Categoria: FAMÍLIA

  • Plano de Ação para corrigir um filho

    Plano de Ação para corrigir um filho

    1 – O que é um Plano de Ação. 2 – Há vários formas de Planos de Ação. 3 – Partes de um Plano de Ação. 4 – Educar hoje é diferente.

    1 – O que é um Plano de Ação

        Para haver ação educativa é preciso intencionalidade (intenção de educar). Não basta a convivência pura e simples sem um projeto baseado no conhecimento pessoal de cada filho, visando o desenvolvimento harmônico de sua personalidade, que inclui não apenas a educação da inteligência, mas a da vontade e da afetividade (sentimentos, emoções, paixões).

    Plano de Ação é a estratégia utilizada pelos pais para motivar um filho/a a executar atos que o levarão a desenvolver uma virtude ou vencer um mau hábito. É falso o raciocínio de que os filhos melhoram com o passar do tempo (isso só acontece com o vinho). Quando não se estabelecem Planos de Ação, os problemas tendem a aumentar e se tornarão mais difíceis de serem desarraigados. Os defeitos progridem em proporção geométrica à passagem do tempo, quando não há esforço por eliminá-los.

        Os Planos de Ação podem ser elaborados para ajudar a criança em diferentes aspectos: melhorar a autoestima; ajudá-la a ser obediente e responsável nos encargos; manter em ordem seus objetos; fortaleza e constância no estudo; aprender a ser amigo (companheirismo); ser cortês com os mais velhos; ter espírito de sacrifício para ajudar os pais e os irmãos; ser generoso com seu tempo e brinquedos; não mentir, entre muitos outros. Veja alguns Planos de Ação prontos.

    2 – Há vários formas de Planos de Ação

    Planos de Ação para o Passado: surgem como consequência de ações mal feitas ou mau comportamento. Os pais atuam em consequência de fatos já ocorridos. Podem ter diferentes enfoques: evitar brigas entre irmãos, ajudar um filho a se tornar obediente ou ordenado, ser estudioso, potenciar uma capacidade baixa, corrigir um costume, alterar uma situação (por exemplo, mudar de amigos), etc.

    Planos de Ação para o Presente: são realizados para alcançar melhor cumprimento de alguma norma já estabelecida ou a estabelecer, viver em família algum novo costume, revisar a distribuição dos encargos. A finalidade desses planos é promover a boa convivência no lar e estimular as virtudes da família no dia a dia: pontualidade nas refeições, almoçar todos juntos aos domingos e ter um bate-papo ou tertúlia após essa refeição, estabelecer um encarregado para limpeza e ordem da cozinha a cada dia da semana, revisar a ordem nos armários, ajudar um irmão a estudar matemática, etc.

    Planos de Ação para o Futuro: estes são os melhores que existem! Pensados pelos pais antecipadamente, previnem ações futuras, sem que tenha havido causa ou incidente no presente. Pretende-se ajudar os filhos a que sejam pessoas livres e responsáveis ao potencializar suas qualidades, corrigir possíveis pontos fracos: evitar a impontualidade na futura escola, ao animar desde já a ser pontual no esporte e nos encargos domésticos; fomentar a generosidade ao estimular um filho a dar aulas de reforço ao irmão mais novo; prevenir acerca dos perigos da pornografia na internet e sobre o vício de videogames; acautelar sobre os efeitos deletérios das drogas. Se o filho tem dois ou três anos, pode ser estimulado a ser ordenado, a fim de que seja um adolescente organizado. Ao filho que em breve irá à escola, ensinar a distinguir o que é um amigo (presente nas horas ruins), um colega (pronto só para se divertir) e um cúmplice (para ações erradas), com a finalidade de ajudá-lo a escolher bem suas amizades (a leitura de Pinóquio, de Carlos Colodi, poderá ajudar nessa distinção).

    3 – Partes de um Plano de Ação

        Pai e mãe dialogam para estabelecer um Plano de Ação, que tem as seguintes partes:

    1. Análise da Situação ou descrição do fato a ser corrigido: Joãozinho, de 11 anos, não estuda e suas notas são baixas. Além disso, vê muita televisão.
    2. Objetivo ou hábito bom a ser alcançado: fomentar no Joaozinho a virtude da laboriosidade.
    3. Meios ou recursos a empregar para alcançar o objetivo: o filho deverá ater-se a um horário de estudo, que será de 2ª a 6ª-feira, das 14h às 17h. A televisão da casa não será ligada nesse período. Os irmãos mais novos deverão fazer silêncio e aproveitarão para ler, pintar, montar quebra-cabeça, mas tudo em silêncio.
    4. Motivação ou argumentos que levarão o Joãozinho a desejar colocar em prática os atos para alcançar a virtude da laboriosidade e eliminar o defeito da preguiça: disseram ao garoto que o horário de estudo fortalecerá não apenas sua capacidade de compreensão, mas também a sua vontade será potencializada e ele não se deixará levar pelo mais cômodo, pois as imagens da TV tornam a mente cada vez mais preguiçosa e a pessoa fica passiva e sem iniciativas para abraçar qualquer meta que exija esforço e disciplina, seja no esporte, no aprendizado de um instrumento musical. Como o Joãozinho gosta de animais e quer ser veterinário, seus pais afirmaram que o hábito de estudo criará o de leitura, e ambos ajudarão a que ele entre na melhor escola pública do país. Joãozinho se animou a cumprir o horário previsto.
    5. História ou análise de como vem se desenvolvendo os meios ou recursos colocados em prática: todos estão colaborando para que o Joãozinho ganhe o hábito de estudo. Inclusive, para dar exemplo, no período da tarde a mãe deixou de assistir certa novela; e o pai não assiste partidas de futebol, indo à casa de amigos quando o jogo vale à pena.
    6. Resultados ou conclusões sobre as metas alcançadas: foi positivo o resultado, que exigiu mudança de hábito de toda a família, a fim de ajudar o Joãozinho. Ao garoto foi um Plano de Ação para o Passado, e Plano de Ação para o Futuro aos demais irmãos. A partir de agora é importante que os pais perseverem para converter o plano em costume familiar.

    4 – Educar hoje é diferente

    Os pais devem estar atentos para prevenir ou corrigir, pois as mídias sociais e os diferentes ambientes frequentados pelos filhos nem sempre oferecem influência sadia. Educar hoje exige dos pais uma melhor preparação para dar respostas convincentes, já que não basta dizer “porque eu quero” ou “porque sim“. É necessário dedicar alguns minutos diários à leitura de temas de educação do comportamento de crianças e adolescentes. Na página https://staging.ariesteves.com.br/livros/ indicamos boas obras para a formação de pais e educadores. Lembrem-se: todos os problemas têm solução; basta que sejam bem estudados!

    Texto produzido por Ari Esteves, com base no livro “100 Planes de Acción”, de Fernando Corominas, Colleción Hacer Família, Ediciones Palabra, Espanha. Essa publicação, entre outras, pertence ao IEEE − Instituto Europeo de Estudios de la Educación, onde há excelentes cursos e livros para os pais (www.ieee.com.es).

  • Educar na realidade

    Educar na realidade

    1 – A criança deve se admirar com as coisas simples ao seu redor. 2 – O perigo da superestimulação das telas. 3 – A perda da curiosidade e da criatividade infantil. 4 – Fomentar brincadeiras imaginativas.

