devem dar o primeiro passo para iniciar uma conversação grata, com temas que interessam ao filho: jogo de futebol que participou, o videogame preferido, músicas que aprecia, o ídolo que admira, o instrumento musical que almeja aprender a tocar… Mostrem interesse quando ele fala com palavras que demonstrem atenção ao que diz: “entendo”, “que bom”, “puxa, interessante!”, “verdade!”, “fico feliz em saber disso”, “compreendo o que você está me dizendo”. Não há pressa em querer falar, a ponto de cortar a fala dele. Ouçam de forma passiva, sem emitir juízos ou interromper a fala dele. Nunca se escandalizem com o que ele diz, e não lancem um torpedo do tipo “eu não falei; bem que avisei!”, mas dizer “acho que isso tem solução”, “nada acontece sem que Deus permita”, “a gente ganha experiência com nossos erros”… Evitar discussões ou atitudes de ataque e defesa que fazem ambos os lados se fecharem no orgulho.

             O verdadeiro diálogo constrói pontes entre mentalidades diferentes, ao dar a conhecer a própria opinião com transparência, sem esconder o que se pensa para evitar conflitos, pois essa falsa atitude tornaria superficial convivência. O diálogo com o adolescente não deve ser professoral, mas testemunhal.As pessoas hoje dão mais importância ao testemunho pessoal do que ao tom professoral, do tipo “você precisa fazer isso”; “você tem que…”. O Papa Paulo VI disse que «o homem contemporâneo escuta com mais vontade aqueles que dão testemunho do que aqueles que ensinam», e continuava: «Se escutam os que ensinam, é porque eles dão testemunho».

    Adolescentes não querem ser tratados como crianças

             Os adolescentes querem ser tratados não como crianças, mas como adultos, e são muito sensíveis ao modo como são abordados pelos pais: um tom de voz paternalista ou autoritário lança por terra a tentativa de manter uma conversa. Falem descontraidamente com ele, e deem poucos conselhos, e só os mais importantes e necessários para não aborrecer com muitas indicações, que acabam perdendo força. Seu filho se abrirá ao não se sentir coagido a compartilhar sua intimidade. Não façam perguntas fechadas que podem ser respondidas com um “sim” ou “não”, mas abertas, a fim de saber o que pensa sobre um assunto e fomentar o diálogo: –“Que acha dessa notícia que saiu na imprensa?”.

    Considerem seu filho digno de confiança; mostrem que vocês confiam nele ao pedir favores e dando-lhe privilégios: ajudar na educação do irmão menor, cuidar de certas gestões familiares (ir ao banco, pagar contas…), pois isso aumentará sua autoestima. Peçam a opinião dele sobre os projetos familiares e como solucionar determinada situação… Elogiem não só os mais novos, pois os adolescentes precisam de alento para se sentirem considerados.

    A conversa com adolescentes deve chegar a ideias e não a fatos concretos, pois as ideias conduzem a ações práticas. Não critiquem o amigo dele, pois ele o defenderá com ardor, mas conversem com ele sobre o que pensa ser uma verdadeira amizade, e aproveite uma boa história literária (por exemplo, Pinóquio, de Carlo Collodi), e deixe-o concluir sozinho que o verdadeiro amigo está junto também nas horas amargas, os colegas só para se divertirem juntos e os cumplices para sugerir coisas erradas. Não dar sermões ou aconselhar desde uma cátedra e em tom professoral, mas conversar, ouvir, perguntar e deixar que concluam as coisas.

             A verdadeira comunicação é uma estrada de duas mãos: falar com o filho é dialogar com ele; falar para o filho é monologar e não deixá-lo falar. Diálogos não restritos às notas escolares, questões polêmicas como festas, excesso de telas digitais e celulares, que podem ser deixadas para o momento em que estiverem bem-dispostos para conversar.

             É muito humano iniciar uma conversa com temas simples, permeada de risos, pois fomenta a amizade: músicas que apreciam, a classificação do time de futebol preferido, como gostam de descansar… A conversa corriqueira age como gravetos que alimentam a fogueira para abordar temas mais profundos. Essa conversa é provocada não com perguntas fechadas que podem ser respondidas com “sim” ou “não”, mas aberta para provocar o diálogo e compreender como ele pensa: – Que acha dessa notícia que saiu na imprensa? Aproveitem os instantes juntos no carro e coloquem muita atenção ao que dizem, pois comentários descontraídos revelam o que há no coração e abrem horizontes educativos. Deixar de abordar temas mais profundos indicaria um clima familiar carente de objetivos e que não alcança valores mais altos: Deus, ideais de servir, escolha da profissão, aproveitamento do tempo, desenvolver as habilidades pessoais para melhor servir aos demais…

             Nas conversas sinceras há espaço para discordar sem que isso abale o trato mútuo. A amizade não depende de esconder o que se pensa, porque necessita da autenticidade, desde que demonstrada com respeito e carinho. Num diálogo, quanto mais fiel for cada pessoa à sua consciência, mais autêntica será a unidade entre elas. Ser fiel às próprias convicções não impede a convivência, pelo contrário, faz crescer o respeito mútuo. Uma boa conversa leva à troca de sentimentos, ideias e experiências, e não apenas temas superficiais só para matar o tempo. Uma boa conversa leva pais e filhos abrirem a alma, porque se compreendem, sabem ouvir e não temem falar de temas profundos, como projetos pessoais, dificuldades, valores, fé, drogas, sexualidade.

