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  • A figura do pai na educação dos filhos

    A figura do pai na educação dos filhos

      1 – O pai não está para “dar uma mãozinha à mãe”. 2 – O que representa o pai para a criança? 3 – O exemplo paterno e sua influência. 4 – Características do homem na vida familiar.

    1 – O pai não está para “dar uma mãozinha à mãe”

        Criar e educar uma criança exige esforço e capacidade de observação. Essa tarefa não é apenas responsabilidade da mãe, que não pode autoproclamar-se “a que sabe o que é melhor para a criança”, pois sua visão é parcial e se completa com a do marido, que deve participar de todo o processo educativo.

    Por natureza, o homem e a mulher são desiguais e se completam. A desigualdade de virtudes paterna e materna – devido às diferenças na constituição física e psicológica de cada um – facilita as missões distintas que lhes cabem. Ambos devem transmitir valores e posturas pedagógicas que integram a criança nas diferenças, abrindo a ela horizontes desconhecidos desde os primeiros meses de vida.

    A função paterna vai muito além de “dar uma mãozinha para a mãe”, como se fosse ela a única a cuidar dos filhos. Se sábia, a esposa exigirá do marido poder de decisão e colaboração nas escolhas, além da participação na rotina da criança: passear (sem ficar ligando pelo celular para saber se está tudo bem), ninar, contar histórias, buscar na escola, conviver, trocar fraldas, dar mamadeira… O contato físico com o pai fortalece o afeto e a confiança da criança em seus dois principais educadores. Sem confiar no pai, a personalidade da criança será enfraquecida pela mãe possessiva.

    2 – O que representa o pai para a criança?

    Se a mãe representa conforto e aconchego, a masculinidade do pai caracteriza limite (não se pode fazer tudo o que quer), aproxima mundos diferentes (materno e paterno), revela habilidades não ligadas aos afetos e facilita a abertura aos demais. O pai também representa segurança aos filhos ao abrir o pote de geleia quando ninguém consegue, ao afastar o cachorro que no parque veio cheirar a filha, ao ensinar o menino a fazer pipas e guerrear no céu contra a de outros garotos. Quanto mais presente for a figura paterna na vida das crianças, mais fortes, seguras e abertas ao mundo elas serão.

    Ao gestar e amamentar, a mãe se torna um porto seguro para o bebê. Então, chega o pai para provocar uma ruptura saudável nesse apegamento, socializando a criança ao estabelecer com ela a primeira relação, além da mãe, abrindo-a para confiar em mais alguém.

    O pai surge, então, como um novo universo a ser explorado pela criança: tem o rosto áspero, peludo e voz forte; brinca com ela de modo diferente, lançando-a ao ar e recolhendo-a ainda em pleno voo, fazendo a criança rir muito; instiga a que do armário pule em seus braços; leva-a de cavalinho nos ombros, galopando… Alguém já viu uma mãe se aventurar a tais proezas?

    3 – O exemplo paterno e sua influência

    Jacques Leclercq ensina que a inteligência feminina é mais ligada à sensibilidade, dando à mulher dotes de intuição e maior senso de observação aos pormenores; e a inteligência masculina tende a ver as coisas mais no seu conjunto, favorecendo o espírito de síntese. No caso dos meninos, a figura masculina mostra que a mãe não é a única referência, e que há um modo diferente de sentir, pensar, agir, que lhe é mais natural imitar. Quanto à filha, ao observar as atitudes do pai aprenderá a valorar o que devem possuir os homens, especialmente seu candidato ao namoro e futuro casamento. Isso explica que com muita frequência sogros e genros se dão bem.

    A filha de pai ausente (ou porque ele dá mais valor à sua atividade profissional ou porque está separado da esposa) não terá um modelo de homem, e correrá o risco de logo lançar-se nos braços de qualquer tipo bonitinho, mas sem qualidades para enfrentar a vida e levar adiante um lar. Mesmo em situação de separação, evita-se esse e outros riscos (abandono escolar, frágil conceito de família, uniões de fato, gravidez precoce, más amizades), se o pai está presente na vida dos filhos, seguindo-os muito de perto.

    4 – Características do homem na vida familiar

    James Stenson diz que a principal tarefa de um homem é proteger a sua família, e que isso está no cerne de sua masculinidade porque a natureza o dotou de capacidades físicas e mentais para isso: músculos fortes, agressividade para proteger mulheres e crianças dos perigos; pôr em favor da família sua força de vontade, seu sentido de justiça e moral, resistência, competitividade, assertividade, capacidade mental para abstração, amor pelo planejamento estratégico, gosto pela manipulação de ferramentas e objetos físicos.

    O ser humano precisa de alguém para se espelhar. À medida que cresce, a criança necessita de heróis a imitar, e começa admirando seus pais a fim de firmar sua personalidade. Quanto mais a criança se deslumbra com seu pai e sua mãe, mais adotará suas atitudes e valores para a formação do próprio caráter.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/

  • Ordem e aproveitamento do tempo

    Ordem e aproveitamento do tempo

    1 – A virtude da ordem multiplica o tempo. 2 – Critérios para hierarquizar as tarefas. 3 – O cumprimento dos deveres fortalece a vontade e o caráter.

