Categoria: FAMÍLIA

  • As crianças são dominadas pelos sentimentos, emoções e paixões

    As crianças são dominadas pelos sentimentos, emoções e paixões

             Ajudar a criança a compreender os motivos de suas ações facilita-lhe o esforço para agir bem e se sentir feliz com isso. A racionalidade ainda não se desenvolveu plenamente na criança, e por isso age motivada pela afetividade (sentimentos, emoções, paixões). Cabe aos pais fazerem o papel da razão e da vontade dela por meio de explicações claras e acessíveis ou servindo-se de pequenas medidas corretivas. Assim, aos poucos ela passa a compreender como deve se comportar, as consequências de seus atos, ganha hábitos que esclarecerem a inteligência em desenvolvimento e fortalece a vontade para não se deixar dominar pelos afetos. A infância é o período mais propício para aprender a equilibrar a afetividade e não se conduzir apenas pelos sentimentos. A educação dos afetos na adolescência e juventude é bem mais difícil. Educar a afetividade não significa reprimi-la, mas integrá-la à razão e à vontade.

             Na sociedade atual, valoriza-se excessivamente o êxito exterior — riqueza, fama e poder — e subestima-se o êxito interior, essencial para a verdadeira felicidade. A educação, influenciada por muitos pais e professores, foca sobretudo em resultados académicos, competências técnicas e sucesso profissional, negligenciando o desenvolvimento emocional e humano. Falta, nos programas educativos, uma formação que ajude crianças e jovens a lidar com medos, inseguranças, impulsividade e emoções negativas como ira, inveja e ciúmes, promovendo maturidade, autocontrole e resiliência.

             Muitas crianças sonham com a profissão que terão, mas desconhecem que tipo de pessoa devem tornar-se, pois a educação valoriza apenas conquistas externas. Os êxitos exteriores não se sustentam se a personalidade for malformada. O ser humano nasce imperfeito e tem como tarefa desenvolver plenamente as suas capacidades, especialmente inteligência e vontade, procurando conhecer e amar o bem e a verdade, e educar seus afetos para que se inclinem ao bem proposto pela inteligência. Cada ação influencia o mundo e molda o caráter: boas ações beneficiam o indivíduo e a sociedade; e as más ações prejudicam ambos. A educação deve ensinar a distinguir o bem do mal, refletir antes de agir para escolher as melhores atitudes.

             A maturidade psicológica resulta da harmonia entre afetividade (coração), inteligência e vontade (cabeça), com a primeira apoiando as faculdades superiores. Esta harmonia deve ser construída desde cedo, através de atos guiados pela razão. Os educadores devem ajudar as crianças a refletir sobre os próprios sentimentos, avaliando se estes são adequados e se as ações foram corretas. Esse exercício fortalece a vontade e ajuda a controlar a influência das emoções. Com prática e orientação, é possível alcançar a harmonia hierárquica entre razão, vontade e afetividade, surgindo assim as qualidades da maturidade.

             A educação para a maturidade psicológica visa desenvolver todas as faculdades — inteligência, vontade, afetividade, imaginação, memória e percepção — e harmonizá-las sob a liderança da razão e da vontade. A formação da razão implica refletir antes e depois de agir, analisando causas e consequências, o que conduz ao autoconhecimento e à melhoria contínua. Quanto mais cedo esse hábito for adquirido, mais firme se torna, funcionando como um “piloto automático” para agir corretamente.

             Educar a vontade para dominar a afetividade significa motivar para realizar o que é correto, mesmo que seja difícil ou desagradável no momento. Durante a infância e adolescência, a afetividade é mais forte, levando à busca de prazer imediato fomentado pelo gosto ou sentimentos, por exemplo, comer doces o dia inteiro, ficar nas telas digitais o tempo todo e não cumprir suas tarefas… O objetivo é alinhar afetividade com a razão e vontade, para que o prazer venha ao fazer o que é certo. Mesmo quando se treina a vontade com objetivos superficiais, como o esporte, ou por meio de pequenas tarefas, como cumprir os encargos familiares, esses esforços fortalecem a criança para desafios maiores, como superar medos, inseguranças e preguiças, resultados de deixar-se levar apenas pelos sentimentos.

             O pensamento, a imaginação, a memória, a percepção e a afetividade, junto com a vontade, formam as funções psíquicas humanas. Quanto mais orientadas pela razão, mais contribuem para a felicidade. Porém, guiadas sobretudo pela afetividade, geram conflitos. Coordenar estas funções exige treino psicológico, apoio e motivação constantes para não se deixar levar apenas pelo prazenteiro ou agradável. Os pais devem estar atentos para suprir o que a educação escolar atual não consegue fazer.

  • Carinho sem mimo, firmeza sem autoritarismo

    Carinho sem mimo, firmeza sem autoritarismo

             Concessões contínuas e mimos excessivos são uma espécie de visgo que seduz e prende os filhos no cordão umbilical psicológico da perpétua e desvirtuada dependência que, falsificando o verdadeiro amor, alimenta possível caráter possessivo da paternidade ou da maternidade.

             Dar mimo é uma forma de demonstrar amor e carinho, mas quando se torna excessivo, pode trazer consequências negativas, especialmente no desenvolvimento emocional e comportamental de crianças: baixa tolerância à frustração ou diante de um não; falta de autonomia ou capacidade para desenvolver problemas, tomar decisões e ser responsáveis pelos seus atos; comportamentos egocêntricos ao acreditar que o mundo deve girar à sua volta, o que dificulta a empatia e o respeito pelos demais; dificuldades sociais em partilhar, colaborar, aceitar regras no ambiente escolar e com amigos; pouca resiliência na juventude e vida adulta ao se sentir frustrados e abatidos diante das dificuldades…

             À supermãe ou ao superpai corresponde um infrafilho, com pouca capacidade de voar alto. Autoridade e carinho devem partir tanto do pai como da mãe, sempre de modo dosado. Um lar com excessiva de autoridade e sem carinho transforma-se em quartel; um lar com excesso de mimos e sem autoridade se transforma em fábrica de doces maria-mole. Mimos que levem pais e mães a exigirem pouco formam desfibrados para assumirem responsabilidades.

             O verdadeiro carinho opõe-se tanto ao autoritarismo como ao mimo que escraviza os filhos. Mimo não é carinho, mas elevada dose de açúcar que faz aumentar a “diabetes do espírito” e se converte em busca de frivolidades e compensações egoístas. O amor autêntico deseja o bem da pessoa amada, sendo oferecido com coragem, paciência e intransigência diante dos deveres.

             Pais que tiveram de lutar a sério na vida e ultrapassaram barreiras sem conta, mas que depois dão aos filhos uma vida cômoda, mole; ou que foram educados autoritariamente e agora adocicam excessivamente a vida dos filhos, pagarão alto preço por esse erro pedagógico.

