Categoria: CULTURA

  • O Estado não apoia a família

    O Estado não apoia a família

       

    1 – O Estado deve priorizar a família. 2 – O Estado tem nos pais seus melhores e mais econômicos educadores. 3 – Como poderia o Estado ajudar mais as famílias?

    1 – O Estado deve priorizar a família

     O Estado ainda não percebeu que a família é a instituição mais indicada para pôr fim à violência social, pois os estímulos dos pais são profundos e ajudam os filhos a formar sua personalidade. Pode-se afirmar que os adultos são o que seus pais promoveram. 

         O Estado deve priorizar sua atenção à família por muitas razões. Uma delas, bastante lógica e de constatação estatística, é que a faixa etária de maior violência na criminalidade − e que maior dor de cabeça dá aos poderes públicos − campeia entre os 13 e 25 anos. Se os pais forem auxiliados a dar uma educação integral no período áureo da criança (0 aos 12 anos), que envolve a inteligência, vontade, afetividade (sentimentos, emoções, paixões), temperamento e caráter, a faixa de risco não será mais retroalimentada e reduzirá fortemente em poucos anos.

         Infelizmente a pedagogia familiar não tem o reconhecimento que merece, mesmo sendo o âmbito mais importante na educação da criança. Foi muito descuidada essa pedagogia e substituída por mil teorias que deixaram os pais à parte. Uma coisa é ter ideias universais sobre educação, outra bem diferente é aplicá-las em cada caso concreto, disse Gerardo Castillo em sua obra “La realización personal en el ámbito familiar”.

         Só edificaremos uma sociedade justa e solidária se o custo do crescimento do PIB deixar de recair sobre nossas crianças e suas famílias. Se o Estado brasileiro valorizar a instituição familiar, se tornará em poucos anos referência mundial no IDH (índice de Desenvolvimento Humano).

    2 – O Estado tem nos pais seus melhores e mais econômicos educadores

         Hoje o Estado opera com grande esforço de tempo e dinheiro dentro da faixa de risco (13 a 25 anos), ao criar centenas de órgãos especializados no combate ao crime, o que é de indiscutível mérito. Mas, ao não concentrar esforços na prevenção ou educação infantil dada pelos pais, o Estado não verá diminuída sua luta contra o crime, e será obrigado a atuar permanentemente no combate às condutas lesivas, imitando o mitológico Sísifo, condenado a empurrar uma grande pedra até o alto de uma montanha, para depois soltá-la e fazê-la retornar ao sopé pelo próprio peso, tornando a empurrá-la até o topo uma vez e outra, eternamente.

         O Estado não percebeu que tem nos pais os seus melhores educadores: não fazem greve, não exigem salário, não necessitam de autarquias para fiscalizar seu trabalho, não tiram férias e nem se ausentam de suas funções nos fins de semana, e por conhecer profundamente seus “alunos” oferecem uma educação personalizada.

         Se o Estado colaborasse com a formação dos pais, auxiliando-os a enfrentarem os novos desafios na educação comportamental da criança e do adolescente, atuaria com inteligência na prevenção da violência e poderia dedicar mais tempo às outras necessidades sociais.

         Gerardo Castillo ensina que as primeiras bases de uma verdadeira pedagogia familiar se deve ao suíço Pestalozzi (1746-1827), com sua obra “Como Gertrudes ensina a seus filhos” (1801). Pestalozzi sustenta que a autêntica educação social, fundada na educação moral e da personalidade, não pode dá-la o Estado (com suas creches, digo eu), que se preocupa só com o comportamento exterior, e não interior como a família. A sociedade civil pode civilizar, mas não educar. Acrescenta o pedagogo suíço que o fundamento de toda cultura humana e social é o lar, cuja obra educadora gira em torno da atitude familiar do amor, sacrifício e abnegação desenvolvida pela mãe.

    3 – Como poderia o Estado ajudar mais as famílias?

        O Estado poderia ajudar a família primeiramente não sendo um corpo que ataca suas célula sadias − as famílias − como se fossem cancerígenas, ao impor sobre elas pesados fardos, e minando-as em seus esforços de subsistência ao permitir que uma economia perversa obrigue pai e mãe a ausentarem-se do lar o dia inteiro, a fim de prover o sustento da prole. Também poderia desonerar as famílias ao permitir que no imposto de renda fossem deduzidas integralmente (não parcialmente) todas as despesas com a educação – tanto a deles, pais, quanto a dos filhos. Excelente medida seria se os órgãos públicos da administração escolar incentivassem as escolas − por meio de pontuações, premiações, recursos financeiros − a promoverem atividades para aproximar dos pais a excelente produção acadêmica e prática no campo da orientação familiar.