    1 – A virtude da ordem multiplica o tempo

       A ordem dá harmonia e paz à vida porque leva a cumprir o que deve ser feito em cada momento; além disso, multiplica o tempo porque evita desperdiçá-lo em afazeres desnecessários ou menos importantes. Ordem − do grego “orthos”, reto, correto − é a disposição conveniente dos meios para se atingir um fim. Várias coisas entre si têm em vista a ordem que possuem em relação a um fim: tijolos, areia, telhas, ferros e encanamentos organizados em um pátio têm a finalidade de edificar uma casa.

    2 – Critérios para hierarquizar as tarefas

    Para que a ordem ocorra é necessário definir diariamente as prioridades, diferenciando as tarefas mais importantes das mais urgentes: é urgente atender ao telefone que esbraveja; é importante iniciar imediatamente a preparação para um exame que ocorrerá daqui a um mês. Ao definir as tarefas diárias é preciso estar atento para não se deixar levar pela comodidade ou lei do menor esforço, que ronda a todos os filhos de Eva e induz a iniciar as tarefas pelas mais agradáveis. Quem não estabelece prioridades se dispersa em afazeres menos importantes, e deixa de atender suas principais responsabilidades. A repetição dessas falhas cria o vício da preguiça que debilita o caráter, enfraquece a vontade e liquefaz qualquer ideal ou projeto de vida que exija esforço. 

    Hierarquizar os afazeres é atribuir valor a cada um com base em finalidades, pois dificilmente todos os afazeres terão o mesmo grau de importância. Essa estimativa é realizada pela virtude da prudência, que evita a ineficácia da desordem ao julgar o que é mais importante entre os inúmeros afazeres a serem realizados a cada dia. Assim, caso sobrem tarefas para o dia seguinte, devido ao acúmulo delas, certamente terão sido as menos importantes ou as que poderiam esperar até o dia seguinte.

    Para hierarquizar os afazeres com base em finalidades é necessário distinguir o valor moral de cada assunto. Por exemplo, uma pessoa que goste de sua atividade profissional poderá se ver na disjuntiva de continuar ou não na empresa além do horário previsto, sem um motivo importante ou extraordinário que o exija. Então, neste caso, o moralmente correto será encerrar o expediente e sair pontualmente para retornar ao lar a fim de conviver com o outro cônjuge e com os filhos, pois o fim do trabalho não se encerra nele mesmo, mas é meio para um fim mais alto.

    3 – O cumprimento dos deveres fortalece a vontade e o caráter

    As prioridades devem ser estabelecidas no início do dia por meio de um exame breve, de 3 a 4 minutos. Para executar as tarefas previamente definidas pela prudência e o juízo, entram também em jogo as da fortaleza e da laboriosidade, que levam a trabalhar com intensidade e a fugir das “paradinhas” desnecessárias e a evitar curiosidades ou perdas de tempo em mídias sociais, etc.

      O cumprimento responsável dos deveres é excelente exercício para o fortalecimento da vontade e enriquecimento do caráter. Quando alguém ganha um valor – por exemplo, a virtude da ordem –, não adquiriu apenas um hábito bom e isolado, pois, dada a unidade da pessoa humana, ao melhorar em um aspecto aperfeiçoam-se ao mesmo tempo todos os demais.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/. Imagem de Darya Sannikova.

  • O Estado não apoia a família

    O Estado não apoia a família

       

    1 – O Estado deve priorizar a família. 2 – O Estado tem nos pais seus melhores e mais econômicos educadores. 3 – Como poderia o Estado ajudar mais as famílias?

    1 – O Estado deve priorizar a família

     O Estado ainda não percebeu que a família é a instituição mais indicada para pôr fim à violência social, pois os estímulos dos pais são profundos e ajudam os filhos a formar sua personalidade. Pode-se afirmar que os adultos são o que seus pais promoveram. 

         O Estado deve priorizar sua atenção à família por muitas razões. Uma delas, bastante lógica e de constatação estatística, é que a faixa etária de maior violência na criminalidade − e que maior dor de cabeça dá aos poderes públicos − campeia entre os 13 e 25 anos. Se os pais forem auxiliados a dar uma educação integral no período áureo da criança (0 aos 12 anos), que envolve a inteligência, vontade, afetividade (sentimentos, emoções, paixões), temperamento e caráter, a faixa de risco não será mais retroalimentada e reduzirá fortemente em poucos anos.

         Infelizmente a pedagogia familiar não tem o reconhecimento que merece, mesmo sendo o âmbito mais importante na educação da criança. Foi muito descuidada essa pedagogia e substituída por mil teorias que deixaram os pais à parte. Uma coisa é ter ideias universais sobre educação, outra bem diferente é aplicá-las em cada caso concreto, disse Gerardo Castillo em sua obra “La realización personal en el ámbito familiar”.

