Qual a idade certa para seu filho ter um celular?

         Não é a idade que determina se uma criança pode ou não ter um celular, mas uma qualidade chamada autodomínio ou capacidade de não se deixar dominar pelas coisas ou gosto pessoal, também chamada de virtude da temperança. Se para os adultos é difícil ter autocontrole para não consultar as redes sociais fora de hora, dada a imensa atratividade dos celulares, pensemos quão difícil é para uma criança agir temperadamente, pois ainda não domina seus sentimentos e paixões, nem desenvolveu o sentido de hierarquia para atender antes suas obrigações.

         No canal do Youtube LuzNaJornada1, a terapeuta familiar Daniela Monteiro oferece dicas preciosas para os pais identificarem o momento de dar um celular ao filho, para não gerar problemas a ele e aos pais.

         Para avaliar o momento em que a criança está apta para manusear um celular, os pais devem antes considerar certas atitudes comportamentais do filho:

         – Se é capaz de privar-se do seu gosto ou deixar uma brincadeira para cumprir o encargo que lhe foi determinado ou fazer a lição da escola;

         – Se reluta deixar de ver televisão e ir às refeições ou preparar-se para ir à escola;

         – Se pela manhã não levanta no horário e atrasa todo o planejamento familiar;

         – Se deixa de fazer frequentemente a lição de casa;

         – Se não respeita a autoridade dos pais e com raiva diz o que lhe vem à cabeça;

         – Se na mesa come ou bebe com avidez e exagero e não controla os impulsos e abre a geladeira fora de hora…

         Caso as respostas às perguntas acima forem afirmativas, não é o momento de dar ao seu filho um celular, pois o atrativo desse aparelho é muito grande e ele não terá forças para dominá-lo. Não ceder à chantagem emocional das crianças se disserem que foi um presente dos avós, ou porque os colegas de sala de aula possuem, ou porque têm dinheiro da mesada ou ganharam dos tios para comprar um celular…

         Ao invés de dizer um rotundo “não daremos a você um celular”, proponham a ele um desafio: – Você vai ter um celular assim que estudar diariamente e fizer as lições de casa, porque essas são suas obrigações principais. Os desafios podem ser outros: cumprir primeiramente os encargos que lhe foram atribuídos na casa, obedecer quando for indicado para ir dormir… Ou seja, seu filho deve ter a mínima capacidade de autodomínio e de dizer não a si e aos seus impulsos. Essa constatação poderá revelar que o filho mais novo pode ter um celular e o mais velho não.

         Quando seu filho apresentar traços de autodomínio, tenha uma conversa com ele para combinar o modo como deverá utilizar o celular. Será uma espécie de contrato com seis regras que vocês, pais, também se submeterão nas suas circunstâncias pessoais, a fim de dar exemplo:

         1 – O celular só deverá ser usado nos locais públicos da casa, e não no quarto ou banheiro;

         2 – Excluem os horários de uso do celular durante o tempo que está na escola (para os pais, na vida familiar e no trabalho), a fim de facilitar a concentração e a socialização do filho. A Daniela Monteiro explica que é possível liberar na escola o uso de aplicativos que interessam: Uber, calculadora, agenda, etc, e bloquear aplicativos que não interessam nesse período: se o tempo de uso do celular na escola for pequeno, não há problema algum.

         3 – Nos fins de semana a criança poderá utilizar o celular por duas horas, e não mais, para não se isolar ou viciar-se em condutas individualistas: deve gastar tempo para fazer esporte ou brincar ao ar livre, ler, conviver com os parentes e amigos, participar de atividades familiares…

         4 – Regular o tempo máximo para usar certos aplicativos, como por exemplo, 30 minutos para o Youtube ou outros, uma hora para games e desenhos para não se tornar passivo, preguiçoso e sem iniciativas;

         5 – Ficarão ativados filtros de conteúdo para adultos, a fim de impedir a entrada em sites, canais ou blogs com material viciante ou nocivo à saúde mental;

         6 – Não terá autorização para instalar aplicativos no celular, tais como certos jogos ou outras plataformas que levem a curiosiar e perder o tempo, a não ser que conte com o consentimento dos pais.

         Se o filho aceitar essas regras que vocês, pais, também procurarão vivê-las, podem entregar a ele um celular. Digam-lhe que as restrições desse contrato poderão ser amenizadas se ele souber administrar bem a própria liberdade, ou aumentadas se cometer abusos. Se no período de uso do aparelho ele reclamar das restrições, diga que foi o acordado e que vocês, pais, estão vivendo o combinado e que ele também precisa ser coerente com a palavra dada.

         No final do vídeo, Daniela oferece dois links que ensinam como configurar os aplicativos que controlarão o uso do celular em aparelhos androides ou da Apple.

         Aproveite para ler o boletim EDUCAR PARA A TEMPERANÇA