Os pais e o rendimento escolar dos filhos

1 – O estudo é o trabalho profissional do estudante. 2 – Algumas características do bom aluno. 3 – O ambiente familiar influi nos estudos dos filhos. 4 – Atitudes recomendadas aos pais. 5 – Relações dos pais com os preceptores dos seus filhos.

1 – O estudo é o trabalho profissional do estudante

     Sendo o estudo o trabalho profissional que o estudante deve realizar, e porque espera-se que todo profissional faça com perfeição o seu trabalho, não se pode desejar menos do estudante, pois será por meio desta tarefa que ele crescerá em virtudes humanas como fortaleza, constância, autodomínio, sentido de responsabilidade e espírito de solidariedade ao contribuir com seus esforços para o bem de todos. Portanto, os pais devem alentar os filhos a dar verdadeiro valor ao estudo: 1) Ter um motivo transcendente para estudar (ajudar aos demais); 2) Desenvolver as capacidades e virtudes pessoais que o estudo requer; 3) Adotar procedimentos ou métodos que façam render o estudo; 4) Ter bom clima ou ambiente familiar que fomente o estudo.

   Fazer os filhos estudarem não é fácil, pois alguns não têm vontade de fazê-lo porque são inconscientes da importância do estudo, e se deixam vencer pela preguiça e comodidade; outros encontram dificuldades porque não aprenderam como estudar e não possuem um plano ou método de estudo.

2 – Algumas características do bom aluno

    Pais e educadores devem estimular os adolescentes e jovens não apenas tirar boas notas escolares, mas a crescerem como pessoa ao dar ao estudo um motivo transcendente, que é ajudar aos demais com as próprias qualidades desenvolvidas com esforço. Estudar não consiste em acumular informações ou receber passivamente algo elaborado, pois tal comportamento esconde preguiça mental, ausência de profundidade e desconhecimento dos verdadeiros motivos para estudar. Aprender não se limita a repetir conceitos de modo mecânico, mas em expressar com as próprias palavras o real significado do aprendizado, pois o estudo não deve ser passivo e sem o esforço da reflexão e da crítica pessoal. As disciplinas oferecidas pelos professores são necessárias, mas o aluno deve aprender a trabalhar os conteúdos para elaborar um saber com ideias próprias. Esta postura, que filtra as informações recebidas, desenvolve o raciocínio e facilita o espírito crítico para distinguir a verdade do erro.

    A experiência mostra que o bom aluno não é o que tem boas notas, mas possui péssimo caráter e um temperamento que torna difícil a vida dos pais, professores e colegas: memorizar livros e apostilas bastam para tirar boas notas, mas não para formar uma pessoa íntegra. É verdadeiramente bom aluno aquele que ao interiorizar o aprendizado cresce em virtudes humanas para melhor servir aos demais (motivação transcendente).

3 – O ambiente familiar influi nos estudos dos filhos

     Qualquer aluno necessita encontrar em sua família um ambiente acolhedor, otimista, harmonioso, disciplinado e que respeita o silencio para o estudo. Para isso, é necessário criar um ambiente propício ao estudo ao manter a televisão desligada; determinar horários fixos para as refeições, bate-papos familiares e momentos de descanso, a fim de não criar ocasiões de distração e indisciplina que prejudica a continuidade dos estudos fora da escola.

     O estudo dos filhos é influenciado positivamente por: 1) Fatores pessoais: capacidade mental que pode ser aumentada pelo esforço, vontade forte para não se deixar levar pelo mais cômodo (responsabilidade), adquirir a virtude ou hábito de estudo, possuir um método de aprendizado; 2) Fatores ambientais: fomentar um clima familiar propício ao estudo e à cultura familiar (ler o boletim Promover a cultura na família), combinar os horários para as atividades de descanso e lazer.

     Nas lições do grande pedagogo espanhol Victor Garcia Hoz, a família é determinante para o comportamento das pessoas, e isso se comprova por meio de pesquisas que revelam como a deterioração da vida familiar e a delinquência juvenil estão fortemente ligadas. O ambiente familiar afeta consideravelmente a pessoa, tanto para o bem quanto para o mal. A falta de afeto, carinho e diálogo repercutem de forma negativa no comportamento dos filhos, e no rendimento escolar destes. Enganam-se os pais que não distinguem entre quantidade e qualidade de tempo que dedicam aos filhos: estar na mesma sala com os filhos, mas com a atenção voltada o tempo todo para a TV, não significa estarem juntos. Os pais devem ser os melhores amigos dos filhos, e isso se consegue com o diálogo e o interessar-se pelas coisas deles.