         Só edificaremos uma sociedade justa e solidária se o custo do crescimento do PIB deixar de recair sobre nossas crianças e suas famílias. Se o Estado brasileiro valorizar a instituição familiar, se tornará em poucos anos referência mundial no IDH (índice de Desenvolvimento Humano).

    2 – O Estado tem nos pais seus melhores e mais econômicos educadores

         Hoje o Estado opera com grande esforço de tempo e dinheiro dentro da faixa de risco (13 a 25 anos), ao criar centenas de órgãos especializados no combate ao crime, o que é de indiscutível mérito. Mas, ao não concentrar esforços na prevenção ou educação infantil dada pelos pais, o Estado não verá diminuída sua luta contra o crime, e será obrigado a atuar permanentemente no combate às condutas lesivas, imitando o mitológico Sísifo, condenado a empurrar uma grande pedra até o alto de uma montanha, para depois soltá-la e fazê-la retornar ao sopé pelo próprio peso, tornando a empurrá-la até o topo uma vez e outra, eternamente.

         O Estado não percebeu que tem nos pais os seus melhores educadores: não fazem greve, não exigem salário, não necessitam de autarquias para fiscalizar seu trabalho, não tiram férias e nem se ausentam de suas funções nos fins de semana, e por conhecer profundamente seus “alunos” oferecem uma educação personalizada.

         Se o Estado colaborasse com a formação dos pais, auxiliando-os a enfrentarem os novos desafios na educação comportamental da criança e do adolescente, atuaria com inteligência na prevenção da violência e poderia dedicar mais tempo às outras necessidades sociais.

         Gerardo Castillo ensina que as primeiras bases de uma verdadeira pedagogia familiar se deve ao suíço Pestalozzi (1746-1827), com sua obra “Como Gertrudes ensina a seus filhos” (1801). Pestalozzi sustenta que a autêntica educação social, fundada na educação moral e da personalidade, não pode dá-la o Estado (com suas creches, digo eu), que se preocupa só com o comportamento exterior, e não interior como a família. A sociedade civil pode civilizar, mas não educar. Acrescenta o pedagogo suíço que o fundamento de toda cultura humana e social é o lar, cuja obra educadora gira em torno da atitude familiar do amor, sacrifício e abnegação desenvolvida pela mãe.

    3 – Como poderia o Estado ajudar mais as famílias?

        O Estado poderia ajudar a família primeiramente não sendo um corpo que ataca suas célula sadias − as famílias − como se fossem cancerígenas, ao impor sobre elas pesados fardos, e minando-as em seus esforços de subsistência ao permitir que uma economia perversa obrigue pai e mãe a ausentarem-se do lar o dia inteiro, a fim de prover o sustento da prole. Também poderia desonerar as famílias ao permitir que no imposto de renda fossem deduzidas integralmente (não parcialmente) todas as despesas com a educação – tanto a deles, pais, quanto a dos filhos. Excelente medida seria se os órgãos públicos da administração escolar incentivassem as escolas − por meio de pontuações, premiações, recursos financeiros − a promoverem atividades para aproximar dos pais a excelente produção acadêmica e prática no campo da orientação familiar.

         Também deve o Estado deixar de produzir leis que facilitam a desintegração das famílias por motivos banais (lei do divórcio), cujas vítimas principais são os filhos, e não incentivar a saída das mães para o mercado de trabalho ao criar milhares de creches para entupi-las de crianças que passarão os anos mais importantes da sua educação afastadas de seus principais educadores, pois as “tias das creches” jamais poderão ocupar o lugar dos pais.

         Com os recursos tecnológicos existentes hoje, interessante seria se o Estado incentivasse com isenção de impostos as empresas que autorizassem as mães desenvolverem seu trabalho desde o lar.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/

  • A conquista das virtudes requer esforço

    A conquista das virtudes requer esforço

    1 – A tarefa de buscar o aperfeiçoamento pessoal. 2 – Como ganhar virtudes?

    1 – A tarefa de buscar o aperfeiçoamento pessoal

        Cada pessoa tem a tarefa iniludível − e intransferível − de aperfeiçoar a si própria, de construir a sua biografia mediante as escolhas que faz. Seu auto aperfeiçoamento está no bom uso da liberdade e nas boas escolhas, pois estas criam hábitos ou costumes que predispõem para agir de uma determinada maneira. Compete a cada um a tarefa de se examinar e detectar o seu calcanhar de Aquiles, ou o defeito dominante, e pôr mãos à obra para erradicá-lo por meio de uma luta alegre e esportiva, feita de pequenos vencimentos diários, começando e recomeçando a lutar após cada derrota.

        Quem não procura ser melhor e deixa-se vencer pelo mais cômodo, ganha os hábitos ou os vícios correspondentes às suas más escolhas. Se não rechaçamos os nossos defeitos, os bons ideais se transformam em pó. As virtudes são necessárias para as metas altas que alguém se propõe a realizar. Alcançar um ideal ou o projeto vital, dependerá da conquista das virtudes correspondentes.

    2 – Como ganhar virtudes?

