1 – Pais com crise de autoridade, crise de tradição, crise de maturidade. 2 – Crianças de 0 a 2 anos: pais permissivos, violentos e assertivos. 3 – Crianças de 3 a 7 anos: pais permissivos, violentos e assertivos. 4 – Crianças de 8 a 11 anos: pais permissivos, violentos e assertivos. 5 – Adolescentes de 12 a 16 anos: pais permissivos, violentos e assertivos
1 – Pais com crise de autoridade, crise de tradição, crise de maturidade
Há pais que se encontram confusos e com crise de autoridade provocada pelo relativismo, que prega não haver verdades objetivas também na educação dos filhos, e estão como quem dirige à noite em estrada sem iluminação, faixas e sinalizações. Outra é a crise de tradição, porque foram esquecidos os valores perenes (liberdade, amor, verdade, beleza, família) que vinham sendo construídos desde os gregos (portanto há vinte e seis séculos), com consequências diárias na vida das famílias, a ponto de uma mãe se arrepender tarde demais por ter liberado o celular para o filho de dez anos, ou ter permitido que a filha adolescente começasse a participar de certas festas. Há também a crise de maturidade, com pais que educam pela emoção: permitem ou não com base no que sentem (são emotivistas), e não por terem estudados os temas importantes para esclarecer os filhos. Tais desequilíbrios geraram a crise da pessoa humana, porque se perdeu o conceito de pessoa e o que é ser homem ou mulher.
Segue abaixo a descrição de alguns comportamentos adotados pelos pais, nas diferentes idades dos filhos. Pode-se errar ou pelo excesso de carinho mal-entendido (pais permissivos) ou por excesso de firmeza (pais autoritários). A atitude correta dos pais se chama “assertividade”, que vem do substantivo “asserto”, de origem latina, que significa “proposição afirmativa”, agir com assertividade, positivamente, pois são pais que se mostram seguros, firmes, mas com flexibilidade quando não estão em jogo valores que acreditam ser os melhores para os filhos: agem com carinho e firmeza, tal como uma bigorna almofadada.
2 – Crianças de 0 a 2 anos: pais permissivos, violentos e assertivos
Pais permissivos, fracos ou submissos não dominam a própria afetividade e se mostram imaturos na relação com os filhos nessa faixa etária. Diante de choros ou birras cedem facilmente sem perceber o que realmente o bebê necessita: falta-lhes inteligência emocional para compreender isso, já que pensam demasiadamente em si próprios e não no filho. Se a criança de dois anos não quer comer, ficam desconcertados e mudam o alimento. Ou seja, ficam à mercê do filho, que logo percebe que pode colocar os pais no bolso ou na rodinha (gíria futebolista). Não sabem criar e exigir rotinas de sono, ordem, alimentação e higiene.
Pais autoritários, violentos ou agressivos são dominadores. O filho tem medo da voz e do olhar de um pai assim, e se põe assustado na presença dele, já que não transmite carinho e acolhimento. Geralmente são pais que não aceitam algo da criança, e por não estudarem nada sobre a educação do bebê, gritam, dão respostas hostis do tipo “Esse meu filho é uma praga”, “Você me deixa louco”. É possível um filho amar e ter confiança em pai com esse perfil?
Pais assertivos são seguros porque sabem o que fazer em cada etapa da vida do bebê, seja ele de um mês, três meses ou dois anos: o alimento a ser dado, como deve ser o sono ou o comportamento da criança nesse período… Estão tranquilos, seguros e não negociam nada com o bebê, pois sabem como agir em cada situação (comer, dormir ou banhar). Aliás, o pai procura dar banho no bebê para que a criança sinta seu afeto e aproximação com ele. A comunicação desses pais é ativa, firme, clara; a criança ao não perceber insegurança neles, não faz manha: − Filho, está na hora do banho; e em seguida a da mamadeira. O filho sabe que não tem a opção de fazer ou não. Uma mãe com muito mi mi mi diz “− Ai você não quer tomar banho! Que faço agora?”, e será explorada pela criança a ponto de logo dizer para as amigas: − Meu filho joga o sapato e bate em mim! É preciso encarar a criança “olho no olho”, apoiar a mão no ombro dela e repreendê-la com firmeza ao agir mal. Esse contato físico – olho no olho e mão no ombro − é importante para a criança de 0 a 2 anos. A assertividade pede essa firmeza.
