Categoria: VIRTUDES

  • Maturidade e Imaturidade: características

    Maturidade e Imaturidade: características

             A maturidade é um dos traços da personalidade harmoniosa que se relaciona bem consigo própria, com os demais e com o mundo: dá a nota adequada a cada situação, sem estridências, tal como um instrumento musical afinado. Esse processo se desenvolve ao longo dos anos, e ninguém pode se considerar totalmente amadurecido, pois a vida traz novos desafios que não se sabe como serão enfrentados. Definir o que é uma pessoa madura não é fácil, mas o é perceber a falta de maturidade no comportamento de alguém. O psicólogo americano Gordon Allport, professor de Harvard, considerado o pai da psicologia da personalidade, oferece seis critérios para a avaliação da própria maturidade, e a daqueles a quem se deve ajudar em sua formação:

    1. Extensão do sentido de si mesmo: refere-se à conexão do eu pessoal com o de outra pessoa. Sair do limite pessoal e perceber os desejos, sentimentos e necessidades do outro é tão importante quanto ao bem próprio, seja na família, no trabalho, na escola ou na vida social. A extensão de si mesmo evita apontar as carências que se percebem numa instituição ou em seus dirigentes, porque ao fazer a pessoa se sentir inserida nesse contexto, procura ajudar a resolver os problemas, não agindo como telespectador que se dedica a criticar.
    2. Relação emocional com outras pessoas. É característica da pessoa madura relacionar-se emocionalmente bem com todos: é empática, compreensiva, tira importância dos defeitos dos demais, ouve com atenção e convive com os que pensam diferente. Com isso, faz autênticas amizades porque age desinteressadamente, foge das críticas e murmurações, não cria panelinhas. O imaturo quer que todos pensem a ajam como ele, e quando as coisas não são como deseja, lança o veneno das queixas, críticas, ciúmes e sarcasmos.
    3. Segurança emocional. Trata-se da pessoa que expressa seus sentimentos com proporcionalidade, não exagerando neles em situações que merecem poucos sentimentos, nem coloca menos sentimentos em situações que mereceriam mais. Por exemplo, seria uma desordem colocar mais sentimentos nos animais que em pessoas; ter tal preocupação pela comodidade pessoal que leva à indiferença ou falta de espírito de serviço aos demais. O maduro sentimentalmente tem saudável autocrítica, que o torna flexível às circunstâncias: sabe perdoar, cumpre suas obrigações quando seu estado de ânimo é contrário, não é imediatista e persevera no esforço por alcançar um bem maior, mas distante; tolera as frustrações e contrariedades sem chutar o balde; não cai na raiva ou na autocompaixão diante dos seus erros, não busca um culpado para descarregar a própria culpa. Estar atento na formação das pessoas sobre o modo como vivenciam, desde pequenas, seus estados de ânimo: friezas ou rompantes afetivos que destoem da realidade de cada situação.
    4. Percepção realista diante dos fatos. A capacidade de interagir com a realidade, vendo-a sem distorcê-la sentimental ou emocionalmente, é sinal de maturidade. Essa capacidade é muito importante para trabalhar em equipe, pois apresenta soluções reais e factíveis. O pensamento imaturo é mágico e infantil, distorcendo ou negando a realidade: “– Não, isso não pode acontecer comigo!”, é altera os fatos para acomodá-los às suas emoções ou critérios egoístas, porque afetam seus interesses próprios.
    5. Autoconhecimento e senso de humor. Conhecer-se bem e admitir as próprias qualidades e defeitos é sinal de maturidade. Quem é consciente de suas limitações é menos propenso a atribuir defeitos nos demais, e por isso é mais aceito nos diferentes grupos a que pertence; e, caso deva fazer algum julgamento, é compreensivo. O ditado que diz: “o melhor negócio do mundo é comprar um homem pelo que vale e vendê-lo pelo que acha que vale”, revela o desconhecimento de si que possuem os imaturos. Um bom caminho para o real conhecimento de si é perguntar-se: “–Como as pessoas me veem?”, “É correta ou falsa a opinião que têm de mim?”. Não pode haver distância entre o que sou, o que poderia ser, o que gostaria de ser, o que creio que deveria ser e o que os outros me dizem que poderia ser.
    6. Filosofia unificadora da vida. A personalidade madura tem uma filosofia que orienta suas ações em busca do fim que escolheu alcançar. Avalia a coerência de suas ações em busca de seus objetivos vitais. Allport diz que o teórico procura a verdade, o utilitarista busca o útil, o estético busca a forma, o político busca o poder, o religioso busca a unidade de sua vida com Deus. Cada pessoa deve descobrir seu caminho e aderir livremente a ele. Pais e educadores devem apresentar um ideal de vida atrativo e atingível àqueles a quem ajudam a formar: que se perguntem sobre o tipo de pessoa que desejam ser, que ideal as atrai, o que podem oferecer como o melhor de si para servir e ser úteis aos demais, contando para isso com a ajuda de Deus.