        Para superar os obstáculos internos e externos que dificultam o aperfeiçoamento pessoal, é necessário fortalecer a capacidade humana por meio de virtudes, palavra originada de vis (força, em latim), que ao serem adquiridas facilitam a ação. A virtude permite aspirar bens árduos ao dar à vontade a força que antes não tinha para manter a excelência de seus objetivos. As virtudes se entrelaçam e, quando melhoramos em um aspecto, melhoramos em todos os outros pelo princípio de unidade da pessoa humana.

        Tal como o esportista ganha força e facilidade em agir pelo treinamento diário, as virtudes são ganhas mediante o exercício constante de pequenas ações, como por exemplo: acordar no horário, não adiar ou marretar as tarefas, manter a ordem nos objetos pessoais, aproveitar bem as horas de cada dia, ser paciente, ter espírito de serviço, saber ouvir os demais, ter bom humor, ser temperado no comer e beber… 

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/

  • A tarefa educativa da família

    A tarefa educativa da família

    1 – A influência da família na personalidade. 2 – A família como o melhor negócio dos pais.

    1 – A influência da família na personalidade

        Os pais devem ter presente que, para o bem ou para o mal, a família é a influência mais profunda e duradoura na vida de qualquer pessoa. Se os pais não educam os filhos, a fim de que amadureçam e sejam responsáveis, ninguém os substituirá. Esse dever educativo dos pais é exclusivo e está ligado à transmissão da vida, tornando-os, assim, os principais protagonistas dessa educação.

        Não basta dar alimento e abrigo. Ao gerar, os pais contraem a obrigação de instruir, colocando os filhos em condições de enfrentar a vida em suas diversas etapas e exigências. Essa preocupação educativa deve dominar a vida dos pais, que não podem regatear esforços para isso.

    2 – A família como o melhor negócio dos pais

        Jacques Leclercq diz que “os filhos são o remate da família”. Remate é um substantivo que significa a última operação destinada a tornar uma obra perfeita e acabada. Se não conseguem isso, por mais que a carreira profissional esteja bem, os pais não serão felizes, mas frustrados, pois a família é o seu melhor negócio.

        Victor García Hoz diz que a educação familiar se orienta para três finalidades:

    1) Cultivar a personalidade;

    2) Preparar a pessoa para o âmbito familiar e social;

    3) Educar a vontade para o bem (educação moral).

        Tudo Isso implica que a qualidade da educação dos filhos dependerá da qualidade da formação dos pais, que necessitam preparar-se cientificamente. Os pais não precisam ser profissionais da educação, mas devem educar com mentalidade profissional. E para isso não basta o sentido comum nem a experiência de ser pais, sendo necessário valer-se de estudos acadêmicos e práticos no âmbito da orientação familiar. Veja em staging.ariesteves.com.br/livros-orientacao-familiar/ a lista de obras que ajudará os pais a se prepararem, ao reservar alguns minutos diários para essas leituras.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/. Imagem de Arina Krasnikova.

  • Virtudes e defeitos

    Virtudes e defeitos

    1 – Detectar os defeitos pessoais e lutar com espírito esportista. 2 – Os nossos hábitos nos configuram.

    1 – Detectar os defeitos pessoais e lutar com espírito esportista

        Não podemos conviver com defeitos de temperamento e de caráter como quem cultiva vírus e bactérias dentro de si. Todos temos que reconhecer com humildade os próprios defeitos e lutar contra eles com espírito alegre e esportista. O esportista busca melhorar continuamente seus índices, começando e recomeçando a cada dia. Por meio do exame de consciência, se alguém percebe que é tímido, deve superar a vergonha de se expor procurando fazer atos contrários à timidez: por exemplo, ao necessitar saber onde fica determinada rua, terá constrangimento de interromper a conversa do grupo de pessoas à porta de um bar, mas deverá enfrentar-se e chamar para si a atenção dos prosadores e perguntar pela tal rua (a princípio isso poderá custar, mas o único modo de vencer a timidez é expondo-se). Quem é egoísta necessita desprender-se de suas coisas ou do seu tempo em favor dos demais; o impaciente cabe-lhe exercitar-se no autocontrole e saber esperar; o pessimista deve policiar-se para evitar comentários negativos; o mal-humorado deve esforçar-se por sorrir.

    2 – Os nossos hábitos nos configuram

        O homem não faz nada deliberadamente sem que ao fazê-lo não seja afetado por suas próprias ações. Os hábitos modificam o sujeito que os adquire, porque ficam nele de modo estável e configuram o seu modo de ser: quem pratica atos desonestos torna-se um injusto, quem não se deixa vencer pela preguiça converte-se em laborioso, quem fala mal dos outros se transforma em um detrator, quem não mente torna-se veraz. Dependendo da maneira habitual de atuar, a pessoa ou melhora ou piora, pois acaba sendo moldada pelas suas ações positivas (virtudes) ou negativas (vícios).

        Os hábitos bons chamam-se virtudes; hábitos ruins, vícios. Hábito é uma tendência adquirida pela repetição de atos que reforçam a conduta e facilitam a ação, configurando o modo de ser da pessoa. A repetição deliberada de atos se transforma em costume, e o costume é como que uma segunda natureza, pois o sujeito passa a se mover de acordo com as tendências adquiridas. Há várias classes de hábitos: técnicos ou de destreza no manejo de instrumentos (fabricar objetos), hábitos intelectuais (conhecer outro idioma), hábitos do caráter ou referentes à conduta (ser agradecido, veraz).

