O amor é a medida última de qualquer pessoa. O único que levaremos para a outra vida são as nossas obras de amor. Toda pessoa necessita dar e receber amor, carinho, e a família é o âmbito natural onde se recebe amor e se aprender a dar amor ao sair de si para servir, ouvir, compreender, perdoar e prestar pequenos e constantes serviços aos outros: “Não há nada que arraste tanto como o carinho”, dizia Escrivá de Balaguer.
Quem possui finura de alma encontra na convivência diária muitas ocasiões para oferecer carinho e entregar-se aos demais. Manifesta amor aos demais aquele que luta para corrigir suas deficiências de temperamento e de caráter; pois todos possuímos modos agradáveis e desagradáveis de ser. Depois, para a convivência é preciso não fixar o olhar apenas nos defeitos dos demais, mas sim em suas virtudes. É cômodo e injusto afirmar que não se consegue aguentar isso ou aquilo dos outros, e revela pouca nobreza e falta de virtudes pessoais. Basta cada um pensar quantas vezes erra, sendo perdoado por Deus, para ser mais condescendente e compreensível com o erro dos demais.
Há muitos modos de manifestar carinho na vida familiar: cuidar dos idosos, ajudar parentes necessitados, apoiar os amigos e colegas com o conselho acertado, estar presente quando um vizinho padece algum desconsolo… Os anciões da família não devem ser vistos como uma carga a suportar, mas como Cristo, que disse estar presente nos que sofrem. É preciso ser amáveis e pacientes com os idosos, ouvindo-os, oferecendo-lhes tempo, carinho e ajuda. Ralhar com um idoso ou falar rispidamente porque se torna necessário repetir as frases várias vezes é clamorosa injustiça, pois é compreensível que pela idade perca sua capacidade auditiva. Dizer aos filhos, olhando em seus olhos, que respeitem e tratem com carinho os mais velhos, recordando-lhes que no dia de amanhã serão eles os que irão requerer os mesmos cuidados.
Tornar agradável o ambiente familiar é tarefa de todos, e isso se consegue com o rosto alegre, sorriso habitual, encarar de modo positivo as contrariedades, ter espírito de serviço para ordenar os objetos pessoais e manter limpo e aconchegante o lar. As tertúlias ou momentos de bate-papo familiar, seja durante as refeições ou na sala de estar, são momentos para crescer no amor mútuo, e para isso, evitar celulares e desligar a televisão, a fim de dar toda a atenção uns aos outros. Dar importância à fala das crianças, ouvindo-as com atenção e em atitude receptiva, as fará se sentirem amadas e compreendidas, facilitando a que cresçam em autoestima e em confiança para se abrirem com os pais acerca de seus problemas ou preocupações, e continuarão a fazer isso ao chegarem na adolescência e juventude.
No lar, os filhos não são os únicos necessitados de amor, mas devem aprender a sacrificar-se e ofertar carinho aos pais, irmãos, avós; precisam ser educados desde pequenos para colaborar nas tarefas da casa, a fim de não serem servidos como reizinhos ou senhorzinhos da corte, pois isso lhes estraga o caráter. Os filhos necessitam compreender que possuem não apenas direitos, mas também obrigações paternais e fraternais. Sejam pequenos ou grandes, devem apoiar a mãe em tudo e crescer em sensibilidade para diminuir ao máximo as tarefas diárias dela, sem esperar que lhes peçam isso, agradecer e reconhecer o valor insubstituível do trabalho da mãe no lar, pois isso é dever de justiça e torna grata a convivência familiar e facilita a que os filhos cresçam em respeito e obedecia para com os pais enquanto viverem no lar paterno. Também devem reconhecer, agradecer e poupar de trabalhos extras a funcionária que colabora nos serviço da casa.
“O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se não o experimenta e se não o torna algo próprio, se nele não participa vivamente” (João Paulo II, Redemptor hominis n. 10). “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo, 13,34), foi o ensinamento de Cristo, que deve começar primeiramente com aqueles que são os mais próximos.
Texto de Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/. Imagem de August de Richelieu
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