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  • A família está acima dos êxitos profissionais

    A família está acima dos êxitos profissionais

             Apostar fortemente na educação familiar e, para isso, encontrar tempo mesmo quando parece não haver. Ter espírito de abnegação e sacrifício, mesmo que em alguns casos afete a posição econômica familiar. O prestígio profissional que um pai ou uma mãe buscam não pode ter como consequência o abandono dos filhos, pois isso traz frustrações, já que o bem da família está acima dos êxitos profissionais. Dilemas às vezes aparentes que possam ocorrer nesse campo devem ser resolvidos com fé e oração, procurando a vontade de Deus.

             Ter presente que é limitado e preciosíssimo o tempo que os filhos permanecem no ambiente familiar. Nesse período pode ocorrer que o tempo que os pais dedicam aos filhos é pouco, tornando difícil exigir deles devido aos escassos momentos de convivência, passando-se, assim, a ignorar o que fazem e como agem, fazendo que essa ausência seja a porta aberta para muitos vícios e individualismos que carregarão por toda a vida.

             A virtude da esperança é muito necessária aos pais. Educar os filhos produz muitas satisfações, mesmo que algumas vezes produza dissabores ou preocupações. Não se deixar levar por sentimentos de fracasso, aconteça o que acontecer! Pelo contrário, recomeçar sempre com otimismo, fé e esperança. Nenhum esforço será desperdiçado, ainda que de imediato não se percebam os seus frutos.

  • Evitar que os caprichos dos filhos governem a casa

    Evitar que os caprichos dos filhos governem a casa

             Há comodismo e irresponsabilidade na atitude de pais que fogem do esforço por corrigir, com a desculpa de evitar o sofrimento aos filhos, deixando que os caprichos deles governem a casa.

             A autoridade dos pais diante dos filhos não provém de um caráter rígido e autoritário, mas baseia-se no bom exemplo, no amor entre os esposos, na unidade de critério que os filhos veem nos pais, na generosidade e no tempo que dedicam aos filhos, no carinho exigente que lhes revelam um tom de vida reto, na lealdade e confiança com que tratam os filhos.

             A boa autoridade depende do carinho que os filhos sentem pelos pais, e isso se conquista quando os filhos se sentem queridos, ouvidos e com tempo dedicado a eles para conhecer suas alegrias, tristezas, preocupações, dificuldades no estudo ou com os amigos; quando se partilham suas vitórias e derrotas; quando se conhece os ambientes que frequentam e o modo como empregam o tempo livre.

             Exercita-se a autoridade com bom-humor e fortaleza ao exigir dos filhos o que é razoável em cada idade, sem se deixar vencer pelo carinho mal-entendido, como o de evitar desgostar os filhos, pois isso a longo prazo provocará atitudes passivas e caprichosas.

             Muitas vezes o adolescente não compreende o sentido de suas obrigações dada a falta de experiência e os vícios adquiridos na infância. Por isso, necessitam do apoio de pessoas a quem confiam e aconselhem com autoridade. Ou seja: necessitam apoiar-se na autoridade dos pais, cujo papel é ensinar os filhos a desenvolverem-se com liberdade e responsabilidade.

             O afã de desculpar os filhos de tudo o que não fazem bem impede-os de se sentirem responsáveis pelos próprios erros, privando-os de um exame profundo sobre seus atos, e impedindo-os de ganharem experiências. Devem se sentir responsáveis pelos seus fracassos, e não os atribuir aos outros, alimentando neles atitudes habituais de queixas contra o sistema e companheiros, ou porque buscam a autocompaixão e compensações que levam à imaturidade. Diante de um baixo rendimento escolar, não culpar os professores ou a escola, mas a eles mesmos, a fim de que assumam a tarefa de estudar por conta própria.

    Texto adaptado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/, com base no capítulo “Educar para a vida”, de A. Villar, no livro “A educação em família”. Artigo disponível em https://odnmedia.s3.amazonaws.com/docs/educacacao_em_familia-pt.pdf

  • O protecionismo causa mal aos filhos

    O protecionismo causa mal aos filhos

             Por que temer que os filhos se sintam frustrados ao lhes faltar algum meio material? Precisam aprender que ganhar a vida é custoso e terão de aceitar que há pessoas com maior inteligência, fortuna ou prestígio social; deverão enfrentar suas carências e limitações materiais ou humanas e assumir riscos, caso queiram empreender o que vale a pena e lidar com o fracasso sem que isso provoque um colapso na personalidade. O desejo de aplainar o caminho dos filhos para evitar o mínimo tropeço ou esforço debilita e os incapacita para enfrentar as dificuldades que encontrarão na universidade, no trabalho e nas relações com os demais. Só aprenderão a superar os obstáculos enfrentando-os.

             Não é necessário que os filhos tenham de tudo prontamente, nem se deve ceder aos seus caprichos. Na vida há muitas coisas que podem esperar e outras que devem esperar; é preciso aprender a renunciar e a ser austeros, sóbrios. A atitude protecionista desvirtua a verdadeira educação, pois poupar os filhos de qualquer contrariedade os torna fracos diante do ambiente.

