1 – Motores da conduta: vontade e sentimentos. 2 – Adultos infantilizados. 3 – Características da imaturidade. 4 – Características positivas da personalidade. 5 – Graus mais leves de imaturidade. 6 – O que torna negativa a imaturidade. 7 – Para crescer em maturidade
1 – Motores da conduta: vontade e sentimentos
No ser humano existem dois motores que determinam a conduta: a vontade, que segue as indicações da inteligência, e a afetividade, que é movida pela força irracional das emoções e sentimentos provocados por estímulos externos e internos. A maturidade psicológica consiste no domínio habitual da força da afetividade pela força da vontade. Nas pessoas imaturas, a memória, imaginação e pensamento, assim como a conduta, funcionam por impulsos dos estados afetivos, ou seja, emoções e sentimentos que são muito intensos e de predomínio negativo: ansiedade, temor, ira, tristeza e reagem a estímulos internos e externos.
Uma das consequências mais importantes da imaturidade é a influência intensa que a afetividade exerce sobre a inteligência, o que faz com que essas pessoas distorçam a percepção da realidade física, pessoal e social, tendo importantes dificuldades de adaptação social. A maturidade tende com o tempo a provocar patologias de maior ou de menor intensidade.
2 – Adultos infantilizados
Quando se diz que uma pessoa adulta é como uma criança, ou que é um pouco infantil, se quer significar que é imatura. Também se costuma dizer que uma criança é muito madura para significar que é senhora de si, e que isso não se baseia na mera biologia, mas no comportamento dela. Considera-se maduro quem se comporta de acordo com a razão, que é a faculdade que julga se o comportamento é adequado ou não: não agir com maturidade revela que a pessoa foi movida não pela inteligência, mas pela afetividade.
As crianças agem principalmente movidas pela afetividade, sendo que seus pais são para elas a razão e a vontade ao indicar-lhes o que devem ou não fazer. Para que as crianças se comportem como os pais querem, devem gerar nelas emoções e sentimentos mediante estímulos e medidas disciplinares, até que desenvolvam suficientemente própria razão e vontade (por volta dos seis ou sete anos). Embora dominadas pela afetividade, as crianças não são chamadas de imaturas, mas apenas de crianças. Porém, quando um adulto se comporta como criança, impulsionado principalmente pela afetividade, não o chamamos de criança, mas de imaturo, ainda que às vezes dizemos que se comporta como uma criança ou é infantil.
3 – Características da imaturidade
A imaturidade apresenta algumas características: sentimento de inferioridade ou diminuição da autoestima, sensação de insegurança, baixo autoconhecimento devido a uma fraca capacidade de introspecção, impulsividade, dependência emocional do ambiente devido ao baixo autocontrole. Além disso, como derivadas da fraca autoestima e insegurança, as pessoas imaturas têm escassa confiança em si mesmas e por isso vivem em permanente ansiedade ou temor.
Derivadas das características acima mencionadas, os adultos imaturos apresentam também outras características visíveis da personalidade: intensa timidez, introversão, instabilidade emocional, excessiva preocupação, hipersensibilidade e susceptibilidade emocional, desconfiança, baixa tolerância à frustração e reações desproporcionadas perante ela, tendência a refugiar-se na fantasia, lançar a culpa nos outros, fugir das responsabilidades por medo de fracassar, excessiva necessidade de apoio e afeto dos outros. Essas pessoas correm o risco maior de serem infelizes e podem apresentar problemas psiquiátricos. A infelicidade dessas pessoas se expressa em forma de sentimentos de insatisfação e frustração, constante irritabilidade e propensão à violência verbal, e o recurso frequente ao álcool, cigarro, estimulantes, analgésicos, tranquilizantes e até drogas.
4 – Características positivas da personalidade
Toda pessoa possui características positivas em sua personalidade, que derivam da interação da predisposição genética e hábitos adquiridos pela repetição de atos positivos. Algumas dessas características são: bom sentido artístico ou musical, habilidade manual, grande energia física, sociabilidade, caráter divertido ou afetuoso. Porém, nas pessoas imaturas as características negativas são mais frequentes que as positivas, e a intensidade dependerá do grau de imaturidade.
5 – Graus mais leves de imaturidade
Há pessoas com graus leves de imaturidade que em situações externas favoráveis apresentam funcionamento psíquico e comportamento externo maduros, mais como um verniz ou fachada de normalidade, pois em situações mais difíceis elas fazem notar o seu núcleo de imaturidade em forma de condutas inadequadas. Em outros casos, o núcleo da imaturidade está oculto durante os anos de juventude, graças a um grande esforço de vontade que controla a força dos afetos negativos, mas, ao chegar por volta dos 40 anos, e com a diminuição da resistência psicológica e o declínio da força de vontade, pode-se apresentar manifestações de imaturidade, que aumentam ou se mantém no tempo com intensidade incômoda para os próprios sujeitos e as pessoas que os cercam.
6 – O que torna negativa a imaturidade
A imaturidade psicológica é o predomínio da afetividade sobre a vontade. Mas sendo que os conceitos de vontade e afetividade são positivos, o que torna negativa a imaturidade são dois motivos: o predomínio do inferior (afetividade) sobre o superior (razões e vontade), e um possível caráter negativo de sua afetividade, fazendo que o imaturo apresente frequentes e intensos afetos negativos, que dominam seu funcionamento psíquico e o comportamento habitual.
7 – Para crescer em maturidade
O ser humano possui capacidade de ter afetos positivos e negativos. Os negativos são mais frequentes e passivos, isto é, a pessoa os sofre por influência das condições biológicas ou externas (ambientais). Os positivos, ao contrário, são ativos no sentido de que dependem do esforço do sujeito para adquiri-los e mantê-los. Esse esforço é o meio imprescindível para progredir no caminho da maturidade psicológica. As pessoas imaturas não se esforçam o suficiente e por isso não conseguem o domínio voluntário da sua afetividade, razão pela qual a sua vida psicológica acaba sendo dominada por afetos negativos de grande intensidade.
Tudo o que o ser humano possui tem uma finalidade, um sentido, e os afetos positivos e negativos não são uma exceção. Mas estes últimos, se não forem mantidos sob o domínio da razão e da vontade, a fim de que sejam adequados em intensidade diante dos estímulos que os produzem, podem deteriorar ou bloquear o funcionamento psíquico apropriado e chegar a produzir enfermidades físicas e psíquicas. Podem também ser a origem de comportamentos inadequados e perigosos para o próprio sujeito e para as pessoas ao seu redor.
Texto extraído e adaptado por Ari Esteves com base no livro “Maturidade psicológica & Felicidade”, de Fernando Sarráis, Editora Cultor de Livros, São Paulo, 2020. Imagem de Aguida Medeiros (@aguidamedeiro).