    1 – A criança deve se admirar com as coisas simples ao seu redor

    O essencial na educação da criança é a qualidade do relacionamento dela com seus pais ou educadores. A criança necessita olhar para rostos carinhosos e dispostos a dedicar tempo a ela, e não se fixar em telas de tabletes ou tv. Dos seis aos vinte e quatro meses a criança se diverte quando o pai ou a mãe brinca de se esconder e reaparecer, gosta de engatinhar e se encanta com os pequenos objetos que encontra no caminho: a cor e o ruído do papel celofane, a formiga que carrega uma folha, a embalagem vazia no chão da cozinha. É assim que ela vivencia suas próprias experiências e desenvolve as habilidades motoras e de percepção.

    As crianças necessitam despertar a curiosidade diante das pessoas e objetos que as cercam, buscar respostas para as suas próprias experiências, e não obter tudo pronto ao apertar botões de equipamentos eletrônicos, que roubam delas a interação com as pessoas e o mundo ao seu redor. A admiração é um sentimento de elevação diante de algo que supera a própria pessoa. A curiosidade provoca o interesse e isso é fundamental no desenvolvimento psicológico da criança, que passa a tirar suas próprias conclusões. As perguntas das crianças de dois ou três anos não exigem respostas profundas, pois são a maneira de se admirar com a realidade: “Pai, por que não chove para cima?”, “Mãe, por que as abelhas não fabricam doce de leite? “As formigas não sentem preguiça?”.

    2 – O perigo da superestimulação das telas

    A criança que passa a depender da superestimulação artificial das telas, se acomoda e não é capaz de se encantar ou admirar-se com nada mais, pois deseja apenas retornar à hiperatividade das tecnologias, onde muitos desenhos tidos como “infantis” mudam de cena a cada oito segundos (7,5 cenas por minuto), o que não acontece no mundo real da criança. A televisão ligada diante do campo de visão do bebê é algo imprudente, pois desvia o olhar dele do entorno em que vive – e com o qual deve se deliciar: ver os pais e irmãos, sentir os cheiros e os sons da casa – para fixar sua atenção no campo frenético da tela.

    Encontrar estimulação em detalhes que passam despercebidos aos adultos é próprio das crianças: sua baixa estatura a faz atentar às pequenas realidades ao seu entorno. Porém, pais ou educadores com pouca sensibilidade ou dificuldade para colocar-se no lugar da criança, ao pô-las diante de telas digitais – julgam que a ajudarão se divertir e aprender mais – entopem-na de estímulos artificiais que anulam a curiosidade e a capacidade dela de se motivar com a vida real. O excesso de imagens satura os sentidos e bloqueia a imaginação. A criança se torna passiva e entediada com o mundo real, porque acha-o chato, lento e sem graça. Quando sai à rua com os pais não sabe fixar a atenção em nada ao seu redor porque, acostumada à superestimulação, perdeu a curiosidade e sua imaginação se acomodou.

    3 – A perda da curiosidade e da criatividade infantil

    A falta de limites e o consumismo vertiginoso das crianças atuais vêm destruindo a curiosidade delas, pois acham que tudo deve vir à la carte pela tela. O modo mais fácil de matar a curiosidade delas é deixar a vida ao alcance do botão play. Uma mente assim acostumada fica preguiçosa e pouco imaginativa. Contudo, a criança se torna hiperativa, nervosa e com desejo de chamar a atenção quando é afastada desse mundo irreal dos videogames, etc. Como um fumante ansioso, a criança acostumada às sensações aceleradas necessita de conteúdos cada vez mais agressivos, o que a tornará um adolescente desejoso de estímulos novos e mais agressivos (pornografia, drogas), porque já viu e se acostumou com tudo.

    Muitas crianças hoje são hiperativas, dispersas e com dificuldades para se relacionar, estabelecer vínculos e demonstrar afeto ou aceitar a autoridade (fenômenos raros antes das telas!). São crianças-troféu para serem exibidas, mas que crescem sem limites e pouco acostumadas a receberem um “não”. É comum ver nos supermercados e shoppings a tirania das que pedem aos gritos, xingam e batem porque não aguentam receber uma recusa, nunca dita a elas.

    4 – Fomentar brincadeiras imaginativas

    É importante que os brinquedos escolhidos não tenham pilhas ou botões, que devem estar dentro da criança, e não fora dela: não é a brincadeira que deve funcionar, mas a criança. A brincadeira é a atividade por excelência com a qual a criança aprende movida pela curiosidade.

    Vários estudos associam a brincadeira imaginativa da criança com a melhora e controle de sua impulsividade, porque a capacidade de imaginar e de desejar algo faz a criança refletir, começar e recomeçar, agindo ativamente. Filmes, desenhos e videogames, ainda que com o fim educativos, tornam a criança passiva, preguiçosa e sem iniciativa, dado o pouco esforço que é exigido dela.

    Brincar é o trabalho da criança. Mas isso não se confunde com o lançar-se sobre o sofá e jogar videogames a tarde toda, como recurso para matar o tédio do mundo real. A brincadeira deve ser a realização de uma tarefa que a criança faz com o coração, colocando nela a imaginação e a criatividade. A criança que passa horas concentrada em montar um castelo de lego ou armando uma cabana de lençol entre os móveis da sala, usa criativamente a imaginação e faz descobertas vivenciais.

        Nos fins de semana, quando não há atividades estruturadas ou formais – sejam as da escola ou de outro local que dizem às crianças o que devem fazer −, é um bom momento para observar se, no espaço aberto de um parque, seu filho brinca por horas sozinho ou com o irmão, sem outros brinquedos, mas imaginando as diversões que a natureza pode proporcionar. No entretenimento livre a criança equilibra os estados de tédio com o de ansiedade (tédio quando algo é fácil de realizar; ansiedade quando é difícil demais). Caso ela fique entediada em pouco tempo e ansiosa para retornar às telas, é que sua mente já se tornou hiperativa e dependente do ritmo dos ambientes artificializados, estruturados e com níveis altos de estímulos.

    A criança não se educa sozinha, mas necessita ser ajudada por adultos com sensibilidade para preparar um ambiente que não cede ao mais fácil (colocar nas mãos dela um tablete, por exemplo), mas deixam que ela seja a protagonista da sua própria educação. Ao invés de perguntarem à criança se deseja ver televisão, indagam sobre o que ela gostaria de construir com os tijolos de lego. Assim, permitem que a iniciativa seja da própria criança, que utilizará sua imaginação e aumentará suas habilidades.

    Texto produzido por Ari Esteves, com base na obra “Educar na curiosidade”, de Catherine L´Ecuyer, Editora Fons Sapientiae, 3ª. Edição, São Paulo, 2016.

  • Os valores são guias para os filhos.

    Os valores são guias para os filhos.

    1 – Valores fortalecem a vontade. 2 – Tenacidade e Constância. 3 – Obediência e Diligência. 4 – Sinceridade e Generosidade. 5 – Respeito e Responsabilidade. 6 – Ternura e Temperança. 7 – Ordem e Asseio.

    1 – Valores fortalecem a vontade

        A transmissão de valores começa desde os primeiros anos da criança ao incentivá-la a ter bons hábitos que logo se tornarão virtudes e alicerces do caráter. Quem não tem valores ou guias de conduta é como o barco sem leme que segue qualquer vento.

