1 – Vida familiar e profissional. 2 – O remorso por trocar a família pelo trabalho. 3 – A família é o “melhor negócio“. 4 – Hierarquizar as tarefas profissionais e familiares. 5 – Para aproveitar melhor o tempo. 6 – Destinar um tempo para a oração.
1 – Vida familiar e profissional
O trabalho está presente em todas as esferas da vida humana, pois o homem foi criado para trabalhar a fim de sustentar a si e aos seus e contribuir para com o progresso e o bem-estar da sociedade humana. Conciliar vida laboral e familiar surge como um fenômeno novo e complexo ocasionado, afirma-se, pela incorporação da mulher ao mercado de trabalho, fazendo mudar a dinâmica tranquila onde imperava uma clara divisão de tarefas: o âmbito doméstico era mais próprio da mulher e o do trabalho externo pertencia ao homem.
Se a mulher conquistou espaço para se realizar humana e profissionalmente, não significa que perdeu suas qualidades femininas e a forte inclinação natural para a família e a maternidade, que as realiza imensamente. João Paulo II diz “Por um lado, de fato, existe uma consciência mais viva da liberdade pessoal e uma maior atenção à qualidade das relações interpessoais no matrimonio, à promoção da dignidade da mulher, à procriação responsável, à educação dos filhos; há, além disso, a consciência da necessidade de que se desenvolvam relações entre as famílias por uma ajuda recíproca espiritual e material, a descoberta de novo da missão eclesial própria da família e da sua responsabilidade na construção de uma sociedade mais justa” (Exortação Apostólica Familiaris Consortio, n. 6,)
2 – O remorso por trocar a família pelo trabalho
Muitos casais que se ausentam do lar para provê-lo afirmam que a tarefa profissional impede dar atenção ao outro cônjuge, filhos e aos cuidados da casa. Entretanto, hoje já não tem sentido manter a oposição entre trabalho e família, pois os atuais recursos tecnológicos multiplicaram exponencialmente as opções profissionais e as condições de trabalho, permitindo encontrar um ofício ou profissão de acordo com as aptidões pessoais, de modo que se possa trabalhar mais próximo da família.
Porém, pode-se introduzir no trabalho profissional o orgulho ou a vaidade que levam a locupletar-se dos dons recebidos gratuitamente de Deus para melhor servir aos demais, a fim de se ter como um deus e rejeitar as tarefas que não têm brilho, como as de levar adiante a família. Trata-se de um erro desprezar as tarefas simples e sem brilho externo – mas não sem importância – como são as que pertencem à esfera familiar, para deixar-se enganar pelas que oferecem o falso brilho dos holofotes sociais. É vasto o testemunho de homens e mulheres que falharam como pais e esposos porque trocaram a família pelo trabalho, afirmando que “trabalhavam para a família”, mas na verdade buscavam a si próprios: a honra vaidosa, o status pelo status, dinheiro e poder. O sucesso que alcançaram na carreira profissional não os livrou do remorso de verem destruídas a vida familiar e o descaminho dos filhos: ficou-lhes o inapagável ressaibo de tristeza e ausência da verdadeira felicidade ao traírem as pessoas que mais dependiam deles.
O Papa Francisco afirmou que “A família é um grande teste. Quando a organização do trabalho a mantém refém, ou até lhe impede o caminho, então estamos certos de que a sociedade humana começou a agir contra si mesma. É preciso dar unidade a essas esferas, fixar objetivos mais altos, como realizá-las por amor a Deus, em primeiro lugar, pois derivam da condição de ser pais, cônjuges, amigos, companheiros, etc.” (Audiência geral de 19-08-2015).
3 – A família é o “melhor negócio”
Se “a família é o melhor “negócio” de cada pessoa, como afirmam muitos estudos e pensadores, não há razão para permitir que colidam as esferas profissional e doméstica, mas devem ser integradas: o âmbito familiar necessita da atividade profissional para sobreviver com dignidade, e a vida profissional encontra seu sentido e finalidade na perspectiva de servir a família. Assim, se pode aplicar à gestão do lar o método de trabalho das empresas: fixar metas de disciplina familiar, utilizar estratégias para que a esfera profissional não invada a familiar, distribuir as tarefas para que os trabalhos domésticos sejam realizados também pelos filhos e não apenas pelos pais (todos devem contribuir para com a ordem e harmonia da casa), participar de cursos de orientação familiar para melhor integrar os âmbitos profissional e familiar. As empresas inteligentes colaboram com muitas iniciativas para que seus funcionários tenham uma sadia vida familiar, pois assim trabalham melhor.