    A relação paternal-filial quando não é boa faz surgir comportamentos ruins nos filhos. Quando um aluno começa a se apresentar deprimido, incapaz de se concentrar ou fixar a atenção nas aulas; quando se torna revoltado, desanimado, quieto e isolado, é quase certo que há desavenças no ambiente familiar. Os atritos constantes entre os pais ocasiona consideráveis prejuízos à educação dos filhos: afetam sua segurança, causam ansiedade, falta do estímulo para o estudo e o baixo rendimento escolar, trazem problemas psicológicos, complexos e revoltas. Por vezes, o mau comportamento de não estudar pode ser uma arma ou recado do filho: “Não estou satisfeito com as brigas de vocês, que devem se entender melhor para se amarem mais”. Só um clima do diálogo soluciona os diversos problemas do dia a dia de uma família. É importante que os pais detectem o motivo que tornou difícil a convivência no lar: problemas financeiros se contornam com o tempo e iniciativas entre todos; já os problemas de relacionamento exigem a humildade de não permitir atitudes de soberba e orgulho que conduzem à falta de perdão e ao distanciamento que envenenam a vida familiar.

    Os pais devem se esforçar para melhorar a si próprios continuamente, e isso se consegue por meio de propósitos simples e diários, praticados com bom humor e espírito esportivo (começar e recomeçar). O clima familiar depende em grande parte das atitudes dos pais, que possuem o desafio de dar exemplo ao buscar a melhora pessoal e não apenas a de seus filhos: Sêneca afirmou que “longo é o caminho com preceitos, mas breve e eficaz com exemplos”. Portanto, antes de exigirem que os filhos sejam melhores como pessoas ou como alunos, os pais devem dar-lhes exemplo ao procurar melhorar a si próprios, pois o bom educador vive primeiramente aquilo que ensina.

4 – Atitudes recomendadas aos pais

        Os filhos valorizam muito o esforço e a dedicação dos pais à família. Esse bom exemplo é decisivo para que os filhos sejam melhores. Para formar bem os filhos, os pais devem primeiro formar bem a si próprios ao dedicar um tempo diário à formação pessoal: ler livros, assistir vídeos, participar de cursos e palestras sobre orientação familiar e educação do comportamento dos filhos. Depois, devem ter as seguintes atitudes positivas: 1) Valorizar não apenas as notas escolares dos filhos, mas também as virtudes ou bons hábitos deles; 2) Elogiar o esforço que fazem para melhorar como pessoas; 3) Assumir como pais a responsabilidade de serem os principais responsáveis pela formação dos filhos, e não deixar esse encargo à escola; 4) Estar atentos ao uso que os filhos fazem de celulares, tabletes e internet, dada as influências negativas de certos programas; 5) Interessar-se pelos vídeos e jogos que os filhos assistem, das amizades que possuem, dos ambientes que frequentam; 6) Ter como primeira preocupação a formação integral dos filhos, que inclui não apenas a educação da inteligência, mas a dos afetos e sentimentos para que melhorem como pessoas.

5 – Relações dos pais com os orientadores dos seus filhos

    Os pais não devem limitar-se a pedir informações sobre as notas escolares do filho, mas também em fornecer dados concretos que venham facilitar o trabalho dos preceptores: como e quanto estuda o filho em casa, se aproveita ou não o tempo, as dificuldades mais frequentes que possui (tempo gasto em telas digitais para se divertir), como se comporta em casa com os pais e irmãos, que ambientes frequenta, quais as preocupações atuais do filho, que dúvidas apresentou aos pais e estes não souberam esclarecer, a que vídeos dedica tempo, se está namorando, se ajuda nos encargos familiares…

    A parceria com a escola será prejudicada se não comparecem às reuniões de formação dos pais, oferecidas pela como ocasião de aproximar conteúdos de orientação familiar para facilitar a missão de educar integralmente os filhos. Dentre os inúmeros afazeres que os pais possuem, devem ter presente que “No Colégio há três coisas importantes: primeiro, os pais; segundo o professorado; terceiro os alunos. Os nossos filhos – não vos ofendais – estão em terceiro lugar. Dessa forma andarão multo bem” (São Josemaria).

Texto escrito por Ari Esteves com base em artigo impresso “Os pais e o rendimento escolar dos filhos”, de autor desconhecido. Imagem de Leeloo Thefirst

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