             Ao invés da atitude protecionista, convém proporcionar aos filhos oportunidades para tomar decisões e assumir suas consequências, incentivando-os a resolver os seus pequenos problemas com fortaleza. É objetivo de qualquer tarefa educativa promover situações que favoreçam a autonomia pessoal do educando, tendo em conta que essa autonomia deve ser proporcional à capacidade para exercê-la. Não tem sentido dotar os filhos de meios econômicos ou materiais que não necessitam nem saibam como empregá-los com prudência, por exemplo, ao oferecer telas digitais como modos principais de entretenimento ou ignorar os conteúdos dos videogames que possuem.

             Os pais não devem confundir felicidade com bem-estar, nem colocar seus esforços para que os filhos tenham muitas comodidades, ou que não sofram nenhuma contradição, pois não é um bem para eles encontrar tudo feito, sem ter que lutar para conseguir. O esforço é imprescindível para crescer, amadurecer e conduzir a vida com verdadeira liberdade, sem sucumbir diante das dificuldades.

             A criança ou adolescente largado em seus gostos e inclinações desce ladeira abaixo e termina por transformar a liberdade em libertinagem, criando sérias dificuldades para realizar um projeto de vida que valha a pena. Amar os filhos é pô-los em condição de alcançar domínio sobre si mesmos; é fazer deles pessoas livres e responsáveis. Para isso, é necessário fixar limites e impor regras a serem cumpridas pelos filhos e pelos pais.

             É necessário fomentar a autoexigência como meio para aprender a atuar retamente com independência dos pais. Educar é também propor virtudes como abnegação, laboriosidade, lealdade, sinceridade, ordem, apresentando-as de forma atrativa, mas sem diminuir suas exigências. Motivar os filhos para que façam tudo com perfeição, e sem exagerar ou dramatizar diante dos fracassos, mas ensinando a retirar deles experiências. Animar cada filho a ambicionar metas nobres sem temer o esforço.

             Com paciência mostrar aos filhos quando agiram mal, não deixando passar a oportunidade de ensinar de distinguir o bem do mal e o que devem fazer ou evitar. Com raciocínios adequados à idade dos filhos, ajudá-los a se darem conta do que agrada a Deus e aos outros, e os motivos, para que formem uma consciência reta. A criança por natureza vive centrada em si e vai amadurecendo à medida em que compreende que ela não é o centro do universo, e quando começa a se abrir à realidade e aos outros. Assim, aprende a sacrificar-se pelos seus irmãos, a servir e a cumprir suas obrigações no lar, na escola e com Deus. Ensiná-las a obedecer e a renunciar seus caprichos. A missão dos pais é ajudar os filhos a dar o melhor de si, ainda que isso doa um pouco.

             Com carinho, imaginação e fortaleza os pais devem ajudar os filhos a ganhar uma personalidade sólida e equilibrada. Com o tempo, os filhos compreenderão com mais profundidade o sentido das exigências dos pais, e os agradecerão por fazê-los sofrer um pouco, a fim de aprenderem a agir retamente. Os pais que procuram sinceramente o bem dos seus filhos, depois dar os conselhos oportunos, devem se retirar discretamente para que estes exercitem a sua liberdade.

    Texto adaptado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/, com base no capítulo “Educar para a vida”, de A. Villar, no livro “A educação em família”. Artigo disponível em https://odnmedia.s3.amazonaws.com/docs/educacacao_em_familia-pt.pdf. Imagem de All Murat Üral.

  • A alegria de servir aos demais

    A alegria de servir aos demais

             Não nascemos para viver isolados e preocupados apenas com o nosso umbigo. Ao lavar os pés dos apóstolos, Cristo nos ensinou a servir aos demais. Muitas vezes procuramos a felicidade buscando ser servidos pelos outros, mas ninguém pode ser feliz sendo egoísta. O espírito de rivalidade, inveja, ciúmes, suscetibilidades e rixa cura-se com a virtude do amor, também chamada de caridade. Um modo de crescer no amor é atentar-se às necessidades dos demais, que é próprio de quem possui espírito de serviço.

             É preciso aprender a fazer o bem. A liberdade humana degrada-se quando se cede demasiadamente às facilidades da vida e se tapa os olhos às carências materiais e espirituais dos que estão ao nosso redor. Quem se assusta ao ouvir falar em servir pode estar dominado pelo egoísmo de pensar apenas em si, em seus próprios interesses.

             O que mais custa ao homem moderno é desprender-se do seu tempo para dá-lo aos outros. Doar-se quando se espera conquistar algo é mais fácil, e na vida social muitas ações estão embasadas não em obras de amor, mas no tome lá, dá cá ou network. Ao visitar uma pessoa doente, ao adiantar-se para ajudar nas tarefas domésticas, ao colaborar em uma ONG que cuida de idosos, crianças ou jovens, ao organizar atividades de formação humana e cultural para aproximar conhecimentos a quem os necessita, entre tantas outras obras, são iniciativas que tornam feliz a quem as pratica, pois se livra dos tentáculos do egoísmo, sempre causa de tristezas.