3 – Crianças de 3 a 7 anos: pais permissivos, violentos e assertivos
Pais permissivos nestas idades já perderam a batalha do banho, comida e sono. Para se livrar do problema terceirizam a criança para a babá ou escola. Quando a mãe começa a ter medo de enfrentar o banho da criança algo não está bem, porque não sente alegria em estar com o filho. Não deixa também de ser uma fraqueza a atitude da mãe superprotetora que, por medo de exigir, faz tudo o que a criança deveria fazer: − Aí, vai quebrar o copo; deixa que eu guardo. Ou – Eu levo a mochila pra você não cair. – Tadinho, a professora passou muita lição de casa? Ou – Cadeira malvada, por que você machucou o pé do meu filhinho? (e a mãe bate na cadeira como se o móvel fosse culpado pela imprudência da criança). O filho percebe que a mãe é insegura e submissa porque não confia na capacidade dele. Outra atitude da mãe fraca nesta faixa etária é a que, por medo de corrigir, diz para si que o filho vai melhorar com o tempo: − Ele joga as coisas e bate em mim; mas não faz por mal e vai melhorar. Ou − Puxa, por que você fez isso pra mamãe? Isso é querer educar na “peninha”, na compaixão pela mamãe (filhos até cinco anos não percebem o que é compaixão). A mãe age assim porque não tem coragem de dizer com firmeza as coisas. Não se educa na “peninha da mamãe”, mas na argumentação firme: − Você não devia ter feito isso. Vá pegar e limpe o chão. Se ocorrer de novo ficará toda manhã sem sua bicicleta. A criança entende o argumento do tipo “não suje porque terei que levar” e não um argumento sentimental. Mandar é diferente de pedir. Mãe submissa não comanda o filho, mas apenas diz: − Arrume sua cama pra mamãe, vai (quando?). A criança precisa de comandos firmes: − Julinho, arrume agora a sua cama.
Pais autoritários são grossos e violentos na comunicação: batem, xingam, empurram. Humilham a criança com palavrões porque desconhecem o respeito à dignidade do outro. O filho tem pavor de estar com o pai e vai se afastando dele. Sendo pais imaturos, falta-lhes serenidade, autocontrole, fortaleza e paciência para superar aos poucos as dificuldades da criança. A ausência de equilíbrio interior e o pouco conhecimento sobre educação dos filhos, torna-os autoritários: − Você vai ver o que vai acontecer se não fizer a lição de casa. São exagerados nas punições ao não pensar nelas antecipadamente com o outro cônjuge: − Ficará um mês sem ver televisão. Ou – Nos próximos dois meses só sairá de casa para ir à escola e nada mais.
Pais assertivos gostam de estar com os filhos, de fazê-los protagonistas e de envolvê-los em tarefas. Animam as crianças a sugerirem passeios e criam um clima de felicidade ao deixar algo para a decisão delas: − Onde vocês gostariam de ir almoçar hoje? Fomentam a autonomia da criança para ela agir sem medo: − Você faz as coisas com capricho. Pinte essa parede da garagem que ficará muito boa. Filhos de pais assertivos gostam de retornar ao lar, porque ali há céu, um ambiente gostoso onde no jantar os filhos falam de suas coisas e os pais contam como foi o seu dia de trabalho. Na sala de estar fazem uma tertúlia ou bate papo sem que a TV se intrometa: a filha lê uma poesia, o menino mostra o desenho que fez na escola; e depois, pai e filho se deitam no chão para montar o quebra-cabeça. Esse ambiente de lar é um dos grandes legados da família que os filhos jamais esquecerão. São pais que perceberam o valor entranhável do lar, e procuram chegar cedo do trabalho. Mas se em alguma ocasião o filho briga com o irmão ou trata mal a mãe, o pai têm uma conversa exigente com ele.
4 – Crianças de 8 a 11 anos: pais permissivos, violentos e assertivos
Pais permissivos não percebem que nessa faixa a puberdade começa a falar mais forte. A mãe acha que o filho é maravilhoso e que não vai se envolver com nada referente à sexualidade, e libera as telas, os vídeos, os filmes. Por vezes são mães que querem esticar um pouco o período de baby de um garoto de sete ou oito anos, e não o deixa ir à rua fazer compras, passear sozinho no parque, pagar uma conta. Têm medo que o filho vai ser assaltado ou se machucar. São mães carentes e com certo egoísmo ao querer manter o filho na infância e preso à sua saia. A criança tem que tornar guerreira! É preciso ir soltando a linha para a pipa subir alto! Consequências de pais fracos: o filho será cada vez mais exigente e cioso com os cuidados que devem ter para com ele; será queixoso e chorão diante de qualquer incomodidade ou tarefa que lhe custe esforço realizar; por falta de exigência e por fazer apenas o que gosta, terá forte tendência ao TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade); tornar-se-á emocionalmente fraco, pouco resistente à frustração e facilmente influenciável pelos amigos.
Pais autoritários nessa faixa etária não têm a autoridade do conhecimento, mas apenas a da força bruta. Não percebem que o filho está terminando o Fundamental 1 e entrando no 2, e que já está maduro para ouvir argumentos sólidos, explicados em diálogo amigável, sobre o motivo para não ir a determinadas festas, não beber álcool, não ver certos filmes ou fazer excursão com a turma da escola para Porto Seguro; por que não ter televisão no quarto?; e questões sobre a sexualidade humana. Ao não ter argumentos por falta de leitura e estudo, berram e dizem que vai ser assim porque “quem manda nesta casa sou eu; aqui se faz o que eu digo”. E estabelecem um monte de regras rígidas e castigam em excesso. Geralmente são pais focados no trabalho e quando chegam em casa estão desanimados para as questões dos filhos. Pais autoritários costumam ter filhos com vontade fraca, ansiosos, desconfiados e com tendência a esconder tudo deles. São filhos que não interiorizaram as virtudes porque não aprenderam a querer as coisas livremente, mas foram obrigados a aceitar tudo goela abaixo, sem explicações convincentes. Medrosos, inseguros e com baixa autoestima porque foram castigados e injustiçados com frequência, não suportarão mais essas atitudes no final da adolescência e enfrentarão fortemente os pais.