             Proteger os filhos de toda espécie de dificuldades enfraquece o caráter e debilita a vontade deles ao retirar-lhes as ocasiões de crescerem em fortaleza, resiliência. Grande é a sabedoria de habituar os filhos ao esforço de dormir e acordar na hora certa, de não fugir dos encargos familiares, de estudar na hora certa, de comer o que se põe na mesa, de arrumar a própria cama e não deixar esse serviço para a empregada… Quando são poupados dessas tarefas, os filhos se enclausuram em planos pessoais, e dão de ombros às necessidades dos demais.

             Certa vez, um taxista foi chamado por uma mãe para levar o filho dela, adolescente, à escola. A primeira pergunta que ouviu da senhora foi se o carro tinha ar-condicionado. Sendo negativa a resposta (o equipamento seria reparado no dia seguinte), a mãe disse: – Meu filho só anda em carro com ar-condicionado. Sem comentários… Outra mãe, superprotetora, deu o seguinte conselho ao seu filho recém-saído da academia de aviação: – Meu filho, voe baixinho e devagar, sem desconfiar que a pior orientação a ser dada a um piloto. Cabe lembrar o velho ditado que diz “Com churros não se faz alavanca!”.

             O carinho é fundamental e todos necessitam dele. Mas não do carinho mal-entendido, meloso e desequilibrado, que fomenta fraquezas e deforma o caráter devido às concessões e dispensas do cumprimento do dever. Filhos não são reis que imperam sobre servos que lhes suprem em tudo o que deveriam fazer. O verdadeiro carinho suaviza o trato, mas não teme exigir, o que faz crescer a autoridade legitima dos pais. Filhos assim educados agradecerão por toda a vida a compreensão de que não terem sido criados apenas como sujeitos de direitos, mas também de obrigações filiais-paternais.

  • Frutificar os talentos e dons recebidos

    Frutificar os talentos e dons recebidos

             Todos nós recebemos gratuitamente, como parte do nosso “DNA interior”, qualidades pessoais e capacidades únicas. Cabe a cada um descobri-las, desenvolvê-las e colocá-las a serviço do crescimento humano, profissional, cultural e espiritual, tanto próprio como daqueles que nos rodeiam: amigos, colegas, vizinhos, companheiros de trabalho ou de escola.

             Os talentos se manifestam de maneiras variadas: organizar, fazer, ensinar, escutar, criar, ajudar, unir. É essencial identificar essas capacidades e potencializá-las, aproveitando bem o tempo para não correr o risco de desperdiçá-las com frivolidades e curiosidades, caindo em uma vida superficial e vazio interior.

             Um exemplo luminoso de quem soube avaliar suas possibilidades foi a vida de Maria de Lurdes Guarda, que faleceu em 5 de maio de 1996. Ela ficou paraplégica por erro médico e passou os primeiros vinte anos da doença revoltada. Mas, ao colocar-se diante de Deus para saber qual era a vontade dEle, entendeu que ainda podia ajudar outros paraplégicos e doentes crônicos. Desde sua cama, e usando os únicos movimentos que conservava — dos braços — passou a escrever cartas e fazer telefonemas a pessoas desesperançadas. Ajudava-as a encontrar sentido, coragem e até meios práticos para sustentar suas famílias. Ela os animava a viverem a doença unidos à Cruz de Cristo. Sua vida frutificou intensamente. A Diocese de Jundiaí, sua cidade natal, deu início ao processo de sua beatificação.

             Há muitos tipos de talentos ou qualidades pessoais. Eis alguns exemplos:

             Talentos Criativos: desenhar ou pintar, escrever bem (textos, poesia, histórias), cantar ou tocar instrumentos musicais, atuar ou se expressar artisticamente, criar ideias novas (design, soluções originais, inovação)…

             Talentos Intelectuais: facilidade com lógica e raciocínio, capacidade de aprender rapidamente, habilidade em matemática ou ciência, espírito analítico e crítico, boa capacidade de concentração e foco…

             Talentos de Comunicação: falar em público com clareza e persuasão, ouvir com empatia e atenção, escrever com impacto, ensinar com paciência e didática, inspirar e motivar pessoas…

             Talentos Interpessoais: trabalhar bem em equipe, resolver conflitos com diplomacia, liderar com empatia, fazer amizades com facilidade, gerar confiança…

             Talentos Práticos: habilidade manual (consertar, construir, costurar, cozinhar…), organizar e planejar, gerenciar o tempo com eficiência, cuidar de ambientes ou de pessoas com atenção, facilidade com tecnologia ou ferramentas…

             Talentos Emocionais e Espirituais: intuição sensível, paciência e autocontrole, capacidade de perdoar ou acolher, sabedoria para aconselhar, disposição para servir e ajudar os outros…

             Esses talentos se manifestam de forma única e mais intensa em cada pessoa. O importante é reconhecê-los e colocá-los a serviço do bem comum. Como propõe este boletim: é preciso frutificar os talentos e os dons recebidos.

             O que não pode acontecer é alguém paralisar-se diante dos talentos dos outros, comparando-se com inveja e esquecendo-se de valorizar os próprios dons. Toda pessoa tem potencial para alcançar grandes resultados, desde que se proponha a examinar com honestidade suas capacidades — sejam pequenas ou grandes — e fazê-las frutificar por amor a Deus e aos demais.

             É verdade que podemos “enterrar” nossas qualidades quando ficamos presos às limitações. No entanto, o maior fruto que podemos dar é o amor. Qualquer pessoa pode amar, se for generosa. O segredo da felicidade está precisamente nas obras de amor.

             É fundamental incentivar crianças, adolescentes e jovens a descobrirem suas aptidões, sem forçá-los para áreas que não correspondam às suas inclinações. Vale ajudá-los a investir o tempo com sabedoria e aproveitar melhor o tempo, não desperdiçando-o em redes sociais ou games, mas em bons podcasts, vídeos, livros, visitas a museus e ambientes culturais ou científicos que despertem e entusiasmem para corresponder à vocação à qual estão chamados.

  • Qual a idade certa para seu filho ter um celular?

    Qual a idade certa para seu filho ter um celular?

             Não é a idade que determina se uma criança pode ou não ter um celular, mas uma qualidade chamada autodomínio ou capacidade de não se deixar dominar pelas coisas ou gosto pessoal, também chamada de virtude da temperança. Se para os adultos é difícil ter autocontrole para não consultar as redes sociais fora de hora, dada a imensa atratividade dos celulares, pensemos quão difícil é para uma criança agir temperadamente, pois ainda não domina seus sentimentos e paixões, nem desenvolveu o sentido de hierarquia para atender antes suas obrigações.

