A criança pode tentar manipular os pais. 1 – Técnica do Disco Riscado. 2. Técnica do Nevoeiro. 3. Técnica da Interrogação Negativa. 4. Técnica da Extinção. 5. Técnica do Tempo Afastado. Os filhos devem ter encargos domésticos.
A criança pode manipular os pais
Em vez de obedecer, a criança pode argumentar ou discutir para descumprir a ordem que lhe foi dada. Trata-se de uma tentativa de manipular os pais para que cedam. A criança não deve vencer os pais numa discussão; e estes não devem entrar na controvérsia criada pelo filho, que não terá fim e os desautoriza.
Seguem cinco técnicas para os pais frustrarem as intenções bélicas dos pirralhos e colocarem um fim nas tentativas de embate:
1 – Disco Riscado
Soa feito disco riscado que repete sempre a mesma frase. O pai − ou a mãe − deve repetir ao filho a ordem dada enquanto ele argumenta de modo contrário. Ao não responder aos seus questionamentos, porque continua a ouvir o mesmo, o garoto percebe que sua tentativa de manipulação foi ignorada:
Mãe: − Ricardo, por favor, recolha já seus brinquedos porque estão jogados pelo quarto.
Filho: − Por que sempre eu tenho que recolher? O Thiago nunca faz isso!
Mãe, com voz tranquila, diz: − Esse não é o tema. Eu quero que você recolha já os brinquedos (disco riscado).
Um modo errado de agir seria a mãe enredar-se para provar que não é injusta ou implicante. Se agisse assim teria perdido autoridade e empoderado o filho, cujos argumentos teriam alcançado o efeito desejado.
Pensemos na situação onde o disco riscado não causou efeito. Então, deve-se unir gestos à ordem e informar sobre o castigo que poderá acontecer: olhar nos olhos do filho, pôr delicadamente a mão sobre o ombro dele, e voltar a afirmar:
Pai: − Já disse que parasse de brigar com o seu irmão agora mesmo.
Filho: − Não é culpa minha; ele que começou.
Pai, com firmeza:
− Essa não é a questão. Eu disse para você deixar agora mesmo de incomodar seu irmão (disco riscado).
Filho: − Por que você só chama a minha atenção?
Pai: − Raul, deixe já de incomodar seu irmão (disco riscado).
Filho: − Por que sempre implica comigo?
Mantendo-se firme na ordem dada e sem contra-argumentá-la, o pai apoia serenamente a mão sobre o ombro da criança e diz:
− Raul, se voltar a incomodar seu irmão ficará de castigo em seu quarto por toda a manhã, sem os seus jogos (disco riscado).
2 – Técnica do Nevoeiro
No nevoeiro se escondiam os navios piratas para não serem vistos; nas guerras os soldados lançam bomba-fumaça para confundir a visão e não serem alvejados. Também no nevoeiro os pais podem se ocultar diante das intenções bélicas e manipulativas da criança, que não encontrará oponente porque os pais lhe devolvem a provocação, sem questioná-la:
A mãe impõe um castigo ao filho que a desobedeceu. O garoto reage de bate-pronto:
− Você é malvada!
A mãe, tranquilamente, afirma:
− Pode ser que pra você eu pareça malvada (nevoeiro: não entrou no conflito).
Filho: − Você sempre zomba de mim.
Mãe: − Pode ser que você pense que eu sempre zombe de você (nevoeiro).
Pode-se unir a Técnica do Nevoeiro à do Disco Riscado ao não reagir à crítica e tornar a exigir que cumpra a ordem:
Mãe: − Recolha seus brinquedos agora mesmo.
Filho: − Você é malvada; sempre eu tenho que guardar!
Mãe: − Pode ser que pra você eu seja malvada (nevoeiro), mas recolha seus brinquedos agora mesmo (disco riscado).
Filho: − Tá sempre pegando no meu pé.
Mãe: − Pode ser que você pense que eu sempre pego no seu pé (nevoeiro), mas recolha os brinquedos agora mesmo (disco riscado).
3 – Técnica da interrogação negativa
A resposta agressiva do filho pode esconder um problema, e você será o bode expiatório para aplacar a raiva dele. Faça perguntas para neutralizar a agressão.
