Perfil de um lar que não educa

1 – Perfil de um lar que não educa. 2 – Lar piquenique. 3 – Lar diletante. 4 – Lar capricheiro. 5 – Lar gandaieiro. 6 – Lar bronco.

1 – Perfil de um lar que não educa

      A família é a influência mais profunda na vida de qualquer pessoa, tanto para o bem quanto para o mal. Tudo dependerá da qualidade educativa oferecida pelos pais, que necessitam dedicar tempo à sua formação para bem educar. O boletim Perfil de um lar educador, enviado anteriormente aos assinantes, discorreu sobre alguns aspectos positivos do lar que educa. Agora, no presente boletim, serão abordados alguns pontos negativos acerca do lar que não educa, com a “Sugestão de leitura” para ajudar na correção desses aspectos:

2 – Lar piquenique

     É lar festivo porque os pais acreditam que unicamente divertindo os filhos conseguirão o afeto deles, e com isso tudo estará resolvido. Então, porque querem agradar, pouco exigem das crianças, e tudo gira em torno do lazer: filmes, músicas, pizzas, jogos, viagens… Não há um projeto educativo com base no conhecimento profundo de cada filho: qualidades, para potencializá-las ainda mais a fim de que possam colocá-las ao serviço dos demais; defeitos, para corrigi-los e edificar a personalidade.

     O centro do lar piquenique não são os pais, mas a TV e outras mídias, que ocupam todos os espaços e protagonismos, até durante as refeições, já que os pais só pensam em descansar e agradar aos filhos. Sempre atrás dos seus gostos e interesses materiais, os pais não se sacrificam para viver uma prática religiosa, e quando o fazem é por rotina. Ao ver que seus pais nunca rezam na mesa para agradecer os alimentos, nem o trabalho que possuem ou a saúde, então os filhos julgam também não necessitar de Deus, e desconhecem, para agradecer, que suas qualidades pessoais são dons recebidos gratuitamente por Quem lhes infundiu a alma.

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3 – Lar diletante

     Um dos significados de diletante é o de quem pratica um ofício como passatempo, e não como uma finalidade de vida. Nesta família, a figura do pai tem pouca força moral porque prefere dedicar-se de corpo e alma aos assuntos profissionais, e transfere à esposa a educação dos filhos. Acresce-se que pai e mãe, que nada leem sobre a educação comportamental dos filhos ou temas de orientação familiar, confiam que as instituições e as estruturas sociais suprirão o que não ofereceram.

     A imagem que as crianças têm de seus pais em lares diletantes é que são bonzinhos, já que ganham tudo o que pedem. Mas ao não ver neles a força moral de quem está comprometido com a verdade, nem se sacrificam por valores que norteiam a vida, acabam não os admirando. E porque desconhecem a história pessoal dos pais, e nada sabem acerca do trabalho profissional que realizam – eles julgam que as crianças não entenderão −, o diálogo com os pequenos nunca é pessoal, íntimo, de abrir horizontes e revelador da vida, mas restringe-se a frivolidades: hobbies, comidas, diversões, programas de tv, mexericos, críticas negativas sobre outras pessoas.

     Ao ignorar os sacrifícios dos pais, porque o trabalho e a vida deles é uma entidade desconhecida, é compreensível que os heróis dos filhos sejam os esportistas, atores, músicos e outras personagens midiáticas. Em tais lares as crianças mostram pouco ou nenhum respeito às pessoas de fora: visitas, amigos dos pais, professores, funcionários do condomínio ou da escola, atendentes de lojas e supermercados.

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4 – Lar capricheiro

     Os pais nunca dizem “não” e, manipulados, cedem facilmente aos caprichos dos filhos, mesmo quando notam cometer um erro ao permitir o que no fundo não aprovam. Mandões e enjoados, os filhos só comem o que gostam e, se reclamam de algo, a mãe prepara-lhes outro prato; impõem os passeios que querem como condição para irem, mesmo que não agrade ao outro irmão ou aos pais. Ao não experimentarem negativas, os filhos mostram um nível baixo de resistência às contrariedades e incomodidades, têm pavor da menor dor física e se queixam continuamente de situações que não podem evitar: mau tempo, incomodidades físicas, dificuldades com colegas na escola, um plano que não deu certo… E porque dispõem de dinheiro fácil, desconhecem qualquer tipo de privação: compram doces, refrigerantes e sanduíches sempre que desejarem.

