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  • Pais submissos, crianças sem limites

    Pais submissos, crianças sem limites

    1 – A criança consumista não é criativa. 2 – O mal do consumismo infantil. 3 – Pais submissos, crianças sem limites. 4 – A criança não deve fazer tudo o que quer.

    1 – A criança consumista não é criativa

        “Tem mais quem precisa de menos” é provérbio da sabedoria popular e de senso comum. Dar tudo o que a criança quer não é o caminho de uma boa educação, pois esta consiste em fazer por merecer, alegrar-se e sofrer pelo que vale a pena, entusiasmar-se com as próprias descobertas, inventar ou criar para suprir as necessidades: a criança criativa faz seus brinquedos e inventa brincadeiras.

        Educar é um saber prático, visto que consiste em ensinar o outro a comportar-se. Muitos presentes insensibilizam a criança, que passa a não reconhecer o custo das coisas, além de se tornar passiva e mal agradecida. Para deslumbrar uma criança consumista são necessários brinquedos cada vez mais sofisticados e caros. Pais submissos compram roupas de grife e mochilas da moda porque não querem que o seu fofinho – coitadinho − aproveite as roupas do irmão ou a mochila fora de moda. No fundo, desejam crianças-troféus para serem exibidas.

    2 – O mal do consumismo infantil

        Miguel Cervantes dizia que o caminho da virtude é estreito, e o do vício é amplo espaçoso. A criança mimada, paparicada, a quem os pais não colocam limites, terá a vontade e a imaginação reduzidas, e sua capacidade de esforço será para voos curtos como o das galinhas, e não para chegar às alturas como o das Águias. O que é bom e valioso exige esforço, mas elas não estão dispostas a isso.

        Saturada pela espiral negativa do consumismo, a “criança digital” já não se admira com as coisas simples que a natureza oferece, e perde o padrão de todo conhecimento e conclusão, pois estes têm como base a realidade. A falta de limites, muito própria do consumismo frenético, principalmente o da irrealidade digital, destrói nas crianças a curiosidade para as coisas valiosas que a cercam, e as faz pensar que as pessoas e o mundo devem se comportar como elas querem. A sensação de prazer e bem-estar que causa na criança a saturação dos sentidos, a faz perder a curiosidade e o apreço pelo silêncio, tão necessário para fomentar a criatividade.

        A criança que possui tudo foge do esforço para conseguir algo por si mesma, já que recebe tudo pronto. Ao perder a capacidade inventiva, ela necessita de filmes e videogames sempre mais acelerados, pois não possui interioridade e imaginação para criar algo. O consumismo reduz na criança o desejo de conhecimento e a conduz à falta de limites, que a indispõe para virtude, pois esta exige esforço.

        A criatividade e a descoberta, que são formas mais elevada de conhecer, surgem de maneira natural nas crianças, dada a tendência delas para a verdade, bondade e beleza. Porém, descobrir ou inventar algo não surge do caos, do apertar o play que traz tudo pronto, do barulho contínuo e da saturação dos sentidos pela falta de limites e indisciplina. O silêncio contemplativo diante de uma embalagem vazia que tem em mãos, faz a criança ser criativa e inventar seus próprios brinquedos,

    3 – Pais submissos, crianças sem limites

        O pensamento simplista da criança é assim: Se as coisas não são como eu quero, fico emburrada e birrenta para que sejam como quero”. A birra, que começa a partir dos dois anos, é consequência da frustração do “não” gordo e rotundo que recebeu. Se os pais cedem em tudo, reforçam aquele pensamento; se não cedem, deixam claro que as coisas não são como elas acham que devem ser. Quando a criança conclui isso − bem-vinda à vida real! – terá menos frustrações ao iniciar a convivência com outras pessoas.

        É comum ver nos supermercados e shoppings crianças que pedem aos gritos porque não aceitam um “não”. Então, batem, gritam e jogam as coisas, tudo sob o olhar compassivo de pais que abdicaram de exigir delas. São crianças que necessitam ter menos produtos caros e mais objetos simples; menos videogames e mais esforço para andar de bicicleta e jogar bola; menos presentes e mais espírito de serviço e dedicação de tempo e carinho pelos familiares; menos TV e tabletes e mais passeio pelo parque ou praça arborizada para observar a natureza; menos barulho e mais silêncio criativo.

    4 – A criança não deve fazer tudo o que quer

        Há uma lei que as crianças precisam conhecer e viver o quanto antes: somos livres para fazer o que queremos, mas não o somos para as consequências que os nossos atos provocam. O mundo tem suas leis: o sol queima, queiramos ou não. Para ir ao parque em dia ensolarado é preciso colocar o boné. Se a criança não quer colocá-lo, não é necessário enfiá-lo à força, mas com cara alegre e descontraída, para que ela compreenda que é assim que as coisas funcionam, dizer simplesmente: − Que pena, querido, então não iremos ao parque! Vamos aguardar para ir em dia sem sol, já que você não quer ir de boné. A criança ao sentir a segurança dos pais em suas afirmações, não mais colocará à prova o limite deles.

        Viver a liberdade exige da criança aprender a ter limites para brincar, comer, dormir, ler, ver desenhos, e não temer o esforço para a conquista de bons hábitos ou virtudes. Soa paradoxal falar de limites e de esforço como condição da liberdade, mas não é. Montessori resolve esse aparente paradoxo ao dizer para deixar a criança que ainda não desenvolveu sua vontade fazer o que ela quiser, é trair o sentido de liberdade (porque isso leva à libertinagem, acrescento eu). A liberdade é consequência do desenvolvimento da personalidade, adquirida no esforço por viver retamente.

    Texto produzido por Ari Esteves com base no capítulo 7 “Ter tudo? Estabelecer e fazer respeitar os limites”, do livro “Educar na curiosidade”, de Catherine L´Ecuyer, Editora Fons Sapientiae, 3ª. Edição, São Paulo, 2016.

  • Apego digital: teste seu filho

    Apego digital: teste seu filho

    1 – Observe como sua criança reage diante da natureza. 2 – Como resolver o problema do tédio da criança?

    1 – Observe como sua criança reage diante da natureza

        A natureza é uma das primeiras janelas de curiosidade da criança; é onde ela conclui que as coisas não são imediatas e possuem ritmo próprio: o arrastar do caracol, o broto da planta que surge lentamente da terra, o ovo no ninho, a incansável formiga em sua sinuosa trilha, o casulo da borboleta debaixo da folha, a pequenina aranha tecendo sua teia… Todas as coisas belas e valiosas requerem tempo de maturação: a gravidez, a árvore, a amizade, o amor. Ajude seu filho a se encantar com as coisas simples!

        Nos feriados ou fins de semanas vá a espaços abertos na natureza (parque, praça arborizada, jardim, campo), onde não haja atividades estruturadas, brinquedos ou alguém que dite como brincar, e observe se a sua criança sabe se divertir sozinha ao imaginar brincadeiras e jogos, ou se logo fica entediada e quer voltar para casa.

    2 – Como resolver o problema do tédio da criança?

