O hábito de leitura

1 – O papel da literatura. 2 – Ganhar o hábito da leitura. 3 – O que ler? 4 – Nada me afeta; leio qualquer coisa”, dizem os soberbos.

1 – O papel da literatura

     A literatura tem um papel transformador em nossa vida. Já se disse que a leitura dos clássicos forja o caráter, cura as doenças da alma e resgata a autoestima. Com a leitura aumentamos a preparação intelectual, porque ela incide diretamente sobre a inteligência e faz aumentar o nível e o alcance do pensamento. Quando esclarecida pelos bons livros, a inteligência extasia-se com o bem e a verdade. A leitura, além de excelente modo de descansar e de aproveitar o tempo, aumenta a cultura humanística, melhora a forma de expressar o pensamento escrito e oral, enriquece o vocabulário e nos faz ganhar com a experiência do outro (“escarmentar em cabeça alheia”, diz o ditado).

2 – Ganhar o hábito da leitura

     Para começar a ganhar o bom hábito ou gosto pela leitura, e ajudar as crianças a irem por esse caminho e a não serem dependentes digitais, tenha sempre um livro nas mãos, pois só assim você encontrará cinco minutos aqui e dez ali para lê-lo todos os dias, seja em sala de espera, no transporte público, naqueles minutos que antecedem o início do trabalho, no final do dia e, claro, nos fins de semana, quando podemos dedicar mais tempo à leitura.

    O nosso tempo é curto e não vale a pena perdê-lo com obras que desfiguram a verdade. Existem muitas obras de qualidade que convém ler: novelas, biografias, ensaios, artigos, contos, romances, etc. Uma revista de novelas ou gibi pode servir para descansar em momentos particulares, mas restringir as leituras apenas a isso revela sintomas de superficialidade, frivolidade e de perda de tempo.

3 – O que ler?

     Todos temos que formar uma reta opinião sobre tantas questões que nos cercam, e isso não será possível com o malfado “ouvi dizer”, mas pela leitura de autores que fundamentam suas obras na verdade. Há livros que produzem confusão ou propagam ataques que não toleraríamos se fossem dirigidos aos nossos pais ou à nação (nem divulgaríamos tais obras).

     Atualmente, interesses econômicos fazem proliferar livros que chamam de best-sellers, mas que são escandalosos, sensuais e com falso entendimento sobre o que é a vida e o amor. Ninguém deve se sentir cobrado para ler algum Prêmio Nobel de literatura sem informar-se sobre o conteúdo moral de sua obra. É necessário ter um são espírito crítico, próprio de pessoas maduras, para ir contra a corrente e ler apenas bons livros.

     Como saber se devemos ou não ler uma obra? É medida de prudência pedir conselho a pessoas com sólida preparação intelectual e moral acerca do livro que pretendemos ler, para não perder o pouco tempo que temos, nem nos encharcarmos de ideias falsas. Também podemos pesquisar no site www.delibris.org, que nos posicionará sobre o conteúdo de muitas obras. Se não encontrarmos informações sobre um livro, a prudência exige atenção redobrada ao lê-lo, tal como quem dirige à noite em estrada desconhecida, e também para deixar de lê-lo se surgir alguma dúvida.

     Belo depoimento sobre isso deu Juan Pablo II, reconhecido por todos como grande intelectual, quando em seu testemunho biográfico “Levantai-vos, vamos”, disse: “Sempre tive um dilema: o que ler? Tentava escolher o mais essencial. A produção editorial é tão ampla! Nem tudo é valioso e útil. É preciso saber eleger e pedir conselho sobre o que se vai ler“. Veja sugestão de leitura por idade.

4 – Nada me afeta; leio qualquer coisa”, dizem os soberbos

    Quem se habitua a ler qualquer obra corre o risco de envenenar-se de ideias tortas que influenciarão o pensamento, pois inverdades não refutadas pela falta de conhecimento modelam a conduta. Há livros que apresentam só parte da verdade, sem diagnosticar com clareza o erro que jaz em seus argumentos, e apenas lançam meias verdades, que são mais perniciosas e enganadoras do que uma mentira evidente. O ditado popular “O soberbo morre pela boca” pode ser aplicado a quem diz “leio qualquer coisa e nada me faz mal”. Não se trata de assunto novo, já que Platão, Séneca, Petrarca, entre outros, falaram das boas e más influências que recebemos por meio das leituras. 

   Alguém poderia objetar que deve conhecer as opiniões contrárias para formar o juízo próprio. Não há dúvida de que isso é correto em matérias opináveis. Mas há verdades sobre a natureza humana, família, casamento e atitudes éticas que não se alteram nunca, mesmo que muitos tenham opinião contrária sobre elas (os valores retratados na Odisseia, de Homero, escrita no século VIII a.C., são perenes na conduta humana). Para saber os efeitos de um veneno não precisamos bebê-lo: basta ler um livro que trate de seus efeitos.

Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/