    Mudanças de interesse e identidade

             Como você lida com as mudanças no modo de vestir, falar ou se divertir de seu filho? Consegue enxergar isso como parte natural da formação da identidade? Um adolescente não quer ser tratado como criança, mas como adulto. A maturidade é um tema importante, ligado à personalidade, ao modo estável de se relacionar consigo próprio, com os demais, e com o mundo. É natural no homem a autonomia, a independência, e deve ser educado para isso. Não prender os filhos em casa. É importante desenvolver a autonomia desde a infância, ao não fazer pelo filho aquilo que ele pode fazer sozinho.

    Há pais e mães inseguros em tornar seus filhos independentes, pois os querem como eternas crianças fofinhas e engraçadas. Com isso, acabam substituindo os filhos em tudo o que eles deveriam fazer sozinhos, e os tornam moles, preguiçosos e sempre dependentes de que os demais façam tudo por eles. Pais que não querem ver o filho deixar de ser criança educam mal. Já se disse que à supermãe ou ao superpai corresponde um infrafilho, sem capacidade de voar por si só.

             As dicas aqui expostas servem não apenas para o diálogo com os adolescentes, mas também com os amigos e colegas do trabalho e das relações sociais.

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  • As narrativas e a transmissão de valores

    As narrativas e a transmissão de valores

             Um modo de adquirir ou transmitir valores e modelos de conduta encontra-se nas narrativas: histórias familiares, contos, romances… Contar histórias é melhor do que discursos teóricos para a configuração da personalidade humana e conhecimento do bem e do mal, porque a experiência narrativa oferece à inteligência valores ou antivalores concretizados em modelos a imitar ou a evitar. É muito humano ter modelos, mas é preciso não errar na escolha para não construir sobre bases falsas que originam fracassos.

             Mesmo em época de crise de valores, como a atual, encontramos na família, nas relações profissionais e sociais indivíduos que personificam um ideal de excelência humana com sua vida edificante: casais que completam 30, 40 ou 50 anos de união transmitem valor de fidelidade; colegas de trabalho que não aceitam subornos revelam-se como modelos de honestidade; lares generosos e abertos à geração de filhos mostram ser a família um valor fundamental; pessoas que sacrificam sua comodidade nos fins de semana para ajudar em ONGs ou entidades de apoio aos necessitados transmitem desprendimento próprio e a alegria em servir…

             A literatura também oferece muitas obras repleta de valores: “Odisseia”, de Homero, mostra a fidelidade entre Ulisses e Penélope; MacBeth, de Shakespeare, revela o antivalor da ambição e até onde pode chegar a paixão pelo poder; Pinóchio, de Carlo Collodi, revela o que são as falsas amizades e como a mentira destrói o corpo e a alma. Modelo maior de valores assumidos e de virtudes vividas é Jesus Cristo: basta ler sua biografia, que são os quatro Evangelhos, para se sentir convidado a imitá-Lo.

             Em nossa época impera a cultura da imagem e da emoção, o que torna o cinema um grande recurso para a transmissão de valores e educação dos sentimentos. Os bons enredos apresentam cenas onde personagens vivenciam aspectos essenciais da vida humana, facilitando o conhecimento do bem e do mal ao apresentar valores (fidelidade, fortaleza, resiliência), ou antivalores (covardia, traição, falsidades). Os bons filmes propiciam ocasiões excelentes para manter diálogos significativos com os filhos: “O último samurai”, um canto à honra e ao serviço”, “O resgate do soldado Ryan”, entre tantos outros (o site https://pablogonzalezblasco.com.br comenta vários e excelentes filmes e livros).

             Educar em boa parte é transmitir os valores. Um valor não necessita ser enfiado goela abaixo, porque ele se impõe pela carga de verdade que possui, e que tanto esclarece a inteligência e fortalece a vontade, sendo assumido por decisão própria. A pergunta sobre os valores ou modelos que escolhemos tem sentido porque direcionamos a nossa vida por eles. Há quem age por valores de utilidade primária (comer, beber, se divertir, beleza física, fama, poder, dinheiro); outros, por valores transcendentais que visam servir a Deus e aos demais. Atualmente, muitos adolescentes se massificam ao imitar youtubers de sucesso e com pouco valor moral a transmitir. Examinar os valores que regem a própria vida e os que se deseja para os filhos é necessário para não construir sobre bases falsas que originam fracassos.