        Não é normal o tédio ou apatia em criança de 3 e 6 anos, pois sua criatividade é infinita. Se ela passar pela prova da natureza, passará pela prova do comportamento na igreja, na sala de espera do consultório, supermercado, shopping… Se age com birra ou impaciência, se bate, se grita e joga as coisas, talvez seja porque – além da falta de autoridade dos pais – anda hiperestimulada pelas telas digitais, e não suporta aguardar o ritmo real das coisas, pois o excesso de mídias dá a ilusão de que tudo se resolve com apertar botões de aplicativos para obter na hora o que quiser.

        Einstein dizia que não podemos resolver problemas usando o mesmo padrão de pensamento que tivemos ao criá-los, o que significa que não será por meio de telas que a hiperatividade se consertará. Como resolver essa questão? A resposta foi dada há mais de sete séculos por Tomás de Aquino: a admiração, que é o desejo de conhecimento.

        A infância é mágica e tem sede de curiosidades, sendo desnecessário artificializá-la. A estrutura, que é meio, deve ser mínima para estimular a criatividade, a observação silenciosa e a descoberta que faz extasiar. Deixe a criança se entreter em sua quietude misteriosa ao manipular pequenos objetos; não interrompa nem ofereça tabletes ou TV, pois ela está fazendo suas próprias descobertas. Educar com menos brinquedos eletrônicos faz com que as pilhas e os botões estejam dentro da criança, e não fora dela.

    Texto produzido por Ari Esteves com base na obra “Educar na curiosidade”, de Catherine L´Ecuyer, Editora Fons Sapientiae, 3ª. Edição, São Paulo, 2016.

  • A família e as virtudes dos filhos

    A família e as virtudes dos filhos

    1 – A educação familiar é profunda e permanente. 2 – Os pais não podem transferir a missão de educar à escola. 3 – É na vida familiar que as virtudes começam a ser vividas.

    1 – A educação familiar é profunda e permanente

        A família é uma organização natural que chega ao mais profundo da pessoa: à intimidade. A escola não é organização natural, mas cultural e visa apoiar os pais ao transmitir cultura aos seus alunos. Se na família a pessoa é aceita pelo que é não pelo que faz, isso já não ocorre em outras organizações da sociedade, onde as pessoas são aceitas pela sua funcionalidade: um jogador de futebol é recebido enquanto cumprir sua função esportiva; na empresa, ao desenvolver a determinada função; na escola os alunos são aceitos enquanto cumprirem a missão de estudar.

    2 – Os pais não podem transferir a missão de educar à escola

        Os pais são os primeiros educadores dos seus filhos, pois ao gerá-los adquirem o intransferível dever de prepará-los para a vida. Para isso, devem ajudar os filhos a desenvolverem hábitos operativos bons, que são as virtudes humanas, a fim de que cresçam em maturidade, tenham estabilidade de ânimo, capacidade de tomar decisões ponderadas e fazer juízos retos sobre pessoas e acontecimentos. Não é correto que os pais deleguem a sua principal função à escola. O ideal seria que filhos chegassem às instituições de ensino com as virtudes desenvolvidas, para ali receberem somente cultura. Se isso não ocorre na realidade, a escola inteligente ajuda subsidiariamente os pais ao aproximar deles temas de orientação familiar e educação nas virtudes.

    3 – É na vida familiar que as virtudes começam a ser vividas

        Os pais devem aproveitar os acontecimentos cotidianos da vida familiar para ajudar os filhos a viverem as virtudes com intensidade e intenção reta, e não de modo medíocre: se querem que os filhos sejam generosos, que o sejam não apenas com os amigos, mas com pessoas realmente necessitadas; se vai doar um brinquedo a uma criança sem recursos, que o faça não para ficar bem diante dos familiares.

        Para adquirir um hábito operativo bom ou virtude – ser laborioso ou ordenado, por exemplo – é preciso repetir muitas vezes esses atos nas pequenas ocasiões que surgem no dia a dia (estudar, cumprir os encargos, guardar as próprias roupas etc.). Atribuir tarefas às crianças para que cumpram diariamente, as torna felizes porque se sentem parte do time responsável por deixar o lar ordenado e aconchegante para o conforto de todos. A repetição desses afazeres gera hábitos ou virtudes que elas levarão pelo resto da vida.  A reiteração desses atos pela criança acontece se houver algum tipo de exigência que promova a repetição de fazer algo (exigência operativa) ou de não fazer uma ação ruim (exigência preventiva). A exigência operativa é a base do desenvolvimento de muitas virtudes: ordem, constância, laboriosidade, perseverança, entre outras.

    Texto produzido por Ari Esteves, com base no livro ”A educação das virtudes humanas e a sua avaliação”, de David Isaacs, Editora Quadrante, São Paulo, 2014.

  • Plano de Ação para corrigir um filho

    Plano de Ação para corrigir um filho

    1 – O que é um Plano de Ação. 2 – Há vários formas de Planos de Ação. 3 – Partes de um Plano de Ação. 4 – Educar hoje é diferente.

    1 – O que é um Plano de Ação

        Para haver ação educativa é preciso intencionalidade (intenção de educar). Não basta a convivência pura e simples sem um projeto baseado no conhecimento pessoal de cada filho, visando o desenvolvimento harmônico de sua personalidade, que inclui não apenas a educação da inteligência, mas a da vontade e da afetividade (sentimentos, emoções, paixões).

    Plano de Ação é a estratégia utilizada pelos pais para motivar um filho/a a executar atos que o levarão a desenvolver uma virtude ou vencer um mau hábito. É falso o raciocínio de que os filhos melhoram com o passar do tempo (isso só acontece com o vinho). Quando não se estabelecem Planos de Ação, os problemas tendem a aumentar e se tornarão mais difíceis de serem desarraigados. Os defeitos progridem em proporção geométrica à passagem do tempo, quando não há esforço por eliminá-los.

        Os Planos de Ação podem ser elaborados para ajudar a criança em diferentes aspectos: melhorar a autoestima; ajudá-la a ser obediente e responsável nos encargos; manter em ordem seus objetos; fortaleza e constância no estudo; aprender a ser amigo (companheirismo); ser cortês com os mais velhos; ter espírito de sacrifício para ajudar os pais e os irmãos; ser generoso com seu tempo e brinquedos; não mentir, entre muitos outros. Veja alguns Planos de Ação prontos.

    2 – Há vários formas de Planos de Ação

    Planos de Ação para o Passado: surgem como consequência de ações mal feitas ou mau comportamento. Os pais atuam em consequência de fatos já ocorridos. Podem ter diferentes enfoques: evitar brigas entre irmãos, ajudar um filho a se tornar obediente ou ordenado, ser estudioso, potenciar uma capacidade baixa, corrigir um costume, alterar uma situação (por exemplo, mudar de amigos), etc.

    Planos de Ação para o Presente: são realizados para alcançar melhor cumprimento de alguma norma já estabelecida ou a estabelecer, viver em família algum novo costume, revisar a distribuição dos encargos. A finalidade desses planos é promover a boa convivência no lar e estimular as virtudes da família no dia a dia: pontualidade nas refeições, almoçar todos juntos aos domingos e ter um bate-papo ou tertúlia após essa refeição, estabelecer um encarregado para limpeza e ordem da cozinha a cada dia da semana, revisar a ordem nos armários, ajudar um irmão a estudar matemática, etc.