    2 – Tenacidade e Constância

        A tenacidade e precisa ser fortalecida entre um e três anos, ao ensinar a criança a ser perseverante e constante. Ao ver que ela tenta fazer uma torre com cubos, anime-a a concluir para que se habitue a terminar o que começou. Ao finalizar, aplauda-a, parabenize-a, pois é uma maneira de motivá-la a se esforçar sempre para findar o que iniciou. A aprovação do pai e da mãe é sempre animadora. Encoraje-a a fazer as coisas sozinha: vestir a boneca, montar um castelo de lego, devolver os brinquedos nas caixas, colocar no prato a própria comida, limpar os sapatos. A criança deve ver que os pais também se empenham naquilo que fazem. Ensine-a a não fazer apenas o que agrada: não a deixe ver televisão a tarde inteira, e force-a para que vá brincar no quintal ou jardim; não permita que abra a geladeira ou o pote de bolachas no armário, a fim de não se habituar a comer fora de hora. Uma criança com a vontade educada desde pequena, logo será um jovem perseverante, tenaz e decidido. A preguiça e o ócio − que estão ligados a uma vontade fraca − não criarão raízes nele. Não espere o tempo passar para iniciar o fortalecimento da vontade de seu filho.

    3 – Obediência e Diligência

    A desobediência é um péssimo hábito da criança, que desespera os pais. É preciso explicar sempre a ela o porquê de uma atitude, pois é mais fácil obedecer quando se compreende a razão de uma ordem. A obediência aos pais deve se converter em hábito. Mas atenção, pais, não fiquem obcecados com a obediência, pois a criança pode acabar farta de tanta cobrança. Não se esforcem por arranjar situações em que coloque à prova a obediência de seu filho. Façam as coisas de modo natural, e aproveitem as ocasiões que surgem: por exemplo, se a criança rasgou o desenho da irmã, explique serenamente que a maninha fez a pintura na escola, e queria que todos pudessem apreciá-la. Ao rasgá-la, ninguém pode vê-las, o que deixou triste a todos. De modo delicado foi explicado o que não deveria ser feito e como respeitar os outros. Mas não cante vitória antecipadamente, pois o pirralho poderá repetir sua habilidade de picar papéis. Não desanime até que ele deixe de fazê-lo. Se for necessário, repita a explicação todas as vezes que ele rasgar, pois trata-se da psicologia do anúncio: de tanto repetir, a coisa entra na cabeça.

    Seu filho deve ser diligente a partir dos 2 anos e meio ou três. Não permita que demore muito a obedecer, porque isso poderá se transformar num péssimo hábito. Não é exagerado exigir a obediência desde pequeno. Muitos pais desistem dessa luta. Porém, esse esforço não será em vão, pois ao habituar a criança a não fazer só o que agrada, ela se fortalecerá para metas altas e que custam mais esforços para serem atingidas (estudar para entrar numa universidade pública). Crianças mimadas só fazem o que gostam e fogem do esforço e do sacrifício.

    4 – Sinceridade e Generosidade

    O diálogo entre pais e filhos deve ser aberto, desde o momento em que a criança começa falar: – Filho, quem colocou o brinquedo dentro do vaso sanitário? Diga-me, porque se me contar, o papai não vai se aborrecer, mas se me esconder a verdade, irei descobrir e castigar quem fez isso.  − Fui eu, pai! − Grande garoto. Limpe o brinquedo e coloque ele para secar. Cuide e não estrague suas coisas. Que conseguiu o pai com este diálogo?  Criou um clima de confiança entre ele e a criança ao não dar um show de histeria.  Isso evitará que o filho faça as coisas ocultamente. Com destemperos, a criança tende a negar a má ação, e você perderá a oportunidade de corrigi-la.  A criança deve comentar com os pais as coisas boas e más que fez, porque sabe que o pai ficará zangado ao ver as paredes sujas e a lâmpada quebrada, sem que o autor tenha se acusado.  O clima de diálogo prepara os filhos para que na adolescência fale de seus planos de fins de semana (com quem sairá; o que fará na casa dos amigos), e assim você não terá que dar uma de Sherlock Holmes para investigar. A criança habitua-se a dizer a verdade se vive num ambiente de confiança. E assim, não terá a personalidade dupla de quem é simpática e aberta com os amigos, mas estranha e ressabiada dentro de casa. Quem se habituou desde a infância a dizer a verdade, não muda nunca seu modo de agir.

    Dizer que a criança é egoísta soa a afirmação gratuita, pois dependerá de como foi educada. Uma criança se torna generosa quando seu coração desde a infância compartilha as próprias coisas com os pais, irmãos, amigos e crianças carentes. Mostre a seu filho que a verdadeira felicidade não está em ter muitas coisas, mas em estar desprendido (tem mais quem precisa de menos). A criança aprende rápido a sair de seu próprio ego ao ser estimulada a doar seus brinquedos, e ficará feliz com isso. Generosidade significa renúncia de si mesmo, e torna a alma grande, magnânima. Dar é sempre difícil, mas se a criança começa a fazê-lo, crescerá desprendida e feliz, contrariamente à egoísta, que é triste porque nunca está contente com o que tem, sempre quer mais e inveja o que não possui. Ao emprestar o seu carrinho ao irmão menor, ficará feliz ao vê-lo alegre. Estimule sua filha a deixar o chocolate para o pai, porque ele gosta muito e chegará cansado do trabalho. Não se trata de ajudar a criança a ser generosa apenas em coisas materiais, mas também com as imateriais, ao dedicar tempo para servir aos demais. Claro, não exija que seu filho doe o ursinho com que dorme todas as noites, porque não irá parar de chorar ao pensar que o boneco sofre ao não dormir mais a seu lado.

    5 – Respeito e Responsabilidade

    Não é correto pensar que nos primeiros anos as crianças são terríveis e não há nada a fazer. É muito cômodo deixar de corrigir, mas a fatura chegará com juros altos. Desde pequenas devem ser ensinadas a ter respeito pelas pessoas e pelas coisas, e a ter limites. Assim, entrarão na adolescência sabendo se apresentar em qualquer lugar, dando mostras de que seus pais foram bons educadores. Logo que a criança começar a falar, deve aprender a ter bons modos e a viver as regras de boa educação (obrigado, por favor, desculpe, olá, tchau, com licença). Vale a pena aplicar um corretivo com uma explicação carinhosa para a criança aprender a não entrar na sala e brincar sobre o sofá, nem ligar a televisão ou manchar as paredes. Ao exigir respeito a algumas regras, a criança terá pontos de referência para distinguir o que pode ou não fazer. Não limitar-se a gritar, mas faça-a entender a diferença entre o certo e o errado.

        Nas famílias numerosas, os filhos mais novos aprendem observando os mais velhos. Com dois anos e meio ou três a criança pode começar a fazer as coisas sozinha, ainda que tenha que ser ajudada no começo: regar as plantas, pôr a comida do cachorro, atender ao telefone, dar o dinheiro ao entregador do mercado, colocar o lixo no cesto, deixar a roupa suja ao lado da máquina de lavar. A criança cumpre essas tarefas com alegria, pois se sente importante como os pais, que também têm tarefas diárias a cumprir. Elogie a criança que fez uma tarefa bem feita; estimule-a a que continue a realizá-la para o conforto de todos da casa. Quando incentivada a ser responsável, a criança se torna mais independente, e os pais não terão que andar atrás dela o dia todo para que dê descarga no vaso sanitário, almoce no horário e se apronte para a escola. É melhor gastar tempo durante alguns dias ao ensiná-la a se vestir sozinha, do que varar os anos vestindo-a, e fazendo-a pensar que todos devem fazer as coisas para ela. Ao se habituar a realizar os encargos domésticos, na adolescência não fugirá das responsabilidades escolares e outros compromissos; e se tornará segura de si própria e sem medo ou preguiça para se propor metas altas nos estudos e na vida.