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)
     

  • A escolha de valores ou modelos de conduta

    A escolha de valores ou modelos de conduta

    1 – Quais os valores que regem a minha vida? 2 – Necessitamos de valores possíveis de imitar. 3 – Podemos acertar ou errar na escolha dos modelos. 4 – Os livros de literatura transmitem valores.

    1 – Quais os valores que regem a minha vida?

        Antes de agir necessitamos aplicar alguns critérios prévios chamados “valores” ou referências para pautar a ação em direção à verdade e ao bem, fim natural da pessoa. A educação em boa parte consiste em transmitir modelos e valores, a fim de que cada pessoa saiba fazer boas escolhas por si mesma.

        Examinar sobre os valores que regem a própria vida é medida de prudência para não construir sobre o erro, que seria fatal e origem de fracassos. Quem se preocupa com a saúde examina o grau de colesterol ou de calorias antes de consumir determinado alimento, pois tem como valor o cuidado com sua saúde. Há quem age pautado por valores de utilidade, beleza, fama, poder, dinheiro, pátria, sabedoria, destreza técnica, solidariedade, família, religião etc. A pergunta sobre os valores ou modelos que escolhemos tem sentido porque “diz-me com quem andas e te direi quem és”.

    2 – Necessitamos de valores possíveis de imitar

        Não desejamos valores teóricos, mas aqueles que vemos representados em modelos a serem imitados. Precisamos de alguém com quem possamos nos identificar, porque vive ou viveu uma vida cheia de significados pelos quais vale a pena se arriscar e deixar de lado a comodidade para sair da arquibancada e vir à arena lutar! A vida de quem encarna os valores que admiramos não pode ser inexequível, mas imitável no quotidiano, sendo por isso eleito como modelo. Em tempos de crises de valores podemos encontrar gente que personifica um ideal de excelência humana na própria família, na profissão ou nas relações sociais. Essas pessoas são modelos porque a história ou existência delas está lastreada em fatos edificantes.

    3 – Podemos acertar ou errar na escolha dos modelos

        Ter modelos é algo muito humano, mas a questão está em acertar ou errar na escolha. Muitos escolhem modelos de conduta determinado pelos modismos que visam a fama, o sucesso profissional a qualquer preço, a busca contínua de satisfações sensitivas, a beleza corporal… A personalidade madura escolhe por convicção e não pela moda, e preza mais os valores interiores ligados ao caráter e à personalidade, do que à beleza física externa. Quem só escolhe exemplos de sucesso (os best-sellers de ocasião), se deixa envolver pela massificação, que é deixar os outros decidirem por si.

    4 – Os livros de literatura transmitem valores

            É interessante notar que as narrativas têm influência enorme na vida humana, pois geram condutas. Contar histórias tem alcance maior do que discursos teóricos na configuração da vida de uma pessoa ou de um povo. A transmissão oral de contos feita pelos pais às crianças, a leitura de romances épicos, drama, e mesmo os bons filmes, são veículos de transmissão de valores ou modelos de condutas. Porém, temos que estar atentos porque em nossos dias os grandes narradores são o cinema, a TV e a publicidade, que podem nos manipular por meio de narrativas que apresentam modelos de conduta familiar, profissional, social ou de lazer que não condizem com a verdade sobre o homem.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/), inspirado no livro “Fundamentos de Antropologia”, de Ricardo Yepes e Javier Aranguren, Instituto Raimundo Lúlio.
     

  • Educar para a contemplação

    Educar para a contemplação

    1 – O benevolente caminha para a perfeição humana. 2 – O ser humano é capaz de compreender a finalidade dos seres. 3 – O homem pode danificar o mundo que o circunda.

    1 – O benevolente caminha para a perfeição humana

        Diante de um besouro caído de costas, esperneando para voltar à posição normal, pode-se ter três atitudes: ficar indiferente, esmagá-lo ou virá-lo. Quem ajuda o inseto para que siga sobre suas patinhas, esta dizendo a ele “seja você mesmo”. É benevolente quem reconhece e dá valor ao real − pessoas ou coisas − e diz a cada ser “alcance a sua plenitude ou fim próprio!”. O desenvolvimento de uma pessoa tem caráter moral e não é isolado, mas influi sobre toda a realidade circundante. A benevolência é atitude ética que faz o homem reconhecer e ajudar a que pessoas ou coisas sejam o que devem ser. O benevolente caminha para a excelência humana e converte-se em aperfeiçoador e contemplador da natureza e do mistério da vida, pois vê o Cosmos como algo organizado e dotado de uma finalidade.