         Também deve o Estado deixar de produzir leis que facilitam a desintegração das famílias por motivos banais (lei do divórcio), cujas vítimas principais são os filhos, e não incentivar a saída das mães para o mercado de trabalho ao criar milhares de creches para entupi-las de crianças que passarão os anos mais importantes da sua educação afastadas de seus principais educadores, pois as “tias das creches” jamais poderão ocupar o lugar dos pais.

         Com os recursos tecnológicos existentes hoje, interessante seria se o Estado incentivasse com isenção de impostos as empresas que autorizassem as mães desenvolverem seu trabalho desde o lar.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/

  • A escolha de valores ou modelos de conduta

    A escolha de valores ou modelos de conduta

    1 – Quais os valores que regem a minha vida? 2 – Necessitamos de valores possíveis de imitar. 3 – Podemos acertar ou errar na escolha dos modelos. 4 – Os livros de literatura transmitem valores.

    1 – Quais os valores que regem a minha vida?

        Antes de agir necessitamos aplicar alguns critérios prévios chamados “valores” ou referências para pautar a ação em direção à verdade e ao bem, fim natural da pessoa. A educação em boa parte consiste em transmitir modelos e valores, a fim de que cada pessoa saiba fazer boas escolhas por si mesma.

        Examinar sobre os valores que regem a própria vida é medida de prudência para não construir sobre o erro, que seria fatal e origem de fracassos. Quem se preocupa com a saúde examina o grau de colesterol ou de calorias antes de consumir determinado alimento, pois tem como valor o cuidado com sua saúde. Há quem age pautado por valores de utilidade, beleza, fama, poder, dinheiro, pátria, sabedoria, destreza técnica, solidariedade, família, religião etc. A pergunta sobre os valores ou modelos que escolhemos tem sentido porque “diz-me com quem andas e te direi quem és”.

    2 – Necessitamos de valores possíveis de imitar

        Não desejamos valores teóricos, mas aqueles que vemos representados em modelos a serem imitados. Precisamos de alguém com quem possamos nos identificar, porque vive ou viveu uma vida cheia de significados pelos quais vale a pena se arriscar e deixar de lado a comodidade para sair da arquibancada e vir à arena lutar! A vida de quem encarna os valores que admiramos não pode ser inexequível, mas imitável no quotidiano, sendo por isso eleito como modelo. Em tempos de crises de valores podemos encontrar gente que personifica um ideal de excelência humana na própria família, na profissão ou nas relações sociais. Essas pessoas são modelos porque a história ou existência delas está lastreada em fatos edificantes.

    3 – Podemos acertar ou errar na escolha dos modelos

        Ter modelos é algo muito humano, mas a questão está em acertar ou errar na escolha. Muitos escolhem modelos de conduta determinado pelos modismos que visam a fama, o sucesso profissional a qualquer preço, a busca contínua de satisfações sensitivas, a beleza corporal… A personalidade madura escolhe por convicção e não pela moda, e preza mais os valores interiores ligados ao caráter e à personalidade, do que à beleza física externa. Quem só escolhe exemplos de sucesso (os best-sellers de ocasião), se deixa envolver pela massificação, que é deixar os outros decidirem por si.

    4 – Os livros de literatura transmitem valores

            É interessante notar que as narrativas têm influência enorme na vida humana, pois geram condutas. Contar histórias tem alcance maior do que discursos teóricos na configuração da vida de uma pessoa ou de um povo. A transmissão oral de contos feita pelos pais às crianças, a leitura de romances épicos, drama, e mesmo os bons filmes, são veículos de transmissão de valores ou modelos de condutas. Porém, temos que estar atentos porque em nossos dias os grandes narradores são o cinema, a TV e a publicidade, que podem nos manipular por meio de narrativas que apresentam modelos de conduta familiar, profissional, social ou de lazer que não condizem com a verdade sobre o homem.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/), inspirado no livro “Fundamentos de Antropologia”, de Ricardo Yepes e Javier Aranguren, Instituto Raimundo Lúlio.
     