     Os pais, em lares onde o capricho se torna lei, ao não se prepararem para os desafios na educação dos filhos, fogem dos problemas e se tornam permissivos, ou perdem a paciência e partem para a violência, mas nunca para o diálogo assertivo.

SUGESTÃO DE LEITURA: Carinho e firmeza com os filhos-IIEducação das virtudes na primeira infância, A temperança dá senhorio à conduta.

5 – Lar gandaieiro

     Acostumadas ao conforto, divertimentos e a ter seus problemas resolvidos pela solicitude de pais superprotetores, que as livram de qualquer sacrifício e esforço, as crianças escapam continuamente das tarefas, ao invés de enfrentá-las, e estão sempre na gandaia, fazendo apenas o que gostam. A expressão que mais sai da boca dessas crianças é “que chato”, e basta que reclamem para se esquivarem de obrigações desagradáveis: arrumar os brinquedos, ordenar suas roupas, limpar o banheiro e outros encargos no lar, estudar, dedicar tempo a alguém.

     Excessivamente dominadas pelo conforto, as crianças de um lar onde a gandaia impera crescem sem o conhecimento da realidade, que logo enfrentarão, e fogem cada vez mais de suas responsabilidades, deixando-as para os outros resolverem. Educadas apenas para serem felizes sentimentalmente, se desorientam diante dos problemas que devem encarar, pois o motor de suas ações não é a inteligência e a vontade, mas os desejos e gostos dos afetos e paixões.

     Jovens formados em lares com hábitos de autoindulgência, apoiados pelos pais desde a infância, não têm forças para perseguir ideais que custam sacrifício: preparar-se para uma carreira em universidade pública ou no exterior, descobrir e desenvolver suas potencialidades para colocá-las ao serviço dos demais, dedicar algum tempo a atividades de assistência social ou de ajuda aos mais necessitados, trabalhar para ajudar nas despesas da casa, entre outras.

     Embotados entre a infância e a adolescência por tantos passatempos frívolos, os filhos de lares gandaieiros enjoam-se deles e, com a vontade enfraquecida e subjugada pelos sentimentos, se tornam alvos fáceis das drogas, pornografia e álcool.

SUGESTÃO DE LEITURA: Os bons hábitos dos filhos, O hábito da ordem em crianças de 1 a 3 anos, Educar para a temperança.

6 – Lar bronco

     Não há nesse lar a preocupação de educar a sensibilidade dos filhos para o belo, porque os pais não aproveitam os fins de semanas e os feriados para promoverem vídeos culturais e formativos; não visitam museus, pinacotecas, audições musicais, exposições científicas e culturais. Com isso, o horizonte das crianças se restringe a imitar o grotesco que veem em programas de TV e em outras mídias, em geral baixaria. A leitura não sendo hábito dos pais, consequentemente também não o é dos filhos (montar uma boa biblioteca familiar, nem pensar; só gastam com pizzas, filmes e jogos digitais).

     As crianças em lares que não cultivam nenhum passa tempo sério que estimule a inteligência, tais como jogos de memória, de discorrer, dominó, damas, xadrez, lego, cubos, quebra-cabeça, passam a preferir o mais fácil: televisão, jogos digitais, músicas, desenhos em excesso, e com isso ficam com a mente preguiçosa para disciplinas escolares que exigem mais raciocínio, como matemática, química, física, português.

     Os pais, que assistem filmes indiscriminadamente, muitas vezes de péssimos valor moral, sinalizam às crianças que ao crescerem poderão imitá-los. A incapacidade de se relacionar com o que é complexo ou profundo é uma amarga infelicidade. Um dia, como já disse Alfonso Aguiló, quando os filhos despertarem, se lamentarão com verdadeiro pesar dessa omissão dos pais, que debilitou neles o natural e espontâneo desejo infantil por aprender, tornando-os conformistas e insensíveis para se aprofundar na verdade, beleza e bondade. Toda recusa ao espírito endurece o coração.

SUGESTÃO DE LEITURA: Promover a cultura familiar, Menos telas digitais e mais livros, O hábito da leitura.

Texto adaptado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/, com base na obra "Enquanto ainda é tempo", de James Stenson, Editora Quadrante, São Paulo (SP).