  • Filhos sem Deus, sem virtudes, sem rumo

    Filhos sem Deus, sem virtudes, sem rumo

             Desejar que os filhos sejam virtuosos, sem lhes oferecer para isso um motivo profundo, é edificar sobre areia. Que motivo dar a eles para que sejam honestos, sinceros, fiéis, solidários, castos, ordenados, responsáveis? Basear o esforço por ser melhor apenas em argumentos psicológicos ou em preceitos humanos, faz carecer de força e garantia de perpetuidade a vida moral, pois os homens mudam facilmente de opinião e tendem a seguir seus gostos e preferências. Aguiló chama de “psicologismo ascético” a tendência de reduzir a vida espiritual e moral a explicações puramente psicológicas. Não se trata de desmerecer a psicologia, mas esta não substitui a dimensão transcendental e sobrenatural da vida humana. “Por que o caminho espiritual é tão importante? Por que na vida as coisas não acontecem segundo nossas previsões. Por que aqueles que amamos morrem. Por que as decepções são dolorosas”, diz Leonardo Sax. Os filhos serão fortes e atravessarão “a noite escura da alma” se lhes foi ensinado a cultivar a vida interior e o trato com Deus.

             A necessidade de voltar o olhar para Deus e nEle fundamentar as atitudes humanas vem pautando a vida de muitas pessoas como antídoto ao individualismo e à falta de grandes ideais. A crença em Deus e na vida após a morte torna as pessoas mais resilientes e motivadas para lutar contra os próprios defeitos. Muitos adolescentes e jovens desistem do esforço para ter uma vida reta e virtuosa porque suas convicções morais são insuficientes e os modelos de conduta oferecidos são insuficinetes e mutáveis, não aportando razões transcendentes para mover a conduta. Pais que acreditam em Deus, mas não levam a sério sua fé e não a transmitem com a palavra e exemplo aos filhos, se darão conta desse erro tarde demais, e com amargura. O maior bem que os pais podem transmitir aos filhos é a fé e o amor a Deus

             Há quem acredita que os problemas espirituais e morais têm uma causa psicológica, e confundem a fé com estados emocionais e interpretam a vida espiritual apenas como um “bem-estar psicológico”. A psicologia como ciência é importante para compreender as pessoas e auxiliá-las em certas dificuldades. Contudo, a psicologia não serve como explicação totalizante do ser humano, pois a vida espiritual não se reduz a processos psíquicos, mas envolve a relação pessoal com Deus, realidades que vão além do campo psicológico: a oração, a realidade do pecado, a força da graça de Deus…

             Quando o psicologismo domina, a fé se transforma em mera técnica de equilíbrio emocional, enfraquecendo a vida espiritual fundamentada no amor a Deus e no seguimento de Cristo. Portando, psicologia e vida espiritual devem se complementar: a psicologia ajuda a remover certos obstáculos humanos; e a vida espiritual e religiosa motiva a caminhar tendo em vista o sentido último da existência humana, que não se encerra nesta vida.

             É possível encontrar pessoas de grande retidão moral que não creem em Deus, ou se deparar com doutrinas éticas que excluem a fé. Porém, nenhuma razão que exclui a Deus e a religião, serve para fundamentar a luta própria e a dos filhos na busca das virtudes: uma ética sem Deus, baseada apenas no consenso social ou em tradições culturais, não oferece garantia diante da patente debilidade do homem, sua capacidade de ser manipulado e de desistir facilmente diante do esforço exigido para manter-se ético.

             Há ocasiões em que os motivos de conveniência natural para agir bem impulsionam com grande força. Mas há ocasiões em que esses motivos perdem força, e então o suporte para a ação correta ou a busca do bem encontra-se nos motivos sobrenaturais: prescindir tanto dos motivos naturais como dos sobrenaturais é erro moral e educativo de grandes proporções.

             A referência a Deus serve não só para justificar a existência de normas perenes de conduta, que devem ser observadas. Quando se prescinde voluntariamente de Deus, é fácil que o homem se converta na única instância que decide sobre o que é bom ou mal em função de seus próprios interesses: por que ser fiel ao outro cônjuge?; por que não aceitar um suborno que vem de modo tão fácil?; por que dizer a verdade? Quem não aceita a existência do Ser superior que julga nossas ações, fica indefeso frente a tentação de se erigir como juiz supremo do bem e do mal. Isso não significa que aquele que tem fé haja sempre com retidão e nunca se engana, mas sabe que não está só e qual é qual é o caminho para retornar com humildade. Assim, está menos exposto a enganar-se a si mesmo ao dizer que é bom o que gosta e mau o que não gosta, pois sabe que tem dentro de si há uma voz que o adverte: – Basta, não siga por esse caminho!

             É imprescindível fundamentar em Deus e na existência de vida após a morte, o esforço pessoal e o dos filhos para a aquisição de hábitos que encaminhem até o bem. Sem Deus é fácil duvidar se vale a pena o esforço por adquirir virtudes, porque não se tem motivos suficientes para manter condutas que supõem sacrifícios! Negar a existência de um juízo pessoal e a vida após a morte, reduz a perspectiva humana ao que se consegue lucrar apenas nesta vida: carpe diem ou aproveite o dia, pois não haverá razões suficientes para manter o esforço que exige uma vida reta. Evidentemente, a existência de Deus é objetiva e de infinitas consequências, e não se reduz a proporcionar motivos de garantia acerca de leis morais permanentes e imutáveis, mas é razão suficiente para mover as pessoas a conhecê-las e a observá-las. O progresso interior ou espiritual sempre será difícil, pois requer a assimilação teórica e o emprego prático daquilo que se acredita, pois não basta saber o que é bom, mas é necessário fazer o bem, caso contrário não haverá melhora pessoal, mas um simples ilustrar-se teoricamente sobre o que é o bem.

