O autodomínio e sua educação

1 – Iniciar a educação do autodomínio a partir dos dois anos de idade. 2 – Normalizar os sentimentos dos filhos. 3 – Os pais como educadores dos sentimentos dos filhos. 4 – Era uma vez um menino cheio de dengos.

1 – Iniciar a educação do autodomínio a partir dos dois anos de idade

     Para não acontecer isso de que “é de pequenino que se torce o pepino”, a educação para o autodomínio deve começar quando os filhos ainda são pequenos. A partir dos dois ou dois anos e meio, as crianças compreendem e já obedecem em pequenos aspectos de ordem nos brinquedos e roupas, no horário de dormir e asseio pessoal. Ao adquirir esses bons hábitos desde a infância − excelente caminho para o autodomínio −, aprendem a dominar e a vencer a lei da preguiça que habita em todos os filhos de Eva.

2 – Normalizar os sentimentos dos filhos

     Aos pais corresponde, antes de tudo, capacitar os filhos para serem donos de si mesmos. Isso é base de uma personalidade que sabe dominar as crises temperamentais, os impulsos afetivos e manter equilíbrio no uso dos bens materiais. Precisam ajudá-los a colocar ordem na sensibilidade e na afetividade, nos gostos e desejos, nas tendências mais íntimas do eu. Se falharem nisso, os filhos sofrerão consequências graves na maturidade, no domínio do próprio temperamento, e terão desajustes na convivência com os demais.

     Mais do que iniciar pela educação da inteligência com muitos cursos e vídeos, os pais devem começar pela educação dos sentimentos e seus afetos, que é fundamento para o autodomínio. Se não educarem na austeridade nada conseguirão, como estimular a criação de hábitos que contradigam as desordens da preguiça; da intemperança no comer, beber e se divertir (passar muitas horas na internet). Ao exigir, por exemplo, ordem nos objetos pessoais, pontualidade nos horários de refeições e de dormir, cumprimento dos encargos familiares, a ter horário de brincar e estudar, etc, os filhos aprendem a se dominar com as correspondentes virtudes ou bons hábitos que vão adquirindo, e passam a compreender que a vida não é um mero satisfazer prazeres e caprichos.

     Depois, é preciso ajudar as crianças a compreenderem que não devem atribuir demasiado sentimento ao que merece menos, como perder um jogo, nem demonstrar excessiva vibração por coisas banais ou suportar pequenas contrariedades como se o mundo fosse desabar na cabeça delas; e necessitam saber esperar por algo sem maus modos. Estimular as crianças a colocarem mais sentimentos ao que merece mais, e que por vezes elas colocam menos: ajudar os pais, irmãos e amigos em suas necessidades; ter espírito de serviço no lar; não ser indiferente com a dor dos outros diante de notícias trágicas; compadecer-se dos que passam necessidades; doar alimentos e brinquedos a crianças pobres, etc.

3 – Os pais como educadores dos sentimentos dos filhos

     Os pais são os primeiros e mais eficientes educadores da afetividade, temperamento e caráter dos filhos. Essa eficiência radica-se na natural confiança que os filhos têm pelos pais, e porque os pais, por estarem sempre presentes, oferecem uma educação personalizada e baseada no carinho e na exigência.

     Para educar, os pais não devem confiar apenas no bom senso: urge que leiam boas obras sobre a educação comportamental dos filhos. A título de sugestão, deixamos em nosso site uma lista dessas obras.

4 – Era uma vez um menino cheio de dengos

    Era uma vez um menino cheio de caprichos e dengos: “Não gosto”, “Não quero’, “Não vou comer essa porcaria” eram frases frequentes em sua prosopopeia. Não havia argumento que o demovesse de sua enjoadice. Então, de comum acordo, os pais adotaram uma atitude mais firme: serviram só arroz, feijão e bife. E lá veio ele com a suas frescuras: “Não vou comer essa droga”, “Não quero, não quero”. Então os pais retiraram o prato e o colocaram na geladeira. No jantar serviram o mesmo prato e, lógico, ele reclamou, esperneou e foi dormir com o estômago roncando. No café da manhã do dia seguinte apresentaram a mesma gororoba e, como a fome é o melhor condimento, a fera atacou-a com veemência e papou tudo. E assim, mantendo-se firme no plano estabelecido, foram acabando com as manias e dengos do pirralho. Anos depois, esse menino, já personagem ilustre da nossa sociedade atual, tinha um profundo agradecimento pelos seus pais, que fizeram com que ele não se tornasse um banana incapaz de fazer algo razoável que viesse a contrariar o seu gosto. Essa história é real e foi relatada pelo meu amigo Francisco Faus em seu livro Autodomínio – Elogio da temperança, e que conhece o personagem central desta história, hoje um preclaro bispo!

Texto produzido por Ari Esteves (staging.ariesteves.com.br/)