Todos nós recebemos gratuitamente, como parte do nosso “DNA interior”, qualidades pessoais e capacidades únicas. Cabe a cada um descobri-las, desenvolvê-las e colocá-las a serviço do crescimento humano, profissional, cultural e espiritual, tanto próprio como daqueles que nos rodeiam: amigos, colegas, vizinhos, companheiros de trabalho ou de escola.
Os talentos se manifestam de maneiras variadas: organizar, fazer, ensinar, escutar, criar, ajudar, unir. É essencial identificar essas capacidades e potencializá-las, aproveitando bem o tempo para não correr o risco de desperdiçá-las com frivolidades e curiosidades, caindo em uma vida superficial e vazio interior.
Um exemplo luminoso de quem soube avaliar suas possibilidades foi a vida de Maria de Lurdes Guarda, que faleceu em 5 de maio de 1996. Ela ficou paraplégica por erro médico e passou os primeiros vinte anos da doença revoltada. Mas, ao colocar-se diante de Deus para saber qual era a vontade dEle, entendeu que ainda podia ajudar outros paraplégicos e doentes crônicos. Desde sua cama, e usando os únicos movimentos que conservava — dos braços — passou a escrever cartas e fazer telefonemas a pessoas desesperançadas. Ajudava-as a encontrar sentido, coragem e até meios práticos para sustentar suas famílias. Ela os animava a viverem a doença unidos à Cruz de Cristo. Sua vida frutificou intensamente. A Diocese de Jundiaí, sua cidade natal, deu início ao processo de sua beatificação.
Há muitos tipos de talentos ou qualidades pessoais. Eis alguns exemplos:
Talentos Criativos: desenhar ou pintar, escrever bem (textos, poesia, histórias), cantar ou tocar instrumentos musicais, atuar ou se expressar artisticamente, criar ideias novas (design, soluções originais, inovação)…
Talentos Intelectuais: facilidade com lógica e raciocínio, capacidade de aprender rapidamente, habilidade em matemática ou ciência, espírito analítico e crítico, boa capacidade de concentração e foco…
Talentos de Comunicação: falar em público com clareza e persuasão, ouvir com empatia e atenção, escrever com impacto, ensinar com paciência e didática, inspirar e motivar pessoas…
Talentos Interpessoais: trabalhar bem em equipe, resolver conflitos com diplomacia, liderar com empatia, fazer amizades com facilidade, gerar confiança…
Talentos Práticos: habilidade manual (consertar, construir, costurar, cozinhar…), organizar e planejar, gerenciar o tempo com eficiência, cuidar de ambientes ou de pessoas com atenção, facilidade com tecnologia ou ferramentas…
Talentos Emocionais e Espirituais: intuição sensível, paciência e autocontrole, capacidade de perdoar ou acolher, sabedoria para aconselhar, disposição para servir e ajudar os outros…
Esses talentos se manifestam de forma única e mais intensa em cada pessoa. O importante é reconhecê-los e colocá-los a serviço do bem comum. Como propõe este boletim: é preciso frutificar os talentos e os dons recebidos.
O que não pode acontecer é alguém paralisar-se diante dos talentos dos outros, comparando-se com inveja e esquecendo-se de valorizar os próprios dons. Toda pessoa tem potencial para alcançar grandes resultados, desde que se proponha a examinar com honestidade suas capacidades — sejam pequenas ou grandes — e fazê-las frutificar por amor a Deus e aos demais.
É verdade que podemos “enterrar” nossas qualidades quando ficamos presos às limitações. No entanto, o maior fruto que podemos dar é o amor. Qualquer pessoa pode amar, se for generosa. O segredo da felicidade está precisamente nas obras de amor.
É fundamental incentivar crianças, adolescentes e jovens a descobrirem suas aptidões, sem forçá-los para áreas que não correspondam às suas inclinações. Vale ajudá-los a investir o tempo com sabedoria e aproveitar melhor o tempo, não desperdiçando-o em redes sociais ou games, mas em bons podcasts, vídeos, livros, visitas a museus e ambientes culturais ou científicos que despertem e entusiasmem para corresponder à vocação à qual estão chamados.
Texto produzido por Ari Esteves.
