A formação pessoal deve fortalecer as virtudes e contribuir para a configuração do caráter. Em primeiro lugar, é preciso fomentar o hábito de reflexão pessoal, pensar sobre as próprias ideias, aspirações, desejos e sentimentos, tendo sempre presente que o fim último da vida não é acumular dinheiro ou poder, porque não temos por aqui cidade permanente, mas nos encaminhamos para a futura. A dimensão reflexiva é necessária para cultivar convicções pessoais fortes e profundas que movam a vontade em direção à verdade, ao bem e à beleza, dando, assim, firmeza e coerência ao agir.
O conhecimento dos valores que regem a conduta humana favorece a resposta livre, de amor, à ação, e não um simples cumprimento de obrigações ou regras que espartilham. Distinguir entre valores essenciais e os que não o são é uma das características da personalidade madura e que dá passos seguros ao saber distinguir entre o que tem transcendência e o que não tem.
A capacidade de distinguir entre o mais e o menos importante é condição para o desenvolvimento pessoal e dos demais. Isso porque há valores estáveis, objetivos, que não dependem de estados de ânimo ou da opinião pessoal, pois a verdade é uma adequação da inteligência com a realidade externa.
Portanto, os valores são guias e critérios de conduta, e à medida que se orientam para bens elevados, realizam e tornam mais feliz a pessoa. Se alguém assume como guia de vida a riqueza, divertimento ou o bem-estar, sua existência se exporá à instabilidade própria desses bens sensíveis e passageiros. Porém, se busca valores estáveis e universais – portanto, não contingentes ou passageiros –, plenifica e eleva de forma duradora sua vida: amizade, solidariedade, amor a Deus, montar uma família, aperfeiçoar as habilidades ou talentos pessoais para melhor servir aos demais…
Aos pais não basta dizer aos filhos que não use drogas, não acesse pornografia na internet, não namore na adolescência, não malgaste o tempo em redes sociais, limite o tempo para os games, estude, ajude nas tarefas do lar… Só oferecendo razões profundas sobre os porquês de tais ações, os adolescentes terão esclarecida a inteligência e fortalecida a vontade para mover-se em direção ao bem, ao mesmo tempo que saberão dar explicações aos amigos quando foram aliciados a agir de modo contrário.
Para os pais oferecerem razões profundas aos filhos, necessitam ler para proverem-se de respostas convincentes sobre a formação do comportamento, sentido da família, da sexualidade humana, do namoro… Isso porque a leitura de temas que aprofundam nas diferentes dimensões do comportamento ou da vida humana, oferece luz à inteligência e força ou convicções firmes para a vontade agir com coerência e não ser levada por antivalores. Devem, os pais, compreender que a contemplação da arte, da natureza, da boa música conduz ao assombro, ao silêncio interior e afinam a sensibilidade para buscar o autenticamente bom e belo. A conversa com os filhos sobre os clássicos da literatura e do cinema ajudam a que sejam mais reflexivos e formem o caráter. Sugerimos a leitura dos nossos boletins, que oferecem argumentos interessantes para ajudar os filhos sobre vários temas: https://staging.ariesteves.com.br/boletins-por-temas/
No caminho da formação é preciso saber conviver com a imperfeição própria e alheia, conscientes de que Deus nos quer pelo que somos e não pelos resultados que obtemos. A caridade, ou carinho aos demais, é o que motiva e dá a forma às demais virtudes, por isso todo o desejo de melhora, toda tarefa formativa leva a crescer em caridade, pois esta virtude dá forma às demais virtudes: por exemplo, a fortaleza sem caridade se transforma em brutalidade; a justiça sem caridade se transforma em arrogância. Parte da formação humana consiste em desenvolver as virtudes sociais que enriquecem o próprio indivíduo, capacita para conviver com todos e respeitar os modos de ser e de fazer diferentes dos próprios, sendo o caminho natural para a fraternidade, amizade e colocar os próprios bens e talentos ao serviço dos demais. Entre as virtudes da convivência estão a solidariedade, magnanimidade, amabilidade, preocupação pelos mais necessitados, atitudes de escuta e atenção, delicadeza no trato, comportamento respeitoso e educado.
O modo de falar e olhar, o pudor no vestir e mover-se, o sorriso e a discrição no atuar revelam tal riqueza interior que prescinde da necessidade de chamar a atenção dos demais. Não são apenas aspectos externos isolados, nem dependem exclusivamente das circunstâncias, mas comunicam a própria identidade e desvelam de algum modo o interior de quem os possui. Uma interioridade rica se expressa exteriormente de forma harmônica, adequada, e forja a personalidade para ir contra os valores negativos. O aprofundamento na compreensão de quem somos, o cultivo de convicções firmes fortalece a vontade para não se deixar levar pelo que a maioria faz, ao mesmo tempo que oferece as razões para explicar com sabedoria o porquê se age desta ou daquela maneira. Só assim haverá uma transformação positiva no ambiente que nos cerca.
Texto de Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/. Foto de Andrea Piacquadio.
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