Pais assertivos sabem que nessas idades a pressão do ambiente é negativamente forte, e estudam muito para compreender os problemas e dar aos filhos critérios para que saibam filtrar as opiniões distorcidas dos meios de comunicação, escola ou dadas por colegas mal informados. Sabem que precisam ir soltando os filhos para que assumam riscos e sejam responsáveis, por isso não os secretariam lembrando a todo instante o que devem fazer. Porém, exigem que tenham uma agenda e anotem os compromissos. São pais que, se erram, será por excesso, não por omissão; porém, os filhos sabem que a falha foi por querer dar o melhor a eles. São firmes e não deixam os filhos assistirem qualquer coisa na TV, mas organizam culturalmente o lar com programas selecionados, bons livros e visitas culturais. Não são coniventes com escolas fracas que não fazem provas após os feriados para não incomodar os alunos com estudos nessas folgas, porque têm presente que para passar no vestibular de uma excelente universidade pública, os filhos terão que se exigir muito. Mostram ideais elevados para os filhos assumirem sem medo, preparando-os para atuarem no mundo e não para ficarem agarrados à saia da mãe ou à calça do pai.
5 – Adolescentes de 12 a 16 anos: pais permissivos, violentos e assertivos
A adolescência tem quatro fases: 1) Fase regressiva, ou tentativa de voltar à infância, sendo muito ruim se a mãe se torna conivente com isso. 2) Fase agressiva, de enfrentamento com os pais, porque querem sair para o mundo e compreender a vida, mas se sentem tolhidos quando os pais não vão soltando as rédeas aos poucos. 3) Fase transgressiva, perigosa se não houve educação da afetividade e a aquisição de virtudes. Haverá um caldeirão de sentimentos entrechocando-se, e então pode acontecer de tudo: drogas, pornografia, festas perigosas, gravidez precoce, bebidas. É a fase onde ocorrem suicídios entre os jovens, quando não houve educação em valores, porque se encontram insatisfeitos, vazios por dentro, e veem a vida sem sentido. O pai, percebe que está perdendo o filho e passa a impor regras duras e sem explicação, mas apenas no enfrentamento, que ocorrerá de modo explosivo. 4) Fase construtiva se dá em adolescentes educados em sua sensibilidade, inteligência e vontade desde crianças; então desejam mudar o mundo para melhor, e aceitam com agrado os desafios dos grandes ideais. A adolescência é a fase propícia para iniciar a inteligência na contemplação do bem, da verdade e da beleza.
Pais permissivos nessa fase acham que os filhos já estão grandinhos e podem ser liberados para tudo: festas, viajar com a turma, chegar tarde em casa, fazer programas de fim de semana sem saber para onde foram. Não se preocupam em conhecer os amigos dos filhos e suas famílias; deixam os adolescentes horas e horas enfiados no celular, sem interessar-se pelo que veem. Pensam que os filhos saberão enfrentar os temas polêmicos, e temem conversar com eles sobre questões como aborto, homossexualidade, sexo fora do casamento, drogas. São pais que vão se afastando dos filhos e, para evitar os temas complicados, lotam a agenda dos jovens com cursos e atividades extracurriculares, e perdem a oportunidade de terem os filhos juntos de si para diálogos profundos em clima de amizade.
Pais autoritários ao perceber que estão perdendo o filho desta faixa etária, porque anda com novos amigos e frequenta festas e ambientes onde há o risco de drogas e promiscuidades, e por não estarem preparados para dialogar, baixam excessivas regras em casa. O filho, que não foi educado porque o pai, além de não ser amigo, nunca se preparou para dar explicações convincentes, facilmente partirá para o enfrentamento e o resultado será a perda desse filho.
Pais assertivos com filhos nessa fase investem tempo ao estudo para fundamentar e antecipar suas respostas sobre drogas, pornografia, sexo fora do casamento, gravidez precoce, aborto, homossexualidade, etc. Dialogam e ajudam os filhos na escolha na carreira universitária. Ao ser consultado pelo filho ou filha que quer ir a uma festa, procuram saber onde é, com quem irá, o que irá rolar e os que estarão presentes. Então, darão ou não a permissão, mas com argumentos sólidos e convincentes, que vacinam os filhos ao fazer ver as opiniões torcidas de veículos de comunicação, amigos e, por vezes, professores. Ao negar a permissão, não temem que os filhos fiquem chateados por alguns dias, pois sabem que isso logo passará.
Pais equilibrados têm filhos responsáveis, confiantes em si mesmos, com capacidade de liderança e prontos para resolver seus problemas. São filhos felizes que seguem o caminho do bem porque seus pais são bons guias.
Importante sugestão de leitura: livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyford-Pike, Editora Quadrante, São Paulo
Texto produzido por Ari Esteves, inspirado na live do Youtube no 68 de Jeb Malheiro.
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