Autoridade dos pais
1 – Crianças necessitam de pais que sejam guias, não cúmplices. 2 – Autoridade não arbitrária, mas baseada na confiança. 3 – Não basta mandar, é preciso explicar os motivos de uma ordem.
1 – Crianças necessitam de pais que sejam guias, não cúmplices
Para haver educação é necessária a diferença clara de papeis: educando e educador. Crianças e adolescentes necessitam de pais na qualidade de guias, não de cúmplices. A autoridade dos pais esvai-se ao não exigir por medo de perder o carinho dos filhos (comum em pais que passam o dia fora); ao não saber lidar com as situações de conflito junto às crianças; ao tolerar o erro; ao se deixar influenciar pela teoria de que reprimir as crianças provoca traumas; ao aceitar modelos liberais de conduta impostos pelas novelas, filmes e programas de TV. A ideia liberal é falsa porque a criança, que não nasce sabendo, à medida que se desenvolve necessita adquirir princípios, já que não há educação sem princípios! (só os animais não necessitam deles, porque se guiam pelos instintos, bastante falhos nos seres humanos).
A família forma uma pequena sociedade, com um poder de governo onde os filhos são os membros dessa comunidade e os pais os governantes. Enquanto os filhos vivem no lar paterno, têm que se submeter às exigências da vida em comum, do modo como os pais disciplinam. A autoridade que os pais exercem sobre os filhos é consequência do seu dever de educar: devem mandar à medida que a educação ou o bem dos filhos o requeiram. E a obediência não é um capricho exigido pelos pais, mas virtude a ser vivida pelos filhos para se deixar educar. “Autoridade” remete aos verbos latinos auctoritas (apoiar) e augere (fazer crescer, desenvolver), onde o educando ao descobrir uma verdade assume-a em vista do seu desenvolvimento. Quem reconhece uma autoridade adere aos valores ou verdades que ela representa: «o educador é uma testemunha da verdade e do bem», disse Bento XVI.
2 – Autoridade não arbitrária, mas baseada na confiança
É preciso educar num clima de familiaridade, porque exigir secamente leva a conflitos constantes. À medida que os filhos crescem, a autoridade paterna e materna dependerá cada vez mais dessa relação de amizade, carinho e confiança. Por isso, não dar nunca a impressão de desconfiar de um filho, sendo preferível deixar-se enganar alguma vez para que este se sinta envergonhado por ter traído essa confiança. No fundo, trata-se de acreditar no filho e «aceitar o risco da liberdade, permanecendo sempre atentos a ajudá-lo a corrigir ideias e opções erradas. O que nunca devemos fazer é favorecê-lo nos erros, fingir que não os vemos, ou pior partilhá-los» (Bento XVI).
A presença dos pais no lar é insubstituível e sempre requerida, mesmo que isso imponha sacrifícios. Ao jantarem juntos é significativo ouvir atentamente as crianças discorrerem sobre os acontecimentos do seu dia, como também os pais devem narrar suas vivências profissionais a fim de que os filhos conheçam o dia a dia da mãe e do pai, que será enriquecedor para eles. Será essa ótima ocasião para rir e comentar com bom humor as ocorrências e aproveitar para dar um critério ou outro, e tirar importância de algo que as crianças relevaram desmedidamente.
Os filhos prestam atenção em tudo que os pais fazem, tendem a imitá-los e esperam que sejam coerentes e exemplares nos valores que transmitem. Isso não significa que os pais têm que ser perfeitos, desde que reconheçam seus erros, lutem para corrigi-los e saibam pedir desculpas quando se equivocam. Só assim serão admirados, imitados e prestigiados.
Faz parte da autoridade manter o calor de lar e promover um ambiente de alegria e entrega generosa de uns aos outros. Pedir aos filhos, desde pequenos, que ajudem nos serviços da casa favorece neles a preocupação de apoiar os pais e os irmãos. Não se trata de “dar coisas para fazer” com o objetivo de mantê-los ocupados, mas para que sejam também protagonistas do bom funcionamento da casa e do bem-estar da família: ajudar a preparar a mesa, dedicar tempo à organização dos objetos, atender a porta e o telefone, cuidar de um irmão, levar o lixo para fora, etc.
3 – Não basta mandar, é preciso explicar os motivos de uma ordem
Os adolescentes não duvidam da autoridade dos pais, mas não se limitam a aceitar de modo acrítico o que lhes dizem. Fazem isso porque querem compreender melhor a verdade que lhes foi transmitida. É bom facilitar ocasiões para tratar mais pausadamente sobre os temas que questionam: aproveitar um percurso a sós; em casa, com ocasião de um filme ou livro; ou aproveitar um ocorrido escolar que propicie a abordagem do um tema.
Há coisas secundárias que talvez os pais não aprovem, mas que não justificam promover uma guerra. Bastará apenas um comentário desaprovador, sem ser chatos, para que os filhos tenham um ponto de referência e decidam livremente sobre um comportamento menos importante. Se em alguma ocasião o filho parece não se interessar muito por um critério, não se alarme, e tenha certeza de que ficou gravado nele, porque comprovou o que pensam seus pais, e isso lhe servirá de bússola.
Em conclusão, podemos afirmar que a autoridade é necessária para educar, e a obediência é a condição para se deixar educar. Os filhos têm necessidade de aprender de seus pais normas, critérios e modelos de conduta, dada a pouca vivência que possuem. Ao se omitir e não oferecer referências claras, os pais privam os filhos de orientação, deixando-os como um caminhante à deriva: quem não sabe para onde ir, tanto faz o caminho que escolhe.
Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)
