1 – Valores fortalecem a vontade. 2 – Tenacidade e Constância. 3 – Obediência e Diligência. 4 – Sinceridade e Generosidade. 5 – Respeito e Responsabilidade. 6 – Ternura e Temperança. 7 – Ordem e Asseio.
1 – Valores fortalecem a vontade
A transmissão de valores começa desde os primeiros anos da criança ao incentivá-la a ter bons hábitos que logo se tornarão virtudes e alicerces do caráter. Quem não tem valores ou guias de conduta é como o barco sem leme que segue qualquer vento.
2 – Tenacidade e Constância
A tenacidade e precisa ser fortalecida entre um e três anos, ao ensinar a criança a ser perseverante e constante. Ao ver que ela tenta fazer uma torre com cubos, anime-a a concluir para que se habitue a terminar o que começou. Ao finalizar, aplauda-a, parabenize-a, pois é uma maneira de motivá-la a se esforçar sempre para findar o que iniciou. A aprovação do pai e da mãe é sempre animadora. Encoraje-a a fazer as coisas sozinha: vestir a boneca, montar um castelo de lego, devolver os brinquedos nas caixas, colocar no prato a própria comida, limpar os sapatos. A criança deve ver que os pais também se empenham naquilo que fazem. Ensine-a a não fazer apenas o que agrada: não a deixe ver televisão a tarde inteira, e force-a para que vá brincar no quintal ou jardim; não permita que abra a geladeira ou o pote de bolachas no armário, a fim de não se habituar a comer fora de hora. Uma criança com a vontade educada desde pequena, logo será um jovem perseverante, tenaz e decidido. A preguiça e o ócio − que estão ligados a uma vontade fraca − não criarão raízes nele. Não espere o tempo passar para iniciar o fortalecimento da vontade de seu filho.
3 – Obediência e Diligência
A desobediência é um péssimo hábito da criança, que desespera os pais. É preciso explicar sempre a ela o porquê de uma atitude, pois é mais fácil obedecer quando se compreende a razão de uma ordem. A obediência aos pais deve se converter em hábito. Mas atenção, pais, não fiquem obcecados com a obediência, pois a criança pode acabar farta de tanta cobrança. Não se esforcem por arranjar situações em que coloque à prova a obediência de seu filho. Façam as coisas de modo natural, e aproveitem as ocasiões que surgem: por exemplo, se a criança rasgou o desenho da irmã, explique serenamente que a maninha fez a pintura na escola, e queria que todos pudessem apreciá-la. Ao rasgá-la, ninguém pode vê-las, o que deixou triste a todos. De modo delicado foi explicado o que não deveria ser feito e como respeitar os outros. Mas não cante vitória antecipadamente, pois o pirralho poderá repetir sua habilidade de picar papéis. Não desanime até que ele deixe de fazê-lo. Se for necessário, repita a explicação todas as vezes que ele rasgar, pois trata-se da psicologia do anúncio: de tanto repetir, a coisa entra na cabeça.
Seu filho deve ser diligente a partir dos 2 anos e meio ou três. Não permita que demore muito a obedecer, porque isso poderá se transformar num péssimo hábito. Não é exagerado exigir a obediência desde pequeno. Muitos pais desistem dessa luta. Porém, esse esforço não será em vão, pois ao habituar a criança a não fazer só o que agrada, ela se fortalecerá para metas altas e que custam mais esforços para serem atingidas (estudar para entrar numa universidade pública). Crianças mimadas só fazem o que gostam e fogem do esforço e do sacrifício.
4 – Sinceridade e Generosidade
O diálogo entre pais e filhos deve ser aberto, desde o momento em que a criança começa falar: – Filho, quem colocou o brinquedo dentro do vaso sanitário? Diga-me, porque se me contar, o papai não vai se aborrecer, mas se me esconder a verdade, irei descobrir e castigar quem fez isso. − Fui eu, pai! − Grande garoto. Limpe o brinquedo e coloque ele para secar. Cuide e não estrague suas coisas. Que conseguiu o pai com este diálogo? Criou um clima de confiança entre ele e a criança ao não dar um show de histeria. Isso evitará que o filho faça as coisas ocultamente. Com destemperos, a criança tende a negar a má ação, e você perderá a oportunidade de corrigi-la. A criança deve comentar com os pais as coisas boas e más que fez, porque sabe que o pai ficará zangado ao ver as paredes sujas e a lâmpada quebrada, sem que o autor tenha se acusado. O clima de diálogo prepara os filhos para que na adolescência fale de seus planos de fins de semana (com quem sairá; o que fará na casa dos amigos), e assim você não terá que dar uma de Sherlock Holmes para investigar. A criança habitua-se a dizer a verdade se vive num ambiente de confiança. E assim, não terá a personalidade dupla de quem é simpática e aberta com os amigos, mas estranha e ressabiada dentro de casa. Quem se habituou desde a infância a dizer a verdade, não muda nunca seu modo de agir.