    Planos de Ação para o Futuro: estes são os melhores que existem! Pensados pelos pais antecipadamente, previnem ações futuras, sem que tenha havido causa ou incidente no presente. Pretende-se ajudar os filhos a que sejam pessoas livres e responsáveis ao potencializar suas qualidades, corrigir possíveis pontos fracos: evitar a impontualidade na futura escola, ao animar desde já a ser pontual no esporte e nos encargos domésticos; fomentar a generosidade ao estimular um filho a dar aulas de reforço ao irmão mais novo; prevenir acerca dos perigos da pornografia na internet e sobre o vício de videogames; acautelar sobre os efeitos deletérios das drogas. Se o filho tem dois ou três anos, pode ser estimulado a ser ordenado, a fim de que seja um adolescente organizado. Ao filho que em breve irá à escola, ensinar a distinguir o que é um amigo (presente nas horas ruins), um colega (pronto só para se divertir) e um cúmplice (para ações erradas), com a finalidade de ajudá-lo a escolher bem suas amizades (a leitura de Pinóquio, de Carlos Colodi, poderá ajudar nessa distinção).

    3 – Partes de um Plano de Ação

        Pai e mãe dialogam para estabelecer um Plano de Ação, que tem as seguintes partes:

    1. Análise da Situação ou descrição do fato a ser corrigido: Joãozinho, de 11 anos, não estuda e suas notas são baixas. Além disso, vê muita televisão.
    2. Objetivo ou hábito bom a ser alcançado: fomentar no Joaozinho a virtude da laboriosidade.
    3. Meios ou recursos a empregar para alcançar o objetivo: o filho deverá ater-se a um horário de estudo, que será de 2ª a 6ª-feira, das 14h às 17h. A televisão da casa não será ligada nesse período. Os irmãos mais novos deverão fazer silêncio e aproveitarão para ler, pintar, montar quebra-cabeça, mas tudo em silêncio.
    4. Motivação ou argumentos que levarão o Joãozinho a desejar colocar em prática os atos para alcançar a virtude da laboriosidade e eliminar o defeito da preguiça: disseram ao garoto que o horário de estudo fortalecerá não apenas sua capacidade de compreensão, mas também a sua vontade será potencializada e ele não se deixará levar pelo mais cômodo, pois as imagens da TV tornam a mente cada vez mais preguiçosa e a pessoa fica passiva e sem iniciativas para abraçar qualquer meta que exija esforço e disciplina, seja no esporte, no aprendizado de um instrumento musical. Como o Joãozinho gosta de animais e quer ser veterinário, seus pais afirmaram que o hábito de estudo criará o de leitura, e ambos ajudarão a que ele entre na melhor escola pública do país. Joãozinho se animou a cumprir o horário previsto.
    5. História ou análise de como vem se desenvolvendo os meios ou recursos colocados em prática: todos estão colaborando para que o Joãozinho ganhe o hábito de estudo. Inclusive, para dar exemplo, no período da tarde a mãe deixou de assistir certa novela; e o pai não assiste partidas de futebol, indo à casa de amigos quando o jogo vale à pena.
    6. Resultados ou conclusões sobre as metas alcançadas: foi positivo o resultado, que exigiu mudança de hábito de toda a família, a fim de ajudar o Joãozinho. Ao garoto foi um Plano de Ação para o Passado, e Plano de Ação para o Futuro aos demais irmãos. A partir de agora é importante que os pais perseverem para converter o plano em costume familiar.

    4 – Educar hoje é diferente

    Os pais devem estar atentos para prevenir ou corrigir, pois as mídias sociais e os diferentes ambientes frequentados pelos filhos nem sempre oferecem influência sadia. Educar hoje exige dos pais uma melhor preparação para dar respostas convincentes, já que não basta dizer “porque eu quero” ou “porque sim“. É necessário dedicar alguns minutos diários à leitura de temas de educação do comportamento de crianças e adolescentes. Na página https://staging.ariesteves.com.br/livros/ indicamos boas obras para a formação de pais e educadores. Lembrem-se: todos os problemas têm solução; basta que sejam bem estudados!

    Texto produzido por Ari Esteves, com base no livro “100 Planes de Acción”, de Fernando Corominas, Colleción Hacer Família, Ediciones Palabra, Espanha. Essa publicação, entre outras, pertence ao IEEE − Instituto Europeo de Estudios de la Educación, onde há excelentes cursos e livros para os pais (www.ieee.com.es).

  • Educar na realidade

    Educar na realidade

    1 – A criança deve se admirar com as coisas simples ao seu redor. 2 – O perigo da superestimulação das telas. 3 – A perda da curiosidade e da criatividade infantil. 4 – Fomentar brincadeiras imaginativas.

    1 – A criança deve se admirar com as coisas simples ao seu redor

    O essencial na educação da criança é a qualidade do relacionamento dela com seus pais ou educadores. A criança necessita olhar para rostos carinhosos e dispostos a dedicar tempo a ela, e não se fixar em telas de tabletes ou tv. Dos seis aos vinte e quatro meses a criança se diverte quando o pai ou a mãe brinca de se esconder e reaparecer, gosta de engatinhar e se encanta com os pequenos objetos que encontra no caminho: a cor e o ruído do papel celofane, a formiga que carrega uma folha, a embalagem vazia no chão da cozinha. É assim que ela vivencia suas próprias experiências e desenvolve as habilidades motoras e de percepção.

    As crianças necessitam despertar a curiosidade diante das pessoas e objetos que as cercam, buscar respostas para as suas próprias experiências, e não obter tudo pronto ao apertar botões de equipamentos eletrônicos, que roubam delas a interação com as pessoas e o mundo ao seu redor. A admiração é um sentimento de elevação diante de algo que supera a própria pessoa. A curiosidade provoca o interesse e isso é fundamental no desenvolvimento psicológico da criança, que passa a tirar suas próprias conclusões. As perguntas das crianças de dois ou três anos não exigem respostas profundas, pois são a maneira de se admirar com a realidade: “Pai, por que não chove para cima?”, “Mãe, por que as abelhas não fabricam doce de leite? “As formigas não sentem preguiça?”.

    2 – O perigo da superestimulação das telas

    A criança que passa a depender da superestimulação artificial das telas, se acomoda e não é capaz de se encantar ou admirar-se com nada mais, pois deseja apenas retornar à hiperatividade das tecnologias, onde muitos desenhos tidos como “infantis” mudam de cena a cada oito segundos (7,5 cenas por minuto), o que não acontece no mundo real da criança. A televisão ligada diante do campo de visão do bebê é algo imprudente, pois desvia o olhar dele do entorno em que vive – e com o qual deve se deliciar: ver os pais e irmãos, sentir os cheiros e os sons da casa – para fixar sua atenção no campo frenético da tela.

    Encontrar estimulação em detalhes que passam despercebidos aos adultos é próprio das crianças: sua baixa estatura a faz atentar às pequenas realidades ao seu entorno. Porém, pais ou educadores com pouca sensibilidade ou dificuldade para colocar-se no lugar da criança, ao pô-las diante de telas digitais – julgam que a ajudarão se divertir e aprender mais – entopem-na de estímulos artificiais que anulam a curiosidade e a capacidade dela de se motivar com a vida real. O excesso de imagens satura os sentidos e bloqueia a imaginação. A criança se torna passiva e entediada com o mundo real, porque acha-o chato, lento e sem graça. Quando sai à rua com os pais não sabe fixar a atenção em nada ao seu redor porque, acostumada à superestimulação, perdeu a curiosidade e sua imaginação se acomodou.

