Conflito com os filhos: previna-se.

1 – Pais inseguros. 2 – Pais agressivos. 3 – Pais assertivos. 4 – A importância das medidas corretivas.

1 – Pais inseguros

    Três reações que costumam ter os pais em conflito com um filho: Insegurança ou permissividade, agressividade, assertividade.

    Inseguros ou permissivos são os pais que não sabem como agir diante de um conflito com o filho. Confusos, não transmitem de modo claro e firme o que esperam do filho. Por isso, são ignorados e não levados a sério. Então, encolhem os ombros e deixam as coisas ficarem como estão, acreditando falsamente que com o tempo a criança irá se autoeducar.

    O que leva esses pais a tolerarem o erro? Medo de passarem um mal bocado com os filhos; aceitarem modelos liberais de conduta impostos pelas novelas, filmes, sites, programas de TV; deixarem-se influenciar por correntes psicológicas que insistem em não reprimir as crianças para não causar traumas; ou porque se deixam levar pela lei do menor esforço – preguiça! –, que nos afeta a todos.

    Pais inseguros constroem em casa uma bomba-relógio que explodirá em breve tempo. O falso sossego que conseguem com a omissão findará logo, porque os defeitos vão crescer no espírito do filho como mato em campo abandonado, fazendo valer o ditado “É de pequenino que se torce o pepino”. Ou seja, é mais fácil evitar que um defeito se fixe no temperamento e caráter do filho, do que arrancar dele algo que deitou raízes profundas: não estudar, apegar-se a jogos e mídias, não cumprir os encargos familiares, irreverencias, teimosias…

2 – Pais agressivos

    Os pais agressivos ou violentos se sentem fracassados por terem chegado a esse nível de educação. Ao não saberem lidar com as rebeldias se valem da força física para serem obedecidos: seguram o filho pelo braço com violência, sacodem e beliscam. Por vezes, colocam o indicador no rosto da criança e gritam palavras hostis do tipo: “Você me deixa louca, doente”, “Você é um desastre, um sem-vergonha e irresponsável”. Essas atitudes fazem os pais perderem o prestígio e a autoridade moral diante do filho. Ao humilhar e ignorar os sentimentos da criança, diminuem a autoestima dela, atemorizam-na e a tornam apática, indecisa e com medo de agir para não ser repreendida.

    Para se ver livre da brutalidade a criança obedece a um pai agressivo, mas desenvolve sentimentos de revolta e distanciamento; e se tiver personalidade forte, logo partirá para o enfrentamento.

3 – Pais assertivos

    Pais assertivos não esperam que a criança se torne ingovernável para começar agir. Iniciam o quanto antes a educação do comportamento, harmonizando firmeza carinhosa com carinho firme (bigorna almofadada). Não têm medo de exigir e de utilizar uma linguagem positiva, afetuosa, mas exigente em suas mensagens, que são claras quanto ao que deve ser feito, quando deve ser feito e as consequências se não for feito (medidas corretivas).

    Estar atentos às reações dos filhos é atitude presente em pais assertivos, que percebem e agem rápido ao notar falhas de caráter e tendências temperamentais ou ações instintivas desordenadas e dominantes: desobediências, rebeldias para não cumprir os encargos familiares, preguiças, frivolidades, explosões de raiva nos jogos.  Para isso, procuram ler bons livros de orientação familiar, pois sabem que hoje a educação do comportamento exige mais do que o bom senso e a experiência pessoal. Diálogo com uma mãe assertiva:

    Mãe: – “Não é hora de videogame, mas de arrumar seu quarto e os brinquedos”.

    Filho: – “Quero continuar jogando”.

    Mãe: – “Já sabe a regra: não haverá jogo se antes não arrumar seu quarto e os brinquedos… Ou ficará no seu quarto por duas horas, sem jogos”.

4 – A importância das medidas corretivas

    Os pais devem ajudar o filho a se conhecer e a ter uma luta alegre e esportiva, feita de pequenos atos diários e contrários ao defeito que o domina. Conseguem isso por meio de comparações e explicações bem pensadas, que fazem a criança compreender que não pode admitir defeitos na vida dela como quem cultiva vírus ou bactérias dentro de si. Claro, esses pais primeiramente lutam para serem melhores, pois sabem que o exemplo vale mais que mil palavras.

    As vias de fato são mais eloquentes do que as palavras. Para não improvisar uma medida disciplinar de modo impensado e de bate-pronto – sempre são exageradas e não educam –, os pais assertivos combinam previamente com os filhos qual medida disciplinar será aplicada se desobedecerem. Os filhos, por saberem que os pais sempre cumprem o que dizem, policiam melhor os seus atos.

    Importante sugestão de leitura: livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfor-Pike, Editora Quadrante, São Paulo.

Texto produzido por Ari Esteves com base no livro “Carinho e firmeza com os filhos”.