  • Educar para a contemplação

    Educar para a contemplação

    1 – O benevolente caminha para a perfeição humana. 2 – O ser humano é capaz de compreender a finalidade dos seres. 3 – O homem pode danificar o mundo que o circunda.

    1 – O benevolente caminha para a perfeição humana

        Diante de um besouro caído de costas, esperneando para voltar à posição normal, pode-se ter três atitudes: ficar indiferente, esmagá-lo ou virá-lo. Quem ajuda o inseto para que siga sobre suas patinhas, esta dizendo a ele “seja você mesmo”. É benevolente quem reconhece e dá valor ao real − pessoas ou coisas − e diz a cada ser “alcance a sua plenitude ou fim próprio!”. O desenvolvimento de uma pessoa tem caráter moral e não é isolado, mas influi sobre toda a realidade circundante. A benevolência é atitude ética que faz o homem reconhecer e ajudar a que pessoas ou coisas sejam o que devem ser. O benevolente caminha para a excelência humana e converte-se em aperfeiçoador e contemplador da natureza e do mistério da vida, pois vê o Cosmos como algo organizado e dotado de uma finalidade.

    2 – O ser humano é capaz de compreender a finalidade dos seres

        O homem é capaz de compreender o sentido ou razão de ser das coisas − sua teleologia ou finalidade para a qual existem − e dispô-las em relação ao seu fim: dispor de um martelo é usá-lo para pregar. Devemos respeitar todos os seres porque todos somos criaturas! O respeito ao homem e à natureza radica em Deus, seu Criador e dono. O amor desinteressado às pessoas e à Criação é caminho para o conhecimento e o amor a Deus. Assentir com o real significa reconhecer as coisas em seu verdadeiro valor (pisar no besouro não faz sentido porque o destrói).

    3 – O homem pode danificar o mundo que o circunda

        Existe no homem a capacidade de danificar o mundo circundante por meio de hábitos ruins (vícios), e isso pode torná-lo um destruidor de pessoas ou da natureza! O destrutor vê o universo criado como pura matéria desorganizada, sem referência a nenhum Ser superior que o pensou para um fim, caindo no evolucionismo desmedido. Se tudo está em evolução não há motivos para respeitar o ser das coisas, pois qualquer ação destruidora da realidade deverá ser tomada como um novo momento dessa evolução total e desordenada.

        O homem deixa de ser benevolente ao não levar em conta o sentido próprio de cada ser, a fim de utilizá-lo para seus interesses pessoais. O instrumentalismo despoja as pessoas e os demais seres da finalidade que lhes é própria: a família, a profissão e as relações sociais são utilizadas para fins pessoais, exclusivistas, descaracterizando a finalidade de cada ser. A tecnocracia extrapola a importância dos processos econômicos e faz originar o consumismo que rompe com os valores ecológicos criando, por exemplo, os desastres ambientais e torna os homens escravos dos bens de consumo por meio de falsas mensagens publicitárias.

        Amar a natureza e respeitar a finalidade de cada ser − e educar as crianças para tal −, é excelente caminho para ser feliz sem ser consumista.

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    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/), inspirado no livro “Fundamentos de Antropologia”, de Ricardo Yepes e Javier Aranguren, Instituto Raimundo Lúlio; e “Felicidad y benevolencia”, de R. Spaemann, Rialp, Madri.
     

  • Promover a cultura na família

    Promover a cultura na família

    1 – O papel da família na cultura dos filhos. 2 – Pais cultos sabem cultivar os filhos. 3 – O tempo gasto em mídias sociais empobrece a criança. 4 – Caminhos para fomentar a cultura familiar.

    1 – O papel da família na cultura dos filhos

         A arte, atividade humana criadora de beleza, é regida pelo sentido da estética e não pelo de utilidade, que é próprio da ciência e da técnica. A beleza tem algo de divino e inspira o coração e a mente das crianças. O teatro, a pintura, a escultura, a poesia e a arte narrativa (conto, romance, novela) tornam rico o espírito humano, que passará a produzir do que se alimenta.

         Cultura é um termo que indica a ação de cultivar. Toda pessoa humana recebe em sua natureza faculdades que a distinguem dos animais: inteligência, vontade e afetividade. Quem irresponsavelmente não cultiva esse rico patrimônio − os pais devem ajudar as crianças a cultivá-lo! − torna-se uma pessoa em estado bruto ao não se permitir desenvolver toda a riqueza para a qual está chamado.