    3 – A perda da curiosidade e da criatividade infantil

    A falta de limites e o consumismo vertiginoso das crianças atuais vêm destruindo a curiosidade delas, pois acham que tudo deve vir à la carte pela tela. O modo mais fácil de matar a curiosidade delas é deixar a vida ao alcance do botão play. Uma mente assim acostumada fica preguiçosa e pouco imaginativa. Contudo, a criança se torna hiperativa, nervosa e com desejo de chamar a atenção quando é afastada desse mundo irreal dos videogames, etc. Como um fumante ansioso, a criança acostumada às sensações aceleradas necessita de conteúdos cada vez mais agressivos, o que a tornará um adolescente desejoso de estímulos novos e mais agressivos (pornografia, drogas), porque já viu e se acostumou com tudo.

    Muitas crianças hoje são hiperativas, dispersas e com dificuldades para se relacionar, estabelecer vínculos e demonstrar afeto ou aceitar a autoridade (fenômenos raros antes das telas!). São crianças-troféu para serem exibidas, mas que crescem sem limites e pouco acostumadas a receberem um “não”. É comum ver nos supermercados e shoppings a tirania das que pedem aos gritos, xingam e batem porque não aguentam receber uma recusa, nunca dita a elas.

    4 – Fomentar brincadeiras imaginativas

    É importante que os brinquedos escolhidos não tenham pilhas ou botões, que devem estar dentro da criança, e não fora dela: não é a brincadeira que deve funcionar, mas a criança. A brincadeira é a atividade por excelência com a qual a criança aprende movida pela curiosidade.

    Vários estudos associam a brincadeira imaginativa da criança com a melhora e controle de sua impulsividade, porque a capacidade de imaginar e de desejar algo faz a criança refletir, começar e recomeçar, agindo ativamente. Filmes, desenhos e videogames, ainda que com o fim educativos, tornam a criança passiva, preguiçosa e sem iniciativa, dado o pouco esforço que é exigido dela.

    Brincar é o trabalho da criança. Mas isso não se confunde com o lançar-se sobre o sofá e jogar videogames a tarde toda, como recurso para matar o tédio do mundo real. A brincadeira deve ser a realização de uma tarefa que a criança faz com o coração, colocando nela a imaginação e a criatividade. A criança que passa horas concentrada em montar um castelo de lego ou armando uma cabana de lençol entre os móveis da sala, usa criativamente a imaginação e faz descobertas vivenciais.

        Nos fins de semana, quando não há atividades estruturadas ou formais – sejam as da escola ou de outro local que dizem às crianças o que devem fazer −, é um bom momento para observar se, no espaço aberto de um parque, seu filho brinca por horas sozinho ou com o irmão, sem outros brinquedos, mas imaginando as diversões que a natureza pode proporcionar. No entretenimento livre a criança equilibra os estados de tédio com o de ansiedade (tédio quando algo é fácil de realizar; ansiedade quando é difícil demais). Caso ela fique entediada em pouco tempo e ansiosa para retornar às telas, é que sua mente já se tornou hiperativa e dependente do ritmo dos ambientes artificializados, estruturados e com níveis altos de estímulos.

    A criança não se educa sozinha, mas necessita ser ajudada por adultos com sensibilidade para preparar um ambiente que não cede ao mais fácil (colocar nas mãos dela um tablete, por exemplo), mas deixam que ela seja a protagonista da sua própria educação. Ao invés de perguntarem à criança se deseja ver televisão, indagam sobre o que ela gostaria de construir com os tijolos de lego. Assim, permitem que a iniciativa seja da própria criança, que utilizará sua imaginação e aumentará suas habilidades.

    Texto produzido por Ari Esteves, com base na obra “Educar na curiosidade”, de Catherine L´Ecuyer, Editora Fons Sapientiae, 3ª. Edição, São Paulo, 2016.

  • Os valores são guias para os filhos.

    Os valores são guias para os filhos.

    1 – Valores fortalecem a vontade. 2 – Tenacidade e Constância. 3 – Obediência e Diligência. 4 – Sinceridade e Generosidade. 5 – Respeito e Responsabilidade. 6 – Ternura e Temperança. 7 – Ordem e Asseio.

    1 – Valores fortalecem a vontade

        A transmissão de valores começa desde os primeiros anos da criança ao incentivá-la a ter bons hábitos que logo se tornarão virtudes e alicerces do caráter. Quem não tem valores ou guias de conduta é como o barco sem leme que segue qualquer vento.

    2 – Tenacidade e Constância

        A tenacidade e precisa ser fortalecida entre um e três anos, ao ensinar a criança a ser perseverante e constante. Ao ver que ela tenta fazer uma torre com cubos, anime-a a concluir para que se habitue a terminar o que começou. Ao finalizar, aplauda-a, parabenize-a, pois é uma maneira de motivá-la a se esforçar sempre para findar o que iniciou. A aprovação do pai e da mãe é sempre animadora. Encoraje-a a fazer as coisas sozinha: vestir a boneca, montar um castelo de lego, devolver os brinquedos nas caixas, colocar no prato a própria comida, limpar os sapatos. A criança deve ver que os pais também se empenham naquilo que fazem. Ensine-a a não fazer apenas o que agrada: não a deixe ver televisão a tarde inteira, e force-a para que vá brincar no quintal ou jardim; não permita que abra a geladeira ou o pote de bolachas no armário, a fim de não se habituar a comer fora de hora. Uma criança com a vontade educada desde pequena, logo será um jovem perseverante, tenaz e decidido. A preguiça e o ócio − que estão ligados a uma vontade fraca − não criarão raízes nele. Não espere o tempo passar para iniciar o fortalecimento da vontade de seu filho.

    3 – Obediência e Diligência

    A desobediência é um péssimo hábito da criança, que desespera os pais. É preciso explicar sempre a ela o porquê de uma atitude, pois é mais fácil obedecer quando se compreende a razão de uma ordem. A obediência aos pais deve se converter em hábito. Mas atenção, pais, não fiquem obcecados com a obediência, pois a criança pode acabar farta de tanta cobrança. Não se esforcem por arranjar situações em que coloque à prova a obediência de seu filho. Façam as coisas de modo natural, e aproveitem as ocasiões que surgem: por exemplo, se a criança rasgou o desenho da irmã, explique serenamente que a maninha fez a pintura na escola, e queria que todos pudessem apreciá-la. Ao rasgá-la, ninguém pode vê-las, o que deixou triste a todos. De modo delicado foi explicado o que não deveria ser feito e como respeitar os outros. Mas não cante vitória antecipadamente, pois o pirralho poderá repetir sua habilidade de picar papéis. Não desanime até que ele deixe de fazê-lo. Se for necessário, repita a explicação todas as vezes que ele rasgar, pois trata-se da psicologia do anúncio: de tanto repetir, a coisa entra na cabeça.