  • Você dá bom exemplo ao seu filho?

    Você dá bom exemplo ao seu filho?

             Muitos pais trabalham dia e noite para dar aos filhos a melhor educação, brinquedos caros, quarto bonito, boa escola, mas sem perceber podem estar negando o que realmente deixará marca e formará o caráter dos filhos: o exemplo diário! Marian Rojas (1) ensina como o exemplo dos pais influencia enormemente os filhos, e afirma que uma criança poderá esquecer os presentes de aniversários que ganhou dos pais, mas nunca como viam os pais agirem no dia a dia, como a olharam, trataram e falaram com ela. A coerência entre a teoria e a conduta é a melhor prova da convicção e da validade daquilo que se ensina aos filhos; é condição imprescindível para a eficácia da educação comportamental.

             O exemplo paterno e materno molda o cérebro da criança, e deixa rastro mais profundo do que as palavras. Educar, mais do que dar instruções, é ensinar com a vida. O que os filhos percebem no modo de ser dos pais os marcará para sempre. Rojas testemunhou algo que jamais esqueceu: –“Doutora, não me lembro das muitas frases que minha mãe repetia para mim, mas lembro como todas as noites, apesar de exausta, ela vinha ao meu quarto, me abraçava e me dizia que tudo ficaria bem”. Essa cena diária, aparentemente simples, ficou gravada na memória desse homem porque foi uma silenciosa mensagem que dizia: –”Você não está sozinho. Estou aqui para você, que é muito importante para mim”.

             O modo de estar presente educa sem explicações, pois o cérebro humano aprende observando e por imitação por meio dos neurônios-espelho, descobertos há algumas décadas. Desde o berço a criança registra na estrutura cerebral como seus pais se movem, agem e a tratam. O pai que vê o filho brincando distraidamente e discute de maus modos com alguém ao telefone, não percebe que a criança vê e reproduzirá esse comportamento em seus desentendimentos: o respeito deve transparecer no modo de agir com os demais. Se a mãe é educada com a atendente do supermercado e com o porteiro do prédio, a criança replicará esse modelo de conduta. A mentira dita a um parente ou amigo faz a criança desaprender o significado da honra e da verdade.

             Educar exige calma, falar com paciência, ouvir sem interromper. A impaciência é atalho para reações automáticas. Saber lidar com a pressa e o estresse é fundamental na educação pelo exemplo. Trata-se de criar pequenas pausas conscientes que permitam agir em vez de reagir. Algo simples como o respirar fundo antes de responder, fazer uma breve pausa antes de dar uma indicação, um gesto que indique desacelerar são pequenas interrupções que rompem o ciclo da pressa e do estresse, e evitam palavras e gestos indelicados. Os filhos se lembrarão mais tarde da calma e respeito com que os pais os tratavam, mesmo em situações difíceis ou sob pressão.

             Não se trata de ser perfeito, mas ter a consciência de que marcas profundas ficam nos filhos pelo que se faz ou não se faz. Ou seja, os pais não educam só com o que dizem, mas com o que fazem mesmo sem perceber. O caráter dos filhos não se molda por frases, mas pelo modo como os pais vivem. Comportamentos diários são absorvidos mesmo que os pais nada digam: gestos, hábitos e reações silenciosas transmitem mensagens sem a necessidade de palavras, mesmo que passem despercebidas aos olhos dos pais, mas não aos da criança. A incoerência entre o dizer e o fazer é prejudicial porque ensina que o dito não é tão importante quanto o feito. A confiança e a credibilidade é corroída quando não há coerência nas ações dos pais: se pedem respeito aos demais, mas criticam um vizinho ou parente, a criança pensará que o respeito é relativo e aplicado conforme o interesse. Já a coerência é a âncora emocional que oferece segurança e estabilidade ao aprendizado da criança.

             Viver como se o celular fosse o protagonista é um erro silencioso comum. O celular constantemente grudado nas mãos dos pais deseduca porque diz aos filhos que merecem a atenção dividida com esse aparelho; que as telas têm precedência sobre as pessoas; que as conversas devem ser interrompidas para responder a uma mensagem; que os momentos juntos na vida familiar ou no trabalho devem ceder lugar às mensagens e vídeos. O adulto fisicamente presente e emocionalmente ausente prejudica a comunicação e o desenvolvimento emocional da criança, que necessita de olhares longos, silêncios compartilhados, momentos de conexão profunda. Substituir tais momentos por telas faz a criança entender que a presença dela não é importante. Mudar esse padrão requer consciência e coragem. Não se trata de desistir da tecnologia, mas de saber quando e como usá-la. Tempo de qualidade sem distrações fortalece o vínculo e ensina à criança que as pessoas estão acima das telas digitais. Se os pais erram nisso, devem reconhecer e pedir perdão, pois a humildade vivida diante da criança é lição valiosa.

