1 – Três doenças que alteram o comportamento infantil. 2 – Transtorno Atencional com Hipercinesia. 3 – Depressão infantil. 4 – Transtorno por Ansiedade Excessiva em crianças. 5 – Diante de uma anormalidade, agir rápido.
1 – Três doenças que alteram o comportamento infantil
A educação afirmativa ou assertiva é aquela onde o carinho e a exigência se unem. Por vezes, essa educação, tão eficaz, pode não alcançar o êxito desejado porque um dos filhos apresenta determinada patologia no comportamento.
Os tratamentos modernos combinam psicoterapia, medicação e orientação familiar. A resposta da criança à terapia é mais rápida que a de um adulto que apresente algum desses distúrbios: em curto prazo ela se cura, se atendida por um psicoterapeuta infantil bem-preparado.
2 – Transtorno Atencional com Hipercinesia
A primeira patologia que impede os resultados das boas técnicas educativas é o Transtorno Atencional com Hipercinesia (do grego “Hiper”, muito + “kínesis”, movimento: muito movimento), antes conhecido como Disfunção Cerebral Mínima.
Transtorno Atencional: a criança tem dificuldade de manter a atenção concentrada no acompanhamento das aulas, nas tarefas escolares em casa ou em outra atividade que realiza. Os pais veem-se obrigados a repetir as ordens com frequência e têm a impressão de que ela não lhes faz caso. Costumam agir de forma precipitada e interrompem os outros porque não são capazes de aguardar a vez nas conversas, brincadeiras ou tarefas.
Hipercinesia: o excesso de movimento ou hiperatividade costuma ser acompanhado pelo deficit de atenção (deficit atencional com hiperatividade). Manifesta-se na dificuldade para dedicar-se a uma única tarefa ou ser perseverante no que faz: levanta-se a todo instante de sua carteira na sala; inicia uma lição e não a termina; mesmo tendo bom nível de inteligência tira notas baixas; tem má conduta na sala de aula, com queixas dos professores. A criança hiperativa costuma perder material escolar, brinquedos, roupas, etc., e nas atividades físicas tende a práticas perigosas sem medir os riscos.
O Transtorno Atencional com Hipercinesia pode manifestar-se na criança associado a outras disfunções de conduta: dizer mentiras, cometer pequenos furtos, mostrar-se briguenta e com poucos amigos, ser desafiadora e contestatária com pessoas que detêm autoridade sobre ela.
3 – Depressão infantil
A depressão em crianças é de difícil diagnóstico, porque elas não sabem justificar o motivo de sua tristeza. Esse distúrbio pode ter as seguintes manifestações: passar da passividade aos movimentos excessivos; ser agressiva; dormir mal e com dificuldade para despertar pela manhã, quando isso não ocorria; inapetência ou voracidade diante dos alimentos; choro frequente sem saber explicar o motivo; diminuição do rendimento escolar; deixar de brincar ou diminuir a frequência.
A terapia combina psicoterapia, medicação e acompanhamento familiar. Ao contrário dos casos de depressão em adultos, a resposta das crianças ao tratamento costuma ser de curto prazo.
4 – Transtorno por Ansiedade Excessiva em crianças
A ansiedade é uma reação normal em qualquer pessoa diante de situação que provoca medo, dúvida ou expectativa: horas que antecedem uma entrevista de emprego, resultado de prova ou concurso, nascimento do filho, diagnóstico de possível doença… Em tais casos, a ansiedade prepara a pessoa para o desafio que deverá enfrentar.
O Transtorno por ansiedade excessiva ultrapassa o limite do razoável, e pode afetar pessoas de qualquer idade. Em geral, as mulheres são um pouco mais vulneráveis à ansiedade que os homens.
Na criança, a ansiedade passa a ser um distúrbio quando o corriqueiro se torna desproporcional, diminuindo sua qualidade de vida. Deve ser considerado um distúrbio atípico nela, pois lhe é causa de sofrimento, impedindo-a de responder positivamente à educação que recebe.
Existem dois tipos de transtornos de ansiedade: Angústia por Separação e Transtorno por Ansiedade Excessiva.
Angústia por Separação: a criança se nega a ficar longe das figuras protetoras (pais, avós, irmão mais velho, empregada) e recusa-se a ir ao colégio ou a cumprir outras obrigações que impliquem separação física. Pode sentir dor de cabeça e de estômago. Geralmente tem pesadelos intensos ou medo de dormir à noite.
Transtorno por Ansiedade Excessiva: é um distúrbio persistente e de difícil controle para a criança, que vive extremamente preocupada com o seu desempenho na escola, nos esportes e na vida social. Faz constantes perguntas sobre si às pessoas ao seu redor, a fim de se tranquilizar, reafirmar-se e obter a aceitação delas: − Estou bem? − Gostou? Preocupa-se excessivamente diante de fatos que não merecem tanta atenção: − Acha que ficou bom? Esse comportamento leva-a à inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono.
As duas patologias melhoram rapidamente com a ajuda de um psicoterapeuta infantil bem-preparado, além do acompanhamento familiar.
5 – Diante de uma anormalidade, agir rápido
Os pais não devem se sentir culpados diante de uma anormalidade comportamental da criança, mas precisam agir rápido, caso observem algum sintoma. Além da saúde da criança, a celeridade na ação evitará alteração na dinâmica familiar, uma vez que os filhos saudáveis tendem a imitar as atitudes do irmão que padece um transtorno.
Texto produzido por Ari Esteves com base no livro “Carinho e firmeza com os filhos”, de Alexander Lyfird-Pike, Editora Quadrante, São Paulo SP