             “Ser o último em tudo, mas o primeiro no Amor” (Caminho 430) é a receita para ser feliz e evitar os caminhos de egoísmo: –“Puxa, só eu recolho os pratos da mesa!”. Bento XVI escreveu em Deus caritas est, n. 18: “Só a minha disponibilidade para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor é que me torna sensível também diante de Deus. Só o serviço ao próximo é que abre os meus olhos para aquilo que Deus faz por mim e para o modo como Ele me ama”.

             Todos temos a experiência de que não é fácil fazer da vida um serviço. Porém, quem se aventura nesse caminho descobrirá a fonte de alegria que talvez falte em sua vida. O espírito de serviço é expressão do amor fraterno, e “O amor fraterno só pode ser gratuito, nunca pode ser um pagamento a outrem pelo que realizou, nem um adiantamento pelo que esperamos que venha a fazer” (Encíclica Laudato si).

             O espírito de serviço nos aperfeiçoa moralmente, porque nos faz exercer o ato mais sublime da vontade, que é amar, e o amor aperfeiçoa as demais virtudes: a fortaleza sem caridade leva à prepotência ou à vilania; a justiça sem caridade conduz à arrogância. Quem perde a oportunidade de servir por egoísmo até pode crescer em outro aspecto da sua vida (por exemplo, o profissional), mas haverá regressão moral em seu comportamento.

             Platão e Aristóteles viam maior perfeição na inteligência do que na vontade, porque acreditavam que a inteligência mais assemelhava o homem à divindade ao permitir a contemplação das verdades eternas e imutáveis. Porém, o cristianismo, ao contrário, vê que o homem mais assemelha-se ao divino porque pode doar-se totalmente, como Cristo. Uma das categorias fundamentais da visão cristã é a noção do outro, necessária para a doação desinteressada e crescimento no amor. E o que torna possível a doação ao outro é a vontade, núcleo onde reside o mais íntimo da pessoa: não basta apenas a boa vontade ou o desejo de ajudar, nem somente perceber com a inteligência as necessidades do próximo, pois “obras é que são amores, não boas razões”. Ou seja, é necessária a decisão e a ação de doar-se, atitudes que cabe à vontade.

             Quem ama verdadeiramente sempre está atento à vulnerabilidade e às necessidades dos demais. Todos somos indigentes e não subsistimos sozinhos. A dor, a doença, o cansaço, a ignorância, a pobreza, a falta de uma profissão, etc, são mais fáceis de ultrapassar com a ajuda dos outros, pois ninguém é autossuficiente. Quem ajuda a suprir tais necessidades são os verdadeiros construtores da paz e “serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9).

             A educação para a generosidade deve ser ensinada às crianças desde as primeiras idades, prosseguindo na adolescência e na juventude. Os pais devem atribuir aos filhos encargos no lar adaptados à idade e capacidade de cada um; sugerir que doem às crianças carentes os brinquedos ou jogos em bom estado que já não utilizam; visitar com eles orfanatos ou asilos e levar alguns doces. Os filhos sentirão a alegria de servir e crescerão em generosidade ao ver que seus pais são exemplares e caminham na frente nesses aspectos.

  • Cultivar convicções firmes

    Cultivar convicções firmes

             A formação pessoal deve fortalecer as virtudes e contribuir para a configuração do caráter. Em primeiro lugar, é preciso fomentar o hábito de reflexão pessoal, pensar sobre as próprias ideias, aspirações, desejos e sentimentos, tendo sempre presente que o fim último da vida não é acumular dinheiro ou poder, porque não temos por aqui cidade permanente, mas nos encaminhamos para a futura. A dimensão reflexiva é necessária para cultivar convicções pessoais fortes e profundas que movam a vontade em direção à verdade, ao bem e à beleza, dando, assim, firmeza e coerência ao agir.

             O conhecimento dos valores que regem a conduta humana favorece a resposta livre, de amor, à ação, e não um simples cumprimento de obrigações ou regras que espartilham. Distinguir entre valores essenciais e os que não o são é uma das características da personalidade madura e que dá passos seguros ao saber distinguir entre o que tem transcendência e o que não tem.

             A capacidade de distinguir entre o mais e o menos importante é condição para o desenvolvimento pessoal e dos demais. Isso porque há valores estáveis, objetivos, que não dependem de estados de ânimo ou da opinião pessoal, pois a verdade é uma adequação da inteligência com a realidade externa.

             Portanto, os valores são guias e critérios de conduta, e à medida que se orientam para bens elevados, realizam e tornam mais feliz a pessoa. Se alguém assume como guia de vida a riqueza, divertimento ou o bem-estar, sua existência se exporá à instabilidade própria desses bens sensíveis e passageiros. Porém, se busca valores estáveis e universais – portanto, não contingentes ou passageiros –, plenifica e eleva de forma duradora sua vida: amizade, solidariedade, amor a Deus, montar uma família, aperfeiçoar as habilidades ou talentos pessoais para melhor servir aos demais…

             Aos pais não basta dizer aos filhos que não use drogas, não acesse pornografia na internet, não namore na adolescência, não malgaste o tempo em redes sociais, limite o tempo para os games, estude, ajude nas tarefas do lar… Só oferecendo razões profundas sobre os porquês de tais ações, os adolescentes terão esclarecida a inteligência e fortalecida a vontade para mover-se em direção ao bem, ao mesmo tempo que saberão dar explicações aos amigos quando foram aliciados a agir de modo contrário.