             No canal do Youtube LuzNaJornada1, a terapeuta familiar Daniela Monteiro oferece dicas preciosas para os pais identificarem o momento de dar um celular ao filho, para não gerar problemas a ele e aos pais.

             Para avaliar o momento em que a criança está apta para manusear um celular, os pais devem antes considerar certas atitudes comportamentais do filho:

             – Se é capaz de privar-se do seu gosto ou deixar uma brincadeira para cumprir o encargo que lhe foi determinado ou fazer a lição da escola;

             – Se reluta deixar de ver televisão e ir às refeições ou preparar-se para ir à escola;

             – Se pela manhã não levanta no horário e atrasa todo o planejamento familiar;

             – Se deixa de fazer frequentemente a lição de casa;

             – Se não respeita a autoridade dos pais e com raiva diz o que lhe vem à cabeça;

             – Se na mesa come ou bebe com avidez e exagero e não controla os impulsos e abre a geladeira fora de hora…

             Caso as respostas às perguntas acima forem afirmativas, não é o momento de dar ao seu filho um celular, pois o atrativo desse aparelho é muito grande e ele não terá forças para dominá-lo. Não ceder à chantagem emocional das crianças se disserem que foi um presente dos avós, ou porque os colegas de sala de aula possuem, ou porque têm dinheiro da mesada ou ganharam dos tios para comprar um celular…

             Ao invés de dizer um rotundo “não daremos a você um celular”, proponham a ele um desafio: – Você vai ter um celular assim que estudar diariamente e fizer as lições de casa, porque essas são suas obrigações principais. Os desafios podem ser outros: cumprir primeiramente os encargos que lhe foram atribuídos na casa, obedecer quando for indicado para ir dormir… Ou seja, seu filho deve ter a mínima capacidade de autodomínio e de dizer não a si e aos seus impulsos. Essa constatação poderá revelar que o filho mais novo pode ter um celular e o mais velho não.

             Quando seu filho apresentar traços de autodomínio, tenha uma conversa com ele para combinar o modo como deverá utilizar o celular. Será uma espécie de contrato com seis regras que vocês, pais, também se submeterão nas suas circunstâncias pessoais, a fim de dar exemplo:

             1 – O celular só deverá ser usado nos locais públicos da casa, e não no quarto ou banheiro;

             2 – Excluem os horários de uso do celular durante o tempo que está na escola (para os pais, na vida familiar e no trabalho), a fim de facilitar a concentração e a socialização do filho. A Daniela Monteiro explica que é possível liberar na escola o uso de aplicativos que interessam: Uber, calculadora, agenda, etc, e bloquear aplicativos que não interessam nesse período: se o tempo de uso do celular na escola for pequeno, não há problema algum.

             3 – Nos fins de semana a criança poderá utilizar o celular por duas horas, e não mais, para não se isolar ou viciar-se em condutas individualistas: deve gastar tempo para fazer esporte ou brincar ao ar livre, ler, conviver com os parentes e amigos, participar de atividades familiares…

             4 – Regular o tempo máximo para usar certos aplicativos, como por exemplo, 30 minutos para o Youtube ou outros, uma hora para games e desenhos para não se tornar passivo, preguiçoso e sem iniciativas;

             5 – Ficarão ativados filtros de conteúdo para adultos, a fim de impedir a entrada em sites, canais ou blogs com material viciante ou nocivo à saúde mental;

             6 – Não terá autorização para instalar aplicativos no celular, tais como certos jogos ou outras plataformas que levem a curiosiar e perder o tempo, a não ser que conte com o consentimento dos pais.

             Se o filho aceitar essas regras que vocês, pais, também procurarão vivê-las, podem entregar a ele um celular. Digam-lhe que as restrições desse contrato poderão ser amenizadas se ele souber administrar bem a própria liberdade, ou aumentadas se cometer abusos. Se no período de uso do aparelho ele reclamar das restrições, diga que foi o acordado e que vocês, pais, estão vivendo o combinado e que ele também precisa ser coerente com a palavra dada.

             No final do vídeo, Daniela oferece dois links que ensinam como configurar os aplicativos que controlarão o uso do celular em aparelhos androides ou da Apple.

             Aproveite para ler o boletim EDUCAR PARA A TEMPERANÇA

  • Critérios para condutas

    Critérios para condutas

            Necessitamos de verdades claras ou critérios que fundamentem a atuação pessoal. A diversidade de pareceres sobre tantas matérias, as diferentes situações que se apresentam no dia a dia, as notícias que chegam e exigem uma tomada de posição, tornam indispensáveis uns valores ou normas de juízo para acertar nas decisões. Que valores ou princípios regem a minha vida? Sendo guia ou referência para o agir humano, enganar-se na escolha de um valor faz construir a vida sobre o erro e encaminhar-se para o fracasso. Todos queremos ser felizes, mas é preciso saber distinguir entre o certo e o errado, o verdadeiro e o falso para construir sobre bases seguras e não sobre um iceberg à deriva pelo oceano. Atualmente não se pensa muito sobre o agir, e se atua segundo o gosto ou sentimentos do momento, sempre inconstantes.

            Deve haver coerência entre o que se considera verdadeiro e a conduta pessoal: quem repele teoricamente o suborno, mas aceita propinas indevidas, enfraquece seu caráter, perde a capacidade de julgar retamente e faz as escolhas dependerem apenas do gosto pessoal e não de verdades externas, objetivas. Quem se enclausura em sua subjetividade e entroniza o seu eu como fundamento da verdade, deixará de lado a realidade de cada ser, que é objetiva, universal e válida para todos os tempos, e padecerá as consequências de suas escolhas. Se não há capacidade de identificar os valores, predominará o conflito na vida pessoal.

            Há valores perenes e passageiros: orientar a vida para valores como riqueza, divertimento, bem-estar, dinheiro, poder, fama, colocará a existência à mercê da instabilidade desses bens sensíveis e passageiros. Quem busca valores permanentes e universais como amor, amizade, solidariedade, Deus, família, trabalho como modo de servir aos demais, plenifica sua vida de forma estável e duradora.

            Guardini disse que um valor é aquilo pelo qual um ser é digno de ser, uma ação é digna de ser cumprida. Algo se torna digno se está de acordo com o bem e a verdade. Logicamente a verdade, bondade e beleza só se encontra de modo absoluto em Deus. Porém, cada ser criado participa em graus diferentes desses predicados, que não são produtos da mente humana, nem dependem da opinião dos demais, mas obedecem a um plano superior de Quem os criou.

