A educação dos afetos equilibra o comportamento

1 – Os sentimentos influenciam a conduta. 2 – Cada afeto busca apenas um bem parcial. 3 – A formação da afetividade faz inclinar-se para o bem maior.

1 – Os sentimentos influenciam a conduta

         A influência dos sentimentos e emoções sobre a conduta cresce enormemente, principalmente entre os jovens, o que torna necessária a formação da afetividade para se ter um agir equilibrado que facilite tomar decisões acertadas.

         A afetividade é o conjunto de emoções, afetos, sentimentos e paixões que residem em cada ser humano, fazendo-o sentir-se à vontade ou desconfortável nas diferentes situações em que se encontra. O prazer ou o mal-estar gerado pela afetividade pode ser sensitivo (o prazer da comida, de um perfume) ou intelectual (prazer da boa leitura, da boa conversa), e impulsiona de forma imediata o comportamento a ser buscado ou evitado, mas que em seguida deve ser examinado pela razão para acertar na conduta.

2 – Cada afeto busca apenas um bem parcial

         Cada afeto ou sensação busca o agradável e foge do desagradável, sem levar em conta o que é melhor para a totalidade física ou psicológica da pessoa. Por exemplo, sentir cansaço é uma sensação física de curto prazo, que poderá entrar em choque com a necessidade de estudar as disciplinas para a prova de um concurso que haverá no fim de semana. Ao concluir que o estímulo de descansar vendo TV ou dormindo diminuirá o tempo de aprendizado, colocando em risco o sucesso e o prazer de alcançar boas notas no concurso, poderá fazer a pessoa não levar em consideração o descanso devido a proximidade da prova e a necessidade de rever as matérias.

         No exemplo citado, o bem indicado pela sensibilidade (descansar) é parcial e conflitou com o bem intelectual maior da aprovação no concurso, que para a sensibilidade não importa, já que seu bem é o descanso. Para saber qual estímulo deve ser levado em consideração, deve-se prestar atenção à hierarquia de valores que sinaliza os bens que devem ser sacrificados para se obter bens maiores. O afeto que induz a descansar, apresentado pela sensibilidade, não é mau em si, mas não é função dele – nem de qualquer outro afeto – racionalizar sobre o que é melhor ou pior em relação ao todo e, por isso, tal afeto não pode exigir para si o posto de proeminência, para não colocar em risco o bem mais importante da aprovação no concurso.

3 – A formação da afetividade faz inclinar-se para o bem maior

         A formação da afetividade facilita que a inteligência e a vontade se inclinem para o bem maior, e conduz a pessoa a manifestar na medida certa os seus sentimentos, ao não colocá-los de forma demasiada em situações que merecem menos sentimentos, nem deixando de manifestá-los mais intensamente em situações que merecem expressá-los.

         No caso de sentimentos que entram em conflito (descansar ou estudar?; comer a torta de limão, reclamada pelo apetite do diabético, ou evitá-la para conservar a saúde?), não se trata de ter uma visão negativa, como a de impor um mero controle ou repressão de uma tendência sobre a outra. Trata-se da atitude positiva de criar na cabeça e no coração uma conaturalidade para com o bem maior, que poderá estar em jogo. Isso permite de forma quase instintiva valorar melhor se o que de imediato parece mais atraente deve ser seguido ou não, a fim de optar pelo que é mais coerente com o sentido que se quer dar à própria vida. Tal atitude permite alegrar-se tanto com o bem alcançado, como da renúncia do bem sacrificado para obter o maior.

         O processo formativo da afetividade, ou o domínio positivo da sensibilidade, afetos e paixões, permite a pessoa avançar na melhor expressão de si mesma, e levar adiante com mais facilidade e alegria a vocação humana e sobrenatural a que está chamada a realizar nesta vida. Quem possui a sensibilidade bem orientada não correrá o risco de gastar horas e horas navegando sem rumo na internet ou em redes sociais, em prejuízo de bens maiores a serem conquistados.

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Texto adaptado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/, com base no livro “A formação da Afetividade”, de Francisco Insa, Editora Cultor de Livros, São Paulo, 2021. Imagem de William Warby.

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