         A família é o primeiro âmbito de promoção da cultura que, por ser o ambiente mais próximo da pessoa, deve ajudar seus integrantes a desenvolver a sensibilidade para a verdade, o bem e o belo. Gustave Thibon dizia que “uma das principais funções da família é criar um ambiente em que a instrução tende a converter-se em cultura e a cultura converter-se em sabedoria no sentido de saborear”.

         Se os pais não desejam que as filhas pequenas imitem as danças sensuais que veem na TV e cantem letras ofensivas − mesmo que no momento não compreendam o que dizem −, precisam criar no lar uma atmosfera de cultura vivida ao colocar as crianças frente ao que é estética e moralmente mais belo. Assim, as filhas saberão fugir da subcultura e de seus sucedâneos.

    2 – Pais cultos sabem cultivar os filhos

         Hoje, muitas pessoas se conformam apenas com a cultura profissional. As especializações modernas vêm produzindo homens doutos num campo científico, mas com uma visão parca sobre a família, filhos, vida humana, relações sociais, sentido da arte, da religião, do bem-comum e da sociedade. Com isso, não desfrutam da beleza que se esconde atrás de tantas outras realidades. Muitos pais dedicam tempo ao conhecimento profissional, mas descuidam a sua formação humanística e com isso empobrecem também os filhos. Não basta dar aos rebentos abrigo, alimento e segurança física, porque isso também fazem os animais. Oferecer a uma criança apenas a sobrevivência é exilá-la do mundo dos homens, que é mais rico que o dos animais.

         Os pais conseguem que seus filhos rapidamente se cultivem se eles, pais, forem cultivados: a qualidade da educação que oferecem é proporcional à qualidade da formação que possuem. O exemplo educa mais do que as palavras. Sêneca dizia que é “longo o caminho com preceitos, mas breve e eficaz com exemplos”.  A falta de interesse e esforço dos pais pela própria formação cultural decepciona os filhos, que logo se lamentarão de não valorizarem essa educação porque seus genitores agiram preguiçosamente nesse campo.

    3 – O tempo gasto em mídias sociais empobrece a criança

         As crianças precisam ser introduzidas pelos pais no mundo da cultura a fim de descobrir a beleza estética encontrada nas diversas manifestações artísticas: escultura, pintura, música, teatro e literatura. Não subestimem as crianças! Foi incrível a experiência narrada por Helena Lubienska com a Divina Comédia, de Dante Alighieri, lida com avidez em sala por meninos de 7 a 12 anos. Ela se surpreendeu com a atenção que colocavam na narrativa e a facilidade com que decoravam trechos da obra; e por fim, apresentaram uma peça teatral baseada nesse texto.

         O tempo dedicado à leitura de um bom livro oferece muito mais à inteligência e à sensibilidade, do que as longas horas deglutindo sucessivos desenhos, jogos eletrônicos e fotos em redes sociais. Se queremos que as crianças tenham riqueza interior e desenvolvam uma sadia imaginação que as levará a serem criativas em suas brincadeiras e a terem grande força de expressão e inteligência no falar e agir, fomentemos nelas o paladar pela leitura e boa música; incitemos o gosto por estar em contato com a natureza;  ajudemos a que amem o silêncio contemplativo que faz perceber a beleza oculta nas pequenas coisas, e não na estrondosa agitação das telas que roubam o tempo da reflexão.

        O amor pelos livros será um forte antídoto para as crianças se verem livres do vício de celulares, tabletes e TV. Promover uma rica cultura familiar é o melhor antídoto para os pais afastarem as crianças do vício da chupeta eletrônica, que as torna hiperativas e entediadas com o mundo real. A leitura e outras expressões artísticas fortalecerão o potencial imaginativo da criança e dará a elas grande força de expressão e inteligência no falar e no agir.

    4 – Caminhos para fomentar a cultura familiar

         Os primeiros e principais educadores dos filhos são os pais, que devem promover a cultura familiar por meio de tertúlias ou bate-papos familiares, refeições e momentos de lazer para ilustrar as crianças sobre a profissão do pai e da mãe, seus gostos artísticos, seus hobbies. Muitas crianças não sabem como é o trabalho do pai e da mãe porque estes dialogam pouco com elas sobre isso (pensam erradamente que elas não compreenderão). As vivências e experiências narradas enriquecerão as crianças, que se sentirão valorizadas pelos pais.