    Seu filho deve ser diligente a partir dos 2 anos e meio ou três. Não permita que demore muito a obedecer, porque isso poderá se transformar num péssimo hábito. Não é exagerado exigir a obediência desde pequeno. Muitos pais desistem dessa luta. Porém, esse esforço não será em vão, pois ao habituar a criança a não fazer só o que agrada, ela se fortalecerá para metas altas e que custam mais esforços para serem atingidas (estudar para entrar numa universidade pública). Crianças mimadas só fazem o que gostam e fogem do esforço e do sacrifício.

    4 – Sinceridade e Generosidade

    O diálogo entre pais e filhos deve ser aberto, desde o momento em que a criança começa falar: – Filho, quem colocou o brinquedo dentro do vaso sanitário? Diga-me, porque se me contar, o papai não vai se aborrecer, mas se me esconder a verdade, irei descobrir e castigar quem fez isso.  − Fui eu, pai! − Grande garoto. Limpe o brinquedo e coloque ele para secar. Cuide e não estrague suas coisas. Que conseguiu o pai com este diálogo?  Criou um clima de confiança entre ele e a criança ao não dar um show de histeria.  Isso evitará que o filho faça as coisas ocultamente. Com destemperos, a criança tende a negar a má ação, e você perderá a oportunidade de corrigi-la.  A criança deve comentar com os pais as coisas boas e más que fez, porque sabe que o pai ficará zangado ao ver as paredes sujas e a lâmpada quebrada, sem que o autor tenha se acusado.  O clima de diálogo prepara os filhos para que na adolescência fale de seus planos de fins de semana (com quem sairá; o que fará na casa dos amigos), e assim você não terá que dar uma de Sherlock Holmes para investigar. A criança habitua-se a dizer a verdade se vive num ambiente de confiança. E assim, não terá a personalidade dupla de quem é simpática e aberta com os amigos, mas estranha e ressabiada dentro de casa. Quem se habituou desde a infância a dizer a verdade, não muda nunca seu modo de agir.

    Dizer que a criança é egoísta soa a afirmação gratuita, pois dependerá de como foi educada. Uma criança se torna generosa quando seu coração desde a infância compartilha as próprias coisas com os pais, irmãos, amigos e crianças carentes. Mostre a seu filho que a verdadeira felicidade não está em ter muitas coisas, mas em estar desprendido (tem mais quem precisa de menos). A criança aprende rápido a sair de seu próprio ego ao ser estimulada a doar seus brinquedos, e ficará feliz com isso. Generosidade significa renúncia de si mesmo, e torna a alma grande, magnânima. Dar é sempre difícil, mas se a criança começa a fazê-lo, crescerá desprendida e feliz, contrariamente à egoísta, que é triste porque nunca está contente com o que tem, sempre quer mais e inveja o que não possui. Ao emprestar o seu carrinho ao irmão menor, ficará feliz ao vê-lo alegre. Estimule sua filha a deixar o chocolate para o pai, porque ele gosta muito e chegará cansado do trabalho. Não se trata de ajudar a criança a ser generosa apenas em coisas materiais, mas também com as imateriais, ao dedicar tempo para servir aos demais. Claro, não exija que seu filho doe o ursinho com que dorme todas as noites, porque não irá parar de chorar ao pensar que o boneco sofre ao não dormir mais a seu lado.

    5 – Respeito e Responsabilidade

    Não é correto pensar que nos primeiros anos as crianças são terríveis e não há nada a fazer. É muito cômodo deixar de corrigir, mas a fatura chegará com juros altos. Desde pequenas devem ser ensinadas a ter respeito pelas pessoas e pelas coisas, e a ter limites. Assim, entrarão na adolescência sabendo se apresentar em qualquer lugar, dando mostras de que seus pais foram bons educadores. Logo que a criança começar a falar, deve aprender a ter bons modos e a viver as regras de boa educação (obrigado, por favor, desculpe, olá, tchau, com licença). Vale a pena aplicar um corretivo com uma explicação carinhosa para a criança aprender a não entrar na sala e brincar sobre o sofá, nem ligar a televisão ou manchar as paredes. Ao exigir respeito a algumas regras, a criança terá pontos de referência para distinguir o que pode ou não fazer. Não limitar-se a gritar, mas faça-a entender a diferença entre o certo e o errado.

        Nas famílias numerosas, os filhos mais novos aprendem observando os mais velhos. Com dois anos e meio ou três a criança pode começar a fazer as coisas sozinha, ainda que tenha que ser ajudada no começo: regar as plantas, pôr a comida do cachorro, atender ao telefone, dar o dinheiro ao entregador do mercado, colocar o lixo no cesto, deixar a roupa suja ao lado da máquina de lavar. A criança cumpre essas tarefas com alegria, pois se sente importante como os pais, que também têm tarefas diárias a cumprir. Elogie a criança que fez uma tarefa bem feita; estimule-a a que continue a realizá-la para o conforto de todos da casa. Quando incentivada a ser responsável, a criança se torna mais independente, e os pais não terão que andar atrás dela o dia todo para que dê descarga no vaso sanitário, almoce no horário e se apronte para a escola. É melhor gastar tempo durante alguns dias ao ensiná-la a se vestir sozinha, do que varar os anos vestindo-a, e fazendo-a pensar que todos devem fazer as coisas para ela. Ao se habituar a realizar os encargos domésticos, na adolescência não fugirá das responsabilidades escolares e outros compromissos; e se tornará segura de si própria e sem medo ou preguiça para se propor metas altas nos estudos e na vida.

    6 – Ternura e Temperança

    Quanto mais amor receber um filho, mais alegre e seguro ele será, porque se sentirá protegido pelos seus pais. Os beijos e abraços dos pais nunca são demais, nem tornam os filhos mimados, se também são exigidos para que cumpram seus deveres. Mostre a seu filho que é amado: “Meu tesouro!”. Criança a quem não foi manifestado muito amor, torna-se reservada, distante e custará a ela expressar seus sentimentos. É melhor exceder-se em dar amor, do que errar pela ausência dele. Nos primeiros anos, dê à criança todo afeto que puder: por amor a seus pais ela se portará bem mesmo na ausência deles. Muitos adultos têm problemas emocionais relacionados à ausência de carinho na infância.

    Aprende-se a ser sóbrio e desprendido dos objetos desde a infância, começando pelos brinquedos e doces. Ajude seu filho a valorizar o que possui, e aprender a viver com pouco, pois saberá desfrutar melhor do que possui. Ao não ter muitos brinquedos, aprenderá a ser constante e imaginativo ao se divertir durante um bom tempo com o que possui. A criança abarrotada de brinquedos não percebe o quanto as coisas custam, se entedia rápido com aquilo que tem entre as mãos e torna-se inconstante ao largá-lo para pegar outro. Não permita que avós e tias encham as crianças de presentes. Contrarie os caprichos da criança insaciável por ganhar brinquedos, não para aborrecê-la, mas para não destruir a imaginação dela, que deve fazer seus carrinhos com embalagens vazias de produtos caseiros (se divertirá mais com isso do que com carros elétricos que fazem tudo sozinhos). Que tenham poucos brinquedos bons, ganhos em épocas especiais (Natal, aniversário…). Quanto aos doces, limite-os para os fins de semana. Assim, quando forem mais velhos não terão problemas de autocontrole, porque se habituaram a privar-se e a dizer não a muitas coisas que poderiam agradar. Começam por dominar-se diante das guloseimas, e mais adiante não serão vítimas dos apelos consumistas, excesso de jogos e lazer, e saberão privar-se de buscar novas sensações nas drogas.

