Comunicação inadequada com os filhos

1 – Perguntas inseguras ou em tom de reclamação não funcionam com os filhos. 2 – Implorar pela compaixão do filho enfraquece a autoridade dos pais.

1 – Perguntas inseguras ou em tom de reclamação não funcionam com os filhos

    Conseguir que os filhos abandonem condutas ou hábitos ruins não é processo impossível. Para um bom começo evite perguntas que não comuniquem claramente o que se espera deles. Perguntas inseguras, sejam em tom de reclamação ou de súplica, não funcionam com as crianças, e abrem as portas para que as palavras dos pais sejam ignoradas:

    − Pedi que você arrumasse o seu quarto e nada foi feito! Apenas foi dito à criança que ela deixou de cumprir uma ordem. A mensagem foi incompleta porque não transmitiu o que deveria ser feito, quando deveria ser feito e as consequências do incumprimento. Cingiu-se apenas a uma queixa que a criança não fez caso porque não se sentiu comprometida.

    Por que você não presta atenção ao que eu falo? Pergunta em tom de reclamação não funciona. Muitos pais pensam que ao levar a criança a refletir sobre o motivo do seu mau procedimento, ela passará a reconhecer o erro e a evitá-lo. Além de não conseguir tais efeitos, a pergunta foi insegura ao desviar a atenção da criança para algo que ela não saberia explicar: as razões de sua desatenção.

   Quantas vezes tenho que dizer para terminar a lição de casa antes de sair?  Foi pergunta insegura ao não oferecer instruções claras: apenas transmitiu o desgosto da mãe e a falta de autoridade dela. O garoto nunca responderia à mãe que ela “deveria dizer nove vezes” para que ele não saísse de casa antes de ter feito as suas tarefas. A reação assertiva da mãe deveria ser a de proibir a saída do filho enquanto não terminasse os deveres.

    O filho quebrou o vidro da janela e o pai disse: − Você tem ideia de quanto custa um vidro novo? O pai não deveria esperar que o filho respondesse sobre o valor de um vidro novo, porque ele não saberia dizer. Foi uma pergunta insegura ao exigir apenas a informação sobre o custo da reposição, sem transmitir à criança que a atitude dela foi irresponsável e que o prejuízo econômico causado à família ficaria por conta de sua mesada.

2 – Implorar pela compaixão do filho enfraquece a autoridade dos pais

    Mãe: − Vá dormir.

    Filho: − Não estou com sono.

    Mãe: − Já é tarde e estou cansada. Por favor, vá dormir.

    Filho: − Mas eu não estou cansado.

    Mãe: − Mas eu estou. Por favor, vá para a cama!

    A mãe se dirigiu ao filho implorando pela compaixão dele. Essa razão nunca é suficiente, já que as crianças não compreendem até onde vai o cansaço de um adulto, pois mal sabem o que é o cansaço. A súplica da mãe apenas transmitiu a fragilidade e a insegurança dela. Ter horário de dormir e de acordar deve ser hábito disciplinar vivido por todos na família, a fim de que cada um possa atender com ordem seus deveres cotidianos, além de facilitar o trabalho dos demais. A criança deve saber que no lar ela não possui apenas direitos, mas também deveres para com os pais, irmãos, empregada.

Texto produzido por Ari Esteves com base no livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyford-Pike (ver em staging.ariesteves.com.br/livros.