         Os pais não são os únicos responsáveis pela cultura familiar: filhos mais velhos, tias, tios e avós podem colaborar nessa promoção ao falar de suas experiências, estudos, hobbies. Podem também convidar amigos para contar alguma experiência interessante que tiveram: viagem, alpinismo, mergulho, pintura, música, colecionismo. A transmissão do patrimônio cultural da família pode ser feito com fotografias, objetos de decoração que são lembranças de pessoas ou momentos vividos no passado, vídeos e gravações de viagens, tradições e costumes da família.

         Para uma cultura familiar programada os pais podem se valer do colégio ou criar em casa um clube familiar com encontro semanal onde seus filhos possam brincar com outras crianças, aproveitando os vários vídeos do Youtube com jogos que fomentam a convivência entre pais e filhos, além de vivenciarem no clube outras atividades culturais.

         É interessante visitar com as crianças livrarias ou sebos e deixá-las escolher um livro; percorrer feiras de livros, bibliotecas, exposições de quadros ou esculturas; participar de audições musicais de diferentes gêneros que sejam esteticamente bons; levá-las ao teatro infantil e programar sessões de vídeos culturais, históricos, geográficos; irem ao cinema e depois incentivar as crianças para que façam comentários sobre o filme.

        A vista a museus é de grande valia, e para isso os pais devem dar a sensação de aventura. Seria tedioso explicar a uma criança a história da arte por meio de palestras sobre os diferentes gêneros de pintura. Para evitar isso é só criar um jogo para divertir as crianças, sem alterar o silêncio, a paz dos museus e o sorriso complacente dos guardas e seguranças do local. Antes de ir ao museu, veja no site dele as obras em exposição, e pergunte à criança qual ela mais gostaria de ver. Depois, coloque no celular as imagens escolhidas e no museu peça que a criança localize cada tela escolhida. Não manifeste sua opinião contrária ao gosto da criança, pois irá deixá-la confusa e inibirá sua inclinação. Quando ela encontrar o quadro, pergunte o que mais ela colocaria nele, se fosse o pintor, a fim de que se fixe nos detalhes da tela.

    Texto produzido por Ari Esteves. Imagem de Ron Lach

  • Crianças viciadas em mídias

    Crianças viciadas em mídias


    1 – As mídias tornam passivas as crianças e lhe roubam a imaginação. 2 – O contato com a natureza torna a criança contemplativa. 3 – Teste seu filho para saber se é dependente de mídias.

    1 – As mídias tornam passivas as crianças e lhe roubam a imaginação

        A criança desde o nascimento deve interagir sossegadamente com o ambiente que a cerca, a fim de se desenvolver física e psicologicamente. Tal como o trabalho desenvolve a personalidade do adulto, a da criança se desenvolve brincando, porque esse é seu trabalho. Quanto mais experiências tiver a criança de tocar, fazer, imaginar, recolher, levantar, reiniciar, mais se desenvolverá. Portanto, menos brinquedos eletrônicos, videogames e bonecas que falam, e mais objetos comuns; menos celulares e mais interação com seus familiares. A infância é mágica; não é necessário artificializá-la com mídias. A criança precisa de um estímulo mínimo, em ambiente normal e cheio de carinho: receber o sorriso de seus familiares, ouvir os ruídos da casa, sentir o cheiro de limpeza e o que vem da cozinha.

        Expostas pelos pais ao excesso de mídias, s crianças têm a infância artificializada. Desenhos como Bob Esponja, Madagascar, Carros & Cia, Monstros SA, A era de gelo, entre outros, exibem em média 7,5 mudanças de cenas por minuto, o que não acontece na vida real das crianças. Hipnotizadas pelo excessivo movimento das telas, as crianças se tornam viciadas em níveis altos e artificiais de estímulos. Ao retornarem à vida real, se sentem entediadas e aborrecidas e desejam logo voltar à irrealidade das mídias.

        Celulares e tabletes roubam a imaginação infantil. É melhor que a criança crie seus brinquedos ao transformar uma caixa de leite vazia em miniatura de ônibus, do que assistir passivamente a um desenho de carros; imaginar um barco com uma lata de sardinha ou um foguete com o tubo do papel celofane, do que ganhar um brinquedo pronto; entreter-se com bolinhas, figurinhas e brinquedos caseiros, do que gastar horas em desenhos animados. Com um lençol a criança cria uma cabana entre os móveis da sala; sentada no sofá imaginará pilotar um caminhão; fará de uma caixa de papelão o cockpit de sua máquina voadora.