Dizer que a criança é egoísta soa a afirmação gratuita, pois dependerá de como foi educada. Uma criança se torna generosa quando seu coração desde a infância compartilha as próprias coisas com os pais, irmãos, amigos e crianças carentes. Mostre a seu filho que a verdadeira felicidade não está em ter muitas coisas, mas em estar desprendido (tem mais quem precisa de menos). A criança aprende rápido a sair de seu próprio ego ao ser estimulada a doar seus brinquedos, e ficará feliz com isso. Generosidade significa renúncia de si mesmo, e torna a alma grande, magnânima. Dar é sempre difícil, mas se a criança começa a fazê-lo, crescerá desprendida e feliz, contrariamente à egoísta, que é triste porque nunca está contente com o que tem, sempre quer mais e inveja o que não possui. Ao emprestar o seu carrinho ao irmão menor, ficará feliz ao vê-lo alegre. Estimule sua filha a deixar o chocolate para o pai, porque ele gosta muito e chegará cansado do trabalho. Não se trata de ajudar a criança a ser generosa apenas em coisas materiais, mas também com as imateriais, ao dedicar tempo para servir aos demais. Claro, não exija que seu filho doe o ursinho com que dorme todas as noites, porque não irá parar de chorar ao pensar que o boneco sofre ao não dormir mais a seu lado.
5 – Respeito e Responsabilidade
Não é correto pensar que nos primeiros anos as crianças são terríveis e não há nada a fazer. É muito cômodo deixar de corrigir, mas a fatura chegará com juros altos. Desde pequenas devem ser ensinadas a ter respeito pelas pessoas e pelas coisas, e a ter limites. Assim, entrarão na adolescência sabendo se apresentar em qualquer lugar, dando mostras de que seus pais foram bons educadores. Logo que a criança começar a falar, deve aprender a ter bons modos e a viver as regras de boa educação (obrigado, por favor, desculpe, olá, tchau, com licença). Vale a pena aplicar um corretivo com uma explicação carinhosa para a criança aprender a não entrar na sala e brincar sobre o sofá, nem ligar a televisão ou manchar as paredes. Ao exigir respeito a algumas regras, a criança terá pontos de referência para distinguir o que pode ou não fazer. Não limitar-se a gritar, mas faça-a entender a diferença entre o certo e o errado.
Nas famílias numerosas, os filhos mais novos aprendem observando os mais velhos. Com dois anos e meio ou três a criança pode começar a fazer as coisas sozinha, ainda que tenha que ser ajudada no começo: regar as plantas, pôr a comida do cachorro, atender ao telefone, dar o dinheiro ao entregador do mercado, colocar o lixo no cesto, deixar a roupa suja ao lado da máquina de lavar. A criança cumpre essas tarefas com alegria, pois se sente importante como os pais, que também têm tarefas diárias a cumprir. Elogie a criança que fez uma tarefa bem feita; estimule-a a que continue a realizá-la para o conforto de todos da casa. Quando incentivada a ser responsável, a criança se torna mais independente, e os pais não terão que andar atrás dela o dia todo para que dê descarga no vaso sanitário, almoce no horário e se apronte para a escola. É melhor gastar tempo durante alguns dias ao ensiná-la a se vestir sozinha, do que varar os anos vestindo-a, e fazendo-a pensar que todos devem fazer as coisas para ela. Ao se habituar a realizar os encargos domésticos, na adolescência não fugirá das responsabilidades escolares e outros compromissos; e se tornará segura de si própria e sem medo ou preguiça para se propor metas altas nos estudos e na vida.
6 – Ternura e Temperança
Quanto mais amor receber um filho, mais alegre e seguro ele será, porque se sentirá protegido pelos seus pais. Os beijos e abraços dos pais nunca são demais, nem tornam os filhos mimados, se também são exigidos para que cumpram seus deveres. Mostre a seu filho que é amado: “Meu tesouro!”. Criança a quem não foi manifestado muito amor, torna-se reservada, distante e custará a ela expressar seus sentimentos. É melhor exceder-se em dar amor, do que errar pela ausência dele. Nos primeiros anos, dê à criança todo afeto que puder: por amor a seus pais ela se portará bem mesmo na ausência deles. Muitos adultos têm problemas emocionais relacionados à ausência de carinho na infância.
