1 – Sentimentos normalizados: base da personalidade sadia. 2 – Iniciar a normalização pelo autodomínio. 3 – Pais, melhores educadores da afetividade dos filhos.
1 – Sentimentos normalizados: bases da personalidade sadia
Aos pais corresponde antes de tudo normalizar os afetos dos filhos (sentimentos, emoções, paixões), pois são bases para uma personalidade sadia. Se falharem nessa tarefa os filhos terão dificuldades para dominar-se, crescer em virtudes, ter um amadurecimento psicológico de acordo com a idade, o que afetará também a convivência com os demais. Se desde a infância e adolescência os filhos aprenderem a ter harmonia sentimental, saberão resolver suas crises afetivas, darão à inteligência a direção da conduta e não aos sentimentos, manifestarão de modo adequado seus sentimentos ao não colocar demasiado afeto em realidades que merece menos (perder um jogo sem irar-se) e colocarão mais sentimentos em realidades que merecem mais (compadecer-se dos que sofrem), suportarão um “não” ou uma contradição sem emburramentos, aprenderão esperar com paciência e assumirão projetos ou ideais de serviço aos demais, mesmo que exijam sacrifícios pessoais.
2 – Iniciar a normalização pelo autodomínio
Diz o ditado que “é de pequenino que se torce o pepino”. Para não deixar o pepino entortar, há pais que iniciam a educação para o autodomínio a partir dos dois anos, porque nessa idade as crianças já compreendem as indicações e cumprem com alegria as pequenas tarefas adaptadas à sua capacidade: ao colocar nas respectivas caixas os brinquedos após o uso, a criança estará dominando-se para não deixá-los jogados no chão, que seria o seu natural, e o mesmo ocorrerá ao colocar a roupa para lavar no cesto ou pôr no lixo a fralda suja, entre outros encargos que cumprirão sorrindo.
Mais do que iniciar a educação dos filhos através de aulas e cursos para fortalecer a inteligência, os pais devem começar pela educação ou normalização dos sentimentos, porque é a base para o autodomínio e o fortalecimento da vontade (uma vontade fraca se deixa vencer por muitos vícios). O dia a dia da vida familiar está repleto de oportunidades para estimular a criação de hábitos bons ou virtudes que evitarão as desordens da preguiça, intemperanças e egoísmos. Para isso, os pais precisam ajudar os filhos a crescer não apenas em autodomínio, mas em fortaleza, preocupação pelos demais, espírito de serviço, entre outras virtudes que levarão por toda a vida, ao exigir, por exemplo, que mantenham em ordem suas roupas e demais objetos pessoais; a serem pontuais nos horários de dormir, acordar, fazer as refeições, jogar ou brincar; ao cumprir encargos para o bom andamento do lar, ao ter um horário diário após as aulas para estudar em casa, ao aproveitar o tempo livre para leituras e ampliação cultural.
Ao não educar a afetividade desde as primeiras idades, já na adolescência a falta de domínio das paixões levarão a comportamentos que enfraquecerão o caráter e a personalidade: intemperança na comida, pornografia na internet, fuga das tarefas que exijam esforço (estudar, ajudar em casa), modos desregrados de divertir-se e descansar. É triste ver estatísticas que apontam ser a faixa etária de 13 a 25 anos a que comete crimes mais violentos, porque não houve educação familiar na infância e na adolescência. São os pais e não os órgãos públicos os mais indicados para eliminar a violência juvenil. Os estados que apoiarem as famílias na educação dos filhos atuarão com inteligência, maior eficácia e menos gastos públicos, já que os pais não exigem salários, não fazem greves, não tiram férias e não folgas aos domingos e feriados, não precisam de secretarias ou órgãos de controle para que cumpram suas obrigações, e gastarão menos com o aparato policial de repressão à violência.
3 – Pais, melhores educadores da afetividade dos filhos
Os pais são os únicos e mais eficientes educadores da afetividade, temperamento e caráter dos filhos. Essa eficiência radica-se no amor e na natural confiança que os filhos têm pelos pais. Ao estarem sempre presentes, são os únicos que podem oferecer uma eficiente educação personalizada aos filhos.
Para normalizar os sentimentos dos filhos, os pais devem ir na frente e serem modelos, pois a falta de exemplo afeta os filhos. Para educar hoje, os pais não devem confiar apenas no bom senso, pois a descarga de desinformação que recai sobre os filhos faz urgir que se oferecem a eles respostas que satisfaçam plenamente a inteligência, pois já não basta dizer os ultrapassados “Porque não pode” ou “Porque eu quero”. Pai e mãe mal preparados não podem ser bons educadores, e por isso devem buscar uma sólida formação por meio de leituras, palestras, áudios e cursos para educar com eficiência.
Texto produzido por Ari Esteves. Imagem de Aguida Medeiros (@aguidamedeirosm).
