1 – A criança não tem capacidade para discernir entre o bem e o mal. 2 – Crises de imaturidade na adolescência. 3 – Sem medo de dizer “não”. 4 – Criar bons hábitos até cinco anos de idade. 5 – Três aspectos da virtude da ordem para crianças. 6 – Ordem material, temporal, afetiva e mental
1 – A criança não tem capacidade para discernir entre o bem e o mal
A criança chega ao mundo com movimentos sensitivos (não racionais) que a impulsionam a dormir, mamar, morder, sentir raiva (chorar), pegar, largar… Até os quatro e cinco anos não há nela racionalidade ou lógica, e educar nesses primeiros anos é fazer o papel de condutor ou guia que indica como agir melhor em cada circunstância.
Ao não ter capacidade de discernir entre o bem e o mal, a criança fará apenas o que é gostoso aos sentidos, ou o mais fácil: passará uma manhã vendo TV sem saber se isso é bom ou ruim, não perceberá as consequências da desordem ao deixar jogados seus brinquedos e roupas pela casa, comerá a qualquer momento e de modo intemperado, não partilhará e não ajudará em nada…
Enquanto não tiver a racionalidade mais desenvolvida, que começa a ocorrer a partir dos seis ou sete anos, a criança brincará com um carrinho sujo sobre a toalha limpa. Ao explicar o motivo para não fazer isso, ela, que tem intuição de amor, passará a agir para o bem da mãe, do pai e dos irmãos, substituindo aos poucos o egoísmo pelo amor: − Não suje, para a mamãe não ter que lavar de novo! − Guarde o brinquedo na caixa para o seu irmão encontrar. – Você não vai deixar pudim para sua irmã?
2 – Crises de imaturidade na adolescência
Entre um e cinco anos de idade, se não estiver sendo educada desde a primeira ordem (material), quando chegar aos seis ou sete anos a criança estará enfraquecida nas dimensões psicológica e espiritual. Os maus hábitos criados até os cinco anos a levarão a se conduzir pela preguiça, egoísmo, intemperança, desobediência, afetando, assim, a dimensão espiritual (consciência do eu e onde residem o sentido de responsabilidade e o amor). Desajustada nas três dimensões de sua educação − que não se encaixarão −, a criança passará a tomar decisões erradas, pois estará fortemente influenciada pelos maus hábitos de sua afetividade.
As crises de imaturidade em adolescentes de dez, onze ou doze anos, manifestadas em desobediências, egoísmos, intemperanças, preguiças, irresponsabilidades, ocorrem muitas vezes pela falta de educação nas três dimensões assinaladas, desde as primeiras idades, fazendo-os agir como crianças de cinco anos que não foram educadas em sua afetividade.
3 – Sem medo de dizer “não”
Educar é um trabalho de intervenção curativa, como a do médico (que por vezes dói). Se não há intervenção, a criança não se esforça para agir bem. Portanto, é função dos pais ajudá-la a ganhar bons hábitos pela repetição de pequenas ações diárias, que se transformarão em virtudes. Para essa conquista, os pais não devem ter medo de contristar, de dizer não, sabendo conciliar carinho com exigência: – Querido, arrume agora os seus brinquedos. − Filha, você não irá dormir na cama do papai e da mamãe, mas na sua! – Carlinhos, encerre agora a brincadeira e venha almoçar.
4 – Criar bons hábitos até cinco anos de idade
Mesmo sem a racionalidade desenvolvida, mas pela autoridade, paciência e insistência dos pais, a criança até cinco anos de idade poderá criar hábitos de ordem, obediência, moderação em sua impulsividade (não brigar ao perder um jogo), comer na hora certa. Esses bons hábitos serão racionalizados a partir dos seis ou sete anos, e se tornarão virtudes, porque estas exigem decisão da vontade: – Eu quero ter horário para fazer as coisas!
5 – Três aspectos da virtude da ordem para crianças
Desde as primeiras idades, os pais devem estar pendentes dos três aspectos da educação da pessoa humana: corpo, alma e espírito. Até os cinco anos de idade, a educação corporal é vivida intensamente através da ordem material (guardar seus objetos, ter pequenas tarefas na casa) e da temporal (ter horários ou rotinas), que facilitarão também a ordem dos afetos da criança (autodomínio e controle dos sentimentos, emoções e paixões). Essa ordem primeira (corporal) fortalecerá a educação da segunda ordem, a da alma ou mental (inteligência e vontade), que ocorrerá a partir dos seis anos ou sete anos, quando, então, a criança passará também para a terceira ordem, que é a espiritual e onde residem a consciência eu, o amor e o sentido de responsabilidade: – Quero ajudar a minha a mãe a manter a casa em ordem!
6 – Ordem material, temporal, afetiva e mental
Ordem material: a criança quer pegar, tocar, morder, largar, sentir. Portanto, arrumar e guardar objetos será para ela algo fácil de realizar. Para isso, os pais devem providenciar caixas com desenhos que informarão o tipo de brinquedo que ali deve ser colocado, e determinarão onde cada caixa deverá ser deixada. Há várias tarefas materiais que a criança poderá fazer nas primeiras idades (leia o boletim “Construir a autonomia da criança”). Assim, com bons hábitos criados, mesmo na casa dos avós ou em outros locais, a criança desejará saber onde deve guardar suas coisas.
Ordem temporal: permite a criança ter rotinas ou horário de acordar, mamar, brincar, banhar-se e dormir. As rotinas, que fazem a criança se sentir segura, devem ser vividas todos os dias, inclusive aos sábados e domingos, pois sem elas a criança fica desnorteada, irritada e por vezes estressada. Cada atividade tem um “o que fazer” e um “quando fazer”, sem protelar (leia o boletim “A rotina na vida das crianças”).
Ordem afetiva: A criança deve moderar sua impulsividade e preocupar-se pelos outros ao não mexer em tudo, nem fazer o que quer, seja na igreja (– Silêncio, aqui mora Deus!) ou em qualquer outro lugar (cabeleireiro, consultório médico, lojas). Respeitar e ser gentil com os pais, avós, tios, professores e amigos dos pais, faz parte da ordem nos afetos (sentimentos, emoções e paixões).
Ordem mental: desde pequena a criança necessita aprender que no modo de agir ou fazer há um certo ou errado, um bem ou mal, um pode ou não pode. Mesmo que não compreenda os motivos até os cinco anos, perceberá que o bem sempre deve vencer, seja nos filmes, nos contos que são lidos para elas e nas atitudes dos pais.
Os hábitos de ordem até os cinco anos de idade favorecem a motricidade da criança, e isso tem influência positiva nos aspectos psicológicos ou de ordem mental ao facilitar o sentido de responsabilidade, a captação de conceitos, o domínio da vontade sobre o corpo, a capacidade de concentração ao fazer as coisas.
Texto produzido por Ari Esteves, inspirado na live do Youtube no 17 de Jeb Malheiro.