            Hierarquizar os valores é comparar objetivamente um bem em relação a outro, sem deixar-se enganar pelos estados de ânimo ou opinião da maioria, pois a verdade é uma adequação da inteligência com a realidade externa. O critério de verdade está também nas coisas corriqueiras da vida: por exemplo, o que define uma boa música, um bom vinho e uma boa obra literária? No caso da música, certamente não é o gosto de cada um, pois a beleza dela tem critérios objetivos de harmonia, melodia, ritmo, letra e produção musical… No caso do vinho, basta perguntar a um sommelier para saber que o bom vinho se distingue pelo aroma que não se identifica com odores desagradáveis como mofo ou vinagre; a persistência do sabor na boca após a degustação; o corpo, a viscosidade, a acidez controlada, a região de origem e as condições climáticas e do solo sobre a qualidade da uva, e consequentemente do vinho. E o que define uma boa obra literária? Não vamos entrar nesse campo, pois faltaria tempo.

            Há muitos modos de adquirir valores ou modelos de conduta para se andar na verdade. A formação da consciência por meio do estudo da moral, riquissimamente desenvolvida no Catecismo da Igreja e na Encíclica Veritais Splendor, o estudo das normas antropológicas que fundamentam a natureza humana sobre tantos assuntos: vida, casamento, família, sexualidade, trabalho… A religião é princípio unificador da vida ao permitir considerar os acontecimentos à luz da fé e pautar a vida sobre essas verdades.

            A família é a grande transmissora de valores, pois o comportamento das pessoas tem muito a ver com as atitudes transmitidas pelos pais. Se desde crianças os filhos foram vendo o exemplo dos pais e ouvindo sobre o valor da castidade, solidariedade, disciplina, aproveitamento do tempo, descanso criativo, espírito de serviço no lar, etc., terão a força da verdade para não sucumbir a tantos erros que hoje sucumbem tantos adolescentes e jovens: namoro precoce, vício em telas digitais, pornografia, excessos de games, jogos de azar, fuga do trabalho e do esforço…

            Quem objetivamente sabe que a família é um valor maior que o trabalho, encerrará o expediente no horário para estar logo com a esposa e os filhos. O conhecimento desse valore dará à vontade força para parar encerrar o trabalho por mais agradável que seja. Quem conhece o valor do trabalho como meio para adquirir virtudes, saberá não se conduzir pelos sentimentos e evitará a curiosidade de consultar fora de hora as redes sociais; saberá ver na sua profissão um modo de servir aos demais, e não apenas como meio para acumular bens materiais. Quem sabe o valor da saúde para melhor servir a Deus e aos demais, avaliará o grau de colesterol e de açúcar nos alimentos e não se deixará levar pelo gosto (o pudim de limão é veneno para o diabético).

            Outro modo de adquirir valores é por meio de pessoas exemplares que viveram uma vida cheia de significados, deixando de lado o comodismo e a tranquilidade para “complicaram” a vida para promover obras de serviço aos demais: muitas dessas pessoas possivelmente conhecemos na vida familiar, profissional ou social. Os bons filmes e as boas obras literárias também oferecem modelos de condutas virtuosos. Dado que os jovens de hoje agem baseados em sentimentos e emoções, os bons roteiros movem o emocional em direção às virtudes apresentadas pelos diferentes personagens: Os últimos dos samurais, O soldado Ryan, Pinóchio...

            Vivemos hoje imersos em antivalores que nos chegam à enxurrada pelos meios de comunicação. O fenômeno do intruvisismo (de intruso), onde pessoas famosas utilizam o prestígio que o dom artístico, esportivo ou profissional lhes dá – dom que receberam gratuitamente Deus –, para se pôr a pontificar sobre temas que desconhecem, tais como família, amor humano, direito à vida, casamento, sexualidade humana, etc., influenciando com critérios errados a vida de tantas pessoas.

            Vamos concluir essas considerações, tendo em conta que a nossa formação não deve terminar nunca. É muito fácil infiltrar-se pontos de vista inexatos na mente, resultado da paulatina condescendência com os erros próprios ou alheios. Ninguém deve se considerar plenamente formado, mas melhorar continuamente seu conhecimento para dar respostas aos problemas atuais. Como cristãos, temos que influenciar positivamente – e na medida das forças pessoais –, nos ambientes em que nos movemos e nos meios de comunicação, hoje tão facilitados à criatividade de todos.

            Os esforços por estudar, trabalhar bem e com retidão de intenção, manter uma vida de piedade sólida e formar a consciência para decidir bem, alicerçam os valores perenes da conduta humana, e aportam ideias claras para não chamar de bom o que é mau, nem se deixar contagiar por falsos critérios sobre temas como educação, família, sexualidade, religião, finalidade do trabalho, nem por modos de descanso ou lazer perigosos e dispendiosos porque se perdeu o sabor da beleza encontrada nas coisas simples da vida.

            Cultivar as virtudes por meio da repetição de atos contrários aos defeitos pessoais ou dos filhos, expande a liberdade e faz amar o bem: quem repete um dia e outro a ação de aproveitar melhor o tempo, trabalhar com retidão, ter espírito de serviço no lar, não mentir, ser fiel aos compromissos assumidos, cria uma conaturalidade ou força para perseverar no bem e ser verdadeiramente feliz.

  • Aproveitar o tempo sem vídeo game

    Aproveitar o tempo sem vídeo game

             Você já parou para pensar no número de horas que seu filho passa na frente da tela? Talvez tenha ouvido muitas vezes desculpas do tipo “Só mais um pouquinho”, e lá se foi mais uma tarde. Como ajudar um adolescente a aproveitar melhor o tempo?

             Primeiramente, convide seu filho para tomar um chocolate quente na lanchonete da esquina. Depois, tenha com ele um papo legal, descontraído, mas sincero e revelando sua preocupação de que ele não tem um projeto sério de vida, pois passa muitas horas do dia com games, quando muitos jovens neste momento desenvolvem suas habilidades pessoais aproveitando melhor o tempo.

