1 – Os animais também oferecem alimento e abrigo. 2 – Por que exigir? 3 – Não ter medo de exigir. 4 – Exigir que ajudem nas tarefas do lar.
1 – Os animais também oferecem alimento e abrigo
Trata-se de um grave erro antropológico desconhecer o princípio inato de desordem que todos carregamos dentro. As reações histéricas dos pais diante dos erros dos filhos revelam desconhecimento dessa desordem ou despreparo para corrigi-las.
Sendo débil a condição da criatura humana, seu processo educativo é longo (12 a 13 anos), pois compreende a educação do comportamento e a aquisição dos valores pelos quais deverá pautar a vida para ser feliz. Nesse período é radical a dependência dos pais. Preparar uma criança para a vida não é só dar a ela alimento e abrigo, porque isso também fazem os animais. Oferecer aos filhos meramente a sobrevivência física seria exilá-los do mundo dos homens, que é mais rico que o dos animais. Desde muito cedo as crianças carecem aprender critérios comportamentais, distinguir o que é bom ou vicioso para o ideal humano, ser apresentadas às diferentes manifestações culturais e artísticas… E tudo isso porque devem nortear sua conduta por critérios racionais, e não por impulsos natos ou instintivos, que nos homens não são seguros como nos animais.
2 – Por que exigir?
Quando se nota que um comportamento deve ser retificado − em nós ou nas crianças −, é preciso agir prontamente. É ilusório acreditar que melhoramos com o tempo, pois não somos como o bom vinho que chega à perfeição com o decorrer dos anos. Ao não corrigir, o problema continuará latente e aumentará tornando mais difícil a sua remoção. Quando não se luta para erradicar um defeito, ele progride em proporção geométrica à passagem do tempo.
Deixar um filho nas garras de uma desordem interior é desumano. Ao perceber nele predisposição à preguiça não achar divertido esse vício, que tenderá a aumentar e demolirá todos os ideais que exijam esforços. Se a filha tem conversas frívolas sobre suas relações com rapazes, é preciso alertá-la de imediato. Explosões de raiva nos jogos, crueldade com os animais, rebeldias, brigas entre irmãos, desobediências, fuga do estudo, desordens nos brinquedos e roupas, ou atrasar-se para as refeições, tudo isso exige a atuação paciente e perseverante dos pais.
Os pais não devem esperar que a criança se torne ingovernável para iniciar o processo de educação do comportamento. Não se pode deixar que a desobediência se transforme em caso grave, como o da criança de 9 anos que se enfureceu com sua mãe porque não a deixou brincar na rua (chovia) e lançou sobre ela uma pedra que a feriu; ou o caso do médico que recebeu um telefonema desesperado de um pai porque o filho adolescente ameaçava a mãe com uma faca junto ao pescoço dela.
3 – Não ter medo de exigir
Os pais têm o direito e o dever de polir os filhos com bons hábitos desde a primeira infância. Assim o fazem ao fortalecer neles os pontos fracos do caráter; ao corrigir as características temperamentais destoantes, como as explosões raivosas ao perder um jogo ou rebeldias para não cumprir os encargos familiares; ao moderar as inclinações instintivas dominantes que levam a atuar de modo intemperado nas comidas e opções de lazer.
Diz o sábio que “é melhor prevenir do que remediar”, porque é mais fácil evitar que um comportamento inadequado se fixe do que desarraigar um que já deitou raízes. Os filhos devem saber que sempre será aplicada uma punição ao desobedecerem ou faltarem o respeito para com os pais. As vias de fato são mais eloquentes do que as palavras, e fazem os filhos policiarem melhor seus atos.
É triste ver que o tempo passa e muitas crianças continuam preguiçosas, desordenadas, birrentas e comilonas, porque seus pais não atuam sobre essas desordens. O ambiente em que vivemos é de relaxamento, de falta de exigência, excesso de comodidades e apelo ao prazer a qualquer preço. Não sendo a vida tão suave como nos apresentam as publicidades midiáticas, o aperfeiçoamento pessoal se torna um imperativo constante e laborioso.
Para educar é preciso distinguir e priorizar o mais importante, e abrir mão do que não o é: se a menina deseja ir à festa com o vestido vermelho, não decretar que vá com o azul; se faltam cinco minutos para acabar o desenho animado, e há tempo suficiente para se aprontar, não force o garoto a desligar a TV: diga apenas que a apague em cinco minutos e se apronte para sair. Ou seja, não vale a pena se desgastar pelo que não é significativo, mas só pelo que é relevante, como exigir que guardem no cabide suas roupas, que mantenham ordenado o quarto, que estudem no horário combinado e colaborem nas demais tarefas do lar. Exigir dos filhos é um santo e poderoso remédio.
4 – Exigir que ajudem nas tarefas do lar
Permitir que os filhos se tornem senhoritos ou pequenos imperadores porque não são exigidos para ajudar, para doarem-se e se desprenderem de suas coisas e de seu tempo, é a pior conduta que tomam seus pais. Filhos que recebem tudo de mão beijada, e pouco se requer para que se empenhem em servir, se acostumam a que os demais façam tudo por eles. Com isso, se tornam fracos de caráter e moles como churros, sendo incapazes de enfrentar os problemas por conta própria (com churros não se faz alavanca). Exigir que a filha não tenha caprichos de dondoca e coma o que for colocado na mesa; ou que o filho se rale para lavar o quintal, são medidas terapêuticas para a saúde espiritual deles. Quando os hábitos bons deitam raízes na alma não há quem os desarraigue.
Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)