    6 – Ternura e Temperança

    Quanto mais amor receber um filho, mais alegre e seguro ele será, porque se sentirá protegido pelos seus pais. Os beijos e abraços dos pais nunca são demais, nem tornam os filhos mimados, se também são exigidos para que cumpram seus deveres. Mostre a seu filho que é amado: “Meu tesouro!”. Criança a quem não foi manifestado muito amor, torna-se reservada, distante e custará a ela expressar seus sentimentos. É melhor exceder-se em dar amor, do que errar pela ausência dele. Nos primeiros anos, dê à criança todo afeto que puder: por amor a seus pais ela se portará bem mesmo na ausência deles. Muitos adultos têm problemas emocionais relacionados à ausência de carinho na infância.

    Aprende-se a ser sóbrio e desprendido dos objetos desde a infância, começando pelos brinquedos e doces. Ajude seu filho a valorizar o que possui, e aprender a viver com pouco, pois saberá desfrutar melhor do que possui. Ao não ter muitos brinquedos, aprenderá a ser constante e imaginativo ao se divertir durante um bom tempo com o que possui. A criança abarrotada de brinquedos não percebe o quanto as coisas custam, se entedia rápido com aquilo que tem entre as mãos e torna-se inconstante ao largá-lo para pegar outro. Não permita que avós e tias encham as crianças de presentes. Contrarie os caprichos da criança insaciável por ganhar brinquedos, não para aborrecê-la, mas para não destruir a imaginação dela, que deve fazer seus carrinhos com embalagens vazias de produtos caseiros (se divertirá mais com isso do que com carros elétricos que fazem tudo sozinhos). Que tenham poucos brinquedos bons, ganhos em épocas especiais (Natal, aniversário…). Quanto aos doces, limite-os para os fins de semana. Assim, quando forem mais velhos não terão problemas de autocontrole, porque se habituaram a privar-se e a dizer não a muitas coisas que poderiam agradar. Começam por dominar-se diante das guloseimas, e mais adiante não serão vítimas dos apelos consumistas, excesso de jogos e lazer, e saberão privar-se de buscar novas sensações nas drogas.

    7 – Ordem e Asseio

    É preciso tornar a criança ordenada desde pequena, sendo esta uma das primeiras virtudes a ser ensinada. Procure que ela identifique a palavra brincar com a de arrumar, após brincar. Não espere que cresça para exigir isso, nem aceite a desculpa de que durante os primeiros anos o bebê pode fazer o que quiser. A ordem deve começar a ser vivida desde o dia em que a criança nasce: ordem no sono (pouca ou nenhuma luz para atender o bebê na madrugada fará que perceba que há dia e noite, e que a noite é silenciosa e está feita para dormir); ordem nos horários de refeições e banhos, nas roupas e brinquedos. Os pais não podem passar o dia recolhendo o que a criança deixou por todo canto. Desde que tenha um ano, ao acabar de brincar, deve colocar na caixa os seus brinquedos (cole em cada caixa o desenho ou figura do que ali deve ser guardado). Ponha prateleiras ao alcance da criança. Aos três anos do pirralho, consiga uma mesa de trabalho com gavetas para ele fazer desse o lugar de recortar, colar, rabiscar, montar o quebra-cabeças, desenhar; mais tarde esse será o lugar de estudar, concentrar-se, ler e fazer as tarefas escolares. Se a criança começa a ser ordenada por fora, logo o será por dentro (gavetas, armários); e quando for adolescente será organizado na distribuição do tempo e na capacidade de planejar o que irá fazer em cada momento. Organizar-se no dia a dia não se aprende de um momento para outro, mas se capacita desde muito cedo. Mas, pais, não fiquem obcecados pela ordem, nem passem o dia gritando com a criança. Basta dedicar um tempo diário – por exemplo, antes do banho da tarde − para que ela arrume o próprio quarto.

    É preciso aprender a ser asseado desde pequeno: banho diário, dentes e cabelos lavados e escovados, roupa limpa. Torne o banho atraente ao colocar dentro da banheira algum brinquedo, pois é a maneira da criança associar o banho com divertimento, em vez de convertê-lo num suplício diário. Para ter hábitos de higiene, crie horários: pela manhã, lavar o rosto, as mãos, escovar os dentes e pentear os cabelos; ao retornar das brincadeiras ou da rua, lavar as mãos; à noite, tomar banho, limpar os ouvidos e pentear bem os cabelos; aos sábados, cortar as unhas. Quem não aprende a ser limpo desde pequeno, será difícil andar arrumado quando for adulto, pois sempre faltará algum detalhe. A criança com costumes de higiene apreciará manter a casa arrumada por fora (aquilo que toda a gente vê) e por dentro (aquilo que não se vê). O hábito de asseio será levado vida afora pela criança. Já se disse que uma criança é desmazelada porque seus pais o são. Mas, pais, não fiquem obcecados a ponto de ralhar com a criança porque se sujou no jardim ou durante a refeição. As crianças têm que se sujar, o que não quer dizer que devam andar sujas o todo o dia.

    Texto produzido por Ari Esteves, com base na obra “Tu hijos de 1 a 3 años”, de Blanca de Jordán de Urríes, Colección Hacer Familia, Espanha.

  • Um filho não pode diminuir o amor entre os pais

    Um filho não pode diminuir o amor entre os pais

    1 – Ter o conjugue em primeiro lugar no amor. 2 – A criança se sente segura ao ver que seus pais se amam. 3 – Se um filho desune os pais, a função educativa se vê truncada.

    1 – Ter o conjugue em primeiro lugar no amor

        Ter o cônjuge em primeiro lugar no amor não diminui o afeto dos filhos pelos pais. Infelizmente, a separação bate à porta do casal que permitiu o esfriamento do amor mútuo, por vezes transferido unicamente para o filho. O cônjuge que dedica mais atenção à criança, e esquece o outro cônjuge, se equivoca em sua missão, e deseduca o filho.

        Duas irmãs conversavam, e a mais velha aconselhava a mais nova para que observasse como procedia o pai delas ao chegar em casa, ao final do dia: − Onde está a minha linda esposa?, e ia até ela, beijava e ajudava-a no que fosse preciso. Então, a irmã sugeria à mais nova que perguntasse às colegas da escola se havia outro pai que fizesse questão de mostrar aos filhos que a esposa era a pessoa mais importante da vida dele.

    2 – A criança se sente segura ao ver que seus pais se amam

            Educa-se quando o amor ao filho é o prolongamento do amor entre os pais; deseduca-se quando o amor ao filho distancia os pais, o que faz perder eficácia a obra educativa, que deixará de ser conjunta (de pai e mãe). Se um homem e uma mulher se casam porque se amam, e o fruto dessa união é o amor mútuo espelhado numa nova pessoa chamada filho, ambos devem concluir que o mais importante é o amor entre eles, esposos, para que a criança possa se sentir segura ao reconhecer-se como fruto desse amor. Os pais devem fazer notar que se querem, sem expor os carinhos próprios da intimidade conjugal diante dos filhos, pois isso seria equivocado.

    3 – Se um filho desune os pais, a função educativa se vê truncada

        A criança idolatrada e tida como a número um no amor de seu pai e de sua mãe, torna-se autocentrada e se vê como o sol do seu próprio universo, e seus pais meros satélites, sem desconfiar que a luz que emite é reflexo do amor de entre seus pais: caso essa luz se apague, o universo da criança ficará no escuro.