             Essa conversa visa alertá-lo para que fortaleça a vontade – e queira – para mudar de atitude e deixar de ser dominado pelo sentimento ou gosto de ficar jogando o tempo todo, gastando suas preciosas horas ao invés de construir-se. Ajude-o a descobrir seus potenciais, que bem desenvolvidos darão a ele imensa alegria ao colocar seus dotes pessoais ao serviço dos demais:

             – Veja, filho, você gastou nesta semana mais de 10 horas em games. Imagine se essas horas fossem utilizadas para ler, assistir vídeos ou ouvir podcasts para se aprofundar num tema que você aprecia e se sente preparado para desenvolver, seja no campo da literatura, arte, esporte, humanidades, ciência ou tecnologia… Certamente, em um ano você seria uma fera nesse tema e poderia ensinar muita gente e se preparar para a sua futura profissão. Não pense que o tempo é elástico e que não há problema jogá-lo pelo bueiro. Todos percebem que você adquiriu um vício que está configurando a sua personalidade como a de alguém sem responsabilidade, que vive de frivolidades, tem a vontade enfraquecida para enfrentar qualquer projeto mais sério…

             Respire um pouco, faça silêncio, tome mais um gole de chocolate e volte a falar calmamente:

             – Seu tempo, filho, é preenchido principalmente com estímulos digitais (games, vídeos, redes), e isso não é indiferente, mas causa feridas na alma: isola-o, pois você só tem amigos digitais e não reais; deixa você ansioso ao desejar tudo na hora e sem paciência para esperar por um bem maior que leva mais tempo para ser conquistado; seu sedentarismo logo acabará com sua saúde; sua ânsia de ficar jogando o tempo todo deixa você entediado com a vida normal e já nem sabe apreciar as belezas simples da vida… O mais grave de tudo é que você já não consegue trabalhar com esforço, nem amar o silêncio para pensar e refletir. Os games são produzidos para ativar a dopamina ou hormônio do prazer por meio da recompensa imediata que os jogos produzem… Troque seu vício por uma missão, um desafio, um projeto sério. Eu acredito em você e sei que será capaz de construir algo grande, desafiador! Como sei que você que gosta tanto de novas tecnologias, antes dessa nossa conversa consultei uma revista que afirmou estar o mercado de trabalho necessitado com urgência de especialista em IA, big data, cloud computing, analista ou cientista de dados, especialista em máquinas e em segurança cibernética, transformação digital, business inteligence, sustentabilidade, meio ambiente, governança… Não entendo muito dessas coisas, mas sei que você saberá fazer uma pesquisa na internet para saber escolher uma dessas áreas e investir seu tempo para dominá-la, caso se sinta preparado e aprecie alguma delas.

             Bem, seu filho poderá ficar sem saber como iniciar um processo de desintoxicação dos games. Então, sugira a ele começar por ter uma disciplina diária: horário de acordar e dormir e não utilizar celular após às 21 horas; ter um horário diário para estudar durante 40 minutos, outro para descansar com bons livros de literatura… Depois, pedir a ele que assuma alguns encargos diários para deixar o lar limpo e harmonioso, pois deve compreender que a família forma uma equipe onde todos colaboram. Dizer também que vocês, pais, irão estabelecer um horário fixo para almoçar e jantar, e procurar estar na mesa sem celular e tv desligada, a fim de que possam conversar entre todos… Durante o período da tarde, diga que manterão na casa um clima de estudo e leitura, ou seja, de silêncio, sem rádio ou tv ligados; e que para o descanso familiar programarão filmes e documentários que trarão experiências de vida, valores a imitar, cultura; que farão caminhadas ao ar livre no parque ou na praça para fugir dos males do sedentarismo; que adotarão jogos de sala para se divertirem juntos, tipo de memória, raciocínio ou estratégia; jogos de linguagem…; aprender a tocar um instrumento musical…

             Espero que essas dicas oferecidas por muitos pais, em diferentes atividades que participei, ajudem a construir um lar harmonioso onde a personalidade de cada membro da família é continuamente enriquecida.

  • Hábitos de ordem e disciplina em crianças de 2 a 6 anos

    Hábitos de ordem e disciplina em crianças de 2 a 6 anos

              Entre 2 e 6 anos as crianças estão descobrindo o mundo, e testando seus próprios limites. Nessa fase elas estão dispostas a aprender, colaborar e agradar os pais em tudo. Por isso essa fase é chamada de período áureo da educação, e os pais devem aproveitar para orientá-las com paciência, a fim de que desenvolvam hábitos que logo se transformarão em virtudes que as acompanharão por toda a vida.

              A criança não nasce ordenada ou desordenada por natureza, pois não se trata de algo genético, mas porque no momento oportuno teve ou não a ajuda necessária para tal. Entretanto, há no interior dela a pré-disposição natural para a ordem, pois o período sensitivo (não voluntário) em que o organismo tende intuitivamente a realizar ações ordenadas, é entre um e três anos de idade. Por meio do instinto-guia ou conhecimento primário, tem a criança a capacidade de realizar ações apenas por observação e imitação, tal como caminhar ou ordenar coisas; também realizam ações quando são orientadas a fazer algo. A ânsia de repetir as mesmas ações faz parte do chamado período sensitivo da criança. Porém, com a mesma facilidade de ser ordenada, poderá ser desordenada se não for orientada ou porque vê os mais velhos não darem bom exemplo.

              Ser metódica e ordenada é um processo que a criança aprende com grande facilidade, sempre que for ensinada e tenha em seus pais um modelo a seguir. A ordem vivida de forma rítmica nos horários de refeições, sono, brincadeiras, asseio, saídas para passeios, ajudará no desenvolvimento físico, psíquico e espiritual da criança, além de facilitar a aquisição de muitas outras virtudes. Daí, a importância de se ter uma disciplinar familiar, também para os pais. Respeitar a ordem e os horários da criança é atitude fundamental para os pais não as desnortearem ou deseducarem.

              Ser pessoa ordenada não é tarefa mecânica, mas modo de crescer em diversas virtudes: ordem, constância, resiliência, domínio dos sentimentos ao parar uma atividade para atender outra e não permanecer apenas naquilo que se gosta de fazer; é atender as responsabilidades que fazem parte do dia a dia de qualquer pessoa, inclusive das crianças, tais como arrumar a cama, guardar as próprias roupas e brinquedos, ajudar a colocar os pratos sobre a mesa e tirá-los depois das refeições, enxugar o banheiro após o banho… Essas tarefas, entre outras, quando assumidas desde a infância ajuda a criança a não se fechar apenas em suas coisas e crescer em espírito de serviço e solidariedade. Além disso, é uma questão de justiça, pois todos na casa – também as crianças –, devem se sentir parte de uma equipe e colaborar na ordem, limpeza e harmonia da casa e da vida familiar.

              Como se pode concluir, disciplina não significa castigo. A criança necessita de orientações, rotinas claras, limites firmes e respeitosos. Dizer “não” quando necessário é um ato de amor: pais que só dizem “sim” para evitar trabalhos e confrontos com a criança, logo se arrependem por não ter estabelecido limites às ações do filho, que se transforma em adolescente egoísta, desrespeitoso, insensível para as necessidades dos demais, preguiçoso e fraco para enfrentar seus próprios problemas.

              Dicas práticas: dar aos pequenos tarefas simples para que aos poucos cresçam em autoconfiança e autonomia, e insista com paciência: “– Antes de brincar arrume a sua cama e guarde suas roupas”. A criança aprende com a repetição das mensagens e com o exemplo dos pais, que também devem ser organizados. E lembrem-se: cada vitória, por menor que pareça, deve ser celebrada, pois o elogio sincero anima a ser constante e disciplinado: “– Você guardou tudo sozinho! Muito bom!”.

