Educar em valores

1 – A família é o melhor negócio dos pais. 2 – Educar é transmitir valores. 3 – A boa literatura tem muitos exemplos de valores. 4 – Pensar a longo prazo. 5 – O que serão ao invés de o que farão.

1 – A família é o melhor negócio dos pais

     A família é o principal negócio dos pais, e o trabalho profissional é um meio. Muitos profissionais testemunharam que o sucesso da carreira não lhes trouxe felicidade, pois seus filhos se perderam em alguma forma de evasão.

     Os pais têm hoje pouco tempo para estar com os filhos, e esse curto período deve ser empregado com qualidade, tendo um projeto educativo para cada filho, pois não basta apenas dar abrigo e alimento e deixar o tempo passar para que melhorem.

     A desinformação, que afeta as crianças desde pequenas, chega por todos os lados: programas de tv, desenhos com conteúdo ideológico, mau exemplo de artistas, influência de crianças que procedem de famílias com valores discutíveis, notícias sobre violência e corrupção… Nos ensinos fundamental, médio e profissional os filhos serão expostos a muitas ideias distorcidas sobre a sexualidade humana, namoro, casamento, família…

     Portanto, os pais não podem dormir sobre louros, pois a crise de valores e o analfabetismo moral acossam por todos os lados e atingem profundamente as crianças, dada a inexperiência delas. Só a família reverterá esse quadro de desorientação, porque é a primeira e principal escola de valores, e o ambiente onde se desenvolvem mais profundamente a personalidade e a liberdade responsável. Cada filho nasce com características positivas e negativas, e a família é a única que pode assumir os aspectos débeis dos filhos e potenciar os positivos, ajudando-os a se desenvolver para servir aos demais com suas qualidades.

2 – Educar é transmitir valores

     Os pais devem viver e ensinar os valores que acreditam. Valores são modelos de conduta que adotamos para orientar a nossa vida: “são como raios de luz de um mesmo esplendor, o da Verdade que torna livre os homens, e se faz justiça, ou liberdade, ou fidelidade ou honradez, mas que é indivisível, fruto de uma mesma e vital raiz”, ensina Gustavo Villapalos em sua obra “El libro de los valores”. Há quem identifica valores com virtudes.

     Educar em boa parte é transmitir os valores que se acreditam e que filhos devem assumir por vontade própria, sem necessidade de vigilâncias. A pergunta sobre os valores ou modelos que escolhemos tem sentido porque direcionamos a nossa vida por eles. Há quem age por valores de utilidades primárias (comer, beber, se divertir); outros pela beleza física, fama, poder, dinheiro, pátria, cultura, destreza técnica, família, religião etc. Examinar os valores que regem a própria vida e os que se querem para os filhos é necessário para não construir sobre bases falsas e origem de fracassos.

     Na convivência familiar encontram-se as melhores oportunidades de promoção dos valores considerados importantes e decisivos para uma vida reta e feliz. Sendo os pais os melhores e principais educadores (função indelegável), o que fazem ou deixam de fazer na infância influirá no modo como os filhos enfrentarão a vida.

     Apreciam-se não valores teóricos, mas imitáveis e assumidos por pessoas que se quer como modelos. Mesmo em tempos de crise de valores encontramos pessoas que personificam um ideal de excelência humana na própria família e nas relações profissionais ou sociais. Essas pessoas são modelos porque a história delas está assentada em fatos edificantes: um casal que completa 30, 40 ou 50 anos de casamento é um valor de fidelidade e de verdadeiro amor que deve ser imitado e ensinado; o amigo que não aceita subornos ou pais que levam adiante e com sacrifícios um lar com vários filhos são exemplos de valores.

3 – A boa literatura tem muitos exemplos de valores

     Ter modelos é algo muito humano, mas a questão está em acertar e não errar na escolha. Um modo de ensinar valores aos filhos são as narrativas (romances, novelas, contos, biografias, bons filmes), pois têm influência enorme na vida humana como veículos de transmissão de valores ou modelos de condutas. Basta ler a “Odisseia”, de Homero, para ver a fidelidade entre Ulisses e Penélope; ou entre Romeu e Julieta, de Shakespeare. Contar histórias é melhor que discursos teóricos, seja para configuração moral da vida de uma pessoa ou de um povo.