             Para os pais oferecerem razões profundas aos filhos, necessitam ler para proverem-se de respostas convincentes sobre a formação do comportamento, sentido da família, da sexualidade humana, do namoro… Isso porque a leitura de temas que aprofundam nas diferentes dimensões do comportamento ou da vida humana, oferece luz à inteligência e força ou convicções firmes para a vontade agir com coerência e não ser levada por antivalores. Devem, os pais, compreender que a contemplação da arte, da natureza, da boa música conduz ao assombro, ao silêncio interior e afinam a sensibilidade para buscar o autenticamente bom e belo. A conversa com os filhos sobre os clássicos da literatura e do cinema ajudam a que sejam mais reflexivos e formem o caráter. Sugerimos a leitura dos nossos boletins, que oferecem argumentos interessantes para ajudar os filhos sobre vários temas: https://staging.ariesteves.com.br/boletins-por-temas/

             No caminho da formação é preciso saber conviver com a imperfeição própria e alheia, conscientes de que Deus nos quer pelo que somos e não pelos resultados que obtemos. A caridade, ou carinho aos demais, é o que motiva e dá a forma às demais virtudes, por isso todo o desejo de melhora, toda tarefa formativa leva a crescer em caridade, pois esta virtude dá forma às demais virtudes: por exemplo, a fortaleza sem caridade se transforma em brutalidade; a justiça sem caridade se transforma em arrogância. Parte da formação humana consiste em desenvolver as virtudes sociais que enriquecem o próprio indivíduo, capacita para conviver com todos e respeitar os modos de ser e de fazer diferentes dos próprios, sendo o caminho natural para a fraternidade, amizade e colocar os próprios bens e talentos ao serviço dos demais. Entre as virtudes da convivência estão a solidariedade, magnanimidade, amabilidade, preocupação pelos mais necessitados, atitudes de escuta e atenção, delicadeza no trato, comportamento respeitoso e educado.

             O modo de falar e olhar, o pudor no vestir e mover-se, o sorriso e a discrição no atuar revelam tal riqueza interior que prescinde da necessidade de chamar a atenção dos demais. Não são apenas aspectos externos isolados, nem dependem exclusivamente das circunstâncias, mas comunicam a própria identidade e desvelam de algum modo o interior de quem os possui. Uma interioridade rica se expressa exteriormente de forma harmônica, adequada, e forja a personalidade para ir contra os valores negativos. O aprofundamento na compreensão de quem somos, o cultivo de convicções firmes fortalece a vontade para não se deixar levar pelo que a maioria faz, ao mesmo tempo que oferece as razões para explicar com sabedoria o porquê se age desta ou daquela maneira. Só assim haverá uma transformação positiva no ambiente que nos cerca.

  • Ser uma pessoa de critério

    Ser uma pessoa de critério

             Todos necessitamos ter claras as verdades ou critérios que fundamentam a atuação pessoal. A diversidade de pareceres sobre tantas matérias, as diferentes situações que se apresentam ao longo da vida, as notícias que chegam e que exigem uma tomada de posição, tornam indispensáveis uns valores ou normas de juízo e de atuação acertadas, permanentes, coordenadas, simples. Ter um critério bem formado que enquadre dentro de uma panorâmica mais geral o conhecimento da ciência particular a que nos dedicamos e os conhecimentos que vamos adquirindo com o decorrer dos anos, facilita ordenar retamente as ações pessoais em relação a um fim último.

             O esforço por estudar, trabalhar bem e com retidão de intenção, manter uma relação com o transcendente por meio de uma vida religiosa séria, procurar formar a consciência, são o alicerce para fundamentar os valores perenes da conduta humana. Outro modo de reconhecer e assumir valores ou normas de conduta ocorre por meio do mimetismo ou do exemplo oferecidos nos relatos de pessoas admiráveis que viveram ou vivem uma vida cheia de significado ao deixar de lado uma cômoda tranquilidade e “complicarem” a vida para promover obras de serviço aos demais (pessoas que possivelmente conhecemos na vida familiar, profissional ou social). São também modos de conhecer e assumir valores e obter critérios, a biografia de gente valorosa ou de santos, os bons filmes, o conhecimento das normas antropológicas perenes que fundamentam a conduta humana, as obras literárias que oferecem virtuosos modelos de condutas, o estudo das ações morais explicados admiravelmente no Catecismo da Igreja Católica, que ensinam ser determinadas condutas não fruto de subjetivismos, mas diretrizes objetivas, externas, válidas no mundo inteiro e para todas as pessoas ((por exemplo cada um dos Dez Mandamentos). Tudo isso vai sedimentando na conduta e tornam criteriosa uma pessoa, dando a ela maturidade, firmeza de convicções, delicadeza de espírito, educando a inteligência, vontade e os afetos.

