Afetos e emoções não devem comandar as ações

1 – O sentimentalismo é um mal. 2 – Os sentimentos podem conduzir a erros. 3 – Não confiar plenamente nos sentimentos.

1 – O sentimentalismo é um mal

O sentimentalismo é um mal, pois se trata da pré-disposição ou atitude de permitir que a vida seja comandada pelos afetos e emoções. O sentimental ou emotivista transfere para as coisas o afeto que deveria ter para com as pessoas, já que adota como motivo de sua conduta a presença ou ausência de sentimentos: se gosta faz, se não gosta não faz (ou adia). Vive a lei do gosto, própria dos sentimentos, pois a sua vontade (potencia espiritual) tem um querer fraco e já não comanda suas ações. Ao confiar demasiadamente nos sentimentos, o emotivista deixa de examinar com a inteligência se deve ou não fazer algo; caso examine, não consegue ultrapassar a barreira dos sentimentos, como o da preguiça, e deixará de fazer o que deve (poderá fazer se o sentimento for de entusiasmo).

2 – Os sentimentos podem conduzir a erros

Ao variar com frequência, porque não são equânimes, os sentimentos fazem o emotivista mudar constantemente de planos, o que faz de sua vida um eterno começar sem nunca acabar. Seu caráter, por depender de estados de ânimo, torna-se inconstante, inseguro e superficial. Quem confia demasiadamente nos sentimentos acaba tendo desenganos ou decepções ao não penetrar com a inteligência, por exemplo, no conhecimento da pessoa com quem deseja montar uma família (se tudo ficou apenas no nível dos sentimentos poderá ter decepções).

Outra falha a que nos podem levar os sentimentos é amar desmedidamente realidades que não merecem tantos sentimentos, como transferir a animais os mesmos sentimentos que deveriam ser colocados, por exemplo, em crianças privadas de amor, enfermas ou sem recursos; idosos sem familiares em asilos. Todos seremos julgados pelo amor que não tributamos às pessoas.

3 – Não confiar plenamente nos sentimentos

Por que não confiar demasiadamente nos sentimentos? Aristóteles dizia que os sentimentos são como o nosso gato doméstico: pode-se amestrá-lo, mas não se pode confiar plenamente nele, pois pode nos atacar. Platão se referia aos sentimentos como grandes companheiros do homem, ainda que não tenham a maioridade e são como crianças pequenas e irresponsáveis. Ou seja, é bom desconfiar e examinar por onde eles nos levam. É próprio do ser humano ser racional, o que o leva a examinar tudo pela inteligência, pois esta é a única que aprecia todos os aspectos de cada realidade, a fim de que a vontade possa assumir com segurança o melhor comportamento. Os sentimentos devem apoiar e seguir aquilo que foi fruto de um juízo correto. E se os sentimentos não seguirem o mesmo caminho, devem ser corrigidos e não acolhidos.

Texto produzido por Ari Esteves. Fotografia de Alex Azabache.