             Outro mau exemplo silencioso e comum se dá quando os pais negligenciam o próprio bem-estar físico e emocional. As crianças observam se eles se tratam com carinho e respeito, se dormem o suficiente, se alimentam-se saudavelmente, se fazem exercícios, se dedicam tempo ao descanso. Cuidar-se não é luxo, mas dever: quem não se cuida reduz sua capacidade física e mental para enfrentar as responsabilidades. Pais exaustos, irritáveis e sem energias têm menos paciência e tolerância emocional, o que impacta diretamente o ambiente familiar. O autocuidado ensina aos filhos que para amar e servir aos demais é preciso estar bem, e isso não é egoísmo, mas base para uma vida equilibrada.

             O clima emocional mantido no lar se instala na mente da criança. Viver em ambiente onde predominam reclamações e pessimismos é como respirar ar poluído. Frases diárias de que tudo anda errado torna a criança medrosa. Pais queixosos fazem a criança viver com medo; pais otimistas e resilientes fortalecem o filho. Não se trata de negar os problemas, mas de saber como lidar com eles. O modo de olhar para a vida será o modo de a enfrentar. O pessimismo crônico é um filtro mental que limita a capacidade de sonhar e de buscar soluções. Mostrar esperança é o caminho que ensina enfrentar de forma positiva os problemas:  –”Vamos ver o que podemos fazer” ou –“Encontraremos uma solução”, ensinam aos filhos que otimismo não nega a realidade, mas a enfrenta-a com dinamismo e fortaleza.

             O primeiro passo para educar pelo exemplo é ser honesto e não justificar as ações erradas ao dizer para si que não afetarão a criança: projete um mau hábito seu na vida do filho para quando ele alcançar 20 anos! Não subestime as más condutas. Por isso, pergunte ao outro cônjuge se suas ações contradizem o que você diz. Identificar as incoerências é como acender uma luz em sala escura. Pedir perdão não desabona os pais, mas os torna mais humanos. É equivocado pensar que reconhecer um erro diante do filho suprime a autoridade. Ao contrário, faz ganhar o respeito que nasce da verdade. Ao pedir perdão, os pais ensinam que cometer erros e corrigi-los faz parte da vida: – “Eu errei ao dizer aquilo a você”, é atitude poderosa porque assume a responsabilidade sem desculpas, e revela que os relacionamentos podem ser curados. Este é um legado emocional incalculável que fará o filho admitir e corrigir as próprias falhas.

             Os valores ou modelos de conduta não devem ser impostos goela abaixo, mas vividos e incorporados por meio de rotinas familiares. As rotinas são fios invisíveis que tecem a segurança emocional da criança, dando a ela estrutura e previsibilidade; são rituais que marcam e reforçam os valores que se quer transmitir. Por exemplo, as refeições em família sem celulares ou telas digitais demonstram que a conexão humana é mais importante; que ler juntos na sala revela o valor que se dá à cultura, arte e literatura para a vida… As rotinas não precisam ser longas ou complicadas, mas consistentes. Um hábito pequeno que se repete, com o tempo se tornará parte da identidade da criança. O segredo está na participação dos pais nas rotinas, e não como algo que os filhos fazem sob a supervisão dos pais.

             Educar com o exemplo é – depois da transmissão da fé e do amor a Deus –, o maior presente que os pais podem dar aos filhos. Mais do que grandes discursos, o exemplo ensina silenciosamente como resolver os problemas e encarar a vida por meio dos gestos e ações práticas. Os filhos não precisam de pais perfeitos, mas de pais que demonstrem com a vida que se pode cair e levantar novamente; que sentir medo não impede continuar a lutar; que se pode manter o amor quando se está cansado… Os pais devem se perguntar sobre como gostariam que o filho se lembrasse deles daqui a 20 anos. Essa resposta será a bússola que orientará para deixar de lado o que não é necessário e manter firme o leme na rota do bom porto. O exemplo que os pais oferecem hoje é privilégio e legado único que sustentará os filhos por toda a vida. Não há presente maior do que deixar aos filhos um modelo de amor, respeito, resiliência e esperança.

  • Filhos: como lidam com mal-entendidos, autonomia e redes sociais?

    Filhos: como lidam com mal-entendidos, autonomia e redes sociais?

             Reunidos em atividade (1) que visou a educação comportamental dos filhos, centenas de pais e mães deram as seguintes respostas às quatro questões a seguir:

    1) Filhos que reagem com violência diante de mal-entendidos

    • O predomínio da afetividade (sentimentos, emoções e paixões) sobre a vontade e a inteligência, e a baixa tolerância à frustração e o fracasso, tornam imaturos os filhos, que respondem encolerizados e agem sem pensar diante dos conflitos.
    • Manter atenção, interesse e respeito ao que o filho diz, ao explicar um conflito, mesmo que não concorde com ele. Perguntar sobre o que aconteceu, como se sentiu. Se possível, ouvir as partes envolvidas e pedir esclarecimentos para ajudar identificar o mal-entendido.
    • Explicar-lhes o que é o autocontrole ou educação da afetividade, a fim de que a vontade, iluminada pela inteligência, conduza as ações sem se deixar dominar por sentimentos desregulados. Autocontrole é o domínio da vontade sobre as demais funções psíquicas e comportamentais. Para isso, é preciso fortalecer a vontade deles exigindo que cumpram habitualmente seus deveres, e não se deixem levar apenas por atividades prazerosas.
    • Ensinar-lhes a comunicação não violenta, que faz a agir e não reagir precipitadamente diante dos fatos. Consegue-se isso ao colocar-se na situação do outro, não julgar suas intenções (poderá ter agido por ignorância ou fraqueza); manter o foco no problema e não na pessoa. Trata-se de ver os conflitos como oportunidades de aprendizagem mútua.
    • Ser exemplo para os filhos ao manter a serenidade nos contratempos familiares, pois os eles aprendem mais ao ver os pais agirem racionalmente diante de mal-entendidos na família, no trânsito, no trabalho, nas relações de vizinhança; pais que nunca fazem mexericos nem criticam ninguém, sejam parentes, colegas de trabalho ou vizinhos.

    2) Como incentivar a autonomia dos filhos

    • Dar oportunidades para que os filhos exerçam sua independência, por exemplo, assumindo responsabilidades diárias no lar. Evitar a superproteção, que os impede de enfrentar desafios e lidar com frustrações e “nãos”. A superproteção faz a criança perder a confiança em si mesma, e vive a perguntar a opinião dos pais por medo exagerado de errar ou decidir sozinha.
    • Orientar e acompanhar à distância as tarefas, mas não fazer pela criança, a fim de que ganhe confiança em si mesma e aprenda a assumir as consequências de suas ações, não atribuindo suas falhas aos demais. Ter paciência e estimular a repetir as ações para aprender a fazê-las bem. Descontrair a criança ansiosa ao fazê-la ver que as tentativas fazem parte do aprendizado; reforçar a ideia de que o erro não é um fracasso, mas uma oportunidade para melhorar. Depois, reconhecer o esforço e elogiar, mesmo que a tarefa não ficou perfeita.
    • Encorajar a resolução dos problemas e não intervir sem substituir: intervir é dar dicas e mostrar como se faz e deixar que a criança tente sozinha; substituir é fazer por ela. Dar responsabilidades e encorajar a fazê-las, dando espaço para que faça sozinha, mesmo que erre, pois isso faz parte do aprendizado.
    • Passar valores ou modelos de conduta para que assumam por vontade própria. Fazer compreender que não se pode ter tudo o que se quer, sendo preciso aprender a esperar. Não controlar excessivamente os horários e deveres dos filhos, nem falar por eles ao entrar numa loja para comprar uma roupa ou fazer um pedido na lanchonete: deixar que eles mesmos peçam as coisas. Manter os filhos curtos de dinheiro para que aprenda a usá-lo.

    3) Mau uso das redes sociais e internet

    • Conquistar a confiança do filho para crescer na amizade com ele. Manter comunicação aberta para aprender a conversar na linguagem dele, e se interessar pelo que gosta, quem admira, como interage nas redes. Participar como aliado e não como inimigo. Depois, examinar com calma esses interesses para desenvolver neles o pensamento crítico ao alertar sobre o que é positivo e negativo naquilo que consome. Aproveitar os conteúdos positivos para ter conversas significativas, presenciais. Refletir juntos sobre valores ou modelos de conduta, interesses por temas técnicos, artísticos e culturais: –“Que acha desse assunto?”; –“Que perigo você vê em tal programa?”. Trocar informações interessantes.
    • Fomentar a virtude da temperança ou autodomínio para que cresça em força de vontade e não se deixe dominar pela curiosidade frívola e gosto pelo fútil, ocasionando grandes perdas de tempo. Dar encargos no lar para que aprenda a deixar de lado o celular e passe a cumprir suas responsabilidades.
    • Como pais, dar exemplo ao se policiar para não consultar as redes sociais fora de hora (refeições, bate-papos familiares, passeios…). Estabelecer acordos prévios com o filho para que todos tenham limites definidos de tempo e de uso, a fim de não entrarem em sites de jogos, frívolos ou arriscados moralmente. Ninguém deve se isolar com telas digitais: transparência para saber o que todos veem na internet. Ressaltar a importância de valorizar a privacidade nas redes, pois seria uma pueril falta de pudor e enorme imprudência apregoar a intimidade do corpo, da consciência e da família na internet, com graves e permanentes consequência àqueles que se expõem a isso (abordar casos reais).

    4) Respostas agressivas dos filhos: o que há por trás?

