1 – Os filhos não possuem só direitos, mas também obrigações. 2 – Tarefas e encargos fortalecem a vontade dos filhos. 3 – Não substituir os filhos naquilo que devem fazer
1 – Os filhos não possuem só direitos, mas também obrigações
Erro comum é exigir que os filhos sejam apenas bons estudantes. A formação acadêmica ou profissional é só um aspecto da educação integral da pessoa humana, que carece também da educação da vontade e dos sentimentos. Há jovens excelentes do ponto de vista escolar, mas não têm autodomínio e são vítimas de seus instintos, sentimentos, paixões e portadores de um temperamento e caráter de difícil convivência, seja na vida familiar, escolar ou social. Isso ocorre muitas vezes porque pouco foram exigidos a contrariar a vontade e os sentimentos para cumprir seus deveres. Os pais não devem ter medo de exigir dos filhos desde que são crianças, pois os hábitos (bons ou ruins) se conquistam nas primeiras idades.
Só o bom vinho melhora com o passar do tempo: se não há esforço por evoluir cada dia, piora-se. Os defeitos não combatidos crescem na proporção geométrica à passagem do tempo. É triste constatar que os anos discorrem e muitas crianças chegaram à adolescência ou juventude e continuam sendo preguiçosas, desordenadas, birrentas, comilonas, malcriadas e egoístas. Isso aconteceu porque os pais não souberam trabalhar os aspectos negativos do caráter e do temperamento delas, e enganaram-se com o falso o raciocínio de que melhorariam com o decorrer tempo.
Por que os filhos não são exigidos? Talvez por alguma das seguintes condutas: medo de perder o carinho deles (comum em pais que passam o dia fora); por admitir modelos liberais de comportamento impostos pelos meios de comunicação; por influência de correntes psicológicas que insistem em não contrariar as crianças para não provocar traumas; e por desconhecer que todos trazemos dentro um princípio inato de desordem ou lei de menor esforço. Evitar trabalhos aos filhos porque não pediram para nascer é profundo erro de apreciação antropológica, já que ninguém pediu para nascer, pois é Deus quem infunde a alma espiritual, racional e livre; além disso todos agradecemos o dom da vida, que sendo assumido traz responsabilidades.
2 – Tarefas e encargos fortalecem a vontade dos filhos
Trata-se de um direito e um dever dos pais exigir, porque as crianças não têm critérios nem experiência de vida e necessitam de orientação para agir bem, pois caso contrário serão capazes de passar um dia inteiro diante de uma TV ou deixando bagunçada a sala onde brincaram, além de não estabelecer para si horários a cumprir. Condoer-se e não exigir a que cumpram as tarefas ou − o que é pior − fazer as coisas por elas, transforma-as em pessoas acomodadas, fracas de vontade e acostumadas a que os outros cumpram as suas obrigações. Sábio é o provérbio sobre esse tipo de comportamento: “Com churros não se faz alavanca!”, pois logo serão adolescentes e jovens egoístas e metidos exclusivamente em seus interesses pessoais, e pouco importando-se em ajudar aos demais.
Os filhos não são portadores unicamente de direitos, mas possuidores também de deveres filiais, fraternais e sociais (amigos, vizinhos, professores…). Devem contribuir para o bem-estar de todos na casa. Os encargos, que podem ser muito variados, são as tarefas atribuídas a cada membro da família e aceitos livremente como contribuição ao bem-estar de todos. Cada tarefa é parte de um trabalho maior que deve ser alcançado em conjunto com os demais membros da família, e que dependerá dos costumes de cada lar, da idade, caráter e capacidade de cada um. Há pais que se reúnem com os filhos, desde o maior até o menor, e de modo alegre e descontraído fazem juntos uma lista com sugestões para deixar a casa ordenada e com horários estabelecidos: enxugar o banheiro, colocar os pratos e talheres na mesa, varrer e lavar pratos e talheres, levar o lixo para o portão; ordenar os quartos, sala e objetos pessoais; alimentar o cachorro e limpar a sujeira que faz; ir à padaria ou supermercado, fazer os consertos materiais na casa… Após concluir a lista de encargos, pais e filhos escolhem as tarefas que julgam desempenhar melhor. E estabelecem horários para as refeições, ligar e desligar a TV, ler, estudar, dormir, acordar… Permitir que os filhos adiem as tarefas e que passem o tempo em redes sociais, jogos e vídeos, é autorizá-los a que sejam preguiçosos e irresponsáveis. Devem primeiro cumprir o que os pais pedem, e só depois serem autorizados a fazer o que querem: − Não poderá ir jogar futebol enquanto não recolher os pratos e arrumar a mesa do jantar.
Ter encargos no lar desde criança fortalece a vontade, faz crescer o sentido de responsabilidade, aumenta o espírito de solidariedade e a preocupação pelos demais. E para fortalecer a vontade não há outro tratamento senão o de exigir o cumprimento das tarefas e dos horários: estar pontualmente nas refeições e demais compromissos; ter horário para dormir, acordar, banhar-se, vestir-se por conta própria, guardar as roupas, brincar, estudar, não ir à geladeira fora de hora, ordenar os brinquedos após usá-los… Essas ações criam hábitos estáveis que fortalecem a vontade e o caráter, além de ajudar a dominar o temperamento.
3 – Não substituir os filhos naquilo que devem fazer
O filho que se vê substituído nos esforços que deve realizar tem a vontade e o caráter enfraquecidos, não cresce em autonomia e na capacidade de resolver as coisas por conta própria. O paternalismo ou a superproteção evita os esforços que os filhos, desde criança, necessitam empreender, e os habitua a que os outros sempre façam as coisas por eles. É importante que os filhos − do menor ao maior − tenham encargos no lar, adaptados à idade e à capacidades de cada um. Não esperar que se tornem ingovernáveis para iniciar o processo educativo e exigir que sejam solidários e se preocupem com os demais. Adolescentes que não estudam, não cumprem os encargos familiares; que são desordenados, passivos e desobedientes, revelam que seus pais não souberam exigir desde a primeira infância; agora, na adolescência, erradicar defeitos cristalizados exigirá luta maior.
Não se deve impedir nem substituir a criança pequena de cumprir qualquer tarefa que tenha capacidade de fazê-la, mesmo que no começo não a faça com perfeição e exija paciente e bem-humorado treinamento. Ao realizar a tarefa incumbida, a criança a executará com a alegria de estar praticando um jogo, ganhará autodomínio, independência, espírito de serviço e preocupação pelos demais.
No âmbito familiar, o mais conveniente – e a meta a ser atingida – é que a ajuda prestada por cada membro seja ditada pelo amor e sentido de responsabilidade, e não porque será cobrada a execução da tarefa. Veja no link a seguir diversos vídeos onde mães oferecem dicas preciosas de tarefas que podem ser atribuídas aos filhos desde criança: https://staging.ariesteves.com.br/tarefas-para-criancas/
Produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)
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