        Uma criança perguntava à mãe sobre quem ela amava mais: a ela, filha, ou ao marido? A mãe respondia: − A seu pai, porque, além de tudo, ele me deu você. Essa mesma pergunta ela fazia ao pai, que dizia: − A sua mãe, porque, além de tudo, ela me deu você. A criança ficava intrigada e incomodada com essa resposta, pois achava que ela deveria brilhar em primeiro lugar no amor de seus pais. Porém, já adolescente, quando os pais passaram a dizer “Amo mais você, filha”, por fim compreendeu que a resposta não poderia ser essa, pois eles logo se divorciaram e ela se viu só.

        O cônjuge que se sente infeliz porque foi trocado por um filho, esfria-se no amor. E o casal que já nada tem a dizer um ao outro, trilha o perigoso caminho que levará ao despenhadeiro a relação familiar. A mulher que esquece a sua condição de esposa e tem presente só a de mãe, e vê o marido apenas como provedor de alimento e segurança, está equivocada como mãe e esposa; o marido que concentra sua atenção na criança e considera a esposa como meio para ter um filho, cuidar da casa e preparar a comida, equivoca-se como marido e pai.    

        Quem desloca o cônjuge para fora da lista de prioridades no amor, sinaliza que seu casamento não anda bem, e que as promessas de amor eterno nada valeram. Se o amor entre os cônjuges vai bem, as demais circunstâncias da vida se ajustarão e a autoridade dos pais crescerá diante dos olhos dos filhos, como condição indispensável para o processo educativo deles. Mantenha o seu cônjuge como o número um na sua lista de prioridades no amor, pois assim seus filhos se sentirão seguros vendo a estabilidade do amor entre seus pais.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/

  • Caráter dos filhos: missão dos pais

    Caráter dos filhos: missão dos pais

    1 – Caráter, o que é? 2 – É fácil perceber a ausência de caráter. 3 – Ensinar as crianças a ter caráter.

    1 – Caráter, o que é?

        O caráter, palavra latina que significa marca, impressão ou símbolo da alma, é uma qualidade que reside na pessoa como um todo (inteligência, vontade e afetos), e se constrói ao longo do tempo pelas influências recebidas no ambiente familiar, na escola, na rua, com os amigos, pelos meios de comunicação e leituras realizadas, etc. Essa vivência desenvolve conceitos (e preconceitos) que atuam sobre as decisões e ações pessoais. Já o temperamento é a parte fixa, o modo de ser da pessoa – seu jeitão −, recebido como herança genética ou constituição corporal: colérico, sanguíneo, melancólico ou fleumático. Tanto o temperamento quanto o caráter devem ser corrigidos, ao se perceber neles vícios ou defeitos.

        O caráter necessita que se reconheçam as verdades, custe o que custar. É fácil compreender que há verdades no campo das ciências exatas (química, física, matemática), e todos são unânimes em aceitá-las, pois a existência delas não depende de opiniões. Porém, o certo e o errado, o bem e o mal existem também para as decisões morais ou comportamentais dos homens, e essas verdades não dependem da opinião pessoal para aceitá-las ou não: roubar, mentir, trabalhar desonestamente, desrespeitar os pais, não cumprir com a palavra dada, são princípios imutáveis da conduta humana. Em qualquer época a fortaleza foi admirada e a covardia condenada; a solidariedade foi louvada e a avareza rechaçada.

        O alicerce do caráter são as virtudes, que se desenvolvem por meio da prática constante de ações que vão se sedimentando na inteligência, na vontade e nos afetos. As principais virtudes são: Prudência, como capacidade de julgamento criterioso, consciente (radica na inteligência); Justiça, que envolve a responsabilidade de dar a cada um o que lhe pertence (radica na vontade); Fortaleza para fazer o que deve ser feito e Temperança para o domínio de si e autodisciplina (essas duas virtudes radicam na sensibilidade).

    2 – É fácil perceber a ausência de caráter

        Não confundir caráter com habilidades intelectuais, artísticas ou técnicas, pois se pode ter alguma dessas qualidades e possuir um mau caráter ao ser pessimista, indeciso, desordenado; ou inseguro, suscetível e dependente de estados de ânimo; ou não saber relacionar-se com os demais. É tão comum taxar as pessoas pelos seus defeitos de caráter: esquentado, mentiroso, frívolo, indeciso, confuso. Talvez esses até gastem tempo e dinheiro para melhorar suas habilidades profissionais ou artísticas, mas pouco se esforçam para melhorar o caráter.

        Se é difícil definir o caráter, mais fácil é perceber a ausência dele, porque existe um ideal de comportamento que nos faz reconhecer se uma pessoa tem bom ou mau caráter. Defeitos como a gula, preguiça, sensualidade, inveja, ódio, sempre revelaram falhas de personalidade. Já a vida de uma pessoa que não se deixou aliciar por lucros indevidos; ou que se manteve forte e não traiu a confiança da esposa, filhos ou amigos; ou que deu a vida por um ideal nobre, sempre edificou a todos e revelou a riqueza desse caráter.

    3 – Ensinar as crianças a ter caráter

        As crianças vêm ao mundo carentes de virtudes: imponderadas e de raciocínios imprecisos que as tornam impulsivas, inconstantes e irresponsáveis; procuram impor suas vontades e manipular com o choro ou insistência os que estão ao seu redor; egocêntricas e centradas no próprio eu, tornam-se egoístas e pouco preocupadas com os demais; comodistas, tendem a fugir do esforço e a satisfazer imediatamente suas paixões e apetites (são hedonistas). Cabe aos pais ajudá-las a ter autocontrole e a ser generosas, solidárias e prestativas (ter bom caráter!).

        Crianças são adultos potenciais. Os pais devem vê-las por cima do muro do dia a dia, e projetá-las em atuação na vida social, com caráter. Desde a infância elas necessitam aprender a não mentir, a ser leais aos compromissos que assumiram, a manter a palavra dada, a não falar mal dos companheiros, a ser honestas e admitir os erros, a ter coragem para enfrentar a lição de casa e os encargos do lar, a não serem lamurientas e enjoadas. Para fracassar nessa tarefa, basta aos pais se omitirem e deixar vingar os maus hábitos nos filhos, tal como crescem as ervas daninhas em terreno baldio. Esse comodismo os fará presenciar um grande desastre, pois aos 13, 18 e 25 anos, os filhos apresentam os mesmos defeitos da infância.

        Pessoas de caráter não nasceram assim, mas se construíram: 1°) Pelo exemplo, pois as crianças são muito observadoras e não escapa ao olhar delas o modo como seus pais se conduzem: se virtuosos, irão adquirir um profundo respeito por eles e repetirão suas atitudes e valores; 2°) Pelas palavras dirigidas a elas de forma positiva e reiterada – apesar das resistências iniciais dos filhos –, a fim de desenvolverem bons hábitos; 3°) Porque ouviram incansáveis explicações de seus pais para cumprirem seus deveres, e com isso ganharam critérios de conduta.

        Honra e integridade são duas palavras que as crianças devem ouvir com frequência, pois crescerão dando importância a elas. Honra pessoal é uma das lições mais úteis que os pais devem ensinar às crianças (uma pessoa mentirosa perde sua honra, sua credibilidade). Integridade significa ser inteiro, feito de uma peça só, e não ter dupla personalidade: se o filho prometeu chegar em casa às 21 horas, deve cumprir com a palavra dada!