    • Ao ouvir algo agressivo por parte de um filho, não responda da mesma maneira: aja e não reaja. Mantenha equilíbrio, respire fundo e conte até dez. Se ele estiver exaltado, não ponha mais lenha na fogueira ao não revidar na mesma moeda, e espere para responder em outro momento. Focar no assunto central e não na pessoa. Falar com modos, mas exigir respeito à autoridade dos pais, que são os responsáveis pelo lar: filho não manda na casa, mas obedece (ouvir a opinião dele, mas quem decide são os pais).
    • O filho que diz sem pensar o que lhe vem à cabeça revela imaturidade, imprudência e grosseria, e causará muitos problemas de convivência por onde andar. Fomentar nele as virtudes contrárias: prudência, ponderação, equilíbrio, respeito aos demais, empatia, virtudes da convivência. Ensinar que a comunicação não violenta é necessária para pensar e agir com prudência, pois uma mente exaltada toma decisões erradas.
    • Dar exemplo ao filho ao ouvir e responder a ele com empatia, controlando o tom de voz: em vez de contra-atacar, dizer: -“Você parece pressionado. Precisa de ajuda?”. Tentar compreender não é justificar a agressividade, mas identificar o que há por trás dela, antes de tomar uma decisão ou medida disciplinar.
    • As fortes emoções podem apontar para necessidades mais profundas. Mantenha o foco na necessidade e não nas palavras, que podem ser rudes porque o filho carece de autocontrole, mas se vê necessitado de apoio, segurança e compreensão. Tentar entender o que está acontecendo com ele, pois poderá haver algo de verdade ou necessidade não atendida por trás de falas agressivas do tipo: –“Você nunca me ouve!” (precisa de atenção e validação). –“Vocês são uns egoístas!” (pais que andam sempre metidos em seus interesses). – “Chega de tanta cobrança” (precisa de espaço e alívio de stress). –“Não complique tudo!” (pais sempre fazendo críticas e alertas desnecessários). – “Me deixa em paz!” (deseja mais espaço, autonomia). – “Não falem mais!” (anseia por tranquilidade para apaziguar emoções descontroladas).

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  • Cinco erros para não cometer na educação dos filhos

    Cinco erros para não cometer na educação dos filhos

    A criança não precisa apenas de comida, roupa e abrigo, mas de um ambiente emocionalmente seguro onde possa explorar o mundo, cometer erros, aprender a lidar com a frustração, ter confiança ao sentir que suas emoções são validadas e respeitadas. O cérebro dela se desenvolverá emocionalmente saudável se a ela crescer em lar repleto de amor, limites claros, segurança. Porém, se vive em meio a gritos, falta de conexão emocional, estresse, manifestará baixa autoestima, ansiedade, medos, inseguranças e terá dificuldades para gerenciar suas emoções e lidar com a frustração.

             Cinco erros comuns que os pais podem cometer e que afetam negativamente o emocional e o cognitivo da criança, são relatados por Marian Rojas1, psiquiatra espanhola:

    1)-Ouvir pela metade

             A criança que se sente ouvida, respeitada e compreendida, constrói conexões neurais que promovem sua regulação emocional e bem-estar. Ao não ser ouvida ativamente; se suas emoções e sentimentos não são validados, mas ignorados ou minimizados, perde a segurança e a capacidade de se expressar e de se conectar com os outros, isolando-se ao evitar relacionamentos. Pais atentos a outros interesses faz a criança se sentir invisível e afetada em sua autoestima, segurança emocional e na confiança em seus pais. A escuta não ativa cria um vazio emocional e a criança não expressará seus pensamentos, sentimentos e emoções, desregulando emocionalmente seu cérebro, dificultando-o para lidar com a frustração, tristeza e ansiedade. Já a escuta ativa que se faz com os olhos nos olhos e total atenção para penetrar no mundo da criança, e entender também o que não foi dito, envia a mensagem de que as emoções e os pensamentos do filho são valiosos, fortalecendo a capacidade dele para se comunicar, regular suas emoções e se sentir seguro em um mundo por vezes caótico, além de desenvolver fortes conexões neurais.

    2) A superproteção

             A superproteção é um erro que os pais cometem com a intenção de evitar ao filho a dor, o fracasso e a frustração. Porém, não percebem que cerceiam a capacidade de resiliência do filho para enfrentar a vida. O cérebro da criança amadurece emocionalmente ao lidar na prática com a frustração e os erros. A superproteção impede vivenciar experiências negativas e fomenta a insegurança para enfrentar dificuldades, tonando a criança dependente, medrosa e ansiosa ao lidar com desafios, pois seu cérebro não desenvolverá conexões de autorregulação emocional, e terá dificuldades para lidar com os altos e baixos da vida. A resiliência ou capacidade de se levantar após um insucesso não é algo que se aprende na teoria, mas na prática. Permitir que o filho enfrente pequenos contratempos e vivencie frustrações o fará saber como administrá-las. Criança que enfrenta e supera desafios se fortalece e se torna emocionalmente equilibrada. O papel dos pais não é absorver eles as contrariedades do filho, mas ensinar a lidar com elas e ser apoio quando a criança sentir necessidade de conforto ou conselho, a fim de ensiná-la a confiar em suas próprias habilidades e crescer em autoestima.