    7 – Ordem e Asseio

    É preciso tornar a criança ordenada desde pequena, sendo esta uma das primeiras virtudes a ser ensinada. Procure que ela identifique a palavra brincar com a de arrumar, após brincar. Não espere que cresça para exigir isso, nem aceite a desculpa de que durante os primeiros anos o bebê pode fazer o que quiser. A ordem deve começar a ser vivida desde o dia em que a criança nasce: ordem no sono (pouca ou nenhuma luz para atender o bebê na madrugada fará que perceba que há dia e noite, e que a noite é silenciosa e está feita para dormir); ordem nos horários de refeições e banhos, nas roupas e brinquedos. Os pais não podem passar o dia recolhendo o que a criança deixou por todo canto. Desde que tenha um ano, ao acabar de brincar, deve colocar na caixa os seus brinquedos (cole em cada caixa o desenho ou figura do que ali deve ser guardado). Ponha prateleiras ao alcance da criança. Aos três anos do pirralho, consiga uma mesa de trabalho com gavetas para ele fazer desse o lugar de recortar, colar, rabiscar, montar o quebra-cabeças, desenhar; mais tarde esse será o lugar de estudar, concentrar-se, ler e fazer as tarefas escolares. Se a criança começa a ser ordenada por fora, logo o será por dentro (gavetas, armários); e quando for adolescente será organizado na distribuição do tempo e na capacidade de planejar o que irá fazer em cada momento. Organizar-se no dia a dia não se aprende de um momento para outro, mas se capacita desde muito cedo. Mas, pais, não fiquem obcecados pela ordem, nem passem o dia gritando com a criança. Basta dedicar um tempo diário – por exemplo, antes do banho da tarde − para que ela arrume o próprio quarto.

    É preciso aprender a ser asseado desde pequeno: banho diário, dentes e cabelos lavados e escovados, roupa limpa. Torne o banho atraente ao colocar dentro da banheira algum brinquedo, pois é a maneira da criança associar o banho com divertimento, em vez de convertê-lo num suplício diário. Para ter hábitos de higiene, crie horários: pela manhã, lavar o rosto, as mãos, escovar os dentes e pentear os cabelos; ao retornar das brincadeiras ou da rua, lavar as mãos; à noite, tomar banho, limpar os ouvidos e pentear bem os cabelos; aos sábados, cortar as unhas. Quem não aprende a ser limpo desde pequeno, será difícil andar arrumado quando for adulto, pois sempre faltará algum detalhe. A criança com costumes de higiene apreciará manter a casa arrumada por fora (aquilo que toda a gente vê) e por dentro (aquilo que não se vê). O hábito de asseio será levado vida afora pela criança. Já se disse que uma criança é desmazelada porque seus pais o são. Mas, pais, não fiquem obcecados a ponto de ralhar com a criança porque se sujou no jardim ou durante a refeição. As crianças têm que se sujar, o que não quer dizer que devam andar sujas o todo o dia.

    Texto produzido por Ari Esteves, com base na obra “Tu hijos de 1 a 3 años”, de Blanca de Jordán de Urríes, Colección Hacer Familia, Espanha.

  • Um filho não pode diminuir o amor entre os pais

    Um filho não pode diminuir o amor entre os pais

    1 – Ter o conjugue em primeiro lugar no amor. 2 – A criança se sente segura ao ver que seus pais se amam. 3 – Se um filho desune os pais, a função educativa se vê truncada.

    1 – Ter o conjugue em primeiro lugar no amor

        Ter o cônjuge em primeiro lugar no amor não diminui o afeto dos filhos pelos pais. Infelizmente, a separação bate à porta do casal que permitiu o esfriamento do amor mútuo, por vezes transferido unicamente para o filho. O cônjuge que dedica mais atenção à criança, e esquece o outro cônjuge, se equivoca em sua missão, e deseduca o filho.

        Duas irmãs conversavam, e a mais velha aconselhava a mais nova para que observasse como procedia o pai delas ao chegar em casa, ao final do dia: − Onde está a minha linda esposa?, e ia até ela, beijava e ajudava-a no que fosse preciso. Então, a irmã sugeria à mais nova que perguntasse às colegas da escola se havia outro pai que fizesse questão de mostrar aos filhos que a esposa era a pessoa mais importante da vida dele.

    2 – A criança se sente segura ao ver que seus pais se amam

            Educa-se quando o amor ao filho é o prolongamento do amor entre os pais; deseduca-se quando o amor ao filho distancia os pais, o que faz perder eficácia a obra educativa, que deixará de ser conjunta (de pai e mãe). Se um homem e uma mulher se casam porque se amam, e o fruto dessa união é o amor mútuo espelhado numa nova pessoa chamada filho, ambos devem concluir que o mais importante é o amor entre eles, esposos, para que a criança possa se sentir segura ao reconhecer-se como fruto desse amor. Os pais devem fazer notar que se querem, sem expor os carinhos próprios da intimidade conjugal diante dos filhos, pois isso seria equivocado.

    3 – Se um filho desune os pais, a função educativa se vê truncada

        A criança idolatrada e tida como a número um no amor de seu pai e de sua mãe, torna-se autocentrada e se vê como o sol do seu próprio universo, e seus pais meros satélites, sem desconfiar que a luz que emite é reflexo do amor de entre seus pais: caso essa luz se apague, o universo da criança ficará no escuro.

        Uma criança perguntava à mãe sobre quem ela amava mais: a ela, filha, ou ao marido? A mãe respondia: − A seu pai, porque, além de tudo, ele me deu você. Essa mesma pergunta ela fazia ao pai, que dizia: − A sua mãe, porque, além de tudo, ela me deu você. A criança ficava intrigada e incomodada com essa resposta, pois achava que ela deveria brilhar em primeiro lugar no amor de seus pais. Porém, já adolescente, quando os pais passaram a dizer “Amo mais você, filha”, por fim compreendeu que a resposta não poderia ser essa, pois eles logo se divorciaram e ela se viu só.

        O cônjuge que se sente infeliz porque foi trocado por um filho, esfria-se no amor. E o casal que já nada tem a dizer um ao outro, trilha o perigoso caminho que levará ao despenhadeiro a relação familiar. A mulher que esquece a sua condição de esposa e tem presente só a de mãe, e vê o marido apenas como provedor de alimento e segurança, está equivocada como mãe e esposa; o marido que concentra sua atenção na criança e considera a esposa como meio para ter um filho, cuidar da casa e preparar a comida, equivoca-se como marido e pai.    

        Quem desloca o cônjuge para fora da lista de prioridades no amor, sinaliza que seu casamento não anda bem, e que as promessas de amor eterno nada valeram. Se o amor entre os cônjuges vai bem, as demais circunstâncias da vida se ajustarão e a autoridade dos pais crescerá diante dos olhos dos filhos, como condição indispensável para o processo educativo deles. Mantenha o seu cônjuge como o número um na sua lista de prioridades no amor, pois assim seus filhos se sentirão seguros vendo a estabilidade do amor entre seus pais.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/

  • Caráter dos filhos: missão dos pais

    Caráter dos filhos: missão dos pais

    1 – Caráter, o que é? 2 – É fácil perceber a ausência de caráter. 3 – Ensinar as crianças a ter caráter.