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/

  • Hábitos dos filhos, responsabilidade dos pais

    Hábitos dos filhos, responsabilidade dos pais

    1 – Crianças diante de telas digitais se tornam preguiçosas. 2 – A criança necessita ser exigida. 3 – Não realizar as tarefas que os filhos podem fazer.   

    1 – Crianças diante de telas digitais se tornam preguiçosas

         “É de pequenino que se torce o pepino”, diz o ditado popular. Quando a árvore ainda em crescimento começa a entortar o caule, une-se o frágil tronco a uma estaca-guia para que cresça ereto. Para as crianças, a estaca-guia são os pais: se estes permitem a prática repetida de más ações, os filhos ganham hábitos ruins ou vícios; se incentivarem a prática der boas ações, os filhos se tornam virtuosos.

         Pais que deixam os filhos ociosos e inertes diante das telas midiáticas, os tornam passivos e preguiçosos. Ao tolerar que os filhos passem horas hipnotizados pela TV, perdem a autoridade de pais, e são substituídos por alguma celebridade, cuja vida pode não ser exemplar.

    2 – A criança necessita ser exigida   

    Se as crianças não são exigidas para que arrumem suas bagunças, crescerão desordenadas e acostumadas a que os outros façam as coisas por elas; se não forem incentivadas a ler ou ouvir histórias lidas pelos pais, não se tornarão leitoras. Para não serem presas das telas midiáticas necessitam da sadia e paciente sugestão para lerem livros. Para serem educadas e corteses devem ser corrigidas a dizer “por favor”, “obrigado”, “me desculpe”, e a cumprimentar os mais velhos. Para não serem preguiçosas e bagunçadas, necessitam de paciente e contínuas cobranças para fazer a cama diariamente, colocar suas roupas nas gavetas e a enxugar o banheiro. As crianças devem ser exigidas a comer na hora certa e aquilo que se põe na mesa, pois só assim abandonarão os caprichos e não se deixarão conduzir pelos instintos. Devem respeitar o direito dos pais e irmãos e esforçar-se para distinguir o certo do errado, sendo aplicadas medidas corretivas de forma rápida e justa ao se comportarem mal, e elogiadas quando agiram bem.

         Os pais devem encorajar as crianças a perseverarem no cumprimento das tarefas chatas, a não serem lamurientas e a não fugirem do esforço a realizar. Para que sejam solidárias e preocupadas com os demais, devem cumprir os encargos que no lar foram atribuídos a elas, com a finalidade de manter a casa limpa e ordenada para o conforto e bem-estar de todos. Se obrigadas a refazerem a lição de casa ou a tarefa do lar mal feita, as crianças aprendem a se empenharem desde o início para realizar bem suas responsabilidades. No site staging.ariesteves.com.br/ há vários vídeos curtos que mostram tarefas que mães atribuíram às suas crianças.

    3 – Não realizar as tarefas que os filhos podem fazer

         Pai e mãe não devem substituir os filhos nos assuntos que cabem a eles resolver, mas mostrar como se faz e exigir que ponham mãos à obra.

         Quando a criança deixa as meias e os tênis jogados no meio da sala, os pais devem visualizar dois problemas: 1) a bagunça em si; 2) o vício do desleixo. Se a mãe recolhe os tênis e as meias, resolve apenas o primeiro problema, mas deixa latente o segundo − muito mais grave −, com sua consequente falta de consideração e agradecimento pelo esforço de todos em manter a casa em ordem.

         Se os pais não afrouxarem nem desistirem de sua missão de educadores, as crianças adquirem autoconfiança e aprendem a colocar suas habilidades em jogo para enfrentar seus próprios desafios. Com isso, crescem em espírito de serviço e ajuda aos demais, e exigem-se de si mesmas para fazer as coisas bem feitas desde o início, levando com responsabilidade e sentido profissional suas tarefas, tanto as escolares como as demais que a vida colocar em suas mãos. Ou seja, constroem um caráter firme e decidido.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/

  • O hábito de leitura

    O hábito de leitura

    1 – O papel da literatura. 2 – Ganhar o hábito da leitura. 3 – O que ler? 4 – Nada me afeta; leio qualquer coisa”, dizem os soberbos.

    1 – O papel da literatura

         A literatura tem um papel transformador em nossa vida. Já se disse que a leitura dos clássicos forja o caráter, cura as doenças da alma e resgata a autoestima. Com a leitura aumentamos a preparação intelectual, porque ela incide diretamente sobre a inteligência e faz aumentar o nível e o alcance do pensamento. Quando esclarecida pelos bons livros, a inteligência extasia-se com o bem e a verdade. A leitura, além de excelente modo de descansar e de aproveitar o tempo, aumenta a cultura humanística, melhora a forma de expressar o pensamento escrito e oral, enriquece o vocabulário e nos faz ganhar com a experiência do outro (“escarmentar em cabeça alheia”, diz o ditado).

    2 – Ganhar o hábito da leitura

         Para começar a ganhar o bom hábito ou gosto pela leitura, e ajudar as crianças a irem por esse caminho e a não serem dependentes digitais, tenha sempre um livro nas mãos, pois só assim você encontrará cinco minutos aqui e dez ali para lê-lo todos os dias, seja em sala de espera, no transporte público, naqueles minutos que antecedem o início do trabalho, no final do dia e, claro, nos fins de semana, quando podemos dedicar mais tempo à leitura.

        O nosso tempo é curto e não vale a pena perdê-lo com obras que desfiguram a verdade. Existem muitas obras de qualidade que convém ler: novelas, biografias, ensaios, artigos, contos, romances, etc. Uma revista de novelas ou gibi pode servir para descansar em momentos particulares, mas restringir as leituras apenas a isso revela sintomas de superficialidade, frivolidade e de perda de tempo.

    3 – O que ler?

         Todos temos que formar uma reta opinião sobre tantas questões que nos cercam, e isso não será possível com o malfado “ouvi dizer”, mas pela leitura de autores que fundamentam suas obras na verdade. Há livros que produzem confusão ou propagam ataques que não toleraríamos se fossem dirigidos aos nossos pais ou à nação (nem divulgaríamos tais obras).

         Atualmente, interesses econômicos fazem proliferar livros que chamam de best-sellers, mas que são escandalosos, sensuais e com falso entendimento sobre o que é a vida e o amor. Ninguém deve se sentir cobrado para ler algum Prêmio Nobel de literatura sem informar-se sobre o conteúdo moral de sua obra. É necessário ter um são espírito crítico, próprio de pessoas maduras, para ir contra a corrente e ler apenas bons livros.

         Como saber se devemos ou não ler uma obra? É medida de prudência pedir conselho a pessoas com sólida preparação intelectual e moral acerca do livro que pretendemos ler, para não perder o pouco tempo que temos, nem nos encharcarmos de ideias falsas. Também podemos pesquisar no site www.delibris.org, que nos posicionará sobre o conteúdo de muitas obras. Se não encontrarmos informações sobre um livro, a prudência exige atenção redobrada ao lê-lo, tal como quem dirige à noite em estrada desconhecida, e também para deixar de lê-lo se surgir alguma dúvida.

         Belo depoimento sobre isso deu Juan Pablo II, reconhecido por todos como grande intelectual, quando em seu testemunho biográfico “Levantai-vos, vamos”, disse: “Sempre tive um dilema: o que ler? Tentava escolher o mais essencial. A produção editorial é tão ampla! Nem tudo é valioso e útil. É preciso saber eleger e pedir conselho sobre o que se vai ler“. Veja sugestão de leitura por idade.

