1 – A virtude da ordem multiplica o tempo. 2 – Critérios para hierarquizar as tarefas. 3 – O cumprimento dos deveres fortalece a vontade e o caráter.
1 – A virtude da ordem multiplica o tempo
A ordem dá harmonia e paz à vida porque leva a cumprir o que deve ser feito em cada momento; além disso, multiplica o tempo porque evita desperdiçá-lo em afazeres desnecessários ou menos importantes. Ordem − do grego “orthos”, reto, correto − é a disposição conveniente dos meios para se atingir um fim. Várias coisas entre si têm em vista a ordem que possuem em relação a um fim: tijolos, areia, telhas, ferros e encanamentos organizados em um pátio têm a finalidade de edificar uma casa.
2 – Critérios para hierarquizar as tarefas
Para que a ordem ocorra é necessário definir diariamente as prioridades, diferenciando as tarefas mais importantes das mais urgentes: é urgente atender ao telefone que esbraveja; é importante iniciar imediatamente a preparação para um exame que ocorrerá daqui a um mês. Ao definir as tarefas diárias é preciso estar atento para não se deixar levar pela comodidade ou lei do menor esforço, que ronda a todos os filhos de Eva e induz a iniciar as tarefas pelas mais agradáveis. Quem não estabelece prioridades se dispersa em afazeres menos importantes, e deixa de atender suas principais responsabilidades. A repetição dessas falhas cria o vício da preguiça que debilita o caráter, enfraquece a vontade e liquefaz qualquer ideal ou projeto de vida que exija esforço.
Hierarquizar os afazeres é atribuir valor a cada um com base em finalidades, pois dificilmente todos os afazeres terão o mesmo grau de importância. Essa estimativa é realizada pela virtude da prudência, que evita a ineficácia da desordem ao julgar o que é mais importante entre os inúmeros afazeres a serem realizados a cada dia. Assim, caso sobrem tarefas para o dia seguinte, devido ao acúmulo delas, certamente terão sido as menos importantes ou as que poderiam esperar até o dia seguinte.
Para hierarquizar os afazeres com base em finalidades é necessário distinguir o valor moral de cada assunto. Por exemplo, uma pessoa que goste de sua atividade profissional poderá se ver na disjuntiva de continuar ou não na empresa além do horário previsto, sem um motivo importante ou extraordinário que o exija. Então, neste caso, o moralmente correto será encerrar o expediente e sair pontualmente para retornar ao lar a fim de conviver com o outro cônjuge e com os filhos, pois o fim do trabalho não se encerra nele mesmo, mas é meio para um fim mais alto.
3 – O cumprimento dos deveres fortalece a vontade e o caráter
As prioridades devem ser estabelecidas no início do dia por meio de um exame breve, de 3 a 4 minutos. Para executar as tarefas previamente definidas pela prudência e o juízo, entram também em jogo as da fortaleza e da laboriosidade, que levam a trabalhar com intensidade e a fugir das “paradinhas” desnecessárias e a evitar curiosidades ou perdas de tempo em mídias sociais, etc.
O cumprimento responsável dos deveres é excelente exercício para o fortalecimento da vontade e enriquecimento do caráter. Quando alguém ganha um valor – por exemplo, a virtude da ordem –, não adquiriu apenas um hábito bom e isolado, pois, dada a unidade da pessoa humana, ao melhorar em um aspecto aperfeiçoam-se ao mesmo tempo todos os demais.
Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/. Imagem de Darya Sannikova.