    2 – O ser humano é capaz de compreender a finalidade dos seres

        O homem é capaz de compreender o sentido ou razão de ser das coisas − sua teleologia ou finalidade para a qual existem − e dispô-las em relação ao seu fim: dispor de um martelo é usá-lo para pregar. Devemos respeitar todos os seres porque todos somos criaturas! O respeito ao homem e à natureza radica em Deus, seu Criador e dono. O amor desinteressado às pessoas e à Criação é caminho para o conhecimento e o amor a Deus. Assentir com o real significa reconhecer as coisas em seu verdadeiro valor (pisar no besouro não faz sentido porque o destrói).

    3 – O homem pode danificar o mundo que o circunda

        Existe no homem a capacidade de danificar o mundo circundante por meio de hábitos ruins (vícios), e isso pode torná-lo um destruidor de pessoas ou da natureza! O destrutor vê o universo criado como pura matéria desorganizada, sem referência a nenhum Ser superior que o pensou para um fim, caindo no evolucionismo desmedido. Se tudo está em evolução não há motivos para respeitar o ser das coisas, pois qualquer ação destruidora da realidade deverá ser tomada como um novo momento dessa evolução total e desordenada.

        O homem deixa de ser benevolente ao não levar em conta o sentido próprio de cada ser, a fim de utilizá-lo para seus interesses pessoais. O instrumentalismo despoja as pessoas e os demais seres da finalidade que lhes é própria: a família, a profissão e as relações sociais são utilizadas para fins pessoais, exclusivistas, descaracterizando a finalidade de cada ser. A tecnocracia extrapola a importância dos processos econômicos e faz originar o consumismo que rompe com os valores ecológicos criando, por exemplo, os desastres ambientais e torna os homens escravos dos bens de consumo por meio de falsas mensagens publicitárias.

        Amar a natureza e respeitar a finalidade de cada ser − e educar as crianças para tal −, é excelente caminho para ser feliz sem ser consumista.

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    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/), inspirado no livro “Fundamentos de Antropologia”, de Ricardo Yepes e Javier Aranguren, Instituto Raimundo Lúlio; e “Felicidad y benevolencia”, de R. Spaemann, Rialp, Madri.
     

  • Quem deve educar: a família ou a escola?

    Quem deve educar: a família ou a escola?

    1 – A família educa para o bem ou para o mal. 2 – A educação escolar é insuficiente. 3 – A família forma nos valores essenciais. 4 – A escola tem função subsidiária. 5 – Escolas inteligentes orientam os pais no comportamento dos filhos.

    1 – A família educa para o bem ou para o mal

        A família é a primeira e fundamental escola porque é comunidade de amor, onde os filhos são queridos não pelas qualidades que possuem, mas porque são filhos. O ambiente familiar marca o indivíduo para sempre, sendo a influência mais profunda e duradoura em sua vida. Nesse espaço se constrói a personalidade e o amadurecimento afetivo que condicionam todo o desenvolvimento humano, cultural e social de seus integrantes. O entorno natural de afetos proporcionado pela família é o mais adequado à dignidade da pessoa, sempre necessitada de carinho, instrução personalizada, compreensão e estímulo para superar-se e crescer em virtudes. A influência familiar dá-se tanto para o bem quanto para o mal, dependendo da qualidade de seu ambiente e da educação oferecida.

        A educação familiar não é formal como a escolar, mas espontânea e descontraída. Esse clima de informalidade é o mais adequado para os pais se ocuparem de questões profundas como as de caráter, temperamento, transmissão de valores, virtudes humanas, atitudes cívicas, orientação profissional alicerçada no autoconhecimento e espírito de serviço.

    2 – A educação escolar é insuficiente

        Não basta a educação escolar para as pessoas darem certo na vida. Muitos pais estão satisfeitos com esse tipo de educação e acreditam que ao proporcionar uma instituição de grife sua responsabilidade está cumprida. Resta então torcer para que o tempo e a sorte ofereçam uma boa oportunidade profissional ao filho, e este corresponda com as qualidades humanas − que terá que desenvolver sozinho −, para ser um profissional de excelência em todos os aspectos. A valorização do aprendizado científico em detrimento da formação integral da pessoa (que inclui a educação da vontade e dos afetos), faz-nos presenciar   horrorizados a atuação de “competentes” técnicos em altos cargos no governo e na sociedade civil, que se corrompem facilmente pelo dinheiro e se destroem moralmente.

    3 – A família forma nos valores essenciais

        A família é a principal transmissora de valores éticos, culturais, sociais, espirituais e religiosos. Quando interiorizados, esses valores se tornam bússolas que apontam para o correto agir e orientam a vontade até o bem, norteando a pessoa para mover-se retamente em todos os âmbitos de sua vida. Os valores que se cultivam no lar são entesourados de forma indelével e performativa no coração e na mente. Ao inerir num filho convidam-no à contínua superação de seus limites e a realizar com esforço e perfeição crescentes seus deveres familiares, acadêmicos e sociais, sem se acomodar com o nível alcançado, pois quem não avança retrocede.

