1 – Falhamos muitas vezes. 2 – Por que nos deixamos vencer? 3 – As crianças e a má vontade.
4 – Para mudar necessitamos de um querer forte.
1 – Falhamos muitas vezes
Digam-me: quem nunca falhou em nada? Falhamos muitas vezes e não fazemos o bem que gostaríamos de fazer, nem evitamos o mal que desejaríamos evitar. Por vezes, nos propomos fazer uma coisa que nos custa um pouco e depois não a fazemos: regime para emagrecer, exercícios físicos, deixar de fumar, chegar no horário, ser mais organizado, dedicar um tempo diário ao estudo dos assuntos da nossa profissão, exigir um dia e outro que os filhos cumpram as suas tarefas.
Quando o querer da vontade não tem forças para resistir ao “conforto” que a preguiça oferece, surge o sentimento de má vontade, e então cedemos, deixando de fazer o que deveríamos.
2 – Por que nos deixamos vencer?
Mas por que custa tanto mudar de atitude?
- Todo esforço desagrada, e a isso chamamos de preguiça, que é a tristeza diante do dever a ser cumprido. Custa sair da rotina ou da comodidade para complicar a vida e se sacrificar pelo bem dos outros.
- A pressão social ou vergonha de ir contra o ambiente pode nos levar a agir de forma diferente da que pensamos.
- Porque nos deixamos arrastar pelos bens que nos atraem mais, tais como os ligados ao instinto: comida, bebida, conforto…
- Também podemos ser arrastados por bens de inclinação psicológica aos quais nos afeiçoamos de forma desordenada: trabalho exagerado; ânsia por dinheiro, posição ou poder; paixão desmedida por um hobby ou passatempo que faz abandonar outros afazeres. Trata-se da desordem ou intemperança no modo de desejar as coisas.
- Há pessoas que falham mais gravemente ao se deixar arrastar de forma desordenada pela lei do gosto imposta pelas inclinações primárias (comer, beber, divertir-se). São os vícios que que arrastam a ponto de tirar a capacidade de decidir livremente e dizer um não a essas forças, extremamente deletérias: jogos de azar, drogas, pornografia, intemperança na comida ou bebida… Tais afagos, quando se incrustam na imaginação e na memória, obscurece a consciência, debilita a vontade e a pessoa cede.
3. As crianças e a má vontade
É um grave erro antropológico pensar que as crianças estão imunes à má vontade. Como todos os filhos de Eva, elas também padecem do vírus da preguiça, do desejo de comodidades e de empurrar com a barriga o que custa fazer. Os pais precisam ensiná-las a fazer não apenas o que gostam, como ficar metidas em seus jogos e brincadeiras. Para isso, é necessário motivá-las a ajudar, a assumir tarefas ou encargos adaptados à idade de cada uma, a fim de que possam colaborar para o bem de todos no lar. Ao deixar uma atividade prazerosa para colocar, por exemplo, os pratos na mesa, tirar o pó dos móveis, arrumar o quarto e os brinquedos, fortalecerão a vontade e criarão o hábito de cumprir primeiramente seus deveres para ir depois aos seus prazeres. Ao se habituarem a fazer não só o gostoso, nunca serão molengonas como churros e sem forças para estudar, ter disciplina para acordar e chegar pontualmente à escola. Além disso, ganharão virtudes como a fortaleza, espírito de solidariedade, sentido de responsabilidade, ordem, autodisciplina, entre outras.
4 – Para mudar necessitamos de um querer forte
Deixar-se vencer pelo mais cômodo é uma condição que não devemos aceitar. Ninguém busca o mal pelo mal, mas porque este parece prometer muito, mas por fim oferece pouco, pois tudo o que verdadeiramente vale a pena custa esforço. O segredo é conservar a capacidade de ver a verdade com a inteligência e tomar decisões pelo querer da vontade. Ambas − inteligência e vontade − devem ser as nossas capacidades reitoras, e não as paixões, que apenas gostam ou não de algo (claro, elas são ótimas quando apoiam as decisões corretas, pois nos ajudam a enfrentar os obstáculos para chegarmos ao fim proposto).
Com um querer forte não seremos marionetes dos nossos sentimentos e instintos: quem deve comandar nossos atos somos cada um de nós que, por meio de um juízo prático da inteligência, e com uma vontade forte, guiada pela luz da inteligência, nos deve levar a tomar decisões acertadas. Imaginem um cavalo que conduz o cavaleiro para onde, ele, cavalo, bem gostar, porque o cavaleiro não tem inteligência para guiar o animal para onde ele deveria ir! Imaginaram? Pois temos aí a imagem de quem se deixa conduzir pelos sentimentos e instintos e não pela inteligência e vontade.
Como se fortalece a vontade? Por meio de virtudes! Comece a fazer pequenos atos contrários aos defeitos pessoais, e ajude as crianças também a realizarem atos contrários aos defeitos que possuem: pontualidade, não perder tempo em redes sociais, temperança na comida e bebida (não comer fora de hora), não adiar os deveres, ordem nos objetos pessoais (é mais fácil deixar os livros ou brinquedos em qualquer lugar), aproveitar melhor o tempo e não ficar horas diante da televisão, entre outros muitos pequenos exercícios.
Bom treino! E não esqueça de ensinar as crianças a se exigirem mais de si mesmos.
Texto produzido por Ari Esteves.