             Para ser uma pessoa de critério não basta ter muitas ideias ou conceitos dispersos, desconexos entre si, mas é necessário formar um conjunto harmônico, um princípio unificador onde cada ideia ocupe seu lugar e se subordine a outra mais importante e de acordo com uma hierarquia que atribua a cada elemento o seu lugar correto, tal como os tijolos, areia, telhas, ferros e madeiras espalhados em diferente grupos sobre um terreno têm como princípio unificador a casa a ser construída para abrigar uma família. Por exemplo, subordinar a atividade profissional a um valor maior que é a família, permite encerrar o expediente no horário certo a fim de retornar ao lar para estar com a esposa e os filhos, por mais que agrade o trabalho que esteja sendo realizando. Um princípio unificador da vida é a religião, que permite considerar os acontecimentos à luz da fé, tendo em vista um fim último que permite responder a cada momento a pergunta: – Para que existo? Qual a finalidade da minha vida?

             A virtude da prudência conduz a um reto agir que permite julgar os fatos não pelas aparências, mas por um juízo reto, equânime, que identifique com nitidez os elementos que estão em jogo em cada situação, distinguindo o certo do opinável, o bom do mau. Tudo isso exige o estudo e a reflexão acerca dos princípios que conduzam à verdade para não se deixar levar pelo imediatismo de comportamentos impensados. Saber discernir o verdadeiro do falso nas correntes de pensamento e comportamentos mais à moda permite construir a vida sobre bases seguras.

             No boletim A escolha de princípios afirmamos que o homem age em vista de finalidades ou valores prévios que guiem suas escolhas, sempre orientadas para a felicidade própria, já que ninguém procura ser infeliz. Porém, a almejada felicidade deve estar na esfera da verdade e do bem não teóricos, mas práticos, alcançáveis. Busca-se o que se considera importante dentro de uma hierarquia de valores que compara um bem em relação a outro: quem procura manter a saúde avalia o grau de colesterol dos alimentos; quem dá valor ao descanso programa um divertimento sadio para o fim de semana, mas substitui esse valor pelo da caridade a fim de visitar o amigo que soube estar internado num hospital. Se não houvesse capacidade de ordenar os desejos, segundo uma hierarquia de valores, predominaria o conflito entre as diversas pretensões pessoais. Guardini disse ser um valor aquilo pelo qual um ser é digno de ser, uma ação é digna de ser cumprida.

             Valor é uma qualidade inerente à realidade; é um aspecto do bem e da verdade que são inseparáveis e emanam do objeto que se conhece, e se torna um bem para a pessoa e para os demais. Um valor não depende da opinião de ninguém e ultrapassa a subjetividade humana, pois está impresso em cada ser criado, fazendo transcender dele a verdade, bondade e beleza, perceptíveis em graus diversos em cada ser criado, o que nos permite compreender que há valores mais elevados em relação a outros (alguém pode prescindir de sua vida para defender uma verdade maior, ou para salvar a vida de uma pessoa em perigo). A capacidade de distinguir entre o mais e o menos importante é condição para o desenvolvimento pessoal e dos demais. Isso porque há valores estáveis, objetivos, que não dependem de estados de ânimo ou da opinião pessoal, pois a verdade é uma adequação da inteligência com a realidade externa. Ou seja, cabe ao homem abrir-se com sua inteligência e vontade para acolher os valores ligados à realidade, sabendo que não são os homens que os estabelecem de modo arbitrário. Mesmo não podendo colher a beleza e a verdade de modo absoluto, porque só Deus é Absoluto, percebemos que cada ser participa do belo e do verdadeiro não por se tratar de produto da mente humana, mas porque a beleza e a verdade são transcendentes e universais: uma flor no alto de uma montanha continuará sendo bela mesmo ninguém a veja, mas porque participa da beleza da criação em grau pequeno em relação à beleza absoluta de Quem a criou.

             Portanto, os valores são guias e critérios de conduta, e à medida que se orientam para bens mais elevados, realizam e tornam mais feliz a pessoa. Se alguém assume como guia de sua vida valores contingentes como dinheiro, divertimento, bem-estar, poder, fama, sua existência se exporá à instabilidade própria desses bens passageiros. Porém, se busca valores estáveis e universais – portanto, não contingentes ou passageiros –, tais como amizade, solidariedade para ajudar a quem precise de amor ou conhecimento, buscar a Deus, montar uma família e educar bem os filhos, aperfeiçoar as habilidades ou talentos profissionais para melhor servir aos demais, terá plenificada e elevada de forma duradora sua vida, pois a verdadeira felicidade está no sair de si para servir aos demais, que é onde reside o verdadeiro amor e felicidade.