  • Educar a masculinidade e a feminilidade

    Educar a masculinidade e a feminilidade

             A partir da filosofia de García Hoz, a educação personalizada parte do princípio da singularidade: cada pessoa é única em seu modo de aprender, crescer e se relacionar. Quando falamos em diferenças entre meninos e meninas, não estamos nos referindo apenas a aspectos físicos ou hormonais, mas a tendências gerais no ritmo de maturação neurológica, expressão emocional, interesses e formas de interação com o conhecimento.

             Estudos como os de Park et al. (2016) e Riordan (2015) mostram que, em média:

    • Meninos tendem a maior impulsividade, resposta motora e interesse por desafios físicos e mecânicos.
    • Meninas, por sua vez, tendem a melhor desempenho inicial em linguagem, maior sensibilidade social e foco em tarefas estruturadas.

             Essas tendências não determinam o destino de ninguém, mas oferecem pistas para práticas pedagógicas mais eficazes, pois permitem aplicar metodologias específicas que respeitam as diferenças sem fomentar competição precoce entre os gêneros. Como ressalta Jennifer Wimer (2011), isso favorece o desenvolvimento moral em um ritmo mais adequado à maturação de cada grupo.

             Alfonso Aguiló diz que meninos e meninas apresentam diferenças no ritmo de desenvolvimento, na forma de aprender, no processamento de emoções, nas motivações e interesses. O ensino ao se adaptar à forma de aprender peculiar de cada sexo, torna a igualdade de oportunidades uma possibilidade mais real.

             A seguir, relacionamos sete dicas para a educação de meninos e de meninas, oferecidas por Gabriel Sestrem, jornalista da Gazeta do Povo:

    7 dicas para incentivar a masculinidade nos meninos

    1. Desenvolva a responsabilidade desde cedo: dê pequenas tarefas físicas em casa, como carregar sacolas, ajudar em reparos simples e cuidar do jardim. Lembre-se de fazer com que ele se sinta realmente útil com frases como “Que bom que você me ajudou nisso”, ou “Se eu fizesse sozinho, demoraria muito mais”. Isso faz com que ele desenvolva o senso de proteção e serviço.

    2. Incentive atividades físicas e desafios: praticar esportes, aprender a se defender (se possível, matricule-o em uma boa academia para aprender uma arte marcial) e testar os próprios limites, o que ajuda a desenvolver coragem, disciplina e força.

    3.  Ensine respeito, liderança e hierarquia: aproveite situações do dia a dia para ensiná-lo a proteger os mais fracos, respeitar mulheres e idosos, tomar iniciativa e liderar em situações cotidianas. Homens valorizam muito a hierarquia; ensine-o a entender o seu lugar em cada ambiente.

    4. Valorize a firmeza emocional: ensine que é normal sentir emoções como medo ou angústia, mas que a masculinidade envolve autocontrole e resolução racional dos problemas. Incentive-o a enfrentar os medos e a resolver problemas, e comemore toda pequena conquista.

    5. Ensine sobre honra e palavra: o “fio do bigode” é algo que se perdeu com o tempo. Seu filho precisa saber que um homem deve ser confiável e que a palavra tem valor.

    6. Cultive um espírito aventureiro: brincadeiras físicas, exploração ao ar livre, superação de desafios físicos e participação em competições são muito úteis para fortalecer a identidade masculina.

    7.  Reforce sempre o papel de provedor e protetor: mostre, pelo exemplo e ensino, que homens devem cuidar da família, proteger aqueles que amam e ser trabalhadores responsáveis.

    7 dicas para incentivar a feminilidade nas meninas

    1. Incentive a delicadeza e a gentileza: ensine boas maneiras, tom de voz agradável (evitando gritos e palavrões), a importância do sorriso e da postura cuidadosa. Pequenos gestos, como ajudar um irmão menor a se vestir, ajudam a desenvolver um comportamento acolhedor e atencioso.

    2. Valorize o cuidado com a aparência: ensine sobre roupas femininas, higiene pessoal, cabelo bem cuidado e elegância natural. Isso fortalece a autoestima e reforça o valor da feminilidade como algo belo e natural.

    3. Desenvolva habilidades domésticas e de organização: ensine a cozinhar, cuidar de casa, organizar o espaço e receber bem as pessoas. Desde cedo, as meninas podem aprender que manter um ambiente bonito e organizado é uma forma de carinho pela família.

    4. Encoraje a valorização da maternidade: mostre como a maternidade é bela e significativa. O clássico brincar de boneca deve ser estimulado, já que ajuda a desenvolver o senso de cuidado e proteção. Ter contato com bebês também é muito positivo.

    5. Ensine sobre a importância do casamento e da família: converse sobre a construção de um lar, a parceria com o marido e o papel da mulher na estabilidade familiar. Isso a ajudará a ver o casamento não como um fardo, mas como uma missão honrosa e gratificante.

    6. Fomente interesses como artes, decoração, moda, literatura clássica, música, culinária e hospitalidade, pois são áreas que ajudam a enriquecer a feminilidade.

    7. Incentive-a a aprender defesa pessoal: esse item pode parecer estranho, pois não tem a ver diretamente com feminilidade. Mas feminilidade não significa fragilidade. Se para um homem é importante ter noções de defesa pessoal, para uma mulher isso é mais do que essencial. Se possível, matricule-a em uma arte marcial – de preferência, jiu-jitsu.

             Por fim, diz Sestrem, o mais importante é que os pais sejam exemplos vivos do que ensinam. O menino precisa ver o pai como um homem forte e confiável, e a menina precisa enxergar a mãe como uma mulher graciosa e segura. O ambiente familiar molda a identidade das crianças muito mais do que palavras. Faça sua parte!

             Sugerimos assistir o vídeo da Dra. María Calvo, que resume bem as ideias apresentadas por diferentes autores sobre o tema deste boletim:  Claves de la Educación Diferenciada – María Calvo (15min44s). Explica como meninos e meninas aprendem de forma diferente e como o modelo single-sex potencializa isso com intencionalidade formativa.

      Indicação bibliográfica: “Educação single-sex”, de Alfonso Aguiló, Editora Quadrante, São Paulo, 2015.