É o aniversário da Aninha e a mãe prepara o bolo. A filha mostra uma atitude negativa e, com má cara, diz que o bolo está feio. A mãe ouve, mas não reclama e nem a chama de ingrata, porque sabe que o bolo não está feio. Com calma e firmeza diz:
Mãe: − E por que você acha que está feio? (interrogação negativa).
Aninha: − Porque minhas amigas vão rir dele.
Mãe: − E por que você acha que irão rir do bolo? (interrogação negativa).
Aninha: − Porque sempre riem de mim (o problema não está no bolo).
Mãe: − Riem só de você?
Aninha: − Sim.
Mãe: − Não riem às vezes de outras meninas?
Aninha: − Às vezes…
Mãe: − Não acha que fazem isso porque querem se divertir com você?
Aninha: − Pode ser, porque me chateio e deixo de brincar com elas.
Agora vem a pergunta mais importante, que será a solução do problema:
Mãe: − E o que você poderia fazer para não se chatear e continuar a brincar?
Filha: − Não ligar pra o que elas falam.
Mãe: − Muito bem, filha, é exatamente isso que deve fazer para que não caçoem: não dar a menor importância. Assim perceberão que essa brincadeira não causa efeito em você.
4 – Técnica da Extinção
Baseia no princípio psicológico de que “se um estímulo não encontra resposta, se extingue”.
O filho no supermercado recebe um “não” gordo, firme, rotundo, ao pedido de que lhe comprem uma barra de chocolate, e começa a berrar. Ao não dar importância ao berreiro da criança, esse reforço negativo de chamar a atenção irá se extinguir. Se cederem, o reforço positivo do choro se repetirá, porque surte o efeito desejado: agregou-lhe o chocolate.
Outra situação: a criança chora porque quer o colo da mãe, que cansada não a recolhe nos braços. A não-resposta da mãe aumentará o choro da filha para chamar a atenção de todos sobre ela, que está desagradada. Só a desatenção da mãe fará extinguir pouco a pouco o reforçador negativo da criança. Se a pegasse no colo, o reforçador (o choro) seria positivo e faria a cena se repetir em outras ocasiões.
5 -Técnica do tempo afastado
Esta técnica elimina um comportamento indesejado ao afastar a criança da situação que incentiva a conduta irreverente.
Um exemplo: o menino atira pedacinhos de pão nos irmãos durante a refeição, e estes riem. A mãe pede para cessar a brincadeira, mas incentivado pelas risadas dos maninhos ele continua com a peraltice. Solução:
Mãe: − Se continuar fazendo isso você irá comer sozinho no quarto.
O filho continuou com a travessura e a mãe, que não deve deixar de cumprir o prometido, ordenou que ele fosse imediatamente para o quarto. Ao deixar de ser o centro das atenções, a criança não tinha mais incentivo para bancar a engraçadinha. O castigo evitará que a ação inadequada se repita.
Os filhos devem ter encargos domésticos
Os pais devem ter presente que, para o bem ou para o mal, a família é a influência mais profunda e duradoura na vida de qualquer pessoa. Para haver educação é necessária a diferença clara de papeis: educador e educando. Educador é guia. Crianças e adolescentes necessitam de guias e não de cúmplices que cedem em tudo diante da vontade deles. Ou seja, necessitam de pais no papel de pais.
Enquanto os filhos viverem na casa paterna, têm que se submeter às exigências da vida em comum, e aceitar o modo como os pais disciplinam o lar. É legitimo que os pais peçam determinados serviços domésticos aos filhos, e estes estão obrigados a obedecer, pois não são apenas sujeitos de direito, mas possuem obrigações familiares. Se a mãe manda o filho cumprir um encargo doméstico, é dever de justiça a obrigação de cumprir. Já com pouca idade as crianças devem se acostumar a uma disciplina que as estimulem a contribuir pelo bem-estar de todos na casa, com tarefas adaptadas às possibilidades de sua idade. A solidariedade começa a ser vivida desde pequenas.
Sugestão de Leitura: livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfor-Pike, Editora Quadrante, São Paulo (SP).
Texto produzido por Ari Esteves, com base no livro “Carinho e Firmeza com os filhos”.