    3) A crítica destrutiva

             A crítica negativa impacta profundamente o cérebro da criança, pois a fará interpretar as palavras como ameaça à autoestima, incapacidade de aprender com os erros e terá vergonha e medo de fracassar. A criança associará sua identidade aos julgamentos negativos e criará conexões cerebrais que associam o fracasso à humilhação, à perda de autoconfiança em si, à baixa autoestima, à ansiedade e ao medo de rejeição, caldo propício para o estresse e depressão. A correção construtiva foca naquilo que a criança pode melhorar, e não no que faz mal, o que permite que o errado se transforme em oportunidade de melhora, sem julgar o valor da criança como pessoa. Ao elogiar os esforços, o cérebro da criança associará os erros ao aprendizado, e não ao fracasso, fazendo-a crescer emocionalmente. Em vez de criticar, dizer com empatia: –”Eu entendo que você ficou triste, mas tente novamente”, ou –“O que você fez poderá ficar ainda melhor”. Esse tipo de correção positiva reforça a confiança e fortalece a capacidade da criança lidar com suas emoções e as situações mais difíceis, pois saberá que cometer erros é apenas parte do processo de crescimento, não um motivo para se sentir mal.

    4) Falta de limites claros

              As crianças precisam conhecer seu espaço e saber o que é permitido e o que não o é, para que seu cérebro se estruture com segurança ao agir (tal como as faixas e guard-rail nas estradas). Quando a criança desconhece o que se espera dela, se sente insegura e seu cérebro não desenvolverá conexões de confiança. Sem limites claros, a criança passa a não compreender as consequências de suas ações, e afetará sua capacidade de respeitar os outros. Os limites firmam a criança no comportamento certo, regulam suas emoções, faz entender que suas ações têm consequências positivas ou negativas sobre os demais, ajuda a tomar decisões responsáveis e ensina a lidar com a frustração ao não poder fazer tudo o que quer. A falta de limites, ao contrário, cria ocasião para manipular as situações a seu favor, enfraquecendo a capacidade de coexistir de forma respeitosa e harmônica com os demais. Estabelecer limites claros não significa ser rígido ou autoritário, mas ser consistente e justo e fazer a criança entender que uma regra é estabelecida para o seu bem e segurança emocional. Assim, seu cérebro aceitará as regras como parte natural do aprendizado para a vida e se desenvolverá de forma saudável.

    5) Pais que não cuidam de si mesmos

             Não cuidar de si mesmos é um erro que os pais podem cometer ao colocar as necessidades dos filhos acima do bem do casal. Pais que não se cuidam afetam a própria saúde emocional para administrar suas emoções diante dos conflitos e, impacientes, deixam de oferecer orientação equilibrada. Esse estresse afeta emocionalmente o filho, ao ver seus pais ansiosos, sobrecarregados e emocionalmente esgotados. Os pais precisam encontrar tempo para cuidar de si mesmos, estabelecer limites às suas próprias demandas e pedir ajuda quando necessário. Não ver nisso egoísmo, mas necessidade para retornar às suas responsabilidades revigorados. O cuidado dos pais deve ser preocupação do filho, que precisa reconhecer que o bem-estar emocional deles é importante para todos.

    Conclusão

             Não existe um manual de instruções para ser pai e mãe ideais, mas se forem exemplos de autorreflexão, honestidade emocional e responsabilidade, os filhos aprenderão mais com o que veem do que com o que ouvem. A paternidade não é um caminho fácil, e frequentemente os pais se deparam com dúvidas sobre como agir corretamente. Porém, o mais importante não é que sejam perfeitos, mas que procurem se formar bem como pais, lutem para agir bem e estejam cientes de que suas ações afetam o filho. Ao reconhecer seus erros e dar os passos para melhorar, os pais constroem relacionamentos fortes e saudáveis com o filho.

  • Ler em família

    Ler em família

             A família é o ambiente de convívio mais grato para uma criança, pois ali é criada, amada e onde começa sua educação para os valores, socialização e inserção no mundo dos livros. O gosto pelos livros e o hábito de ler se iniciam quando os pais criam no lar um ambiente de incentivo à leitura não por imposição, mas pelo prazer e estímulo à curiosidade e à fantasia desde as primeiras idades, principalmente ao começar a despertar na criança o desejo de novas descobertas por meio das incansáveis perguntas acerca de tudo ao seu redor.

             Os pais incentivam o hábito de leitura ao promover estratégias no âmbito familiar: contação de histórias, momentos e espaços de leituras, criação de jogos com os nomes das histórias, animar as crianças a narrarem ou encenarem os contos que mais gostaram, montar uma minibiblioteca, visitar livrarias e espaços culturais. Assim, os livros passam a fazer parte da vida da criança.

             Para ganhar fascínio pelas histórias e se tornar leitora, a criança precisa ser motivada a conviver com livros de ficção, pois trazem um mundo de aventuras e atrativos que divertem e enriquecem o imaginário com novas experiências, além de prevenir as crianças sobre o bem e do mal que certamente se apresentarão na vida real. O ato de ler – mesmo quando realizado por um irmão ou pelos pais – abre novos horizontes na vida da criança e a distancia do vício das telas digitais, que a tornaria preguiçosa, passiva e pouco criativa. Veja neste link diversas obras literárias relacionadas por idade.

             Quando praticada habitualmente, a leitura proporciona muitos benefícios à criança: desenvolvimento mental, afetivo e emocional; amplia o vocabulário e a expressividade; torna-se fonte inestimável de crescimento intelectual ao dar à criança maior capacidade de concentração e compreensão dos assuntos, além de enriquecer culturalmente.