    4 – Nada me afeta; leio qualquer coisa”, dizem os soberbos

        Quem se habitua a ler qualquer obra corre o risco de envenenar-se de ideias tortas que influenciarão o pensamento, pois inverdades não refutadas pela falta de conhecimento modelam a conduta. Há livros que apresentam só parte da verdade, sem diagnosticar com clareza o erro que jaz em seus argumentos, e apenas lançam meias verdades, que são mais perniciosas e enganadoras do que uma mentira evidente. O ditado popular “O soberbo morre pela boca” pode ser aplicado a quem diz “leio qualquer coisa e nada me faz mal”. Não se trata de assunto novo, já que Platão, Séneca, Petrarca, entre outros, falaram das boas e más influências que recebemos por meio das leituras. 

       Alguém poderia objetar que deve conhecer as opiniões contrárias para formar o juízo próprio. Não há dúvida de que isso é correto em matérias opináveis. Mas há verdades sobre a natureza humana, família, casamento e atitudes éticas que não se alteram nunca, mesmo que muitos tenham opinião contrária sobre elas (os valores retratados na Odisseia, de Homero, escrita no século VIII a.C., são perenes na conduta humana). Para saber os efeitos de um veneno não precisamos bebê-lo: basta ler um livro que trate de seus efeitos.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/

  • A figura do pai na educação dos filhos

    A figura do pai na educação dos filhos

      1 – O pai não está para “dar uma mãozinha à mãe”. 2 – O que representa o pai para a criança? 3 – O exemplo paterno e sua influência. 4 – Características do homem na vida familiar.

    1 – O pai não está para “dar uma mãozinha à mãe”

        Criar e educar uma criança exige esforço e capacidade de observação. Essa tarefa não é apenas responsabilidade da mãe, que não pode autoproclamar-se “a que sabe o que é melhor para a criança”, pois sua visão é parcial e se completa com a do marido, que deve participar de todo o processo educativo.

    Por natureza, o homem e a mulher são desiguais e se completam. A desigualdade de virtudes paterna e materna – devido às diferenças na constituição física e psicológica de cada um – facilita as missões distintas que lhes cabem. Ambos devem transmitir valores e posturas pedagógicas que integram a criança nas diferenças, abrindo a ela horizontes desconhecidos desde os primeiros meses de vida.

    A função paterna vai muito além de “dar uma mãozinha para a mãe”, como se fosse ela a única a cuidar dos filhos. Se sábia, a esposa exigirá do marido poder de decisão e colaboração nas escolhas, além da participação na rotina da criança: passear (sem ficar ligando pelo celular para saber se está tudo bem), ninar, contar histórias, buscar na escola, conviver, trocar fraldas, dar mamadeira… O contato físico com o pai fortalece o afeto e a confiança da criança em seus dois principais educadores. Sem confiar no pai, a personalidade da criança será enfraquecida pela mãe possessiva.

    2 – O que representa o pai para a criança?

    Se a mãe representa conforto e aconchego, a masculinidade do pai caracteriza limite (não se pode fazer tudo o que quer), aproxima mundos diferentes (materno e paterno), revela habilidades não ligadas aos afetos e facilita a abertura aos demais. O pai também representa segurança aos filhos ao abrir o pote de geleia quando ninguém consegue, ao afastar o cachorro que no parque veio cheirar a filha, ao ensinar o menino a fazer pipas e guerrear no céu contra a de outros garotos. Quanto mais presente for a figura paterna na vida das crianças, mais fortes, seguras e abertas ao mundo elas serão.

    Ao gestar e amamentar, a mãe se torna um porto seguro para o bebê. Então, chega o pai para provocar uma ruptura saudável nesse apegamento, socializando a criança ao estabelecer com ela a primeira relação, além da mãe, abrindo-a para confiar em mais alguém.

    O pai surge, então, como um novo universo a ser explorado pela criança: tem o rosto áspero, peludo e voz forte; brinca com ela de modo diferente, lançando-a ao ar e recolhendo-a ainda em pleno voo, fazendo a criança rir muito; instiga a que do armário pule em seus braços; leva-a de cavalinho nos ombros, galopando… Alguém já viu uma mãe se aventurar a tais proezas?

    3 – O exemplo paterno e sua influência

    Jacques Leclercq ensina que a inteligência feminina é mais ligada à sensibilidade, dando à mulher dotes de intuição e maior senso de observação aos pormenores; e a inteligência masculina tende a ver as coisas mais no seu conjunto, favorecendo o espírito de síntese. No caso dos meninos, a figura masculina mostra que a mãe não é a única referência, e que há um modo diferente de sentir, pensar, agir, que lhe é mais natural imitar. Quanto à filha, ao observar as atitudes do pai aprenderá a valorar o que devem possuir os homens, especialmente seu candidato ao namoro e futuro casamento. Isso explica que com muita frequência sogros e genros se dão bem.

    A filha de pai ausente (ou porque ele dá mais valor à sua atividade profissional ou porque está separado da esposa) não terá um modelo de homem, e correrá o risco de logo lançar-se nos braços de qualquer tipo bonitinho, mas sem qualidades para enfrentar a vida e levar adiante um lar. Mesmo em situação de separação, evita-se esse e outros riscos (abandono escolar, frágil conceito de família, uniões de fato, gravidez precoce, más amizades), se o pai está presente na vida dos filhos, seguindo-os muito de perto.

    4 – Características do homem na vida familiar

    James Stenson diz que a principal tarefa de um homem é proteger a sua família, e que isso está no cerne de sua masculinidade porque a natureza o dotou de capacidades físicas e mentais para isso: músculos fortes, agressividade para proteger mulheres e crianças dos perigos; pôr em favor da família sua força de vontade, seu sentido de justiça e moral, resistência, competitividade, assertividade, capacidade mental para abstração, amor pelo planejamento estratégico, gosto pela manipulação de ferramentas e objetos físicos.

    O ser humano precisa de alguém para se espelhar. À medida que cresce, a criança necessita de heróis a imitar, e começa admirando seus pais a fim de firmar sua personalidade. Quanto mais a criança se deslumbra com seu pai e sua mãe, mais adotará suas atitudes e valores para a formação do próprio caráter.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/

  • Ordem e aproveitamento do tempo

    Ordem e aproveitamento do tempo

    1 – A virtude da ordem multiplica o tempo. 2 – Critérios para hierarquizar as tarefas. 3 – O cumprimento dos deveres fortalece a vontade e o caráter.

    1 – A virtude da ordem multiplica o tempo

       A ordem dá harmonia e paz à vida porque leva a cumprir o que deve ser feito em cada momento; além disso, multiplica o tempo porque evita desperdiçá-lo em afazeres desnecessários ou menos importantes. Ordem − do grego “orthos”, reto, correto − é a disposição conveniente dos meios para se atingir um fim. Várias coisas entre si têm em vista a ordem que possuem em relação a um fim: tijolos, areia, telhas, ferros e encanamentos organizados em um pátio têm a finalidade de edificar uma casa.

    2 – Critérios para hierarquizar as tarefas

    Para que a ordem ocorra é necessário definir diariamente as prioridades, diferenciando as tarefas mais importantes das mais urgentes: é urgente atender ao telefone que esbraveja; é importante iniciar imediatamente a preparação para um exame que ocorrerá daqui a um mês. Ao definir as tarefas diárias é preciso estar atento para não se deixar levar pela comodidade ou lei do menor esforço, que ronda a todos os filhos de Eva e induz a iniciar as tarefas pelas mais agradáveis. Quem não estabelece prioridades se dispersa em afazeres menos importantes, e deixa de atender suas principais responsabilidades. A repetição dessas falhas cria o vício da preguiça que debilita o caráter, enfraquece a vontade e liquefaz qualquer ideal ou projeto de vida que exija esforço. 