             Ninguém deve se considerar plenamente formado, mas melhorar continuamente sua formação. Às vezes pode infiltrar-se pontos de vista poucos exatos na mente, como resultado de uma paulatina condescendência com os erros próprios ou alheios. Então, é preciso saber retificar, esclarecer conceitos, ser humildes para reconhecer-se no erro ou evitar agir mal por fraqueza. Quem tem ideias claras e consciência reta não chama de bom o que é ruim, nem se deixa contagiar por falsos critérios que obscurecem a consciência sobre temas como educação, família, sexualidade, religião, sentido ou finalidade do trabalho, formas retas de descanso ou de lazer…

             O saber moral não é um discurso abstrato, nem uma técnica. A formação da consciência requer o fortalecimento do caráter, que se apoia sobre as virtudes como seus pilares, e estas assentam e estabilizam a personalidade e capacitam a pessoa para fugir do egocentrismo. Carecer de virtudes frustra a realização de grandes ideais e torna a vida vazia e oscilante. Porém, cultivar virtudes pela repetição de atos bons expande a liberdade, faz amar o bem: quem repete um dia e outro a ação de estudar na hora marcada, de trabalhar bem, de ter espírito de serviço no lar, de não mentir, de ser fiel aos compromissos assumidos, cria uma conaturalidade ou força para perseverar no bem e ser verdadeiramente feliz.

             Uma maturidade que ajude a tomar decisões com liberdade interior, ter convicções fortes alicerçadas na verdade e construída por meio de aulas, palestras de formação, leituras, reflexão e, especialmente, por meio do exemplo de pessoas que vivem retamente, combinado com delicadeza de espírito e educação da vontade através das virtudes, torna uma pessoa criteriosa. Enfim, uma «alma de critério» pergunta-se nas diversas circunstâncias se faz o que Deus espera dela. E além de recorrer aos princípios que assimilou, procura o conselho de pessoas retas, prudentes, e atua sempre por decisão própria.

  • A falta de esforço em jovens

    A falta de esforço em jovens

  • Desejar o desejável

    Desejar o desejável

  • Cuidar-nos: o egocentrismo leva à solidão

    Cuidar-nos: o egocentrismo leva à solidão

       

             Isabel Sánchez, em seu livro “Cuidarnos” (Cuidar-nos, em português), nos convida a quebrar a polarização conosco próprios e ter a sincera preocupação de pensar nos demais, começando pelos mais próximos. Diz ela que estamos nos desumanizando, desconectando-nos uns dos outros, e acabaremos na solidão, fechados atrás de uma porta. Neste boletim, traduziremos e adaptaremos a entrevista que ela concedeu a Álvaro Sánchez León, em www.acepresa.org.

             Contra o crescimento do individualismo, cuidar uns dos outros pode ser a nossa “marca pessoal como humanos”. O homem é o único ser no mundo que recebe cuidados longos e contínuos, precisa dos cuidados dos outros para se estabelecer e encontra o significado mais profundo de sua existência amando e cuidando dos outros. Porém, o homem é o único ser capaz de criar instrumentos que o aniquilam completamente, pelo mau uso que faz de sua liberdade ao ver com indiferença os demais.

             Álvaro afirma que enfrentamos um autonomismo desenfreado e uma má guarda ou mau paternalismo. Isabel responde que tal guarda não consiste numa atitude “paternalista”, mas em desenvolver a vida da outra pessoa ao fazer florescer nela seus talentos e capacidades, ao curar suas feridas e aliviar suas tristezas para permitir que siga adiante. A autonomia não tem fim em si mesma: cuidamos de nós mesmos e permitimos que outros nos cuidem para nos tornarmos autônomos e, então, passarmos a cuidar dos outros. Este é o ciclo da interdependência: somente reconhecendo-nos como interdependentes poderemos nos tornar independentes saudáveis.

    Que significa ser vulneráveis? Significa ser realista e honesto ao reconhecer os nossos limites, aceitá-los e saber demonstrá-los com cautela. Esta honestidade leva-nos a não fazer autoexigências de perfeição inatingível, mas também a não acomodar-se em aspectos que podem ser melhorados para facilitar a convivência com outras pessoas. Ser vulnerável e transcender o politicamente correto significa aprender também a lidar com as imperfeições dos outros, adaptando-se muitas vezes aos demais com suas formas de ser e de conceber a vida. Aprender a arte de pedir ajuda quando necessário e deixar-se cuidar com simplicidade.

             — Como fazer coexistir a nossa vulnerabilidade com a agressividade do mundo, que parece não ser feito para pessoas frágeis? Querer construir um mundo exclusivo “para os fortes” só acentua as nossas fragilidades. Ao ver os números de suicídios e de doenças mentais que afligem os países considerados desenvolvidos, compreende-se a magnitude do problema. Os homens e mulheres atuais devem construir um mundo onde a autonomia e a vulnerabilidade constituem a marca da nossa humanidade, o que exige prestarmos melhor atenção à sociedade que projetamos e às leis que aprovamos.

