1 – O que é o sentimentalismo. 2 – Os efeitos nocivos do sentimentalismo. 3 – A educação dos sentimentos começa na infância.
1 – O que é o sentimentalismo
O sentimentalismo é a predisposição ou atitude de permitir que as ações sejam comandadas pelo mundo dos sentimentos, emoções e paixões, e não pela razão, que é a capacidade reitora da pessoa humana. Por que não se deixar comandar pelos sentimentos? Aristóteles dizia que os sentimentos são como o gato: pode-se amestrá-lo, mas não confiar plenamente nele, pois pode atacar. Platão afirmava que os sentimentos são grandes companheiros do homem, mas se parecem com crianças pequenas e irresponsáveis, porque ainda não possuem a razão desenvolvida.
Por vezes é necessário agir contra os sentimentos: por exemplo, sentir repulsa diante de alguém que exala mal cheiro, porque está sujo e coberto de pústulas, não é motivo para não atender tal pessoa. Importa superar esse sentimento ao pensar no bem dessa pessoa, e atuar por amor a ela, levando-a a um hospital. As mães levantam de madrugada para atender o bebê que chora, mesmo que os sentimentos pedem para que fique na cama.
2 – Os efeitos nocivos do sentimentalismo
Os sentimentos fazem parte da natureza humana e possuem enorme valor, porque podem reforçar as decisões ao apoiá-las e ajudar alcançar as metas desejadas: um profissional que coloca sentimentos naquilo que faz, fará melhor; quem persegue um grande ideal enfrentará melhor as dificuldades quando está animado pelos seus sentimentos.
Porém, ao condicionar seu comportamento por afeições ou desafeições, agrados ou desagrados, gostar ou não gostar, e não pelo prudente exame ou juízo de cada situação, a vida do emotivista muda de direção com frequência, pois os chips sentimentais não são equânimes, mas cambiantes, o que torna seu caráter inconstante, inseguro e superficial, e sua vida será um eterno começar sem nunca acabar.
Quem se deixa levar apenas pelos sentimentos, soma desenganos e decepções em seus projetos de vida, porque não sabe avaliar com inteligência a realidade: se pretende montar uma família, e o faz apenas por motivos sentimentais, deixará de aproveitar o tempo de namoro, que é um tempo para avaliar racionalmente a outra pessoa em todos os aspectos (caráter, temperamento, disposições), poderá ter desenganos e decepções durante a vida em comum.
Ao não saber distinguir o valor hierárquico de cada realidade (tarefa que pertence à inteligência), o sentimental pode colocar demasiado afeto em realidades que merecem menos sentimentos: seu gosto pelo trabalho pode levá-lo a não encerrar o expediente e retornar para casa, a fim de ajudar nas tarefas domésticas e dedicar mais tempo à família; pode não perceber a diferença entre amar uma pessoa ou um animal, colocando ambos no mesmo patamar.
3 – A educação dos sentimentos começa na infância
Para que os sentimentos sejam um apoio, devem ser revestidos de virtudes, que é dotá-los de racionalidade (ler o boletim Educação da afetividade). A educação dos sentimentos começa desde a infância, quando os pais percebem desajustes nos afetos das crianças e adolescentes: reagir mal ao perder em um jogo; animosidade duradoura porque não lhe permitiram fazer o que gostaria; colocar mais afeição em seus interesses e menos em ajudar os pais e irmãos… As crianças aprendem a ser solidárias e saírem de si mesmas ao colaborar para o bem-estar de todos, encarregando-se de tarefas domésticas; ao aprender a ter compaixão pelas crianças doentes; ao doar a crianças pobres os brinquedos em bom estado que já não utilizam; diante de notícias tristes, aprender a condoer-se pelo sofrimento dos demais…
Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/). Imagem de Olya Prutskova.