    Hierarquizar os afazeres é atribuir valor a cada um com base em finalidades, pois dificilmente todos os afazeres terão o mesmo grau de importância. Essa estimativa é realizada pela virtude da prudência, que evita a ineficácia da desordem ao julgar o que é mais importante entre os inúmeros afazeres a serem realizados a cada dia. Assim, caso sobrem tarefas para o dia seguinte, devido ao acúmulo delas, certamente terão sido as menos importantes ou as que poderiam esperar até o dia seguinte.

    Para hierarquizar os afazeres com base em finalidades é necessário distinguir o valor moral de cada assunto. Por exemplo, uma pessoa que goste de sua atividade profissional poderá se ver na disjuntiva de continuar ou não na empresa além do horário previsto, sem um motivo importante ou extraordinário que o exija. Então, neste caso, o moralmente correto será encerrar o expediente e sair pontualmente para retornar ao lar a fim de conviver com o outro cônjuge e com os filhos, pois o fim do trabalho não se encerra nele mesmo, mas é meio para um fim mais alto.

    3 – O cumprimento dos deveres fortalece a vontade e o caráter

    As prioridades devem ser estabelecidas no início do dia por meio de um exame breve, de 3 a 4 minutos. Para executar as tarefas previamente definidas pela prudência e o juízo, entram também em jogo as da fortaleza e da laboriosidade, que levam a trabalhar com intensidade e a fugir das “paradinhas” desnecessárias e a evitar curiosidades ou perdas de tempo em mídias sociais, etc.

      O cumprimento responsável dos deveres é excelente exercício para o fortalecimento da vontade e enriquecimento do caráter. Quando alguém ganha um valor – por exemplo, a virtude da ordem –, não adquiriu apenas um hábito bom e isolado, pois, dada a unidade da pessoa humana, ao melhorar em um aspecto aperfeiçoam-se ao mesmo tempo todos os demais.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/. Imagem de Darya Sannikova.

  • O Estado não apoia a família

    O Estado não apoia a família

       

    1 – O Estado deve priorizar a família. 2 – O Estado tem nos pais seus melhores e mais econômicos educadores. 3 – Como poderia o Estado ajudar mais as famílias?

    1 – O Estado deve priorizar a família

     O Estado ainda não percebeu que a família é a instituição mais indicada para pôr fim à violência social, pois os estímulos dos pais são profundos e ajudam os filhos a formar sua personalidade. Pode-se afirmar que os adultos são o que seus pais promoveram. 

         O Estado deve priorizar sua atenção à família por muitas razões. Uma delas, bastante lógica e de constatação estatística, é que a faixa etária de maior violência na criminalidade − e que maior dor de cabeça dá aos poderes públicos − campeia entre os 13 e 25 anos. Se os pais forem auxiliados a dar uma educação integral no período áureo da criança (0 aos 12 anos), que envolve a inteligência, vontade, afetividade (sentimentos, emoções, paixões), temperamento e caráter, a faixa de risco não será mais retroalimentada e reduzirá fortemente em poucos anos.

         Infelizmente a pedagogia familiar não tem o reconhecimento que merece, mesmo sendo o âmbito mais importante na educação da criança. Foi muito descuidada essa pedagogia e substituída por mil teorias que deixaram os pais à parte. Uma coisa é ter ideias universais sobre educação, outra bem diferente é aplicá-las em cada caso concreto, disse Gerardo Castillo em sua obra “La realización personal en el ámbito familiar”.

         Só edificaremos uma sociedade justa e solidária se o custo do crescimento do PIB deixar de recair sobre nossas crianças e suas famílias. Se o Estado brasileiro valorizar a instituição familiar, se tornará em poucos anos referência mundial no IDH (índice de Desenvolvimento Humano).

    2 – O Estado tem nos pais seus melhores e mais econômicos educadores

         Hoje o Estado opera com grande esforço de tempo e dinheiro dentro da faixa de risco (13 a 25 anos), ao criar centenas de órgãos especializados no combate ao crime, o que é de indiscutível mérito. Mas, ao não concentrar esforços na prevenção ou educação infantil dada pelos pais, o Estado não verá diminuída sua luta contra o crime, e será obrigado a atuar permanentemente no combate às condutas lesivas, imitando o mitológico Sísifo, condenado a empurrar uma grande pedra até o alto de uma montanha, para depois soltá-la e fazê-la retornar ao sopé pelo próprio peso, tornando a empurrá-la até o topo uma vez e outra, eternamente.

         O Estado não percebeu que tem nos pais os seus melhores educadores: não fazem greve, não exigem salário, não necessitam de autarquias para fiscalizar seu trabalho, não tiram férias e nem se ausentam de suas funções nos fins de semana, e por conhecer profundamente seus “alunos” oferecem uma educação personalizada.

         Se o Estado colaborasse com a formação dos pais, auxiliando-os a enfrentarem os novos desafios na educação comportamental da criança e do adolescente, atuaria com inteligência na prevenção da violência e poderia dedicar mais tempo às outras necessidades sociais.

         Gerardo Castillo ensina que as primeiras bases de uma verdadeira pedagogia familiar se deve ao suíço Pestalozzi (1746-1827), com sua obra “Como Gertrudes ensina a seus filhos” (1801). Pestalozzi sustenta que a autêntica educação social, fundada na educação moral e da personalidade, não pode dá-la o Estado (com suas creches, digo eu), que se preocupa só com o comportamento exterior, e não interior como a família. A sociedade civil pode civilizar, mas não educar. Acrescenta o pedagogo suíço que o fundamento de toda cultura humana e social é o lar, cuja obra educadora gira em torno da atitude familiar do amor, sacrifício e abnegação desenvolvida pela mãe.

    3 – Como poderia o Estado ajudar mais as famílias?

        O Estado poderia ajudar a família primeiramente não sendo um corpo que ataca suas célula sadias − as famílias − como se fossem cancerígenas, ao impor sobre elas pesados fardos, e minando-as em seus esforços de subsistência ao permitir que uma economia perversa obrigue pai e mãe a ausentarem-se do lar o dia inteiro, a fim de prover o sustento da prole. Também poderia desonerar as famílias ao permitir que no imposto de renda fossem deduzidas integralmente (não parcialmente) todas as despesas com a educação – tanto a deles, pais, quanto a dos filhos. Excelente medida seria se os órgãos públicos da administração escolar incentivassem as escolas − por meio de pontuações, premiações, recursos financeiros − a promoverem atividades para aproximar dos pais a excelente produção acadêmica e prática no campo da orientação familiar.

         Também deve o Estado deixar de produzir leis que facilitam a desintegração das famílias por motivos banais (lei do divórcio), cujas vítimas principais são os filhos, e não incentivar a saída das mães para o mercado de trabalho ao criar milhares de creches para entupi-las de crianças que passarão os anos mais importantes da sua educação afastadas de seus principais educadores, pois as “tias das creches” jamais poderão ocupar o lugar dos pais.

         Com os recursos tecnológicos existentes hoje, interessante seria se o Estado incentivasse com isenção de impostos as empresas que autorizassem as mães desenvolverem seu trabalho desde o lar.

    Texto produzido por Ari Esteves staging.ariesteves.com.br/