             — Como fazer do mundo um lar, sem esconder que vivemos “num mundo ferido?”. Todos os humanos são chamados a fazer do mundo um lar. Todos podemos e devemos ser lar, abrigo e reparação para os nossos iguais. Nesta tarefa particular, a família desempenha um papel fundamental como comunidade regida pela lei da gratuidade e do amor, onde a vida humana é concebida como inegociável, formando redes com outras famílias e sendo interlocutores válidos perante o Estado.

             — …300 milhões de pessoas sofrem depressão em nosso século, imersas num contexto de “utopia de felicidade”. Por que cuidar é mais real e mais curativo do que se desintessar pelos demais; e por que cuidar pode nos tornar mais felizes do que buscar uma felicidade isoladamente? O egocentrismo pode ter alguma recompensa imediata – evita “complicar” a vida para servir aos demais – mas isso leva à solidão. A solidão, alerta a comunidade científica, faz crescer o risco de mortalidade em até 30%; aumenta a possibilidade de sofrer de doenças cardiovasculares e vasculares cerebrais, traz problemas de saúde mental. Por outro lado, estudos sobre a felicidade, como o de Robert Waldinger, professor de Psiquiatria na Harvard Medical School, sustentam que bons relacionamentos nos mantêm mais felizes e saudáveis. Pelo menos através de provas científicas, deveríamos convencer-nos da necessidade de aprender a abrir-nos aos outros, a viver juntos, a construir juntos e a ajudar-nos uns aos outros a carregar os fardos que a vida impõe.

             — Queremos ser amados e bem cuidados a nível pessoal, mas amar e cuidar parece não ser aceito a nível social. Não deveria ser esta a atitude de verdadeira responsabilidade social? Concordo plenamente com essa tese. Cuidar das pessoas é o investimento mais valioso e lucrativo que podemos fazer. Há empresas familiares cujo objetivo é gerar empregos no setor de cuidados. Os seus fundadores estão convencidos de que cuidar é uma das principais tarefas realizadas na sociedade e essa tarefa diz respeito a todos nós. As pessoas que fazem desta ocupação a sua profissão são membros fundamentais da nossa sociedade e devem ser cuidadas, reconhecidas e remuneradas como tal. É possível, necessário e acessível ter um modelo de cuidados mais inclusivo, menos intrusivo, mais flexível, com maior confiança e mais humanidade. Cuidados de qualidade devem estar disponíveis para todos.

             — Pode o olhar feminino ser uma revolução construtiva para humanizar o nosso século? O olhar que pode levar a uma revolução que humanize o nosso século e os futuros é um olhar atento, empático, calmo, próximo, compassivo, terno e determinado ao mesmo tempo. É um olhar que procura assumir as oportunidades e necessidades dos outros para contribuir para o desenvolvimento das primeiras e para a correção das últimas. Universalizar essa perspectiva pode ser um poderoso meio de humanização.

             — Se diz que o cuidado às vezes é vivenciado como “o motor mais gratificante de nossas vidas”. Vemos isso na história de muitos que auxiliam os pais idosos ou dependentes. Ou no entusiasmo profissional, por exemplo, de muitos enfermeiros. Cuidar e servir deveriam ser emblemas brilhantes nos perfis do LinkedIn? Em um mundo complexo e em mudança constante, investir nas pessoa que contribuem com talento e criatividade para servir, torna-se um objetivo prioritário para as organizações e empresas. Quem tem capacidade para liderar, gerir e unir equipes, descobrir e desenvolver talentos e promover o crescimento integral das pessoas dentro de uma organização, deve estar na mira de muitos “caçadores de talentos”. Na minha opinião, sim: saber cuidar e servir são qualidades em ascensão, exigidas de todo líder.

             — Você comenta que a alegria espiritual de fazer o bem é a melhor e a mais agradável das experiências. Se cuidar é um valor positivo, negligenciar é um vício tóxico? Cuidar compromete a cultivar a vida e aceitar o cansaço que isso acarreta. O descarte faz se livrar do que é inútil e permite que algumas vidas humanas sejam categorizadas como tal. Sem dúvida, negligenciar é um vício tóxico, porque facilmente leva ao rebaixamento, ao descarte, à solidão e à morte.

             — Cuidar, saber cuidar de si e se deixar cuidar: o que a fez amadurecer neste aspecto enquanto preparava seu livro? A preocupação constante em cuidar das pessoas subiu no ranking da minha hierarquia de valores. A necessidade de investir tempo para saber cuidar é uma lição aprendida. Deixar-me cuidar tem sido motivo de enorme gratidão, e lição para continuar a pôr em prática. Aprendi a navegar pela vida com um novo conjunto de pedais, que às vezes tem que ser totalmente pressionado no da autonomia e outras vezes no da vulnerabilidade.

             Isabel afirmou que escreveu o livro “Cuidarnos” (Editora Espasa, Espanha) como expressão da responsabilidade que sente como cidadã para moldar a sociedade da forma que entende ser a melhor, e como a resposta de uma mulher cristã ao apelo do Papa Francisco para difundir a cultura do cuidado: Deus aparece como o melhor cuidador. Viver sem nos reconhecermos filhos do mesmo Pai – Deus – conduz a um desapego que leva à indiferença.

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