1 – Melhores períodos para o aprendizado de crianças e adolescentes. 2 – Aprendizado da criança da gravidez aos quatro anos. 3 – Aprendizado da criança até 12 anos. 4 – Aprendizado do adolescente de 12 a 18 anos.
1 – Melhores períodos para o aprendizado de crianças e adolescentes
Conhecer os períodos naturais em que a criança e o adolescente estão mais predispostos a aprender facilita o processo educativo. Chamam-se “períodos sensitivos” e ocorrem apenas uma vez na vida (perdem-se ao redor dos vinte anos). São períodos porque correspondem a uma determinada etapa natural que torna fácil o aprendizado e o desenvolvimento de bons hábitos; e sensitivos porque estão na esfera biológica e psicológica de cada pessoa.
Ao possuir inteligência e vontade livre, a pessoa pode determinar-se a aprender algo em qualquer idade, mesmo depois dos períodos sensitivos. Mas é preciso ter em conta que passado esse período, o aprendizado torna-se mais laborioso: aprender a andar de bicicleta aos 40 anos é mais difícil que aos quatro, e nunca o fará com facilidade; aprender matemática simples é mais fácil aos 7 que aos 30 anos.
Existem períodos de nível material (andar, equilibrar-se…), e períodos de nível intelectual (ordem, jogos, idiomas). O período de ouro é o da educação da vontade (a partir dos 7 anos).
Falaremos de aprendizados. Porém, ter em conta que as crianças também podem adquirir bons hábitos como espírito de serviço, solidariedade, ordem material e temporal, entre outros. Até aos seis anos, a criança ainda não tem desenvolvida sua inteligência e vontade, de modo que não se pode falar em virtudes humanas até essa idade, pois são qualidades que exigem o querer livre e consciente da vontade esclarecida pela inteligência. Porém, até os seis anos, a criança pode adquirir bons hábitos, que se transformarão em virtudes a partir dos seis anos. Uma criança que até a idade de seis anos não foi exigida para ser ordenada e a cumprir pequenas tarefas no lar, estará menos preparada para desenvolver a virtude da ordem, entre outras.
2 – Aprendizado da criança da gravidez aos quatro anos
– Da gravidez até os 3 anos: escutar música clássica a partir dos 6 ou 7 meses de gravidez cria conexões e estruturas que favorecem o bom gosto musical e a facilidade para idiomas.
– 10 aos 15 meses: andará sozinha apenas observando os adultos.
– 1 aos 3 anos: ordem, pois a criança se acostuma a ter seus brinquedos guardados no mesmo lugar, desfrutando-se em organizá-los. Porém, necessita observar como os mais velhos da casa repetem essas ações.
– 3 aos 5 anos: equilíbrio, capacidade para andar de patins ou bicicleta (jamais esquecerá, mesmo que fique muitos anos sem praticar).
– 1 aos 4 anos: falar a língua materna e aprender outros idiomas (dois anos e meio), desde que conviva com falantes desses idiomas.
– 2 aos 4 anos, a descoberta do eu: a partir dos 2 anos a criança deixa de ser individualista e compreende o limite entre o “meu” e o “seu”, e aprende a compartilhar. Aos 3 anos pode iniciar a compreensão da natureza tripla da pessoa humana: corpo (material), alma (imaterial: inteligência e vontade) e espírito (a consciência do “eu”). Helena Lubienska, a grande discípula de Maria Montessori, afirmava “dizer que a criança até os 3 anos não passa de um tubo digestivo é negar o espírito”. “Tratar a criança como se fosse apenas um conjunto de funções fisiológicas, vendo nela apenas a vida vegetativa e animal, é desconhecer sua vida psíquica e negar seu espírito”. E fazia exercícios onde a criança, a partir dos 3 anos, ficava em pé para olhar o seu corpo (pernas, mãos, braços), sem confundi-los com o seu “eu”, que deveria comandar esses órgãos: − “Diga às suas pernas: caminhe!”. Nessa primazia do espírito, o “eu” decide e comanda tanto o corpo (que se vê) como a alma (que pensa e quer).
As atividades manuais, exercícios físicos, brincadeiras e jogos devem servir para a criança considerar a conquista de seu corpo como um trabalho pessoal, fruto de seus esforços. Isso a conduzirá pedagogicamente ao desenvolvimento de uma personalidade consciente e responsável.
3 – Aprendizado da criança até 12 anos
– 3 aos 9 anos, sinceridade: entre 3 e 6 anos a criança vive a sinceridade de modo natural (não sabem mentir), e distinguem o certo do errado porque assim lhe foi assim explicado. Dos 6 aos 9 anos, como consequência da justiça, devem continuar a ser sinceros, mas é nessa fase que aprendem as falsas “vantagens” da mentir).
– Antes dos 6 anos, obediência: porque estão predispostas a isso ao reconhecer uma autoridade coerente, persistente, confiável e carinhosa.
– 4 aos 7 anos, os jogos: a idade do jogo é mais intensa nesse período (desde os 2 anos é capaz de entreter-se e inventar brincadeiras). A criança que aprendeu a jogar bem (exige esforço e concentração) terá facilidade para estudar e cumprir bem suas tarefas.
– 7 aos 11 anos, responsabilidade para assumir as tarefas e não fazer apenas o que gosta; perseverança para levar adiante a decisão que tomou; o amor à justiça começa a se desenvolver e se entristecem diante das injustiças; afã de superação, desejo de melhorar e superar-se no dia a dia; o valor à própria imagem e a opinião que os demais têm deles deve ser aproveitados para que cresçam em virtudes; pudor (11 anos) para guardar a intimidade do corpo e da alma da curiosidade alheia (as meninas começam antes).
– 7 aos 12 anos, estudo: possuem desejos de aprender; generosidade e impulsos de ajudar aos demais; laboriosidade, ao querer ser útil e ajudar; fortaleza, ao desenvolver a capacidade de sacrifício e esforço ao cumprir seus encargos e deveres diários.
4 – Aprendizado do adolescente de 12 a 18 anos
– 12 aos 15 anos: aumenta a autonomia, inteligência e o idealismo: ajudar aos demais com as qualidades pessoais desenvolvidas, pois podem desenvolver a consciência de que devem ser generosos; amizade, dada a necessidade de ser estimado e valorizado pelos amigos (é o momento da influência da turma). É preciso conhecer os amigos e explicar o que significa uma verdadeira amizade.
– 13 aos 15 anos, sobriedade: acostumar-se a viver com pouco dinheiro, pois se dão conta de que podem se divertir sem gastar muito; não acumular roupas e tênis, tendo apenas os necessários.
– 15 aos 18 anos, formação de critério: pré-disposição para pensar, julgar, analisar e argumentar. Fomentar o desejo de influenciar positivamente no ambiente social em que vive.
Texto elaborado por Ari Esteves com base nos livros “Educar hoje”, de Fernando Corominas, Editora Quadrante, 2017, São Paulo; e “A educação do homem consciente”, de Helena Lubienska de Lenval, Editora Kirion, Campinas, 2018.