Aprende-se a ser sóbrio e desprendido dos objetos desde a infância, começando pelos brinquedos e doces. Ajude seu filho a valorizar o que possui, e aprender a viver com pouco, pois saberá desfrutar melhor do que possui. Ao não ter muitos brinquedos, aprenderá a ser constante e imaginativo ao se divertir durante um bom tempo com o que possui. A criança abarrotada de brinquedos não percebe o quanto as coisas custam, se entedia rápido com aquilo que tem entre as mãos e torna-se inconstante ao largá-lo para pegar outro. Não permita que avós e tias encham as crianças de presentes. Contrarie os caprichos da criança insaciável por ganhar brinquedos, não para aborrecê-la, mas para não destruir a imaginação dela, que deve fazer seus carrinhos com embalagens vazias de produtos caseiros (se divertirá mais com isso do que com carros elétricos que fazem tudo sozinhos). Que tenham poucos brinquedos bons, ganhos em épocas especiais (Natal, aniversário…). Quanto aos doces, limite-os para os fins de semana. Assim, quando forem mais velhos não terão problemas de autocontrole, porque se habituaram a privar-se e a dizer não a muitas coisas que poderiam agradar. Começam por dominar-se diante das guloseimas, e mais adiante não serão vítimas dos apelos consumistas, excesso de jogos e lazer, e saberão privar-se de buscar novas sensações nas drogas.
7 – Ordem e Asseio
É preciso tornar a criança ordenada desde pequena, sendo esta uma das primeiras virtudes a ser ensinada. Procure que ela identifique a palavra brincar com a de arrumar, após brincar. Não espere que cresça para exigir isso, nem aceite a desculpa de que durante os primeiros anos o bebê pode fazer o que quiser. A ordem deve começar a ser vivida desde o dia em que a criança nasce: ordem no sono (pouca ou nenhuma luz para atender o bebê na madrugada fará que perceba que há dia e noite, e que a noite é silenciosa e está feita para dormir); ordem nos horários de refeições e banhos, nas roupas e brinquedos. Os pais não podem passar o dia recolhendo o que a criança deixou por todo canto. Desde que tenha um ano, ao acabar de brincar, deve colocar na caixa os seus brinquedos (cole em cada caixa o desenho ou figura do que ali deve ser guardado). Ponha prateleiras ao alcance da criança. Aos três anos do pirralho, consiga uma mesa de trabalho com gavetas para ele fazer desse o lugar de recortar, colar, rabiscar, montar o quebra-cabeças, desenhar; mais tarde esse será o lugar de estudar, concentrar-se, ler e fazer as tarefas escolares. Se a criança começa a ser ordenada por fora, logo o será por dentro (gavetas, armários); e quando for adolescente será organizado na distribuição do tempo e na capacidade de planejar o que irá fazer em cada momento. Organizar-se no dia a dia não se aprende de um momento para outro, mas se capacita desde muito cedo. Mas, pais, não fiquem obcecados pela ordem, nem passem o dia gritando com a criança. Basta dedicar um tempo diário – por exemplo, antes do banho da tarde − para que ela arrume o próprio quarto.
É preciso aprender a ser asseado desde pequeno: banho diário, dentes e cabelos lavados e escovados, roupa limpa. Torne o banho atraente ao colocar dentro da banheira algum brinquedo, pois é a maneira da criança associar o banho com divertimento, em vez de convertê-lo num suplício diário. Para ter hábitos de higiene, crie horários: pela manhã, lavar o rosto, as mãos, escovar os dentes e pentear os cabelos; ao retornar das brincadeiras ou da rua, lavar as mãos; à noite, tomar banho, limpar os ouvidos e pentear bem os cabelos; aos sábados, cortar as unhas. Quem não aprende a ser limpo desde pequeno, será difícil andar arrumado quando for adulto, pois sempre faltará algum detalhe. A criança com costumes de higiene apreciará manter a casa arrumada por fora (aquilo que toda a gente vê) e por dentro (aquilo que não se vê). O hábito de asseio será levado vida afora pela criança. Já se disse que uma criança é desmazelada porque seus pais o são. Mas, pais, não fiquem obcecados a ponto de ralhar com a criança porque se sujou no jardim ou durante a refeição. As crianças têm que se sujar, o que não quer dizer que devam andar sujas o todo o dia.
Texto produzido por Ari Esteves, com base na obra “Tu hijos de 1 a 3 años”, de Blanca de Jordán de Urríes, Colección Hacer Familia, Espanha.