Emotividade: Características

1 – A emotividade. 2. Atividade. 3 – Inatividade. 4 – Ressonância. 5 – Quadro caracterológico

1 – A emotividade

    Para muitos autores os caracteres temperamentais do ser humano compõem-se pela emotividade (ou não-emotividade), atividade (ou não-atividade) e ressonância (primariedade ou secundariedade). Todo ser humano possui a capacidade de comover-se, sendo que a maioria das pessoas reage subjetivamente de modo proporcional à provocação externa, porém o emotivo se comove mais facilmente que a média dos indivíduos.

    Por emotividade entende-se a intensidade da comoção afetiva ou sentimental que determinado acontecimento externo causa na subjetividade de alguém. No emotivo ocorre uma desproporção entre a importância objetiva de um fato e o impacto subjetivo nele causado: diante do mesmo acontecimento sua reação será intensa; e ao não-emotivo pouco afetará. A pessoa com predominância emotiva tende a comover-se e agitar-se por coisas que depois perceberá que exagerou na reação. Na emotividade há liberação de certa quantidade de energia orgânica, que se manifesta corporal e psicologicamente pela comoção que os acontecimentos produzem na pessoa. Quando se diz que um temperamento é não-emotivo, por exemplo, não se afirma que careça dos demais traços, mas que os possui em grau inferior, enquanto a não-emotividade predomina sobre os demais.

    Manifestações corporais da emotividade: facilidade para rir ou chorar, enrubescer ou empalidecer; humor variável: o comportamento altera-se bruscamente, indo da excitação ao abatimento; é impressionável; irrita-se com facilidade; inquieto; tom de voz forte e alterado; turba-se diante de um efeito surpresa; movimentos do corpo carregados de expressividade (aperto de mão efusivo, tom de voz, etc.).

Manifestações psicológicas da emotividade: ansiedade injustificada e desproporcional ao fato que a provocou; pode adotar atitude violenta; facilidade para o exagero; tendência a condoer-se e sintonizar-se com os sentimentos de dor ou alegria dos demais; utiliza palavras exageradas (superlativismo); tendência a falar dos demais; sensibilidade extrema às burlas; não gosta de espetáculos violentos; inteligência intuitiva e imaginação concreta; rechaça as abstrações; adere por inteiro e intensamente a qualquer projeto que o arrasta, e fica penetrado de emoção.

2 – Atividade

    O temperamento ativo não tem nada a ver com o ativismo ou movimento contínuo de pessoas impulsivas ou nervosas (isso é apenas atividade aparente). Ser ativo não significa tanto trabalhar, agitar-se, mover-se, mas em ser espontaneamente conduzido a agir para satisfazer essa necessidade, que lhe natural. O ativo age e trabalha mais pelo gosto da atividade do que pelo resultado. Frente a um obstáculo é empurrado instintivamente a aumentar sua capacidade de ação para superá-lo. Está sempre ocupado e aplicar-se rápida e desembaraçadamente ao trabalho, perseverando nele com tenacidade até cumprir os prazos estabelecidos.

Efeitos da atividade sobre a vida psicológica: aptidão para investigar, aprender, realizar; sua inteligência aguçada diminui a influência da emotividade; é decidido e age rapidamente mesmo em questões difíceis; é otimista, criativo, apto para a matemática.

3 – Inatividade

    O não-ativo ou inativo ao agir parece ir contra a própria vontade; queixa-se porque o impulso para fazer algo não vem de dentro, mas é impelido por circunstâncias externas. É inativa a pessoa que desanima diante de um obstáculo, e se faz acompanhar de um certo cansaço e lentidão no agir. Parece inclinada à preguiça, mas na verdade não é preguiça, e sim carência de energia e tendência a desanimar porque sente que não conseguirá alcançar o que pretende. O inativo descuida ou posterga suas responsabilidades, carece de vivacidade no trabalho e foge dos obstáculos. Efeitos psicológicos da inatividade: favorece a passividade do espírito, enfraquece a manifestação dos sentimentos, é escravo de hábitos, evita iniciativas que possam perturbar sua inatividade.

4 – Ressonância

    Por ressonância entende-se a repercussão que as impressões têm sobre o ânimo de cada um. A ressonância está presente em todas as pessoas, mas de modo desigual: se as impressões têm efeito imediato sobre a conduta, a ressonância é primária; se influem posteriormente, a ressonância é secundária. Os primários reagem de forma rápida e contundente diante de ofensas ou contrariedades, mas logo esquecem o fato; são superficiais e inconstantes em seus projetos. A primariedade favorece a soltura e a rapidez de reação. Já os secundários, mais tranquilos, recebem as ofensas ou contrariedades calmamente, porém as guardam, cozinhando-as, dentro de si por mais tempo; vivem mais nas lembranças do passado do que no presente; são conservadores e prendem-se às rotinas porque temem as mudanças. A secundariedade favorece a inibição, a organização pessoal, e faz criar método de trabalho.

5 – Quadro caracterológico

    Da combinação dos três elementos – emotividade (ou não-emotividade), atividade (ou não atividade) e ressonância (primária ou secundária), resultam diferentes tipos de temperamentos. O quadro abaixo é apenas um esquema, pois não se encontra o tipo perfeito, dada a complexidade do ser humano, a determinação de sua vontade em mudar, a educação recebida… Por exemplo, o amorfo, caso tenha vontade forte e espírito de luta, poderá mudar os traços que percebe deslustrar seu comportamento. Trata-se de um ponto de referência para autoavaliar-se e para conhecer os filhos ou os educandos, a fim de intervir com mais eficácia nos aspectos caracterológicos destoantes, pois todos temos a capacidade de nos corrigirmos para melhor, se a vontade for forte:

  • Emotivo – inativo – primário: Nervoso
  • Emotivo – inativo – secundário: Sentimental
  • Emotivo – ativo – primário: Colérico ou dinâmico
  • Emotivo – ativo – secundário: Apaixonado
  • Não emotivo – ativo – primário: Sanguíneo
  • Não emotivo – ativo – secundário: Fleumático
  • Não emotivo – inativo – primário: Amorfo
  • Não emotivo – inativo – secundário: Apático

    Conhecer as características de cada temperamento ajudará n formação pessoal e na educação comportamental de crianças, adolescentes e jovens. Nos próximos boletins veremos com mais detalhes os traços positivos e negativos que resultam das combinações apontadas acima, e o modo de atuar para a melhora de cada temperamento.

Texto adaptado por Ari Esteves com base no livro “Guía práctica de caracterologia”, de José Gay Bochaca, Ediciones Internacionales Univertarias, Madri; e “Conheça o seu filho”, de Anna Maria Costa, Editora Quadrante, e Imagem de Pixabay

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