    1 – Caráter, o que é?

        O caráter, palavra latina que significa marca, impressão ou símbolo da alma, é uma qualidade que reside na pessoa como um todo (inteligência, vontade e afetos), e se constrói ao longo do tempo pelas influências recebidas no ambiente familiar, na escola, na rua, com os amigos, pelos meios de comunicação e leituras realizadas, etc. Essa vivência desenvolve conceitos (e preconceitos) que atuam sobre as decisões e ações pessoais. Já o temperamento é a parte fixa, o modo de ser da pessoa – seu jeitão −, recebido como herança genética ou constituição corporal: colérico, sanguíneo, melancólico ou fleumático. Tanto o temperamento quanto o caráter devem ser corrigidos, ao se perceber neles vícios ou defeitos.

        O caráter necessita que se reconheçam as verdades, custe o que custar. É fácil compreender que há verdades no campo das ciências exatas (química, física, matemática), e todos são unânimes em aceitá-las, pois a existência delas não depende de opiniões. Porém, o certo e o errado, o bem e o mal existem também para as decisões morais ou comportamentais dos homens, e essas verdades não dependem da opinião pessoal para aceitá-las ou não: roubar, mentir, trabalhar desonestamente, desrespeitar os pais, não cumprir com a palavra dada, são princípios imutáveis da conduta humana. Em qualquer época a fortaleza foi admirada e a covardia condenada; a solidariedade foi louvada e a avareza rechaçada.

        O alicerce do caráter são as virtudes, que se desenvolvem por meio da prática constante de ações que vão se sedimentando na inteligência, na vontade e nos afetos. As principais virtudes são: Prudência, como capacidade de julgamento criterioso, consciente (radica na inteligência); Justiça, que envolve a responsabilidade de dar a cada um o que lhe pertence (radica na vontade); Fortaleza para fazer o que deve ser feito e Temperança para o domínio de si e autodisciplina (essas duas virtudes radicam na sensibilidade).

    2 – É fácil perceber a ausência de caráter

        Não confundir caráter com habilidades intelectuais, artísticas ou técnicas, pois se pode ter alguma dessas qualidades e possuir um mau caráter ao ser pessimista, indeciso, desordenado; ou inseguro, suscetível e dependente de estados de ânimo; ou não saber relacionar-se com os demais. É tão comum taxar as pessoas pelos seus defeitos de caráter: esquentado, mentiroso, frívolo, indeciso, confuso. Talvez esses até gastem tempo e dinheiro para melhorar suas habilidades profissionais ou artísticas, mas pouco se esforçam para melhorar o caráter.

        Se é difícil definir o caráter, mais fácil é perceber a ausência dele, porque existe um ideal de comportamento que nos faz reconhecer se uma pessoa tem bom ou mau caráter. Defeitos como a gula, preguiça, sensualidade, inveja, ódio, sempre revelaram falhas de personalidade. Já a vida de uma pessoa que não se deixou aliciar por lucros indevidos; ou que se manteve forte e não traiu a confiança da esposa, filhos ou amigos; ou que deu a vida por um ideal nobre, sempre edificou a todos e revelou a riqueza desse caráter.

    3 – Ensinar as crianças a ter caráter

        As crianças vêm ao mundo carentes de virtudes: imponderadas e de raciocínios imprecisos que as tornam impulsivas, inconstantes e irresponsáveis; procuram impor suas vontades e manipular com o choro ou insistência os que estão ao seu redor; egocêntricas e centradas no próprio eu, tornam-se egoístas e pouco preocupadas com os demais; comodistas, tendem a fugir do esforço e a satisfazer imediatamente suas paixões e apetites (são hedonistas). Cabe aos pais ajudá-las a ter autocontrole e a ser generosas, solidárias e prestativas (ter bom caráter!).

        Crianças são adultos potenciais. Os pais devem vê-las por cima do muro do dia a dia, e projetá-las em atuação na vida social, com caráter. Desde a infância elas necessitam aprender a não mentir, a ser leais aos compromissos que assumiram, a manter a palavra dada, a não falar mal dos companheiros, a ser honestas e admitir os erros, a ter coragem para enfrentar a lição de casa e os encargos do lar, a não serem lamurientas e enjoadas. Para fracassar nessa tarefa, basta aos pais se omitirem e deixar vingar os maus hábitos nos filhos, tal como crescem as ervas daninhas em terreno baldio. Esse comodismo os fará presenciar um grande desastre, pois aos 13, 18 e 25 anos, os filhos apresentam os mesmos defeitos da infância.

        Pessoas de caráter não nasceram assim, mas se construíram: 1°) Pelo exemplo, pois as crianças são muito observadoras e não escapa ao olhar delas o modo como seus pais se conduzem: se virtuosos, irão adquirir um profundo respeito por eles e repetirão suas atitudes e valores; 2°) Pelas palavras dirigidas a elas de forma positiva e reiterada – apesar das resistências iniciais dos filhos –, a fim de desenvolverem bons hábitos; 3°) Porque ouviram incansáveis explicações de seus pais para cumprirem seus deveres, e com isso ganharam critérios de conduta.

        Honra e integridade são duas palavras que as crianças devem ouvir com frequência, pois crescerão dando importância a elas. Honra pessoal é uma das lições mais úteis que os pais devem ensinar às crianças (uma pessoa mentirosa perde sua honra, sua credibilidade). Integridade significa ser inteiro, feito de uma peça só, e não ter dupla personalidade: se o filho prometeu chegar em casa às 21 horas, deve cumprir com a palavra dada!

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/

  • Hábitos dos filhos, responsabilidade dos pais

    Hábitos dos filhos, responsabilidade dos pais

    1 – Crianças diante de telas digitais se tornam preguiçosas. 2 – A criança necessita ser exigida. 3 – Não realizar as tarefas que os filhos podem fazer.   

    1 – Crianças diante de telas digitais se tornam preguiçosas

         “É de pequenino que se torce o pepino”, diz o ditado popular. Quando a árvore ainda em crescimento começa a entortar o caule, une-se o frágil tronco a uma estaca-guia para que cresça ereto. Para as crianças, a estaca-guia são os pais: se estes permitem a prática repetida de más ações, os filhos ganham hábitos ruins ou vícios; se incentivarem a prática der boas ações, os filhos se tornam virtuosos.

         Pais que deixam os filhos ociosos e inertes diante das telas midiáticas, os tornam passivos e preguiçosos. Ao tolerar que os filhos passem horas hipnotizados pela TV, perdem a autoridade de pais, e são substituídos por alguma celebridade, cuja vida pode não ser exemplar.

