1 – O benevolente caminha para a perfeição humana. 2 – O ser humano é capaz de compreender a finalidade dos seres. 3 – O homem pode danificar o mundo que o circunda.
1 – O benevolente caminha para a perfeição humana
Diante de um besouro caído de costas, esperneando para voltar à posição normal, pode-se ter três atitudes: ficar indiferente, esmagá-lo ou virá-lo. Quem ajuda o inseto para que siga sobre suas patinhas, esta dizendo a ele “seja você mesmo”. É benevolente quem reconhece e dá valor ao real − pessoas ou coisas − e diz a cada ser “alcance a sua plenitude ou fim próprio!”. O desenvolvimento de uma pessoa tem caráter moral e não é isolado, mas influi sobre toda a realidade circundante. A benevolência é atitude ética que faz o homem reconhecer e ajudar a que pessoas ou coisas sejam o que devem ser. O benevolente caminha para a excelência humana e converte-se em aperfeiçoador e contemplador da natureza e do mistério da vida, pois vê o Cosmos como algo organizado e dotado de uma finalidade.
2 – O ser humano é capaz de compreender a finalidade dos seres
O homem é capaz de compreender o sentido ou razão de ser das coisas − sua teleologia ou finalidade para a qual existem − e dispô-las em relação ao seu fim: dispor de um martelo é usá-lo para pregar. Devemos respeitar todos os seres porque todos somos criaturas! O respeito ao homem e à natureza radica em Deus, seu Criador e dono. O amor desinteressado às pessoas e à Criação é caminho para o conhecimento e o amor a Deus. Assentir com o real significa reconhecer as coisas em seu verdadeiro valor (pisar no besouro não faz sentido porque o destrói).
3 – O homem pode danificar o mundo que o circunda
Existe no homem a capacidade de danificar o mundo circundante por meio de hábitos ruins (vícios), e isso pode torná-lo um destruidor de pessoas ou da natureza! O destrutor vê o universo criado como pura matéria desorganizada, sem referência a nenhum Ser superior que o pensou para um fim, caindo no evolucionismo desmedido. Se tudo está em evolução não há motivos para respeitar o ser das coisas, pois qualquer ação destruidora da realidade deverá ser tomada como um novo momento dessa evolução total e desordenada.
O homem deixa de ser benevolente ao não levar em conta o sentido próprio de cada ser, a fim de utilizá-lo para seus interesses pessoais. O instrumentalismo despoja as pessoas e os demais seres da finalidade que lhes é própria: a família, a profissão e as relações sociais são utilizadas para fins pessoais, exclusivistas, descaracterizando a finalidade de cada ser. A tecnocracia extrapola a importância dos processos econômicos e faz originar o consumismo que rompe com os valores ecológicos criando, por exemplo, os desastres ambientais e torna os homens escravos dos bens de consumo por meio de falsas mensagens publicitárias.
Amar a natureza e respeitar a finalidade de cada ser − e educar as crianças para tal −, é excelente caminho para ser feliz sem ser consumista.
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Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/), inspirado no livro “Fundamentos de Antropologia”, de Ricardo Yepes e Javier Aranguren, Instituto Raimundo Lúlio; e “Felicidad y benevolencia”, de R. Spaemann, Rialp, Madri.