Cada família tem seu próprio projeto existencial, mas sempre destacando a importância da mulher na vida familiar. Se uma mulher decide dedicar-se ao cuidado do lar sua opção é legítima, e de fato muitas mães optam pelo cuidado exclusivo do lar, conduzindo essa atividade com mentalidade profissional. Já as mulheres que decidem conciliar a vida familiar com o trabalho profissional devem ter presente que o mais importante para elas é a família, pois na empresa é facilmente substituída, mas no lar nunca será.
4 – Hierarquizar as tarefas profissionais e familiares
Para conciliar vida familiar e profissional é necessário a virtude da ordem para que as tarefas de cada esfera não invadam o espaço da outra. Os múltiplos afazeres de cada esfera (familiar e profissional) devem ser hierarquizados de acordo com o seu valor. Não errará no estabelecimento das prioridades diárias quem hierarquizar suas obrigações da seguinte forma: Deus, os outros e eu. Se considerarmos cada esfera como uma caixa que possa ser introduzida harmoniosamente dentro da outra, teremos a seguinte ordem com seus respectivos deveres: a primeira e grande caixa é a de Deu; depois, introduzida (ou encaixada!) nessa primeira vem a caixa da família, seguida pela do trabalho profissional, e por último pela caixa das demais relações. Hierarquizar essas esferas é colocar em primeiro lugar os deveres para com Deus, depois os deveres para com a família, seguido depois pelos deveres da caixa do trabalho profissional e pelas obrigações das demais relações. Se, ao contrário, alguém prioriza a caixa do trabalho, ficam de fora a de Deus e a da família; se prioriza a caixa das relações sociais, por exemplo, ao ir todos os fins de semana jogar futebol com os amigos, poderão ficar de fora todas as demais caixas, rompendo a harmonia das engrenagens e causando distúrbios e dramas na vida de todos os envolvidos. Manter as esferas dentro de uma ordem dá paz e segurança para agir corretamente, sabendo o que se deve fazer em cada momento.
5 – Para aproveitar melhor o tempo
O equilíbrio adequado entre trabalho profissional e vida familiar exige aproveitar bem o tempo e colocar os cinco sentidos naquilo que se está fazendo – “Faz o que deves e está no que fazes” (Caminho, n. 815) –, a fim de dedicar a cada tarefa o prazo exato, nem mais nem menos, para não correr o risco de atrasar-se e invadir atribuições da outra esfera (familiar ou profissional). Fixar a hora de iniciar e concluir o trabalho profissional a cada dia, para retornar ao lar na hora certa, tendo sagrada a convivência com a esposa e filhos, exige que se trabalhe na empresa com intensidade para não atrasar as tarefas, evitando-se para isso paradas para cafezinhos, conversas desnecessárias, consulta às redes sociais… Ao especificar o dia e a hora de cada tarefa, na sua correspondente esfera, não haverá atropelos, pois não será necessário se deixar levar pela improvisação, já que o mais importante de cada esfera terá sido atendido, mesmo que para o dia seguinte fiquem algumas tarefas para serem realizadas, que certamente não serão as mais importantes.
Uma vida familiar saudável requer que o uso do tempo seja feito com qualidade. Em casa, evitar atividades isoladas, como pôr-se diante da TV e ficar procurando algo para assistir, pois isso indica falta de organização pessoal e acomodar-se ao mais fácil e não ao mais importante. Ter presente que o curto tempo que se passa com a família deve ser bem aproveitado para dialogar com a esposa e filhos. Fazer atividades conjuntamente para descansar e os pequenos encargos do lar enriquecem e reforçam os vínculos familiares.
6 – Destinar um tempo para a oração
Dor e cansaço estarão sempre presentes no trabalho bem realizado, seja ele profissional ou familiar, e isso é o que adorna a pessoa de muitas virtudes e forja o caráter e a personalidade. Consegue enfrentar com alegria e otimismo o trabalho profissional e o cuidado da família quem fixa um tempo diário de 10 a 15 minutos, antes de sair para o trabalho, para falar com Deus, tal como um filho ou filha conversa descontraidamente com seu pai. Quanto mais complicado de tempo e mais responsabilidades possui uma pessoa, mais necessita ela dessa conversa filial com Deus para obter luzes e forças e não se sentir sozinha na luta diária para conciliar família e trabalho.
Texto produzido por Ari Esteves, e inspirado no artigo “Trabalho e família: diretrizes para conciliar” de Rosalía Baena em www.opusdei.org/pt-br. Imagem de Ketut Subiyanto
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