1 – Cada criança deve ganhar o hábito de cumprir suas tarefas. 2 – Motivar a criança para realizar tarefas que não gosta. 3 – Inimigos da força de vontade das crianças.
1 – Cada criança deve ganhar o hábito de cumprir suas tarefas
Fazer com que a criança saiba controlar seus sentimentos e não se deixe levar apenas pelo prazenteiro, mas tenha capacidade de enfrentar e concluir acabadamente o que lhe cabe, não é tarefa fácil. Mas isso é possível se os pais o quanto antes ajudá-la a ganhar força por meio de pequenos hábitos diários. A partir de um ano e meio até aos seis ou sete anos, a criança pode crescer muito na disposição de enfrentar suas pequenas responsabilidades, tais como levar ao cesto de lixo a fralda suja, já com um ano e oito meses, como já demonstra uma mãe em vídeo na internet. Até aos seis anos a criança pode incumbir-se de tarefas como manter arrumados seus brinquedos, colocar a roupa limpa na gaveta e a suja no cesto de lavar, levar o lixo para fora, regar as plantas, pôr a mesa para as refeições, colocar a comida do pet, enxugar o box após banhar-se, entre outras. Essas tarefas fortalecem a disposição da criança e a faz crescer em espírito de serviço e de resiliência. Ao tornar-se disciplinada nos horários de acordar e dormir, brincar, lavar-se e fazer as refeições, a criança também ganha força e disposição para enfrentar as tarefas escolares, dedicar-se a jogos de inteligência, leituras, saberá conviver com outras crianças e não se isolar em telas de celulares ou tabletes, que é deixar-se levar pelo mais cômodo.
A inteligência, com sua capacidade de fazer juízos, e a vontade, que é a capacidade de conduzir-se pelo livre arbítrio ou querer livre, são qualidades próprias da natureza humana que começam a ser desenvolvidas a partir dos seis ou sete anos. Antes disso, as crianças não sabem ajuizar suas ações, nem possuem um querer racional, livre. Ao não ter a capacidade de ajuizar suas ações, elas facilmente são arrastadas pelo gosto e podem passar horas e horas diante da televisão ou celulares, abrir a geladeira a qualquer hora ou deixar tudo bagunçado. Se os pais não as orientarem e exigirem delas, adquirirão vícios difíceis de desarraigar e terão uma vontade fraca já aos seis anos.
2 – Motivar a criança para realizar tarefas que não gosta
As crianças podem controlar seus impulsos e desejos desde muito cedo, quando orientadas a agir assim. Aprendem não apenas a realizar o que gostam, que é sempre ir ao mais fácil e agradável, mas a cumprir as pequenas tarefas que são atribuídas a elas, mesmo que não sejam do seu maior gosto. Para isso, necessitam ganhar bons hábitos que as fazem perder o medo de se esforçarem.
Quando a criança manifesta falta de gosto para realizar alguma tarefa, é preciso motivá-la com carinho e firmeza para que o faça, mesmo que ela não sinta prazer nisso. Pode-se pedir a ela que o faça para agradar aos pais – isso a tornará feliz −, e explicar que manter a casa em ordem é tarefa de todos, inclusive dela; também se pode dizer que ao realizar seus encargos ela crescerá em fortaleza e ganhará o hábito da ordem… Os pais podem dizer que também diariamente cumprem encargos que não são tão agradáveis, mas necessários: levantar-se de madrugada para atender o bebê e lavar a fralda dele cheia de cocô, acordar cedo e ir para o trabalho quando faz frio ou chove, arrumar a casa todos os dias, no trabalho profissional também devem realizar tarefas nem sempre agradáveis, etc…
Para motivar as crianças a cumprirem seus deveres, outro caminho é fazê-las compreender a importância de valores como o da fortaleza, veracidade, solidariedade, espírito de serviço, ordem… Para educar em valores, que são conceitos não palpáveis, os pais podem se valer dos contos e fábulas infantis, que oferecem às crianças conceitos concretos ao materializar em personagens os vícios como o da preguiça na cigarra ou no Pinóquio, o egoísmo de um velho avaro, a gula de uma menina, entre outros; ou de virtudes como a laboriosidade da formiga, o espírito de equipe dos castores e de serviço das abelhas, a fortaleza de um guerreiro…
3 – Inimigos da força de vontade das crianças
Exigir que as crianças controlem seus gostos e instintos custa esforço aos pais e professores. Porém, a perseverança em exigir delas com carinho e firmeza as fará crescer em força de vontade para cumprir o que deve ser feito, e quando ganharem as virtudes correspondentes pela repetição das boas ações, passarão a agir com alegria. Essa vitória não se consegue do dia para a noite, mas com paciência e ao encarar o desafio com o mesmo espírito com que um esportista busca melhorar seus índices: nunca desiste e torna a começar e a recomeçar a cada dia.
Famílias que poupam os filhos de se esforçarem, porque imaginam para eles uma vida melhor, com menos exigências e mais conforto, acabam superprotegendo-os e enfraquecendo neles a resiliência ou a capacidade de superar as dificuldades que qualquer projeto que vale a pena exige, além de os tornarem fracos de caráter e dependentes de que outras pessoas resolvam seus problemas.
Para ajudar a criança a ter as rédeas de seus sentimentos e paixões é preciso que ela desenvolva bons hábitos e compreenda o que faz e porque faz, mas sem grandes discursos e através do exemplo e do incentivo para viver os valores que a família julga importantes no seu dia a dia. Deve ser reconhecido o esforço da criança quando terminou o dever escolar e os encargos do lar antes de sair para brincar, de ter reconhecida sua fortaleza ao não se queixar de um desconforto, por não ter dado show no supermercado ao se lhe negar o doce que desejava, porque deixou no lugar a roupa e o material escolar, por viver de modo resoluto a disciplina ou os horários da família, por ter sido solidária com os irmãos ou amigos que precisavam de ajuda escolar…
Texto produzido por Ari Esteves. Imagem de Ksenla Chernaya.