     Atualmente os pais devem estar atentos, pois os grandes narradores são o cinema, a TV, as mídias, os videogames e a publicidade, que podem manipular por meio de narrativas que apresentam modelos de família, de sucesso profissional ou de lazer que não condizem com o tipo de vida que os pais querem para os seus filhos. Hoje, muitas crianças são influenciadas pela mídia e, mesmo sem ter nada a oferecer, se lançam como youtubers ou sonham em ser estrelas do futebol, atrizes ou atores de novelas, pois acreditam que fama seja sinônimo de felicidade, e não percebem que esse bem espiritual se deve a uma plenitude de vida bem vivida e fundamentada em verdades sobre a natureza humana. Escolher modelos de sucesso a qualquer preço é deixar-se massificar e permitir que outros decidam por si.

4 – Pensar a longo prazo

     Em lares com crianças parece não haver tempo para pensar sobre qualquer assunto a longo prazo, pois um turbilhão de tarefas acontece diariamente e dificulta a reflexão. Além disso, os pais olham para os filhos pequenos com ternura e graça, e não conseguem imaginá-los 15 ou 20 anos depois, como jovens ou adultos, e quais os problemas que enfrentarão.
     James Stenson, em seu livro “Enquanto ainda é tempo”, e baseando-se em dados estatísticos atuais, pede para olhar um pátio escolar com 500 crianças na hora do intervalo, por exemplo, esse onde seus filhos correm, riem, jogam bola, pulam. As estatísticas atuais aplicadas sobre essas crianças preveem que nos próximos 20 anos ocorrerão os seguintes fatos:

  • 60% abandonarão por completo a prática religiosa e aceitarão qualquer opinião sobre a família, sexualidade, vida humana, e não transmitirão a fé aos filhos que tiverem;
  • 100% estarão expostas à pornografia, que coloca em risco o respeito pelo outro sexo, o conceito de família, a profissão, o casamento;
  • 60 a 70% terão experiências pré-matrimoniais, com as consequências físicas e psicológicas dessas ocorrências;
  • 20 a 40% viverão em concubinato e, sem um compromisso sério, poderão ficar sozinhas e com um filho para criar;
  • 50%, ou seja, a metade dessas 500 crianças, estarão divorciadas por volta dos 35 anos;
  • 100% serão convidadas a experimentar drogas, talvez numa festa, escola ou universidade;
  • 10 a 20% terão graves problemas psicológicos e, desses, um número pequeno cometerá suicídio;
  • 10% enfrentarão sérios problemas de dependência de álcool ou drogas;

     Não basta vigiar os filhos para que não cometam tais ações. Só por meio do diálogo aberto, carinhoso e confiado, será possível ajudá-los a refletir para que queiram por conta própria assumir os valores que conduzem a uma vida reta, limpa.

5 – O que serão ao invés de o que farão

     É comum pensar unicamente nas notas escolares e na carreira que os filhos irão seguir, porque considera-se apenas o que farão e não no que serão. É importante pensar nas características temperamentais e de caráter que os filhos terão e trabalhar para que isso aconteça:

  • Porte pessoal que refletirá ser uma pessoa segura, com autodomínio, força de vontade, confiança em si mesma, compreensiva, prudente, alegre, otimista, que sabe ouvir os demais;
  • Que terá opinião própria de quem não se deixa conduzir pelo que todos fazem ou pela imposição das mídias;
  • Que aproveitará bem tempo de descanso para crescer humana e espiritualmente por meio de um lazer criativo, e não viciado em maratonas de séries, tabletes, redes sociais;
  • Que colocará esforço para vencer preguiças e comodismos, a fim de trabalhar com competência e levar a sério seu projeto de vida;
  • Que será generoso e compartilhará seu tempo e suas coisas para aliviar os sofrimentos dos demais ao seu redor.

     Após ter uma imagem do tipo de homem ou de mulher que se deseja para cada filho ou filha, trata-se agora de trabalhar no dia a dia da vida familiar para que se torne realidade. Todo esse perfil positivo não será obra do acaso, pura sorte de que os filhos venham a ser assim. Ao contrário, ocorrerá com certeza se hoje os pais educarem em valores e fomentarem o crescimento de virtudes.

Texto elaborado por Ari Esteves para o site staging.ariesteves.com.br/, e inspirado nos livros “Fundamentos de Antropologia”, de Ricardo Yepes e Javier Aranguren, Instituto Raimundo Lúlio e “Filhos: quando educá-los”, de James B. Stenson, Editora Quadrante, São Paulo (SP).

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