    2 – O contato com a natureza torna a criança contemplativa

        É necessário educar os filhos na curiosidade pela realidade, que é fonte de verdadeiro conhecimento, e não no ritmo frenético das novas tecnologias. A criança necessita encontrar inspiração na beleza e contemplação do mundo que a cerca. Por isso, outra janela de curiosidade da criança é a natureza, que deve ser aproveitada pelos pais para educá-la. Ao correr, pular, pesquisar, subir nas árvores, ocultar-se atrás de arbustos, a criança interage com a natureza e ganha excelente controle motor. Dar alimentos a aves e peixes e rir das formigas que carregam fardos maiores do que elas próprias, são atitudes contemplativas. A criança aprenderá a ser paciente ao fixar os olhos no lento arrastar-se do caracol; aprenderá a esperar e não exigir tudo prontamente ao perceber que tudo na natureza tem seu tempo, tal como o broto da flor que se alça timidamente da terra. A criança deve deitar na grama com seus pais e sentir cócegas, sem medo de alergia, e olhar para o céu a fim de descobrir o que as nuvens desenham.

        É curioso o medo que a natureza causa nos pais, medo transmitido às crianças: medo de que os filhos se arranhem, medo de se sujar, medo de que caiam de árvores, medo de alergia por pólen de flores. É espantoso ver como crianças fogem das gotas de chuva! Pais, não temam os dias chuvosos! A natureza tem muito a ensinar nesses dias: o cheiro da terra; as cores que se realçam; as gotas que escorrem pelas folhas ou ficam presas na teia de aranha; os pequenos habitantes do ecossistema que se deixam ver nesses dias: lesmas, caracóis, pererecas, sapos. Medo de resfriado? Diz Catherine L’Ecuyer*, que é um preconceito acreditar ser a chuva causa resfriado. Einstein disse que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.     

        Gaudí, o genial arquiteto do Templo da Sagrada Família, em Barcelona, ​​disse que a natureza foi sua mestra vital. Desde pequeno teve ataques de reumatismo, que o afastaram das brincadeiras infantis. Então, sua mãe passava muitas horas com ele no campo, observando a natureza. Gaudí recordava sua infância entre flores, prados, videiras, oliveiras, pio dos pássaros, zumbido de insetos e montanhas ao fundo. Ele não precisou artificializar sua infância para criar uma das mais belas obras de arquitetura do mundo, onde as colunas imitam troncos de árvores. Sua infância foi um contemplar silencioso da natureza.

        Academia Americana de Pediatria diz que o frio não é causa de resfriado ou gripe; e que se as queixas são comuns no inverno, é porque as crianças ficam amontoadas em salas com pouca circulação de ar, o que facilita a propagação do vírus. Para ter crianças mais resistentes, é só deixá-las brincar ao ar livre em dias de chuva, usando botas e capa de chuva, tal como acontece nos países nórdicos, onde as crianças saem para se divertir com 20 °C negativos, ou em algumas cidades do Nordeste brasileiro, em que as crianças brincam na chuva. Que boa notícia é essa, quando você pensava que não havia alternativa para dias chuvosos, a não ser as telas!

    3 – Teste seu filho para saber se é dependente de mídias

        Certa professora levou um grupo de crianças “drogadas” pelas mídias a um passeio no campo, e constatou a falta de iniciativas delas para brincar na grama e entre as árvores. Passivas, desejavam ansiosamente voltar para casa e apertar botões para terem a ilusão de dominar a realidade, pois preferiam os insetos irreais. Teste seu filho! Leve-o a um parque sem celular ou tablete. Se não for capaz de desfrutar da natureza, porque deseja retornar logo para casa, onde tem à disposição várias mídias, é porque já está artificializado.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/), com base nos livros “Educar na curiosidade” e "Educar na realidade", de Catherine L'Ecuyer, publicado pela Fons Sapientiae. 

  • Diálogo entre o instinto e a inteligência (Vídeo)

    Diálogo entre o instinto e a inteligência (Vídeo)

    O Instinto, decepcionado com as suas ações falhas junto aos seres humanos, desabafa com a colega Inteligência, na tentativa de compreender as próprias limitações.

  • Boneca no lixo – Poema sobre a erotização das meninas (Vídeo)

    Boneca no lixo – Poema sobre a erotização das meninas (Vídeo)

    Um alerta aos pais, para que cheguem antes da perda precoce da infância e erotização das filhas.