        Os filhos devem ser educados para os valores essenciais da vida humana, e essa tarefa cabe à família, que evidentemente poderá contar com programas de formação comportamental em boas escolas. Porém, os filhos só crescerão numa justa liberdade diante dos bens materiais se os pais derem exemplo de que o homem vale mais pelo que é do que pelo que possui, ajudando-os a crescer sem apegos diante dos bens materiais, e adotando um estilo de vida simples e austero. Sem valores uma pessoa desiste da tarefa que se tornou cansativa, foge do dever árduo a cumprir, ouve uma murmuração ou calúnia sem reagir, ferra-se em sua opinião e discute de forma agressiva, claudica diante do ganho fácil dos subornos.

        Na família se dá uma forma de aprendizagem por impregnação ou osmose onde as crianças, desde muito pequenas, imitam os adultos ao ver seus costumes, forma de agir, modos de se conduzir e falar. Isso ocorre porque a família é uma comunidade de convivência intensa, onde as relações informais fazem as pessoas se comportarem espontânea e naturalmente, revelando-se como são e tornando-se, os adultos, referências para os pequenos.

    4 – A escola tem função subsidiária

        A tarefa educativa compete primeiramente aos pais, dada a primária incumbência de que quem gerou deve educar, e não pode ser transferida à escola. É natural que os pais deleguem, sob vigilância, algumas funções a esta, como o ensino de várias disciplinas apropriadas à faixa etária dos filhos. Mas, não se pode concluir que ao delegar devam abandonar a educação dos filhos nas mãos de outros. Por isso, os pais têm o direito e o dever de conhecer o ideário e objetivos da escola, seus programas e corpo docente. Infelizmente, a necessidade de trabalhar fora faz que muitos pais transfiram a educação à escola e, como Pilatos, lavam as mãos e se desobrigam da responsabilidade de dar uma formação integral a cada filho.

        Nem todas as escolas se preocupam com a formação integral de seus alunos, ou possuem um bom programa para transmitir valores humanos. Porém, não deixam de indicar padrões de comportamento quando um professor, ao explicar o conteúdo de sua disciplina, revela aos alunos suas crenças, visão de mundo, virtudes ou vícios. Se a conduta do mestre não é exemplar provocará no aprendiz confusão e diminuição de valores. Por isso, não é razoável que a família se despreocupe com a qualidade ética do professorado e do material didático que utiliza. O que constrói arduamente a família não pode ser destruído pela atitude irresponsável do docente.

        Os professores estão desmotivados porque ganham pouco e seu trabalho não é valorizado. Soma-se a isso o fato de que muitos jovens enfrentam desrespeitosamente seus mestres e, quando corrigidos, seus pais vão à escola para repreendê-los, ao invés de agradecer a ajuda prestada. Com isso, aplaudem os erros dos filhos, e fixam-nos na conduta da qual um dia serão suas vítimas.

    5 – Escolas inteligentes orientam os pais no comportamento dos filhos

        As escolas inteligentes sabem que a falta de um bom ambiente familiar faz surgir nos adolescentes transtornos comportamentais, medos, ansiedades, agressividades, pessimismos, incapacidade para relações sociais profundas, falta de respeito ou interesse pelos demais. Por serem inteligentes, essas escolas também reconhecem que os adolescentes mais adaptados à instituição geralmente têm um histórico de famílias coesas, transmissoras de valores e onde a comunicação entre seus membros está sempre presente. Por isso, essas escolas reconhecem o protagonismo dos pais na ação educativa dos seus alunos, e sabem que a família não pode ser substituída nem por elas − instituições de ensino −, nem por outros entes privados ou púbicos.

        Conscientes também das dificuldades que os pais enfrentam na educação do comportamento de seus filhos − dada a descarga desinformativa e manipuladoras das diferentes mídias −, as escolas inteligentes trazem os pais para dentro de seus muros, a fim de ajudá-los por meio de programas como Escola de famíliaPais que educam Escola de pais, entre outros, e aproximam deles conteúdos acadêmicos e práticos desenvolvidos por profissionais seguros e competentes no âmbito da orientação familiar. Se a escola se faz eco do que os pais devem ensinar aos filhos, tal coerência e unidade educativa reforçam nos alunos a convicção de que seus pais estão com a verdade e que vale a pena seguir suas orientações.

        Entre a família e a escola deve existir sintonia, unidade de princípios e de valores. Quando as instituições de ensino atuam conjuntamente com os pais na transmissão dos valores humanos, mesmo tendo presente que sua ação não é tão profunda como a da família, os resultados no ambiente escolar são excelentes e de curto, como o respeito pelos professores e funcionários, ambiente de verdadeira amizade e ajuda mútua entre os alunos, além da valorização do conceito da  própria instituição.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)

  • Autoridade dos pais

    Autoridade dos pais

    Autoridade dos pais

    1 – Crianças necessitam de pais que sejam guias, não cúmplices. 2 – Autoridade não arbitrária, mas baseada na confiança. 3 – Não basta mandar, é preciso explicar os motivos de uma ordem.