  • O perigo oculto das telas digitais

    O perigo oculto das telas digitais

             Marian Rojas, psiquiatra espanhola, orienta sobre os muitos perigos provenientes das telas digitais, pois muitos dos conteúdos são projetados para captarem a atenção e serem altamente viciantes. Vivemos uma época onde os estímulos das telas estão presentes em todos os espaços da nossa vida, tornando a tarefa de educar um desafio imenso. As crianças são as mais afetadas: hipnotizadas e incapazes de se desconectar, quando privadas das telas a reação não é apenas de birra, mas de um comportamento revelador de que algo mais profundo ocorre em seu cérebro. A afirmação de Steve Jobs, cofundador da Apple, de que nunca houve um iPad em sua casa e que não permitia que seus filhos o usassem, deveria alertar aos pais: se um criador de tecnologia não a quer para seus próprios filhos, é porque sabe como funcionam e o impacto que tem sobre cérebros em desenvolvimento.

             O uso excessivo de telas não se trata de uma distração momentânea para distrai os filhos, já que lhes vem alterando profundamente o desenvolvimento cerebral. Desde o nascimento, o cérebro das crianças absorve tudo o que está ao seu redor, e por ser um órgão plástico, molda-se em função dos estímulos que recebe. Aqui reside o perigo: os estímulos artificiais como cores, sons, movimentos rápidos e infinidade de imagens em tempo reduzido, viciam o cérebro e criam desinteresse pela realidade do entorno. A superestimulação artificial das telas afeta o córtex pré-frontal do cérebro, responsável pela atenção, concentração, controle de impulsos e tomada de decisões, que passa a não se desenvolver adequadamente. Essa área cerebral é imatura em crianças, pois não possuem capacidade de controlar seus impulsos porque isso requer tempo. Ativar artificialmente o cérebro faz as crianças dependerem desses estímulos para se manterem atentas.

             Acostumado a receber impulsos em nível exagerado – seja com games ou desenhos –, o cérebro libera dopamina, o hormônio do prazer, gerando um ciclo de gratificação imediata que ao desaparecer faz o faz reclamar por mais estímulos, já que ficou dependente deles para se sentir bem. Tal processo afeta a capacidade da criança para administrar frustrações, manter o esforço da concentração, controlar dos seus impulsos ou gerir suas emoções. Ou seja, será impossível que ela se concentre em tarefas que não ofereçam prazer imediato (aulas, atividades domésticas, por exemplo), pois seu cérebro aguarda a próxima recompensa das telas. Esses problemas não desaparecerão com o tempo. Se os pais não intervierem o quando antes, terão um adolescente, jovem ou adulto carregando esses transtornos.

             Atualmente vemos uma geração que não sabe lidar com as dificuldades da vida real porque cresceu em um mundo onde tudo está a um clique de distância. Para evitar isso, seguem cinco estratégias acerca do gerenciamento sadio das telas. Não se trata de proibir a tecnologia, mas de ensinar as crianças a utilizá-la de forma consciente e equilibrada. Estas ações ajudarão a limitar o tempo das telas e fomentarão um saudável desenvolvimento emocional e cognitivo.

    1. Definir horários para o uso das telas: por exemplo, estabelecer que durante a semana não sejam utilizadas depois das 19h, e que não será permitido o uso delas durante as refeições. O segredo está na persistente dessas orientações, pois as crianças respondem melhor quando os limites são claros e repetidos. Isso as ensinará a aproveitar melhor o tempo e organizar o dia sem telas. As balizas ajudam a saber por onde seguir, fazem compreender que não se pode ficar conectado o tempo todo e ensinam a valorizar os momentos de vida em família ou dedicar-se a atividades sem tecnologias. Importante: que vejam a ausência de telas não como punição, mas como oportunidades para desfrutar de experiências reais como conversa à mesa, ida ao parque, ser paciente e apreciar recompensas não imediatas…
    2. Estabelecer horários em casa para que todos, inclusive os adultos, desliguem os aparelhos talvez por uma ou duas horas por dia, a fim de que a família se desconecte e se dedique a atividades reais como brincar, conversar, cozinhar, organizar, limpar, passear, jogos de mesa… Essas ações revelam às crianças o valor da convivência sem a interferência das telas. Reduzir a dependência dos eletrônicos é saudável não só para as crianças, mas também para os adultos, que devem dar exemplo, porque torna grato o ambiente familiar, com interações face a face que fortalecem os laços mútuos.
    3. O cérebro de uma criança precisa de estímulos diversos para se desenvolver corretamente e as telas não devem ser sua única fonte de entretenimento. O desenvolvimento integral necessita de interesses e habilidades fora do mundo digital. Ao limitar o tempo das telas abre-se espaço para que as crianças descubram a satisfação das atividades manuais conquistadas pelo esforço e criatividade: pintar e construir com blocos desenvolvem a capacidade de concentração e de resolução de problemas. A variedade de opções faz o cérebro desenvolver-se de forma equilibrada, reforçando competências.
    4. Ensinar as crianças a usar as telas de forma consciente e não automática ou por impulso. Em vez de passar horas navegando sem propósito, convidá-las a decidir sobre o que pretendem ver ou fazer antes de se conectar ao aparelho. Assim se promove o uso racional e controlado da tecnologia, em vez de ser atividade sem metas. Essa autorregulação torna as crianças mais críticas e seletivas sobre os conteúdos que consomem: se sabem que o tempo de uso das telas será limitado, selecionarão melhor os conteúdos ao invés de navegar sem rumo. Essa prática desenvolverá uma relação saudável com a tecnologia, tornando-a ferramenta útil e não um meio instantâneo de gratificação.
    5. Por não entender que o uso das telas afeta o cérebro (comportamento, desenvolvimento, humor, capacidade de concentração), é essencial explicar isso às crianças em linguagem acessível. Quanto mais conscientes estiverem sobre os efeitos das telas, mais fácil será para elas aceitarem as conversas sobre os limites para o seu uso.

             Os pais devem reconhecer os momentos em que eles próprios utilizam excessivamente as telas, e enfrentar o desafio de mudar a atitude. Muitas vezes recorrem à tecnologia como fuga rápida para um momento de tranquilidade ou para manter as crianças entretidas. Parece compreensível essa fuga diante das responsabilidades e exigências constantes. Embora a curto prazo possa parecer uma ajuda, é preciso ter a consciência de que a médio prazo o uso da tecnologia gera um impacto negativo no desenvolvimento emocional e mental das crianças. É fácil cair na armadilha de pensar que um pouco mais de tempo de tela não fará dano algum. Porém, sem perceber, os pais tornam os filhos dependentes desses estímulos para encontrar satisfação, ao invés de desenvolver neles habilidades internas como paciência, tolerância à frustração, a capacidade de concentração em tarefas que não oferecem gratificação imediata… Em momentos de cansaço, pensar que as telas não são a solução, e que para construir algo maior, os filhos precisam aprender a administrar suas emoções e entender que nem tudo na vida surge rapidamente e sem esforço. Os limites são saudáveis e ensinam a usar as telas de forma consciente e responsável, sem que se tornem ferramenta de fuga ou dependência.