    2 – A criança necessita ser exigida   

    Se as crianças não são exigidas para que arrumem suas bagunças, crescerão desordenadas e acostumadas a que os outros façam as coisas por elas; se não forem incentivadas a ler ou ouvir histórias lidas pelos pais, não se tornarão leitoras. Para não serem presas das telas midiáticas necessitam da sadia e paciente sugestão para lerem livros. Para serem educadas e corteses devem ser corrigidas a dizer “por favor”, “obrigado”, “me desculpe”, e a cumprimentar os mais velhos. Para não serem preguiçosas e bagunçadas, necessitam de paciente e contínuas cobranças para fazer a cama diariamente, colocar suas roupas nas gavetas e a enxugar o banheiro. As crianças devem ser exigidas a comer na hora certa e aquilo que se põe na mesa, pois só assim abandonarão os caprichos e não se deixarão conduzir pelos instintos. Devem respeitar o direito dos pais e irmãos e esforçar-se para distinguir o certo do errado, sendo aplicadas medidas corretivas de forma rápida e justa ao se comportarem mal, e elogiadas quando agiram bem.

         Os pais devem encorajar as crianças a perseverarem no cumprimento das tarefas chatas, a não serem lamurientas e a não fugirem do esforço a realizar. Para que sejam solidárias e preocupadas com os demais, devem cumprir os encargos que no lar foram atribuídos a elas, com a finalidade de manter a casa limpa e ordenada para o conforto e bem-estar de todos. Se obrigadas a refazerem a lição de casa ou a tarefa do lar mal feita, as crianças aprendem a se empenharem desde o início para realizar bem suas responsabilidades. No site staging.ariesteves.com.br/ há vários vídeos curtos que mostram tarefas que mães atribuíram às suas crianças.

    3 – Não realizar as tarefas que os filhos podem fazer

         Pai e mãe não devem substituir os filhos nos assuntos que cabem a eles resolver, mas mostrar como se faz e exigir que ponham mãos à obra.

         Quando a criança deixa as meias e os tênis jogados no meio da sala, os pais devem visualizar dois problemas: 1) a bagunça em si; 2) o vício do desleixo. Se a mãe recolhe os tênis e as meias, resolve apenas o primeiro problema, mas deixa latente o segundo − muito mais grave −, com sua consequente falta de consideração e agradecimento pelo esforço de todos em manter a casa em ordem.

         Se os pais não afrouxarem nem desistirem de sua missão de educadores, as crianças adquirem autoconfiança e aprendem a colocar suas habilidades em jogo para enfrentar seus próprios desafios. Com isso, crescem em espírito de serviço e ajuda aos demais, e exigem-se de si mesmas para fazer as coisas bem feitas desde o início, levando com responsabilidade e sentido profissional suas tarefas, tanto as escolares como as demais que a vida colocar em suas mãos. Ou seja, constroem um caráter firme e decidido.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/

  • O hábito de leitura

    O hábito de leitura

    1 – O papel da literatura. 2 – Ganhar o hábito da leitura. 3 – O que ler? 4 – Nada me afeta; leio qualquer coisa”, dizem os soberbos.

    1 – O papel da literatura

         A literatura tem um papel transformador em nossa vida. Já se disse que a leitura dos clássicos forja o caráter, cura as doenças da alma e resgata a autoestima. Com a leitura aumentamos a preparação intelectual, porque ela incide diretamente sobre a inteligência e faz aumentar o nível e o alcance do pensamento. Quando esclarecida pelos bons livros, a inteligência extasia-se com o bem e a verdade. A leitura, além de excelente modo de descansar e de aproveitar o tempo, aumenta a cultura humanística, melhora a forma de expressar o pensamento escrito e oral, enriquece o vocabulário e nos faz ganhar com a experiência do outro (“escarmentar em cabeça alheia”, diz o ditado).

    2 – Ganhar o hábito da leitura

         Para começar a ganhar o bom hábito ou gosto pela leitura, e ajudar as crianças a irem por esse caminho e a não serem dependentes digitais, tenha sempre um livro nas mãos, pois só assim você encontrará cinco minutos aqui e dez ali para lê-lo todos os dias, seja em sala de espera, no transporte público, naqueles minutos que antecedem o início do trabalho, no final do dia e, claro, nos fins de semana, quando podemos dedicar mais tempo à leitura.

        O nosso tempo é curto e não vale a pena perdê-lo com obras que desfiguram a verdade. Existem muitas obras de qualidade que convém ler: novelas, biografias, ensaios, artigos, contos, romances, etc. Uma revista de novelas ou gibi pode servir para descansar em momentos particulares, mas restringir as leituras apenas a isso revela sintomas de superficialidade, frivolidade e de perda de tempo.

    3 – O que ler?

         Todos temos que formar uma reta opinião sobre tantas questões que nos cercam, e isso não será possível com o malfado “ouvi dizer”, mas pela leitura de autores que fundamentam suas obras na verdade. Há livros que produzem confusão ou propagam ataques que não toleraríamos se fossem dirigidos aos nossos pais ou à nação (nem divulgaríamos tais obras).

         Atualmente, interesses econômicos fazem proliferar livros que chamam de best-sellers, mas que são escandalosos, sensuais e com falso entendimento sobre o que é a vida e o amor. Ninguém deve se sentir cobrado para ler algum Prêmio Nobel de literatura sem informar-se sobre o conteúdo moral de sua obra. É necessário ter um são espírito crítico, próprio de pessoas maduras, para ir contra a corrente e ler apenas bons livros.

         Como saber se devemos ou não ler uma obra? É medida de prudência pedir conselho a pessoas com sólida preparação intelectual e moral acerca do livro que pretendemos ler, para não perder o pouco tempo que temos, nem nos encharcarmos de ideias falsas. Também podemos pesquisar no site www.delibris.org, que nos posicionará sobre o conteúdo de muitas obras. Se não encontrarmos informações sobre um livro, a prudência exige atenção redobrada ao lê-lo, tal como quem dirige à noite em estrada desconhecida, e também para deixar de lê-lo se surgir alguma dúvida.

         Belo depoimento sobre isso deu Juan Pablo II, reconhecido por todos como grande intelectual, quando em seu testemunho biográfico “Levantai-vos, vamos”, disse: “Sempre tive um dilema: o que ler? Tentava escolher o mais essencial. A produção editorial é tão ampla! Nem tudo é valioso e útil. É preciso saber eleger e pedir conselho sobre o que se vai ler“. Veja sugestão de leitura por idade.

    4 – Nada me afeta; leio qualquer coisa”, dizem os soberbos

        Quem se habitua a ler qualquer obra corre o risco de envenenar-se de ideias tortas que influenciarão o pensamento, pois inverdades não refutadas pela falta de conhecimento modelam a conduta. Há livros que apresentam só parte da verdade, sem diagnosticar com clareza o erro que jaz em seus argumentos, e apenas lançam meias verdades, que são mais perniciosas e enganadoras do que uma mentira evidente. O ditado popular “O soberbo morre pela boca” pode ser aplicado a quem diz “leio qualquer coisa e nada me faz mal”. Não se trata de assunto novo, já que Platão, Séneca, Petrarca, entre outros, falaram das boas e más influências que recebemos por meio das leituras. 

       Alguém poderia objetar que deve conhecer as opiniões contrárias para formar o juízo próprio. Não há dúvida de que isso é correto em matérias opináveis. Mas há verdades sobre a natureza humana, família, casamento e atitudes éticas que não se alteram nunca, mesmo que muitos tenham opinião contrária sobre elas (os valores retratados na Odisseia, de Homero, escrita no século VIII a.C., são perenes na conduta humana). Para saber os efeitos de um veneno não precisamos bebê-lo: basta ler um livro que trate de seus efeitos.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/