    1 – Crianças necessitam de pais que sejam guias, não cúmplices

        Para haver educação é necessária a diferença clara de papeis: educando e educador. Crianças e adolescentes necessitam de pais na qualidade de guias, não de cúmplices. A autoridade dos pais esvai-se ao não exigir por medo de perder o carinho dos filhos (comum em pais que passam o dia fora); ao não saber lidar com as situações de conflito junto às crianças; ao tolerar o erro; ao se deixar influenciar pela teoria de que reprimir as crianças provoca traumas; ao aceitar modelos liberais de conduta impostos pelas novelas, filmes e programas de TV. A ideia liberal é falsa porque a criança, que não nasce sabendo, à medida que se desenvolve necessita adquirir princípios, já que não há educação sem princípios! (só os animais não necessitam deles, porque se guiam pelos instintos, bastante falhos nos seres humanos).

        A família forma uma pequena sociedade, com um poder de governo onde os filhos são os membros dessa comunidade e os pais os governantes. Enquanto os filhos vivem no lar paterno, têm que se submeter às exigências da vida em comum, do modo como os pais disciplinam. A autoridade que os pais exercem sobre os filhos é consequência do seu dever de educar: devem mandar à medida que a educação ou o bem dos filhos o requeiram. E a obediência não é um capricho exigido pelos pais, mas virtude a ser vivida pelos filhos para se deixar educar. “Autoridade” remete aos verbos latinos auctoritas (apoiar) e augere (fazer crescer, desenvolver), onde o educando ao descobrir uma verdade assume-a em vista do seu desenvolvimento. Quem reconhece uma autoridade adere aos valores ou verdades que ela representa: «o educador é uma testemunha da verdade e do bem», disse Bento XVI.

    2 – Autoridade não arbitrária, mas baseada na confiança

        É preciso educar num clima de familiaridade, porque exigir secamente leva a conflitos constantes. À medida que os filhos crescem, a autoridade paterna e materna dependerá cada vez mais dessa relação de amizade, carinho e confiança. Por isso, não dar nunca a impressão de desconfiar de um filho, sendo preferível deixar-se enganar alguma vez para que este se sinta envergonhado por ter traído essa confiança. No fundo, trata-se de acreditar no filho e «aceitar o risco da liberdade, permanecendo sempre atentos a ajudá-lo a corrigir ideias e opções erradas. O que nunca devemos fazer é favorecê-lo nos erros, fingir que não os vemos, ou pior partilhá-los» (Bento XVI).

        A presença dos pais no lar é insubstituível e sempre requerida, mesmo que isso imponha sacrifícios. Ao jantarem juntos é significativo ouvir atentamente as crianças discorrerem sobre os acontecimentos do seu dia, como também os pais devem narrar suas vivências profissionais a fim de que os filhos conheçam o dia a dia da mãe e do pai, que será enriquecedor para eles. Será essa ótima ocasião para rir e comentar com bom humor as ocorrências e aproveitar para dar um critério ou outro, e tirar importância de algo que as crianças relevaram desmedidamente.

        Os filhos prestam atenção em tudo que os pais fazem, tendem a imitá-los e esperam que sejam coerentes e exemplares nos valores que transmitem. Isso não significa que os pais têm que ser perfeitos, desde que reconheçam seus erros, lutem para corrigi-los e saibam pedir desculpas quando se equivocam. Só assim serão admirados, imitados e prestigiados.

        Faz parte da autoridade manter o calor de lar e promover um ambiente de alegria e entrega generosa de uns aos outros. Pedir aos filhos, desde pequenos, que ajudem nos serviços da casa favorece neles a preocupação de apoiar os pais e os irmãos. Não se trata de “dar coisas para fazer” com o objetivo de mantê-los ocupados, mas para que sejam também protagonistas do bom funcionamento da casa e do bem-estar da família: ajudar a preparar a mesa, dedicar tempo à organização dos objetos, atender a porta e o telefone, cuidar de um irmão, levar o lixo para fora, etc.

    3 – Não basta mandar, é preciso explicar os motivos de uma ordem

        Os adolescentes não duvidam da autoridade dos pais, mas não se limitam a aceitar de modo acrítico o que lhes dizem. Fazem isso porque querem compreender melhor a verdade que lhes foi transmitida. É bom facilitar ocasiões para tratar mais pausadamente sobre os temas que questionam: aproveitar um percurso a sós; em casa, com ocasião de um filme ou livro; ou aproveitar um ocorrido escolar que propicie a abordagem do um tema.

        Há coisas secundárias que talvez os pais não aprovem, mas que não justificam promover uma guerra. Bastará apenas um comentário desaprovador, sem ser chatos, para que os filhos tenham um ponto de referência e decidam livremente sobre um comportamento menos importante. Se em alguma ocasião o filho parece não se interessar muito por um critério, não se alarme, e tenha certeza de que ficou gravado nele, porque comprovou o que pensam seus pais, e isso lhe servirá de bússola.

        Em conclusão, podemos afirmar que a autoridade é necessária para educar, e a obediência é a condição para se deixar educar. Os filhos têm necessidade de aprender de seus pais normas, critérios e modelos de conduta, dada a pouca vivência que possuem. Ao se omitir e não oferecer referências claras, os pais privam os filhos de orientação, deixando-os como um caminhante à deriva: quem não sabe para onde ir, tanto faz o caminho que escolhe.

    Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)