             O mais valioso que os pais podem ofertar aos filhos não é a tecnologia mais recente ou o acesso ilimitado às telas, mas dar-lhes o próprio tempo, atenção, orientação e amor. Propor atividades alternativas revelam às crianças que podem se divertir sem necessidade de telas, e que o relacionamento cara a cara é mais importante que os digitais para o crescimento humano e intelectual e para gerir as próprias emoções e se tornarem mais resilientes para as boas conquistas, que exigem tempo e paciência.

             Em um mundo que busca soluções rápidas e gratificações imediatas, pensar que cada pequeno esforço para se desconectar das telas e permanecer no mundo real é passo seguro em direção a uma vida saudável e equilibrada para si e para os filhos, porque fomenta a capacidade de enfrentar os desafios da vida, administrar emoções e se relacionar de forma profunda e autêntica. Embora nem sempre seja fácil tal conquista, cada limite estabelecido, cada atividade fora das telas, cada conversa com as crianças sobre o uso das tecnologias, contribuirão para o seu bem-estar emocional e espiritual e se refletirão no adolescente e no jovem equilibrado e resiliente de amanhã. Esses são os atos de amor que os filhos necessitam.

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  • Educar o pudor desde a infância

    Educar o pudor desde a infância

             O pudor é uma virtude de valor inestimável que leva a pessoa a não manifestar publicamente sua própria intimidade. Uma personalidade rica em valores para se autoafirmar não necessita revelar a todos a sua intimidade, pois a verdadeira autoestima conduz ao justo amor ao próprio eu. O sentimento de pudor se manifesta não somente na proteção corporal frente aos olhares alheios, mas também resguarda a pessoa de expor sua interioridade aos curiosos. Torna-se supérfluo o pudor onde se carece de personalidade ou de valores interiores, tal como ocorre com os animais. A falta de pudor manifesta que a intimidade própria é considerada de pouco valor e de tal modo irrelevante que é desnecessário preservá-la.

             Um profundo valor antropológico possui o pudor ao defender a intimidade do homem ou da mulher, revelando-a de modo correto, na medida adequada, no momento conveniente e no contexto propício. Agir contrariamente expõe a pessoa ao ridículo de não ser levada a sério, e a não ser considerada com o devido respeito nem por si mesma, nem pelos outros.

             O mistério da pessoa é resguardado pelo pudor, seja na salvaguarda do corpo ou na manifestação de seus sentimentos e pensamentos, orientando aos demais a respeitarem e reconhecerem o que se possui de mais pessoal e íntimo. No referente ao corpo revela-se no rosto, nas mãos, no olhar, nos gestos e no vestuário, que expressa a imagem e o respeito que se pretende que os demais tenham de si. A elegância, o bom gosto, o asseio e o arranjo pessoal surgem como manifestação primeira do pudor. O despudor, ao contrário, leva à grosseria, ao descuido pessoal, ao desrespeito por si, além de manifesta desordem e pobreza interior. O respeito à intimidade própria e alheia permite dar-se a conhecer na justa medida e nos diversos contextos em que a pessoa se move, tornando mais atrativa a personalidade e as relações interpessoais, na medida em que se vão compartilhando as esferas de intimidade.

             O clima geral de falta de pudor em muitos ambientes torna necessário ter personalidade para manter o tom de modéstia e sobriedade. O bom exemplo é essencial na educação para o pudor. Pai, mãe e os demais adultos da casa, ao se comportarem com recato e modéstia diante das crianças pequenas, revelam dignidade e elegância sem afetação. Os pais podem e devem manifestar o carinho mútuo, mas reservando certas efusões do amor aos momentos de intimidade do casal. O clima de descontração familiar não autoriza um relaxamento nas posturas ou no modo de se vestir: andar seminu ou trocar de roupa diante dos filhos rebaixa o tom humano do lar e convida ao crescente descuido pessoal e ao mau costume de devassar o que é íntimo. Especial atenção se deve ter nas temporadas de calor, pois o clima, os tecidos mais leves e o facto de se estar em férias podem abrir a porta ao descuido. Cada momento e lugar requer um modo de vestir, mas sempre mantendo o decoro.

             O pudor ao abarcar também o campo dos pensamentos e ideias, e se relacionar com a manifestação da intimidade própria, proíbe manifestar o que pertence à intimidade alheia. É pouco nobre e educativo, além de faltar à justiça e à caridade, alimentar as conversas familiares de fofocas, bisbilhotices e confidências sobre a vida dos outro, pois isso faria os filhos se considerem com direito a intrometer-se e falar da intimidade de outros. É importante zelar para que não penetre no lar pela televisão ou por outros veículos de comunicação, programas que fazem revelam a vida das pessoas para satisfazer a curiosidades frívolas e mórbidas de seu público, a fim de ganhar dinheiro com isso. Os pais devem explicar aos filhos que esse “tráfico da intimidade” não deve entrar no lar. Explicar também às crianças que não sejam indiscretas ao revelar aos de fora, sejam parentes ou amigos, aquilo que pertence à intimidade do lar.

             Nas questões de educação cada detalhe é importante. A fim de se acostumar a valorizar a esfera privada dos demais, e a descobrir a própria, desde a primeira infância uma das tarefas formativas é consolidar hábitos que mais adiante facilitarão o desenvolvimento da virtude da castidade e do pudor, que vão se despertando na criança à medida que gradativamente descobre a sua própria intimidade. Pequenos detalhes colaboram para construir uma intimidade rica: vestir as filhas adequadamente, e não com poucas roupas ao sair à rua; não achar graça se a criança correr pela casa à modo de Adão ou Eva no Paraíso, a fim de desincentivá-la a repetir tal comportamento: sem dramatizar, corrigir com carinho e esclarecer que não se comportou bem. Ensinar a criança a se lavar sozinha e não à vista dos irmãos; ao trocar de roupa por si mesma, fechar a porta do quarto; trancar a porta do banheiro ao entrar para utilizá-lo; bater à porta do quarto dos pais e irmãos e esperar a resposta para entrar; não bisbilhotar nas gavetas e armários dos outros. Esses bons hábitos vividos desde a infância facilitarão a entrada na adolescência e juventude com sensibilidade, respeito pelo próprio corpo e comportamentos virtuosos.

             Educadas com tal sabedoria, as crianças aprendem a respeitar a intimidade própria e a dos demais, e crescem com sensibilidade para os assuntos profundos da alma e de intimidade com seu Pai Deus. Pouco a pouco abandonam o natural egocentrismo e descobrem que os outros merecem ser tratados como elas gostam de ser tratadas.

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